quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Surpresa! cap 23

Parte Peter

A nossa volta para casa foi quieta, ao contrario do que eu pensei que seria, acho que ela esta começando a aceitar que eu não vou perder o contato com a Cris, por causa de ninguém, muito menos dela. Porem, ao contrario do que foi no carro, em casa ela decidiu abrir a boca, e eu já esperava por isso, principalmente depois da musica, na qual a Cris ficou visivelmente emocionada, assim como eu. Sinto que a cada dia que passa eu penso ainda mais nesta mulher, e sinto que estou começando a ficar disposto a fazer tudo por ela.

-Eu não sei mais o que fazer com voçe Bruno. Sinceramente!

-Do que esta falando?

-Do que eu estou falando? Do que. Eu estou. Falando?-disse pausadamente enquanto massageava a têmpora. O que voçe estava fazendo quando sumiu no segundo andar da casa no meio a festa?

-No banheiro, voçe sabe disso.

-Não, eu não sei, não estava com voçe. E outra voçe demorou demais...

-Vai ficar regulando ate o tempo que eu demoro no banheiro agora? Vai implicar com a mãe dela também? Com a amiga dela, com a sogra dela?

-Para de colocar palavras na minha boca... Mas isso não fi o pior, o pior de tudo foi aquela musica. Que musica e aquela extremamente sugestiva, depois daquela conversa a mesa?

-Para Pam, por favor, voçe viu que foi a amiga dela que escolheu.

-Muito conveniente, parece ate que foi proposital.-foi irônica. Voçe escreveu para ela?

-Talvez.

-TALVEZ? BRUNO...

-OLHA PAM.-respirei fundo. A minha vida, e a minha historia com a Cris, e passado, ela e casada...

-Sua historia? Que historia?

-Olha, talvez seja melhor voçe trocar de medico...

-Pra que? Para te dar ainda mais liberdade com ela?

-Voçe esta louca!

-VOCÊ AINDA NÃO ME VIU LOUCA BRUNO!-apontou o dedo pra mim.


-ADIVINHA. Voçe também não. Olha Pam, eu estou surpreso comigo mesmo sabia? Eu não sou de ficar aturando ataques, surtos, ou imaginações férteis de mulher me julgando por tudo, ate por olhar para o lado. E acredite eu só estou fazendo isso por causa do nosso filho.

-O QUE?

-E ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU PAM. Se não fosse pelo nosso filho, já não estaríamos mais juntos. Pode acreditar nisso.

-VOCÊ E UM IDIOTA BRUNO!

-Sabia que de tanto voçe falar isso, eu ja estou acreditando? Talvez eu realmente seja um idiota, por estar te ouvindo, e te aturando por tanto tempo.-dei as costas a ela indo para a porta.

-Onde voçe vai, são quase 3 da manha.

-Vou respirar, quando voçe estiver mais tranquila eu volto, não quero que se aborreça por causa do nosso filho...

-E voçe acha que eu já não me aborreci?

-Sera melhor ainda, tome um banho, e tente ficar calma.

Sai de casa batendo a aporta -nem me importando se já era quase três da manha-, com a certeza de que a cada dia que passa a minha ideia de me separar dela quando o nosso filho nascer, seja a mais correta possível. Nem de longe somos o que eramos a 4 anos atras, não nos damos mais tão bem como antes, nem na cama, e muito menos na vida. E o que ela me disse uma vez, voltou a martelar na minha cabeça. "Sera que se eu estivesse com a Cris, não estaria mais feliz?"

Parte Cris

Na noite da nossa festa de casamento, depois que todos os convidados foram embora, decidimos nos recolher. O Rafa estava meio estranho em alguns momentos da noite, mas depois da musica que o Peter cantou, que me deixou visivelmente abalada, ele estranhamente não brigou, ou disse algo abertamente, mas ele ficou mais fechado, e caladão, mas na dele, e quase não falou comigo, ate tentei puxar assunto, mas ele estava completamente monossilábico.

-Voçe gostou da festa?-resolvi arriscar mesmo depois da sua cara poucos amigos.

-Perfeita!-respondeu em tom sarcástico. Mas eu acho que voçe foi a que mais gostou, não e mesmo?

-O que voçe esta insinuando?

-O QUE EU ESTOU INSINUANDO?

