Hoje era o primeiro dia de aula na President Theodore Roosevelt High School, a escola mais popular da ilha. Ou a unica escola nesta parte da ilha.
Eu estava animada, e acreditem, era a primeira vez que isso acontecia na hora de ir para a escola. Talvez seja por que eu já conheça alguém que vá estudar comigo, como a Mariah.
Desde o casamento, nos tornamos muito próximas, ela veio algumas vezes na minha casa, eu fui na sua, e em algumas ocasiões saímos juntas, somente aos redores para tomar um sorvete, ou ela me mostrar alguns lugares legais. Me apresentar a ilha.
-Vamos filha, vai acabar se atrasando.
-Ja to indo.-peguei a minha mochila, e desci as escadas apressadamente-
-Opaaaa, cuidado para não cair da escada.
-Bom dia Stew.
-Bom dia mocinha.-ele sorriu ao me cumprimentar- Vou te deixar na escola antes de ir para o serviço.
-Obrigada.
Depois do cafe, dei um beijo em minha mãe, e seguimos para o carro. No caminho ele me disse que tinha estudado nesta escola, e que ela tinha um bom ensino, e foi graças a ela que hoje ele era um arquiteto muito competente, e competido. Realmente ele era bem sucedido, a casa em que moramos, e a vida que adquirimos aqui, não nega.
Chegamos na escola, e a primeira pessoa que eu vi foi a Mariah, ela estava de pé, próxima a uma arvore conversando com uma menina ruiva.
Me despedi do Stew, e antes de sair do carro, ele puxou uma nota de dez, e me deu para o lanche. Dez? Quando eu ia para a escola no Brasil, as vezes minha mãe me dava dois, no máximo. Alem de tudo, o "palmitão" era generoso. Que ele nunca descubra este apelido infeliz.
-Cris.-ela sorriu ao me ver caminhando em sua direçao-
-Bom dia!
-Bom dia! Esta e a Alena, a minha amiga aqui na escola. Lena, esta e a Crystal.
-Pode me chamar de Cris!-sorri.
-Pode me chamar de Lena.-soou abertamente-
E assim começou o meu primeiro dia de aula, com mais uma nova amizade.
A escola era bem legal, o ensino era muito melhor que o Brasil, os professores davam total atenção ao aluno, que por sua vez, eram mais interessados.
A manha correu tranquila, e logo chegou a hora do intervalo, e assim que o sinal tocou, segui com a Mariah, para o patio onde compramos o nosso lanche, e nos sentamos em uma das mesas.
-Poxa, esqueci o meu suco no balcão. Eu vou buscar, e ja venho.
-Tudo bem.
Assim que ela se levantou eu me distrai com o meu lanche, mas logo a minha atenção foi desviada quando senti alguém sentar a minha frente. Elevei os olhos, e me deparei com os seus olhos, pelo que pude notar, eram sempre curiosos, e expressivos, e neste momento estavam me encarando.
-Não fala.-fez uma cara pensativa, elevando o dedo na testa, e eu sorri- Droga, não acredito que esqueci o nome da dona do sorriso mais cristalino que ja vi.-sorri, e ali eu sabia que não tinha esquecido o meu nome coisa nenhuma. E antes mesmo de falar qualquer coisa, ele concluiu- Acertei, e Crystal, não e?
-Sim. Peter?
-Isso mesmo!-sorriu abertamente-... Mas a maioria me chama de Bruno!
-Bruno?
-E uma longa historia, qualquer dia eu te conto!
-Okey. Pode me chamar de Cris!
-Muito bonito também. Você e de onde mesmo? Não e do Hawaii, conheço cada pessoa da ilha.-sorriu arqueando a sobrancelha-
-Duvido você conhecer todos.
-Como não?-olhou ao redor- Aquele e o Ikaika, aquele e o Kaleo, aquela e a Rachel, aquele e o Mansur, a Alen, Joseph, Luna...
-Okey, voçe me surpreendeu!
-Eu disse! Sempre surpreendo as garotas.
-Bem, respondendo a sua pergunta, não, eu realmente não sou daqui, sou do Brasil...
