quarta-feira, 8 de julho de 2015

Feliz Aniversario? cap 03



-Estou tão nervosa. -disse pela milésima vez me olhando no espelho-

-Voçe esta linda Cris, relaxa.

-Obrigada Mariah!

-Esta pronta meu amor?-minha mãe entrou no quarto- Nossa, voçe esta tão linda minha filha!-vi os seus olhos marejarem-

-Não chora mãe!- a abracei-

-Voçe cresceu tanto, esta se tornando uma moça linda, é o meu orgulho.

-Obrigada mãe, se hoje eu sou o que sou, devo tudo a voçe, o meu anjo.

-Se o seu pai estivesse aqui, estaria muito orgulhoso!

-Eu sei mamãe.-comecei a chorar com ela-

-A não! Podem parando as duas de chorar, eu demorei um tempão fazendo a minha maquiagem!-ela se juntou a nos em um abraço-

-Ai Mariah.-sorri entre as lagrimas-

Hoje era o meu aniversario de 15 anos, aqui não tem esta tradição de comemorar o aniversario de 15 anos com festão, somente os 16, e 21. Assim como foi a do Peter, no inicio de outubro do ano passado, quando ele fez 16. Mesmo não sendo tradições para os meninos, os pais dele fizeram uma festa muito legal, onde todos os amigos compareceram, incluindo eu, e a Mariah.
Mas a minha mãe fez questão de fazer uma festa um pouco melhor do que a do ano passado, seria em casa mesmo, só que um pouco melhor.
Eu chamei vários colegas da escola, por que amigo mesmo, eu só tinha Mariah, e o Peter, mesmo com o estranho jeito dele, ainda eramos muito próximos, e muito amigos, e agora a Mariah era muito mais enturmada conosco, e quando marcávamos de sair só nos três, era risada na certa.
Eu estava com um vestido azul bebe simples, a Mariah tinha me ajudado em tudo, desde a me vestir, a maquiagem. Passei perfume, e assim que ela abriu a porta, deu um leve passo para trás, sorrindo, e logo vi o motivo do seu sorriso.
O Bruno estava parado na porta, estava lindo, com uma calça jeans, uma camisa branca e um blazer. Estava extremamente cheiroso, mais cheiroso que o habitual.

-Nossa, como esta cheiroso. Tomou banho hoje foi?-Mariah sorriu o encarando-

-Palhaça!

-E claro, hoje e um dia especial, e o meu aniversario!-sorri-

-E isso ai. Parabéns Cris.-veio ao meu encontro me abraçando-

-Obrigada. Que bom que veio.

-E claro que sim, acha mesmo que eu não viria?

-Não!-sorrimos-

-Que amor. -ela sentou na minha cama nos olhando-

-Eu te trouxe um presente, e simples, mas e de coração.

-E lindo Bruno. Obrigada.-sorri ao abrir a caixinha-

-E um Cristal azul, pensei em trazer rosa, mas sei la, acho que o azul combina mais com voçe. E eu acertei, voçe esta linda.-apenas sorri olhando em seus lindos olhos-

-Vou colocar agora mesmo, me ajuda?

-Claro!


Me virei de costas para ele, coloquei os meus cabelos para o lado, o vi transpassar a corrente na frente do meu rosto, e logo em seguida, senti o calor das suas mãos em meu pescoço, ao atar o cordão na minha nuca. Respirei fundo quando senti um calor estranho no meu peito, e um sorriso bobo se formar em meu rosto.
Já faziam alguns meses que eu nutria algo diferente de uma amizade pelo Peter, mas fazia questão de não demonstrar, ou ao menos tentar. Mas confesso que as vezes era difícil, principalmente quando ele levava o seu violão para as nossas tardes de conversa, e tanto eu, como a Mariah, ficávamos babando na sua voz, e nas melodias que ele tirava do seu instrumento.
 Peter era muito talentoso, e disso ninguém poderia duvidar, ou pensar em discordar, ele tinha a musica correndo em suas veias, ele cantava divinamente bem.
A alguns meses atras ele nos confidenciou que pensa em sair de Honolulu, para batalhar a vida em Los Angeles. Pensei que era coisa de adolescente sonhador, mas com o tempo, e pelo que conheço dele, e bem capaz dele ir embora mesmo, sem nem pensar duas vezes.

