sexta-feira, 3 de julho de 2015

Seus olhos. Cap 01


Rio de janeiro, 12 de junho de 1986, uma linda e refrescante noite de outono, com uma linda lua no céu carioca, completamente estrelado.
Dia 12 de junho, mais conhecido como dia dos namorados no Brasil, quer um dia mais perfeito para se dar boas vindas ao fruto de um amor lindo, e apesar de jovem, muito verdadeiro?
Em meio a lagrimas fortes dores, e de extrema alegria, o jovem casal Marcos, e Lorena Fernandes, sorriam esperançosos diante da imagem mais perfeita que eles poderiam sonhar em ver. Intercalando o olhar entre aquele anjinho de pele avermelhada, e o lindo céu regido por uma perfeita e imponente lua, tendo varias estrelas ao seu redor, eles comemoravam o inicio de uma família, a concretização de um grande e lindo amor..
 A jovem Lorena se perdeu em pensamentos, tentando imaginar como ela conseguiria administrar a sua nova vida como mãe de um belo anjo, no auge dos seus 18 anos.
Mesmo o medo estando mais do que presente na sua vida naquele momento, ela buscou no brilho das estrelas, a força que ela precisava naquele momento, na calmaria que aquele estonteante céu escuro  de um brilho próprio poderia lhe proporcionar.
Naquela noite ela não tinha conseguido chegar ate o hospital, na realidade ela não conseguiu nem ao menos sair do seu próprio quarto. Lorena provou que era uma mulher forte, e que apesar da pouca idade, ela era corajosa o suficiente para a luz dentro de seu próprio quarto, tendo somente a ajuda de sua vizinha, a senhora Fátima, uma mulher bondosa, que a tratava com todo o carinho, como se ela fosse uma filha ate. A filha que ela não tinha.
Lorena provou que tinha capacidade, e determinação, para encarar tudo o que a vida tinha a lhe oferecer com a cara, e a coragem.

-LORENA?

Marcos, adentra a sua casa que divide com a sua amada mulher, aos prantos, ele sabia que ela estava em trabalho de parto, já que naquela noite tinha recebido um telefonema de sua vizinha.
O transito não tinha lhe ajudado a chegar a tempo de presenciar o exato momento em que a sua linda filha tinha vindo ao mundo. Mas o mais importante era que ela estava li, linda, e aparentemente saudável.

-Ela e linda meu amor!-suas lagrimas molhavam o seu rosto, enquanto ele olhava dentro dos olhos de sua mulher-

-Ela e perfeita.

-Obrigado amor. Vocês são tudo para mim.

-Ela tem os olhos lindos meu amor. Brilham como o mais perfeito Cristal.

-Seria um lindo nome, o que acha? Crystal.

-Crystal, Crystal Medeiros Fernandes?-sorriram apreciando a pequena menina em seus braços-


(3 anos depois.)

-Filha não corre meu amor.

-Deixa ela Marcos. É criança, vai correr de qualquer forma!

Um lindo dia no parque, estava sendo o senário para a comemoração de mais um ano de vida da pequena Crystal.
A tarde estava ensolarada, o céu estava azul, a grama verde, e o sol dava o ar da sua graça no céu. Algumas crianças corriam pelo parque, e os seus pais tomavam cuidado, com a rua pouco movimentada que tinha ao lado. Porem a pouca movimentação daquele dia, iria deixar uma família marcada para o resto da vida.

-Marcos, cade a Crystal?

-Ela estava aqui agora a pouco... FILHA!

-MEU DEUS!

A inocente menina que brincava com uma amiguinha, foi buscar uma pequena bola cor de rosa que foi jogada no meio fio pela coleguinha, e o instinto de proteção gritou no interior de seu pai, que praticamente se jogou na frente de um carro que vinha alta velocidade, para que ele não encontrasse com a sua doce filha. Lorena só conseguiu abraçar a filha que tinha sido praticamente arremessada pelo pai, antes que o veiculo o acertasse em cheio, fazendo o seu corpo praticamente voar pelo teto do veiculo em movimento.
Um silencio cortante tomou conta do lugar, era como se o tempo tivesse parado, e tudo tivesse perdido o tom, a cor.
Nos braços de sua mãe, que ajoelhada ao chão era abraçada como se fosse o seu ultimo fio de esperança, a pequena Crystal não tinha ideia do que estava acontecendo ao seu redor, e os seus olhinhos assustados, e cheios de lagrimas descreviam exatamente a confusão que estava instaurada em seu peito ao ver a sua mãe aos prantos, e o seu amado pai aparentemente dormindo no meio da rua.