-Fala baixo, os meus pais...

-Voçe esta se tornando muito sínica sabia?

-Eu? Do que voçe esta falando Rafael?

-Aquela dancinha de vocês cheia de sorrisos, caricias, só faltou se beijarem na frente de todos!

-E claro que não...

-E para completar, ate a Liz esta contra mim, e isso mesmo? A mulher do meu melhor amigo, pedindo musiquinha sugestiva para que ele cantasse para você...

-Ele cantou para todos nos!

-OLHANDO PRA VOCÊ CRYSTAL. NA MINHA CASA, ELE TEVE A PACHORRA DE ME DESAFIAR AQUELE FILHO DA ...

-NÃO FAÇA ISSO! Não a xingue!-o encarei sentindo os meus olhos marejarem, eu não iria admitir que ele a xingasse.

-E claro que voçe vai defende-lo, e obvio! Melhor amigo de cu e rola! Quer saber, eu vou tomar um banho, estou fervendo de raiva. Eu só não meti a mão nele, em respeito a sua mãe, se bem que ela parece gostar muito mais daquele merda, do que de mim!

Ele retirou a roupa entrando no banheiro, o Rafael estava cuspindo fogo, e eu preferi me calar para não aumentar ainda mais a sua raiva. Afinal, se ele estava com raiva pela musica, e a dança, imagina se ele soubesse do presente que ele me deu, ou pior, se visse o que quase aconteceu na sala de áudio entre nos dois? Acho que eu não estaria mais aqui para contar a historia.
Por falar nisso, eu senti que o meu coração iria sair pela minha boca, e no fundo, eu estava esperando por aquele beijo, eu preciso assumir que eu o queria, e eu só tinha desejado tanto um beijo, uma vez, e era exatamente dele, só que a quase onze anos atras. Senti a minha boca salivar e um desejo louco de sentir os seus lábios tomarem conta de mim, e sinceramente, aquele beijo só não aconteceu por causa da Liz. A proposito, ela nunca tinha me pedido desculpas por tantos dias seguidos como nesta semana apos a festa.

Uma semana depois recebi a Pam novamente no meu consultório, ela parecia normal, nos tratamos normalmente, e eu a atendi estranhamente mais tranquila do que nas outras vezes, parecíamos ate amigas, e de certa forma isso me deixou mal, afinal a uma semana atras eu estava dentro de uma sala com o seu noivo prestes a beija-lo.

-Bom Pâmela, diante destes novos exames, estamos com uma preocupação, a sua pressão esta muito alta, e eu vou ter que começar a te administrar uma medicação para controla-la.

-Isso e perigoso não e?

-Sim, mas com a medicação correta, iremos tentar controlar. Vou te encaminhar a um endocrinologista, e ele vai te passar uma dieta que vai ajudar a controlar a pressão.

-Tudo bem.

-Para ajudar com o inchaço, tente fazer bastante massagem nos pés e pernas. Peça ao seu noivo para fazer nas suas costas, seria ate bom se participassem de cursos, e aulas de yôga, e ótimo para deixa-los mais próximos do bebe, e um do outro, claro.-a encarei e ela sorriu, não pareceu muito confortável com ideia, mas logicamente, eu não iria perguntar.

-Eu vou procurar um.

-Ótimo. Tente conversar bastante com o seu bebe, fazer caricias de leve, não faça massagens na barriga, apenas caricias, o bebe precisa sentir o seu toque, o seu carinho, a sua presença, a sua voz, voçe precisa ter uma ligação com ele, e na hora do parto, tudo ocorrera bem. A proposito, já pensou em fazer um plano de parto?

-Na realidade sim, e esta era realmente uma das questões que eu queria esclarecer com voçe hoje. Eu só quero ter o meu filho na presença do meu noivo, se ele não tiver presente, eu não vou ter.-ela disse convicta.

-Mas isso e um direito dos dois, ele só não assiste se caso voçe não queira, ou se ele não estiver no momento, e o bebe não quiser esperar...

-Mesmo se o bebe não quiser, ele vai esperar pelo pai. Eu não quero estar sozinha.-ela disse como se não ligasse para o bem estar do próprio filho.