-Já perturbando a menina Peter?-Mariah voltava com o seu suco um uma das mãos-
-So estou conversando, sendo social Mariah.-sorriu abertamente para ela-
-Cuidado, ele tem fama de ser baderneiro, e paquerador.
-Esquece a fama de baderneiro, fique só com a de paquerador.-sorriu olhando em meus olhos, e eu fiquei completamente sem jeito-
-Sai Peter.-ela sorriu o puxando-
-Ja vou, não precisa me agredir.-levantou as mãos-
-Bruno!-um garoto gritou o seu nome ao longe-
-Vai, o Ryan, esta te chamando, some.
-Porque você não gosta de mim?
-Por que não, você se acha demais.-ela sorriu-
-Mas eu sou demais.-sorriu piscando o olho para ela.
-Sai daqui, o seu ego esta acabando com o meu ar.-sorrimos-
-Ate mais Cris.-ele sorriu para mim-
-Ate Peter, quer dizer Bruno.-sorri de volta enquanto ele se afastava-
-Já vi que mais uma caiu na dele. -sorri a encarando-
-Quem?
-Voçe!
-Eu? Não, imagina Mariah!
-Não e o que os seus olhos falam, mas, e melhor mesmo. Ele tem fama de ser pegador como ja te disse. Bruno, ou Peter, e um garoto que sabe te conquistar só com os olhos.
-Ele te conquistou?
-E claro que sim, não e a toa que estou te falando isso. Mas ele nunca me deu bola, e eu acabei desencanando dele.
-Ele e louco de não dar bola para voçe! E uma das meninas mais lindas desta escola.
-Obrigada Cris.-olhou para o lado- E parece que não e só eu que estou chamando atenção.-sorriu me fazendo olhar para o mesmo ponto que ela, e logo vi um grupinho de garotos nos olhando-
-Não penso em nada disso agora, acho que a minha mãe arranca os meus olhos.-sorrimos-
Ainda sou muito nova para pensar em algo do tipo "garotos".
Estou aqui para estudar, e dar orgulho para a minha mãe, já que ela sempre lutou tanto por mim, para me criar, me dar o melhor estudo, não seria justo comigo, e muito menos por ela, me deixar distrair por um menino. Ainda sou muito criança, só tenho 12 anos, e apesar do Peter, ou Bruno, ser muito lindo, e galanteador, eu prefiro direcionar toda a minha atenção nos estudos.
Bem, mesmo estando aqui para estudar, não posso também ficar reclusa a somente os livros, e por isso, aproveitei ao máximo a companhia da minha amiga, e sempre que podíamos, íamos a praia, andar um pouco por ai, ou somente ficar sentadas conversando sobre tudo, e todos.
Para a minha surpresa, no meio do ano, a minha "amizade" com o Peter, foi aumentando, e ele se mostrou ser um garoto bem legal, gentil, e educado. E mesmo tendo os amigos dele, que eu falava apenas "oi", e "tudo bem", sempre que podíamos ficávamos conversando.
As vezes eu achava que a Mariah ainda gostava dele, mesmo ela falando que não, e que já tinha desencanado dele, mas ela demonstrava outra coisa sempre que estávamos conversando. Parecia não gostar da nossa aproximação.
Enfim, depois de um tempo, parece que ela acabou se acostumando com a nossa amizade, e ate começou a se enturmar mais quando nos via conversando.
Mesmo sendo meu amigo, as vezes eu notava que ele conversava comigo só quando estava sozinho. Tipo, sempre que ele estava com algum amigo, ou ele não falava comigo, ou apenas acenava de longe. E sempre que estava conversando comigo, e algum deles aparecia, ele logo se despedia de mim, e ia ao encontro deles. Deve ser coisas de meninos.
(1 ano e meio depois)
A nossa amizade estava mais firme, e saiamos com mais frequência.
Ele não deixava os amigos dele de lado por causa de nos duas, mas quando não estava com eles, era certo. Estava conosco.