A casa estava cheia. Tinham alguns colegas da escola, vizinhos, familiares do Stew, no caso a família Palmitão. Com todo respeito. Mas eram todos altos, e muito brancos, nem pareciam que moravam no Hawaii, pareciam que moravam no Alasca.
Mas o mais importante, e que eu amava todos, e todos sempre me trataram muito bem, e o meu apelido entre eles era bombonzinho. Carinhoso vai.
Bullyngs a parte, eu estava muito feliz em ter tantas pessoas ao meu redor.
Preciso confessar que eu não me dava tão bem com todos que estavam ali, e que eram do colégio, eu convidei por educação, mas enfim, estavam ali, e ate agora estava tudo na mais preciosa paz.
Alguns grupinhos tinham se formado no interior da casa, e todos comiam, bebiam, conversavam tranquilamente.
Eu estava falando com minha mãe, e a Mariah, sobre a corrente que o Peter tinha me dado, já que só agora ela tinha visto, quando o Stew inventou de que eu tinha que dançar com um dos meninos, tipo aquelas valsas de 15 anos? Então, e mesmo morrendo de vergonha, eu acabei aceitando, só faltava o menino.

-Vamos la meninos, não sejam tímidos. -ele disse e todos sorriram, e claro fez com que eu ficasse roxa de vergonha-

-Eu danço com a Cris!

-Nada mais justo, e quase como um irmão.-ele olhou para o Peter que se aproximava-

-E claro que sim.-esticou a mão para mim, fazendo graça, uma reverencia exagerada-

-Seu bobo.-sorri aceitando a sua mão-

Caminhamos de mão dadas ate o centro da sala, quando a musica começou a tocar. Ele elevou as minhas mãos ate o seu ombro, enquanto as suas mãos descansaram na minha cintura.
Respirei fundo quando senti o seu corpo tocar o meu, e um delicioso calor aqueceu o meu peito imediatamente. Novamente.

Está acabado e feito
Mas o desgosto vive aqui dentro
E quem é a pessoa que você está agarrando
ao invés de mim esta noite?

E onde está você agora, agora que eu preciso de você?
Lágrimas em meu travesseiro onde quer que vá
Eu vou chorar um rio que me leve ao seu oceano
Você nunca me verá desmoronar.


Emotion-Bee Gees, começou a tocar, e eu me perguntei quem tinha escolhido aquela musica?
Olhei ao redor, e minha mãe sorria com os olhos marejados.
Ve-la assim me deixa pequena, me deixa emocionada, e sinto que poderia fazer tudo, e qualquer coisa para ver este sorriso todos os dias. Conclusão. " Apenas dance Cris, foi ela que escolheu."
Os braços dele se apertaram um pouco mais a minha volta, e eu me permiti descansar a cabeça em seu ombro, sentindo a musica invadir os meus ouvidos, e o momento mais intimidador, e feliz da minha vida, acontecer diante dos meus olhos.

Nas palavras de um coração partido
É apenas uma emoção que me tomou mais.
Apanhados pela tristeza perdida em minha alma.
Mas se você não voltar,
Volte para a casa, para mim, querida,
(Você sabe que haverá) ninguém nesse mundo para me abraçar forte
ninguém nesse mundo para beijo de boa noite,
Boa noite, boa noite, boa noite, boa noite 


O máximo que eu já tinha feito ate hoje, foi um beijo. Eu tinha beijado um menino da escola, mas ele ate já foi embora da ilha, tinha sido realmente apenas um beijo, e nada mais do que isso, e alem do mais, eu nem gostava. Foi o pior primeiro beijo do mundo.
Ele era desengonçado, e a minha timidez não ajudou muito. Conclusão. Batemos os dentes, ele mordeu a minha língua, os nossos narizes não se encaixavam. Por fim, eu mesma desisti de tentar.
Peter, era o único garoto que eu sentia algo, que chegava perto do gostar, ele nem sabia, ou desconfiava disso. Assim eu espero que ele realmente não saiba, não saberia onde enfiar a  minha cara.

Eu estou lá do seu lado,
Eu sou parte de todas as coisas que você (aaah).
Mas você tem uma parte de alguém,
Você tem que encontrar sua estrela brilhante.

E onde está você agora, agora que eu preciso de você?
Lágrimas em meu travesseiro onde quer que vá
Eu vou chorar um rio que me leve ao seu oceano
Você nunca me verá desmoronar...