-Olha Pâmela, isso não e tão fácil, se o bebe esta coroando, ele precisa nascer, não pode esperar pela boa vontade de vocês, e ele que manda nesta hora.

-Eu não quero estar sozinha!

-Então garanta com antecipação, que ele estará com voçe, caso contrario, o bebe não poderá esperar. Eu vou fazer o seu parto, e se ele corar, vai nascer com o seu noivo ou não.

-Eu vou garantir. Eu quero parto normal, não quero cesárea, não quero ficar com uma cicatriz enorme, e deformada.

-Hoje em dia a cicatriz não e tão exagerada, e pode ser corrigida com uma pequena plastica, ou cremes redutores de cicatrizes.

-Eu não quero doutora, tem que ser normal.-haja paciência.

-Olha Pâmela, a sua pressão não esta colaborando, e pode ser um pouco complicado fazer parto normal, mas eu prometo, tentar um parto normal ate o ultimo segundo, tudo bem?

-Eu vou pensar ate la.-sorrimos. Definitivamente ela esta pouco se importando com o bem estar este bebe.

-Tudo bem. Qualquer coisa e só me perguntar, estou a sua disposição.

-Obrigada Crystal.

-Pode me chamar apenas de Cris.-sorri para ela, que retribuiu.

-Pode me chamar apenas de Pam.

-Okey Pam, por hoje e isso, e como voçe esta se aproximando do seu sétimo mês, vamos diminuir o tempo de consulta para duas semanas.

-Certo.

Nos despedimos com um beijo, e um abraço ao final da consulta. Conforme ia conversando, e passando algum tempo com ela, estava começando a criar um carinho por ela, afinal, ela me trata muito bem, e sempre gentil, e risonha mesmo com as indiretas do seu noivo para o meu lado, e isso me deixa mais certa de que eu preciso ficar o mais distante possível em relação Peter, afinal, eu sinto muito medo de sentir tudo o que sentia por ele antes, na mesmo proporção, ou pior, ainda mais, e eu não quero isso.

§


Uma semana desde a ultima consulta com a Pam tinha se passado, e eu estava estranhando a falta de noticia do Peter, geralmente ele me ligava sempre, e depois do dia do meu aniversario de 6 anos de casamento, ele não me ligou mais, nem mesmo uma mensagem, achei estranho, mas depois da ultima vez em que liguei para ele só para perguntar se estava com raiva de mim, eu decidi deixar o resto da minha dignidade intacta e ficar na minha, mesmo com a Liz tendo insistido para que eu ligasse novamente para ele. Esta curtia ver um circo pegar fogo.

-Vamos almoçar?-ela entra na minha sala.

-Vamos, estou azul de fome. Não posso nem demorar muito, tenho uma ultra hoje.

-Tenho uma noticia boa para te dar.

-Serio? E sobre o que?

-Matt me pediu para marcar a data do nosso casamento?

-Jura? Que maravilha amiga.-a abracei forte. Estou muito feliz por voçe!

-Obrigada. E tem mais.

-O que? Me conta, nossa estou muito feliz de verdade.

-Quero que seja a minha madrinha.

-Para, e serio?- a encarei sentindo os meus olhos marejarem.

-E claro que sim, voçe e a minha melhor amiga, e sinceramente, não teria ninguém melhor para estar ao meu lado em um dia tão importante como este.

-Obrigada minha amiga, pode contar comigo para o que precisar.

-Eu sei. Agora vamos almoçar, por que eu também estou com muita fome.

Saímos da sala, e seguimos direto para o estacionamento, assim que ela desarmou o carro dela no qual iriamos sair para almoçar, eu ouvi o meu nome ser chamado, olhei para trás, e senti o meu corpo paralisar, e só havia pessoa que eu descobri ter todo este controle sobre mim. Ele.
Me virei calmamente para trás, mesmo já sabendo quem iria encontrar, e ele estava caminhando em nossa direção simplesmente lindo, com um casaco de zíper fechado ate a gola, e uma calça jeans simples, mas que o deixava simplesmente lindo.
Ele sorriu abertamente enquanto me encarava, provavelmente ao notar a minha cara que deveria estar hilaria, afinal, eu deveria estar com uma cara de espanto nada bonita. Eu estava ate curtindo a minha "paz" interior, mas agora eu sinto que ela vai por água a baixo.