A Mariah tinha ido passar o final de semana com a avó que mora fora da ilha, e só ia voltar no domingo a noite. Ficaria dois dia sem a minha amiga.
Tinha terminado o meu banho, e estava terminando de me arrumar, quando a minha mãe bateu na porta dizendo que o Peter estava me procurando. Terminei de me arrumar colocando uma bermuda, uma bata, e um chinelo descendo em seguida.
-Ola.-sorri o abraçando- Tudo bem?
-Sim. Vamos dar uma volta?
-Voçe não sabe que a Mariah, foi para a asa da avo?-nunca tínhamos saído apenas nos dois-
-Sei. Por isso eu vim chamar voçe, sei que estaria tranada dentro de casa.-sorrimos-
-Tudo bem, só vou falar com a mamãe.
-Ta, vai la.
-A proposito, onde vamos?
-No meu lugar favorito!-apenas sorri, e entrei rapidamente para avisar a minha mãe.
Saímos de casa, e enquanto conversávamos sobre a escola, e musica. Como sempre. Caminhávamos pela rua da ilha, apreciando o sol, e o tempo gostoso que estava fazendo.
Depois de andar por alguns minutos, chegamos a parte mais movimentada da ilha, onde tinha a maioria do comercio.
-Chegamos!-ele sorriu abrindo a porta para mim-
-Hungry ear records?
-Sim, aqui e um dos meus lugares favoritos. Aloha Kailua.-ele cumprimentou um homem atras de um dos balcões-
-Mahalo Peter.
-Esta e a Cris, uma amiga.-ele disse já perdendo o olhar por uma das prateleiras de jazz.
-Ola.-apenas sorri-
-Ola mocinha, seja bem vinda.
-Obrigada.
-Chegou o k7 do The Police, Peter.
-Não brinca, e serio?
-Claro, esta ate tocando. Acha mesmo que eu mentiria para voçe?
Cada suspiro que você der
Cada movimento que você fizer
Cada laço que você quebrar
Cada passo que você pisar
Eu estarei te observando
Cada movimento que você fizer
Cada laço que você quebrar
Cada passo que você pisar
Eu estarei te observando
Todo santo dia
Cada palavra que você disser
Cada jogo que você jogar
Cada noite que você ficar
Eu estarei te observando...
Cada palavra que você disser
Cada jogo que você jogar
Cada noite que você ficar
Eu estarei te observando...
Eles seguiram para outra parte da loja, e eu me perdi olhando alguns LP's e k7's por ali. Eu amava musica, mas era só o fato de gostar mesmo, por que talento mesmo para musica, eu não tinha nenhum.
Confesso que fiquei sem jeito com a forma que ele me olhou, nunca tinha tinha visto ele me olhar daquela forma. De certa forma, eu gostei.
-Cris?
-Oi.
-Olha o que eu achei!-fui ao seu encontro que segurava uma fita k7- Frank Sinatra cantando Girl From Ipanema.
-Eu amo esta musica, e claro, Frank e maravilhoso.-disse pegando a fita de sua mão-
-Sim, só não e melhor que o eterno Elvis.
-Não, não e! E nem o Michael Jackson.-sorrimos-
-Esta musica e a sua cara.-olhou nos meus olhos- Vou levar este k7, so por sua causa.
Saímos da loja depois que ele fez a sua compra, parecia um menino com um brinquedo novo.
No caminho de casa, estava acontecendo uma apresentação de dança de hula, para os turistas no gramado proximo a praia, e decidimos parar para assistir.
Mesmo morando a quase dois anos aqui, eu ainda não tinha aprendido a dançar hula, e isso me fazia ser motivos de piada. Ate a Mariah, que também não era nascida em Honolulu, já sabia dançar hula como uma "nativa", menos eu.
-Hoje voçe aprende a dançar hula, ou eu troco de nome.
-Espero que tenha um belo nome em mente!-sorrimos-
-Pior que eu tenho.
Ele segurou na minha mão, e nos aproximamos mais da roda de turistas, que estavam apreciando a apresentação ao ar livre.
No inicio ficamos apenas olhando as meninas em seus lindos corpos, dançando lindamente.