Quando a musica acabou todos aplaudiram, eu sorri, estava muito tímida. E para completar, mais uma fez ele fez uma reverencia exagerada, e brincalhona, acho que nada conseguia deixar o Peter sem jeito, ou constrangido com algo. Ele sempre fora brincalhão, divertido, e espirituoso.
Ele me olhou nos olhos, sorriu, e me deu um forte abraço.

-Queria falar com voçe, tudo bem?-sorriu sem deixar de olhar nos meus olhos-

-Claro!-retribui o seu sorriso-

-Na varanda dos fundos, eu vou na frente!

Ele simplesmente me soltou, e saiu do meu campo de visão indo em direção a porta dos fundos. Recebi um abraço afetuoso da minha mãe, e logo em seguida um bem animado da Mariah.
Elas falavam ao meu redor, mas parecia que eu não entendia absolutamente nada que elas falavam, a minha cabeça estava em outro lugar, e em outra pessoa que estava a minha espera na varanda dos fundos.
Depois de conseguir me desvencilhar das duas, eu segui discretamente ate a varanda dos fundos, que estava pouco iluminada, e assim que sai pela porta, o vi com as duas mãos escoradas no parapeito.

-Peter?-disse mais baixo-

-Cris!-ele me olhou e sorriu de canto-

Sai por completo de casa, parando ainda na porta da varanda.
O seu sorriso se sobrepôs a pouca claridade que a varanda tinha, parecia que ele por si só, já era o suficiente para iluminar o ambiente.
Ele deu duas batidinhas ao seu lado, como se pedisse que eu me aproximasse, e assim eu fiz. Fiquei olhando para frente esperando que ele falasse o que ele queria, e a cada minuto que ele permanecia mudo, o seu coração acelerava um pouco mais.
Sei que isso tudo e loucura, ele e apenas o meu amigo, e sei que ele não sente absolutamente nada por mim, alias, nem eu sei se sinto algo por ele, deve ser somente coisa da minha cabeça.
Elevo a mão ao peito, encobrindo o pequeno cristal que ele me deu a algumas horas atras, e sinto o meu coração bater na minha garganta.
E antes que eu tivesse um ataque de curiosidade, eu respirei fundo, e me pronunciei.

-O que voçe quer me falar Peter?-ele sorriu fechando os olhos, e baixou a cabeça-

-Eu sempre fui muito resolvido sobre as minhas atitudes, e atos Cris.

-Eu sei.

-Estou me sentindo um idiota por estar fazendo isso.-sorriu mais uma vez-

-O que voçe quer fazer?

-Eu gosto de uma garota a muito tempo, ela e muito especial para mim, e sempre que eu estou ao seu lado, eu fico meio idiota sabe?-ele me olhou nos olhos, e senti o meu peito aquecer ainda mais-

-Sei.-limpei a garganta- Compreendo.

-Então, eu já tentei algumas vezes, mas sempre travo, e estranho, sabe quando voçe gosta muito de alguém, e não consegue falar?

-Sei, sei perfeitamente.-neste momento eu já conseguia ouvir o meu coração bater no ouvido-

-E por isso que te chamei para vir ate aqui!-ele virou para mim, segurando as minhas mãos, e eu senti a minha respiração falhar-

-A mim?-sorri-

-Sim. Eu queria muito te pedir uma coisa!

-Fala.-sorri-

-Eu já tentei, já joguei varias indiretas, mas parece que ela não entende...

-Ela?- senti o sorriso bobo sumir dos meus lábios-

-É. Eu sabia que ela estava a fim de mim, a alguns anos atras, mas eu estava a fim só de ficar sabe?-enquanto ele falava eu sentia o meu coração se entristecer, mas eu seria forte, e não demonstraria nada, assim como a musica que acabamos de danar juntos dizia: "Eu vou chorar um rio que me leve ao seu oceano Voçe nunca me verá desmoronar" - Eu sei que hoje e o seu aniversario, mas achei que seria uma boa ideia. -ele sorriu de canto-

-Quem?

-Mariah.

-Mariah?

-Sim, sera que voçe poderia me ajudar? Não sei, eu só queria um tempo a sós com ela, mais nada!

-A Mariah?-sorri fazendo o maior esforço para não deixar transparecer o quanto estava triste-

-Sim!

-Eu falo, claro, sem problemas! Mas seria só voçe chama-la, para conversar, não? Somos todos amigos.

-Sinto que a Mariah ficou magoada comigo, quando eu a esnobei a alguns anos atras. E apesar de já ter se passado alguns anos, eu sinto que ela ainda esta magoada comigo em relação a isso.