-O que ele quer aqui?-falei baixo só para que a Liz ouvisse.

-Não sei, mas com este sorriso, talvez ele queira terminar algo que começou em uma certa noite.-sorriu.

-Eu te odeio.

-Mentirosa.

-Ola moças, boa tarde.-se aproximou com as mãos no bolso, mantendo o seu perfeito sorriso nos lábios. Cacete, como ele estava sexy.

-Ola, Bruno?-Liz logo deu a voltam seu carro indo ate ele o cumprimentando. Tudo bem?

-Ótimo, e voçe?

-Muito bem, obrigada!-ele me olhou após cumprimenta-la.

-Eu vim chama-la para almoçar comigo, desculpa não avisar antes, mas e que sabia que voçe iria inventar alguma desculpa para não ir. Estou certo?-sim.

-Talvez.

-Talvez? Assume, fica mais bonito.-passou a mão em minha cintura me puxando para um abraço, e em seguida beijou demoradamente o meu pescoço, me deixando visivelmente arrepiada, e desconcertada.

-Bem, se voçe não se incomodar em almoçar com a Liz e comigo, sem problemas.-o encarei depois de nos soltarmos.

-E claro que não!

-Seria ótimo, mas... -o que esta cachorra vai inventar? Infelizmente, eu não poderei ir com vocês.-vaca. Olha só, acabei de receber uma mensagem do Matt no celular, e sabe como e né amiga, eu preciso ir, me desculpa.-cretina.

-Mas voçe...

-Me perdoa amiga, eu acabei de receber, olha.-me mostrou o celular de longe com uma mensagem qualquer. Mas sei que estará em boas mãos.-sorriu piscando o olho.

-Claro que estará.-ele afirmou com um sorriso no canto dos lábios. Vamos?-disse com a mão na minha cintura.

-Peter...
-Voçe disse que estava tudo bem, não disse?

-É claro que ela disse, e esta.-a Liz praticamente me empurrou para perto dele.

-Então vamos.-disse um pouco exitante.

Demos as costas para ela seguindo para o carro dele, mas antes de entrar, eu virei o rosto a encarando, e ela sorria vitoriosa "Eu te mato!" apenas movimentei os lábios.

-Por favor!-ele abriu a porta.

-Obrigada.-me acomodei enquanto ele deu a volta entrando em seguida.

-Tem alguma preferencia?

-Não, pode ser onde voçe quiser.

-Tudo bem, então sera na minha casa?-sorriu de canto.

-NÃO!-o encarei assustada. Esta louco?

-Eu? Claro que não, voçe que disse que poderia ser onde eu quisesse.

-Mas não na sua casa.

-Tudo bem, podemos ir a um hotel.

-PETER! Por favor, me respeite, eu sou casada, voçe também e, a sua noiva esta gestante, se não for por mim, a respeite por favor!-disse, e ele apenas sorriu.

-Primeiro, eu não sou casado, apenas moramos juntos. Segundo.-me encarou. Tem um italiano não muito longe daqui.-deu partida no carro.

Ou ele me ignorou, ou entendeu o meu ponto de vista. Se eu falar que depois de tudo o que eu venho passado, e sentindo, eu não sinta vontade de no minimo beija-lo somente para ter o prazer de senti-lo novamente, eu estaria mentindo descaradamente, mas não posso, não podemos. Infelizmente tem muitas vidas envolvidas.
O caminho ate o tal restaurante foi quieto, ele com a atenção da rua, e eu em qualquer coisa que passasse ao lado da minha janela. Não vou negar que em alguns momentos eu não resisti, e apreciei o seu maxilar trincado enquanto dirigia, parecia estar com raiva, mas mesmo assim ele não deixava de ficar extremamente lindo.

-Chegamos.-anunciou assim que parou em frente a um hotel.

-Hotel Peter...

-Relaxa, também tem restaurantes em hotéis, e já que voçe esta morta de medo de ser vista comigo, eu vim a um que e bem discreto.

-Desde quando hotéis são discretos?

-Confie em mim pequena, este é.

Saímos do carro, e entramos no hotel seguindo direto para o restaurante, e realmente ele parecia ser bem discreto. Menos mal. Agora e só esperar para ver como sera este almoço, e torcer para que nada de errado aconteça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário