terça-feira, 14 de julho de 2015

Adeus Peter... cap 06



Acordei não sei quanto tempo depois, estava completamente despida, com uma colcha sobre o meu corpo e completamente sozinha, infelizmente. Só não achei que tudo aquilo tinha sido um sonho, por que o seu cheiro estava sobre os lençóis, e principalmente, sob o meu corpo, além da a ardência que sentia entre as minhas pernas, não me restavam dúvidas.
Me descobri rapidamente a procura da mancha de sangue,  não queria correr o risco da mamãe ver. Porém, mesmo me sentindo dolorida, não havia absolutamente nada, mas eu sei que isso e relativo de cada corpo, de cada organismo, e depende muito de como foi o ato sexual, se foi conturbado, tenso, tranquilo, ou prazeroso. E bom, sem dúvidas ente nos dois foi muito prazeroso.
Era quase impossível de acreditar, que sim, eu fui dele.
Mas logo uma dor, e uma tristeza chata tomou o meu peito, quando eu constatei que ele iria embora hoje. Olhei a hora e já passava de uma da tarde, ele disse que iria no inicio desta tarde, mas eu não sabia a hora ao certo, provavelmente ele já deveria estar embarcando neste momento. Senti uma agonia chata, e antes mesmo de fazer qualquer coisa, ouvi batidas na porta, e a única coisa que consegui fazer antes que a minha mãe entrasse no quarto, foi me cobrir.

- Filha, desculpa a demora meu anjo. - ela fechou a porta ao entrar no quarto.

- Mãe! - puxei a colcha cobrindo ainda mais o meu corpo.

- Eu acabei me distraindo conversando com a Bernadette. Você sabia que o Peter vai para Los Angeles hoje?

- Sim.

- Por que esta dormindo ainda? E sem roupas?

- Mãe, eu...

- O que aconteceu aqui para as suas roupas estarem jogadas assim? - olhou ao redor.

- Mamãe, não aconteceu, nada.

-Você vai mentir pra sua mãe agora?

- Não, eu só...

- Então fale a verdade! - ela sentou na cama ficando a minha frente.

- E uma coisa difícil de se falar mãe, eu não quero mentir para a senhora, mas ao mesmo tempo eu não quero contar. - a olhei nos olhos, e ela arqueou a sobrancelha.

-Você não confia mais na sua mãe? - eu poderia ver a decepção em seus olhos neste momento.

- É claro que confio mãe.

- Então me fale, porque você esta com esta cara de quem estava dormindo e completamente sem roupas Crystal.

- Eu não sei como te falar isso.

- Apenas fale!

- Não e tão simples!

- É claro que é, é só falar.

Olhei em seus olhos, e apesar de parecer estar irritada, eu sabia que ela estava pronta para me ouvir, agora se ela iria compreender, era outra história. Sempre confiei na minha mãe, ela sempre foi a minha melhor amiga, mas não sei se ela será tão minha amiga ao saber que acabei de perder a minha virgindade.

- Estou esperando Cris.

- Eu acabei de perder a minha virgindade.

Fechei os olhos e me preparei para ouvir, ou até mesmo para receber o primeiro tapa. Porém, ela não disse nada, eu abri os olhos imaginando que ela estaria desmaiada, mas para a minha surpresa, ela estava parada, simplesmente parada me olhando. Não sei definir a sua expressão, mas ela não parecia estar tão furiosa, quanto eu imaginei.

- Mamãe, a senhora me ouviu? - me arrisquei a perguntar.

- Sim, perfeitamente. Com quem? Quem você colocou dentro da nossa casa?

- O Peter. - disse sem exitar e ela soltou um suspiro, que me pareceu ser de alívio.

- Menos mal.

- Menos mal?

- Claro, ao menos eu o conheço, conheço a família dele e sei que é um bom rapaz!

- Mãe, a senhora está bem? - a encarei enquanto ela dobrava as minhas roupas.

- Sim. - me olhou e sorriu. Sério, ela sorriu? - Um dia isso teria que acontecer, uma hora ou outra, você iria perder a sua virgindade. Foi cedo, admito, extremamente cedo, mas já aconteceu.- ela sentou ao meu lado - E até nisso, você me deu orgulho, pois foi com um rapaz que conhecemos e confiamos, não com um garoto qualquer. E o melhor, dentro de casa e não em uma esquina qualquer.

- Ah mamãe, você e a melhor mãe do mundo. Eu pensei que iria me bater e me expulsar de casa. - sorrimos.

- É claro que não meu amor, eu fico muito feliz por confiar em mim e saber que posso confiar em você. Vocês usaram camisinha não é? - me encarou franzindo o cenho.

- Sim mãe. - sorri.

- Que bom! - me abraçou ainda mais - Foi bom?

- Mamãe? - a olhei incrédula.

-O que foi, só estou curiosa, quero saber.-sorriu-

- Foi incrível, pena que ele vai embora.

- Eu sei, sinto muito por isso.

- E eu nem me despedi dele. Eu acabei dormindo.

- Que feio filha, isso é o papel deles. - sorrimos.

- Ainda estou aprendendo dona Laura.

- Tudo bem. - ela se levantou - O que é isso? - se abaixou pegando um pedaço de papel.

- O quê?

- Parece um bilhete. "Minha pequena..." Acho que é para você. - sorriu me entregando.

"Minha pequena, me desculpa por ter ido e não ter te acordado, é que você estava tão linda adormecida, parecia uma visão de tão bela. Mas eu precisava ir, tinha que terminar de arrumar as minhas malas.
Eu sinto muito não termos descoberto o quando nos gostamos antes de ter que ir embora, mas eu prometo voltar assim que for possível.
Se caso você desejar, o meu voo saí às 14:10 horas, eu queria muito te ver antes de embarcar.
Obrigado por confiar em mim, por ter se entregado a mim em sua primeira vez e espero que ela seja tão inesquecível para você, como será para mim.
Até breve, minha doce Crystal."

Minha mãe disse que ainda dava tempo de ir até o aeroporto, e que ela me levaria de carro sem problema nenhum. Já disse que tenho a melhor mãe do mundo?
Estávamos saindo de casa quando olhei no relógio e faltava apenas vinte e cinco minutos, ainda bem que o percurso ate o aeroporto não era tão longo e em cinco minutos mais ou menos já deveríamos estar chegando. Porém o que nos pegou de surpresa foi um trânsito chato que estava completamente parado.

- Que estranho, não deveria estar tão engarrafado assim.

- Não acredito, olha o tamanho disso, não vamos conseguir chegar a tempo.

- Calma filha, vamos sim.

- Eu vou andando até lá!

- Se você for andando, aí mesmo que não chegará a tempo.

Olhei pela janela, constatando o quão engarrafado estava e a única coisa que eu desejei foi não ter dormido tanto ou no mínimo que ele tivesse me acordado antes de ir.
Por sorte, até que não demorou muito para o engarrafamento se dissipar e no final das contas, era somente um carro enguiçado no meio do caminho.


Olhei no relógio e eram exatamente 14:00 horas da tarde. Saí do carro sem nem mesmo esperar ela minha mãe e entrei no aeroporto, me informando onde estaria saindo o voo para Los Angeles, assim que me encontrei, segui direto para a área de embarque. Olhei ao meu redor, mas eu não vi nada, absolutamente, eu não poderia acreditar que ele já tinha ido, e isso seria muita falta de sorte.
Porém quando prestei bastante atenção para um dos cantos da área de embarque, vi a dona Bernadette acenando em direção a porta e corri em sua direção, onde eu o vi prestes a embarcar.

- PETER.

Ele parou, olhou para trás e sorriu abertamente ao me ver, imediatamente fui ao seu encontro o abraçando fortemente, sentindo o seu cheiro pela última vez.
Os seus braços se apertaram ao meu redor, como ele tinha feito a algumas horas atrás, e exatamente como a algumas horas atrás, eu me senti simplesmente ótima por estar em seus braços. Ele me suspendeu fazendo um enorme sorriso brotar em meus lábios, e eu sabia que ali, era onde eu me sentia mais segura.


- Eu pensei que você não viria.

- Eu quase não vim.