-Tudo bem Peter, eu falo sim. Eu vou entrar. Vou procura-la.-dei as costas para ele, já saindo da varanda-

-Cris?-respirei fundo, e me virei me esforçando para colocar um sorriso em meu rosto-

-Sim!-neste momento eu só queria chorar, mas eu não iria fazer isso, não aqui, não agora, não na sua frente-

-Obrigado.

-De nada.-me virei novamente, e entrei fazendo o possível para não deixar as lagrimas que dançavam em meus olhos caírem-

Mesmo me sentindo uma idiota, por estar nutrindo um sentimento por ele já a alguns meses, e profundamente decepcionada com ele, e comigo mesma, por não ter falado nada, eu fui ate ela, afinal, eu tinha prometido a ele.
Assim que a vi parada no canto da sala conversando com a Alana, -nossa colega de classe, na aula de arquitetura, física, e inglês-, comendo, e bebendo algo, eu me aproximei delas tentando não deixar transparecer como realmente estava naquele momento. A Mariah me olhou nos olhos, e por me conhecer tão bem, provavelmente notou que tinha algo errado.

-O que foi minha amiga?

-Comigo? Nada, esta tudo bem.-forcei um sorriso-

-Não, não esta. Eu te conheço, e sei quando esta bem, ou não.-merda, eu tinha que parar de ser uma idiota, e ficar sofrendo por causa dos outros-

-E só que, bem, hoje e o meu aniversario, e eu queria muito que o único homem que já amei na vida estivesse comigo, sabe que sou assim em todos os meus aniversários não e?

-Sei, e sinto muito minha amiga. Mas como te digo todos os anos. Ele esta la em sima te olhando, te amando, e te protegendo, agora ele e o seu anjo da guarda.

-Obrigada minha amiga. -A abracei fortemente. Desculpa pela mentira parcial papai. O senhor sabe que também sinto a muito a sua falta, e queria muito que tivesse aqui comigo-

-Sinto muito Cris.

-Obrigada Alana, já faz tanto tempo, mas ele jamais sairá da minha mente, e principalmente, do meu coração.

-Jamais!-Mariah acariciou o meu rosto-

-A proposito, o Peter esta na varanda dos fundos, e quer falar com voçe.

-Tudo bem, vem comigo!-ela segurou em minha mão-

-Não! Ele quer falar a sós com voçe.

-Por favor Cris, sabe que mesmo sendo amigos, eu ainda não me sinto tão a vontade em ficar sozinha com ele, não gosto que pensem nada a nosso respeito, já basta o que eu passei a alguns anos.

-Eu sei, mas eu tenho tantas pessoas a dar atenção amiga. E outra, o Peter e um cara legal, voçe sabe disso, e já esta na hora de voçe superar tudo o que passou, quando um não quer, dois não brigam. A minha mãe sempre diz isso.

-Verdade, dona Laura e incrível.-Sorriu olhando para a minha mãe- Eu vou ate la ver o que aquele garoto chato quer, e já venho.

-Tudo bem.

A segui com os olhos enquanto ela se encaminhava para a varanda dos fundos, e desejava ser eu ali indo para falar com ele, e ouvir o que ela esta prestes a ouvir. Mas como não era eu, o que restava era fingir que eu estava 100% bem, e continuar a minha festa da melhor forma possível.
Tentei me enturmar um pouco com as pessoas que eu tinha pouco mais de intimidade, como  as sobrinhas do Stew, e algumas meninas da escola, a unica coisa que eu queria, era me distrair, me distrair ao máximo possível.
Sabe quando voçe se sente uma inútil, e por mais que voçe lute consigo mesma, gosta de sofrer, sabe que o que esta prestes a fazer vai te deixar profundamente magoada, machucada, mas mesmo assim, vai la e faz?
Então, eu sou exatamente assim, e tive a brilhante ideia de ir ate a janela que dava para a varanda dos fundos, e dar uma sutil espiada através da cortina.


Abri a cortina com cuidado, e bem devagar olhando para o lado de fora, e vi que eles estavam conversando bem próximos, e logo uma de suas mãos estava na cintura dela, e a outra em seu rosto, os seus olhos se fecharam, e o beijo aconteceu.
Senti o meu corpo formigar, senti como se tiver levado um tapa estalado na face de tão quente que ela ficou. Fechei a cortina, e encostei na parede sentindo as lagrimas enfim, tomarem os meus olhos com força total.

-Merda, merda, merda.



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