(9 anos depois)

Parte Cristal

Não posso dizer que apesar de tudo, tenho uma infância ruim, pelo contrario, mesmo com a perda do meu pai, eu tive a minha mãe, que foi uma mulher muito presente na minha vida. Ela me educou, me sustentou, me deu amor, carinho, educação. Me ensinou a respeitar os outros, a amar o proximo, ser gentil, educada, eu quero levar isso para o resto da minha vida, e futuramente ser uma boa mãe. Na realidade, quando eu crescer quero ser como ela.
A minha mãe trabalhou muito para me dar tudo isso. Ela trabalhou de varias coisas, e em vários lugares diferentes para conseguir nos dar estabilidade, para que conseguíssemos sobreviver depois da morte do papai.
Mesmo não estando mais aqui, ele sempre foi muito presente na minha vida, sempre vivi rodeada com suas fotos, e a minha mãe sempre deixou bem claro o seu grande amor por mim.
Depois que ele se foi, a minha mãe permaneceu sozinha por muitos anos, mas depois ela conheceu o Stwart, Stwart Keanu. Ele era americano, morava no Hawaii na realidade, e estava passando as ferias no Brasil. Eles se conheceram, por que ele estava hospedado na casa de um amigo, e era justamente onde a minha mãe trabalhava.
Enfim, puro golpe do destino.
Eles se conheceram, ele ficou encantado com a minha mãe, e ele acabou mudando algumas coisas em sua estadia pelo Brasil, ficando mais tempo por causa dela, ate que um dia, infelizmente para ambos, já que a minha tinha voltado a sorrir, ele foi embora, deixando a minha mãe bastante triste.
Mas não e que tres meses depois o gringo não voltou, e pediu a minha mãe em casamento?
Pois e, hoje estamos aqui no cemitério, viemos nos despedir do papai, pois estamos embarcando para o Hawaii esta semana, onde eles vão se casar.

-Sinto tanto a sua falta papai!

-Ele esta em um lugar melhor meu amor!-ela acariciava os meus cabelos com ternura-

-Eu sei mamãe. -ela sempre me falava a mesma coisa-

-Vamos minha filha, ainda precisamos arrumar as nossas malas.

-Já vou mamãe! Só quero dizer adeus para o papai.

-Tudo bem.-ela permaneceu ao meu lado no mais completo silencio-

-Papai, eu sei que não tive a oportunidade de nos conhecermos direito, afinal 3 anos e muito pouco, comparado ao que eu queria conviver com o senhor, mas eu sei que permanece comigo onde quer que eu vá. Sei que permanece me amando assim como eu te amo, e me protegendo do mal.
As vezes eu consigo sentir a sua presença, é como se pudesse me tocar, é como se a qualquer momento, eu fosse te ver a olho nú. Por isso, eu sei que sempre esta comigo, eu sei que sempre me protege, e me ama de onde quer que esteja.
Saiba que o senhor é, e sempre sera o homem mais importante da minha vida, e eu te amo muito, muito alem do infinito.

(...)

-Vamos filha, vamos nos atrasar!

-Já a vou mamãe.

Estávamos indo embora em definitivo, hoje era o nosso ultimo dia em terras brasileiras, estávamos embarcando para o Hawaii, onde nos encontraríamos com o "Stew". Eu o chamo assim, e muito mais pratico do que Stwart, e ele disse que eu poderia chama-lo como bem entender, mas achei que ele poderia não gostar de "Palmitão" por que ele e alto, e branquelo. Que ele não saiba disso.
Não tenho muito o que dizer sobre uma viagem de quase 15 horas ate o Honolulu, que era onde ele morava, a não ser que foi... Cansativa.
Enfim, embarcamos pouco mais de onze da noite no Rio, e estamos desembarcando exatamente 13:38 da tarde do dia seguinte em Honolulu. Acho que a minha bunda ficou quadrada na viagem.
O lugar era lindo, simplesmente incrível. Lembrava bastante o clima do Rio, sol, praia, gente simpática, ao menos a maioria.
Ganhei um lindo colar havaiano, que o Stew disse que se chamava "Lei", eram lindos, e feitos de rosas naturais, um agrado muito lindo aos visitantes, ou no nosso caso, novas moradoras.
Ele nos acomodou em seu carro, e seguimos para a casa onde segundo a minha mãe, passaríamos o resto da minha infância.
A casa era incrível, grande, com um lindo e florido jardim.
Eu tinha o meu próprio quarto, que estava carinhosamente decorado, segundo ele,  pelas suas irmãs.
Ele me tratava como uma filha, e parecia ter muito carinho tanto pela minha mãe, como por mim, e isso me deixava um pouco mais a vontade para deixa-lo entrar um pouco mais na minha vida, e quem sabe aceitar que a partir de agora, somos uma família.

(...)