Olhei em seus olhos e ele me surpreendeu com um beijo. Seu beijo já tinha gosto de saudade, uma despedida chata que eu nunca pensei que iria doer tanto. Nos abraçamos novamente, quando desfizemos o beijo com selinhos, ele afagou os meus cabelos, fazendo com que eu enterrasse a cabeça no vão do seu pescoço.

- Vou sentir a sua falta pequena.

-Também vou sentir a sua. Vou sentir muito, muito, muito Peter. - beijei o seu rosto e os seus lábios quando ele me colocou no chão novamente.

- Assim que der, nos veremos novamente, eu prometo.

- Toma, fica com isso. - retirei a minha pulseira preferida do pulso e coloquei no seu. - Tenta não se esquecer de mim?


- Eu não vou Cris.


Nos beijamos novamente de forma intensa com sabor de despedida entre lagrimas. E a despedida ficou ainda mais intensa, quando fizeram a última chamada para o voo, Peter teve que ir definitivamente.

                             

Com um pouco de custo soltei a sua mão, estava muito triste em vê-lo ir embora. Mas ao mesmo tempo, estava feliz por ele, estava feliz por ele estar seguindo em busca do seu futuro, em busca do que ama e do que lhe completa.
Ele acenou para nos pela última vez antes de passar pela porta de embarque, jogou um beijo com as mãos e simplesmente sumiu apos retribuirmos seu gesto.


[6 meses depois...]

Já haviam se passado pouco mais de seis meses desde que o Peter, infelizmente foi embora da Ilha me deixando completamente arrasada por dias, e até agora só tínhamos nos falado apenas duas vezes pelo telefone. Segundo ele as ligações para o Hawaii ficavam muito caras para que ele ligasse todos meses. Era compreensível, só a saudade que não queria entender. Mas o pior não era isso, o pior era que a partir de agora, seria impossível nos falarmos novamente.
A três meses atrás, Stew ganhou uma promoção no trabalho e foi transferido para Hoboken, algo mais próximo a Nova Iorque, não mais do que meia hora de carro. E com isso acabamos nos afastando ainda mais da família Hernandez, fato este que me deixou muito triste, afinal, eu estava começando a ter um contato maior com a Pres, a irmã mais nova do Peter.
A única coisa que me consolava, era que a Mariah tinha se mudado para Nova Iorque, e teriam grandes chances de nos reencontrarmos.

A nossa vida tinha mudado ainda mais já que depois de tantos anos de casamento, a quase um ano atrás, a mamãe tinha decidido engravidar, e a dois meses ela descobriu que o tratamento hormonal que tinha feito havia dado certo, e ela estava grávida. Eu fiquei muito feliz por ela, de verdade, seria legal, depois de 17 anos ter uma irmã mais nova, ou um irmão.
A um mês atrás foi o meu aniversario, e eu fiquei muito feliz, já que comemoramos em um restaurante local, e na volta o Stew comprou um bolo muito bonito, decorado, em uma das confeitaria perto de casa, alguma coisa "Bakery", e quando chegamos em casa, além deles cantarem parabéns para mim, eu ganhei um maravilhoso presente de aniversario.

- Não abra os olhos mocinha.- mamãe havia coberto os meus olhos com as mãos enquanto o Stew me guiava pela casa.

- Que ansiedade, o quê vocês estão tramando, hein?

- Fica calma querida, você vai gostar!

- Que tortura. - sorri.

- Está pronta? - ele perguntou

- Sim, muito! - senti a mamãe retirar as mãos dos meus olhos.

- Pode abrir. - minha mãe ordenou.

- Meu Deus! Não acredito nisso! É para mim?

- Sim, gostou?

 -Se eu gostei? SE EU GOSTEI? EU AMEI! - os abracei primeiro, antes de abraçar o meu lindo, e vermelho carro novinho.

- É para você ir para a faculdade. Sabemos que ela próxima, mas de carro fica ainda mais acessível!

- Obrigada Stew, obrigada mamãe. Mas vocês não deveriam fazer isso, a mamãe esta gravida e vocês vão precisar...

- Fique tranquila, com a transferência, eu ganhei uma bela promoção e um ótimo aumento. E se já não tínhamos problemas financeiros, agora mesmo que não vamos ter!