O lugar, a dança, a musica, tudo reunido transformava o lugar em uma pintura, de tão perfeito.
Ele estava atra de mim, enquanto eu olhava completamente encantada para a apresentação.
-Este movimento e o "Lele", e fácil de fazer.-sorri ao ouvir a sua voz bem próxima ao meu ouvido- E só deixar a coluna ereta.-segurou na minha cintura, e me puxou um pouco para trás me fazendo encostar nele- Mantenha os joelhos um pouco flexionados, de um passo a frente com o pé direito, elevando o calcanhar.-senti a sua mão deslizando na minha coxa direita, me mostrando o movimento, ao mesmo tempo que me deixava "tensa" com o seu toque na minha pela-
-Assim?-respirei fundo, ficando da forma que ele mandou-
-Isso ai, agora e só se mover como elas.-tentei imitar as meninas, tentando mover os braços como elas- Muito bem, daqui a pouco vira uma nativa!-sorriu-
-Exagerado!-me virei para ele sorrindo-
-Vamos fazer o proximo!-ele me virou novamente de costas para ele, e segurou no meu quadril- Dobre um puco os joelhos, e movimente os quadris usando os joelhos como apoio. Isso cris, agora se mexa bem rápido.-pediu ainda auxiliando o meu quadril com as suas mãos- Muito bom, este e o "Ami honua". Agora movimente em forma de oito.
-Assim?-movimentei os quadris em um vai e vem-
-Isso!
Reparei que algumas pessoas do próprio grupo de dança nos encarava, e eu acabei parando de dançar quando notei que estávamos sendo observados, e não era de forma apreciativa, pelo contrario, pareciam não gostar nada nada.
-Esta tudo bem, vamos embora.-ele segurou novamente em minha mão, nos tirando dali-
-O que houve? Por que estavam nos olhando daquele jeito?
-São ultrapassados!
-Por que? Eu não estava dançando bem?
-Não Cris, voçe estava linda!
-Então?-ele parou a minha frente, e sorriu de canto-
-Aqueles movimentos que eu te ensinei a fazer, não são vistos com bons olhos por aqui.
-Por que?
-Por que, aqueles movimentos representam a insinuação ao sexo, eles não são bem aceitos.
-Peter.-lhe dei um tapa no braço, o fazendo sorrir- Não tem graça!
-Tem sim. Voçe aprendeu a dançar, e ficou linda. Pensa bem, quando for conquistar um marido havaiano, já saberá dançar para ele.
-Idiota!
-Para de drama.-passou o braço pelo meu ombro enquanto começávamos a andar-
-Me solta, não mais quero assunto.-tirei o seu braço do meu ombro-
-Tudo bem, nem ligo.-deu de ombros- Mas nem pense em ir na minha casa para ouvir isso aqui.- me lembrei do k7 que ele tinha acabado de comprar-
-E brincadeira amigo.-sorri correndo em sua direção-
-Sai, quem não quer assunto agora sou eu.-tentou ficar serio. Sem sucesso-
-Desculpa.
-Só se voçe falar que sou um ótimo professor, e que eu sou o melhor amigo do mundo.
-Qual e! Não.
-Então eu vou embora.-deu as costas e voltou a andar-
-TA BOM!-ele parou, e me olhou-
-Estou esperando!-cretino-
-Voçe e um ótimo professor.
-E...?
-Voçe e o melhor amigo do mundo.
-Oi?
-VOCÊ E O MELHOR AMIGO DO MUNDO . AGORA ME DEIXA OUVIR O THE POLICE?-ele gargalhou-
-Vamos, mas só por que voçe me ama.
-Eu te odeio.
-Mentirosa!-gargalhou novamente-
Seguimos direto para a sua casa, onde estava cheia como sempre, com a tia Berne, e as irmas, e irmão dele, que estava tocando bateria quando chegamos. O tio Pete estava conversando com alguns tios do Peter nos fundos.
Nos reunimos na sala para ouvir as musicas, e o clima estava ótimo, muita conversa, e risos. Era sempre bom estar na companhia dos Hernandez.
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