Quando chegamos no Hawaii, estava em época de recesso escolar, -as famosas ferias de verão por aqui-, então, a cidade estava quase vazia, por que segundo ele, a maioria das crianças viajavam, e as ruas ficavam as moscas praticamente. Era incrível, como alguém que mora em um paraíso como este, sente vontade de passar as ferias em outro lugar?

Os preparativos para o casamento da mamãe com o Stew, estava a plenos vapor. Tínhamos conhecido a família dele, que nos recebeu muito bem, foram bem receptivos, e muito agradáveis. As irmas dele estavam ajudando em tudo, eu tinha me dado muito bem com as sobrinhas dele, e elas estavam me ensinando a fazer o tal do "Lei" para distribuir para os convidados no dia do casamento.
Ate que a convivência com a nova "família" estava muito boa.

(...)


Já disse como minha mãe esta linda? Acho que não.
Ela esta simplesmente maravilhosa, com um sorriso de orelha a orelha, ela e a felicidade em pessoa, em seu vestido branco simples, e a sua linda coroa de flores sobre os seus perfeitos cachos.
O sol ainda estava presente no céu enquanto os convidados se acomodavam no jardim, que estava devidamente decorado com todos os tipos de flores.
O dia estava lindo, o céu azul, quase sem nuvens, uma brisa fresca faziam as folhas balançarem calmamente, deixando o espetáculo natural se fazer presente. O Hawaii era lindo, e em dias de sol, era quase um vislumbre aos olhos.
Estava no jardim de trás, onde seria o casamento, estava completamente pronta, e observava a movimentação no jardim, quando a tia Alana -a irma do Stew-, chamou a minha atenção dizendo que o casamento iria começar. Fiquei no cantinho ate esperar a minha vez, eu iria levar as alianças deles, então seria a ultima.
Fiquei observando a minha mãe, e o seu lindo sorriso.
Ela estava feliz, ele estava fazendo ela feliz, e isso me deixava radiante, pois pela primeira vez, vi a minha mãe sorrir verdadeiramente, sem ser com algo em relação a mim.
Levei as alianças ate eles no altar, recebendo um beijo carinhoso de cada um. E quando estava indo para o meu lugar, os meus olhos pararam em um menino que me olhava curioso, ele tinha a sobrancelha arqueada, e a testa franzida, achei engraçado o modo dele me olhar, e apenas sorri, continuando o meu caminho ate o cantinho proximo ao altar montado no jardim.
Talvez fosse coisa da minha cabeça, mas sei la, as vezes acho que as pessoas daqui, são mais estranhas do que eu.
A cerimonia terminou, e a festa começou.
Uma musica tranquila tocava na festa, acho que era Janis Joplin cantarolando a musica Maybe.
Os convidados se amontoavam em grupinhos, em suas conversas paralelas, e sorrisos animados. Olhei ao redor e vi a minha mãe de mãos dadas com o seu novo marido, e o seu inseparável sorriso nos lábios.

-Parece que ela esta realmente feliz. -disse para mim mesma-

-Falando sozinha?-me assustei ao ser cutucada por alguém-

-Talvez-sorri ao olhar para ela-

-Prazer, Mariah.-esticou a mão para mim-

-Crystal, mas pode me chamar de Cris.

-Prazer Cris, a festa esta linda. E a comida deliciosa.-sorriu mordendo um aperitivo qualquer-

-Obrigada. Os Keanu, sabem dar uma festa. -sorri olhando ao redor-

-Já vi que vocês se conheceram. -Stew se aproximou sorrindo-

-Ola senhor Keanu, senhora Keanu.-disse simpática-

-Ola, muito prazer!-minha mãe sorriu abertamente para ela-

-A senhora e linda!

-Obrigada, voçe e encantadora!

-Obrigada.

-Mariah, e filha de um grande amigo meu Cris, espero que possam ser amigas.

-Seremos.-Mariah, se prontificou a falar- Vamos estudar na mesma escola não e?

-Sem duvidas. Alias a maioria das crianças presentes, estudam na mesma escola que vocês, poucas estudam fora da ilha.

-Ola senhor Keanu, belo casamento!

-Obrigado Joshua. Esta e minha esposa Laura.

-Muito prazer senhora.

-O prazer e todo meu rapaz.

-Esta é a minha enteada Crystal. Querida este e Joshua, Alec, Peter, e Paul

-Prazer!-eles disseram juntamente-

-Prazer. -sorri-

Vi os mesmos olhos curiosos que me olhavam a alguns minutos atras, me encarando novamente, mas agora não eram mais tão curiosos como antes. Bem, a expressão curiosa estava la, em seus olhos amendoados realçados pelo sol, mas agora suavizada com um sorriso, e com a vantagem de saber o seu nome. Peter.



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