- Muito obrigada! - os abracei novamente

Enfim, o meu dia só não foi melhor por que eu não tinha a presença dos meus melhores amigos e nem como me comunicar com eles de alguma forma, já que tínhamos perdido o contato, mas a minha mãe disse a Tia Bernie que assim que instalassem o telefone aqui em casa ela iria mandar o nosso número para que retomássemos o contato. Mas até lá, eu deixei vários beijos acumulados ao meu amigo, para quando ele ligasse pudesse ter certeza de que ele jamais será esquecido por mim.
Enfim, eu tinha entrado para a faculdade, tinha escolhido a faculdade de medicina, iria me especializar em ginecologia e obstetrícia, gosto de crianças, amo cuidar delas e o meu maior sonho é poder colocá-las no mundo. E ainda mais agora que em breve teríamos um bebê em casa. Sonho em um dia poder ter os meus.

Estava há quase três meses frequentando a faculdade - já que me matriculei na semana seguinte que nos mudamos, eu já havia conseguido a carta da faculdade ainda no Hawaii - e por sorte ela era próxima de casa e dava para ir para casa todos os dias, não tinha necessidade de usar o alojamento.
O trajeto era de mais ou menos quinze minutos de carro, meu carro diga-se de passagem. Eu estava muito feliz com o rumo que a minha vida estava tomando, eu estava sendo bastante elogiada pelos meus professores, devido as minhas últimas notas tanto as do último ano da escola, como as das minhas avaliações mensais. Um deles disse que se eu continuasse daquela forma, seria uma grande obstetriz.

Na saída da faculdade, me despedi da Corine, uma colega de turma que sentava ao meu lado em cinco das 8 aulas que tínhamos. Segui para o meu carro que estava no estacionamento da faculdade, o desarmei, e coloquei os meus livros no banco de trás, teria algumas pesquisas a serem feitas quando chegasse em casa.
Era uma sexta feira, mais ou menos cinco e meia da tarde, quando me sentei no banco do motorista, ajustei o retrovisor, que estava completamente fora de lugar, provavelmente um esbarrão tinha retirado ele do lugar. Coloquei a chave na ignição, e antes mesmo de fechar a janela, olhei mais uma vez no espelho lateral, e vi um rapaz de mais ou menos 1,70 de altura, pele branca, com cabelo liso em um tom mais claro, quase loiro, ele era lindo, realmente muito lindo. Ele estava com um casaco preto de capuz, e uma calça jeans. Ele olhava diretamente em meus olhos através do retrovisor, e do nada, me abriu um lindo e branco sorriso no qual mesmo estando "cabreira" eu retribui.

- Olá, tudo bem?

- Sim!

- Você poderia me dar uma informação? - sua voz grave e firme fez a minha espinha se arrepiar e algo dentro de mim gritou para que eu ligasse o carro e fosse embora dali o mais rápido possível.

- Desculpa, mas eu preciso ir. - virei a chave do carro, ligando o motor.

- Calma, para que tanta pressa? - ele retirou parcialmente uma das mão do bolso do casaco, revelando cabo de uma arma.

- Meu Deus...

- Passe para o banco do carona. - ordena ele.

- Você pode levar o carro, a minha bolsa, qualquer coisa...

- Eu pedi a porra do carro? A sua maldita bolsa? Qualquer outra merda?

- Não!

- Então faça o caralho que te mandei. Melhor, eu vou entrar no banco de trás e você vai simplesmente dirigir para onde eu mandar.- me encarou friamente. - Estamos entendidos? - balancei a cabeça freneticamente. - Então fala, porra! - a sua voz era baixa, porém firme e sombria.

- Sim, eu entendi.

Ele abriu a porta de trás, entrou, e logo em seguida pulou para o banco do carona. Ele mandou que eu colocasse o cinto e agisse da melhor forma possível e se caso eu chamasse a atenção de alguém, ele me mataria e mataria também quem eu alarmasse.
Senti o cano da arma encostar no meu quadril, olhei para o lado, mas com uma voz fria, e decidida, ele mandou que olhasse para frente e dirigisse, apenas dirigisse.

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