sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ele?! cap 04


(...)

Naquele dia, foi quase como se a festa tivesse acabado para mim, na realidade, por dentro ela tinha acabado, mas por fora, eu ainda tinha muitos sorrisos "falsos" para distribuir pela frente.
Confesso que a parte mais difícil, foi ter que ouvir a Mariah, contar repetidas como foi, o que ele falou, e como ela ficou feliz em poder dar uma segunda chace a ela, em relação a estar com ele. E no final das contas eu notei que em todas as vezes que ela dizia não sentir nada por ele, na realidade ela estava mentindo para si mesma.
Hoje fazia exatamente três semanas que eu tinha completado 15 anos de idade, e três semanas que eles estavam juntos, todos os dias rigorosamente. Era ate estranho ve-los tão juntos.
Eu tentei manter ao máximo a minha amizade com eles, e estava conseguindo, na medida do possível. Mas só eu sabia como estava com ciumes dos dois, afinal eles ficavam bastante tempo sozinhos, e eu bastante tempo sozinha. Não saímos mas com tanta frequência como antes, e as vezes que saiamos, eu me sentia completamente excluída, e deslocada. As vezes ate inventava de ir para casa mais cedo, alegando estar com dor de cabeça, ou cólica, somente para não ter que ficar como "vela" do lindo casal, com isso eu ia para casa, e escrevia no meu diário tudo o que sentia e passava diariamente, ele era o meu melhor amigo agora, me consolava, me ouvia, e ate secava as minhas lagrimas as vezes com as suas folhas em branco.
Por varias vezes eu pensei em expor o que sentia diretamente a eles-ao casal-, mas de que isso iria adiantar? Eu iria e me sentir humilhada em ter que expor o que estava sentindo, e assumindo que estava com ciumes do Peter, alem de dizer indiretamente que eu sentia algo alem da amizade por ele. As vezes eu achava que o amava.
Sim, eu ainda o amava, não sei se era coisa boba de adolescente iludida, mas eu ainda sentia algo muito forte por ele, o que eu posso fazer?


"Querido diário.
Hoje foi um dos piores dias da minha vida!
Nossa isso soou tão dramático, mas que é exatamente assim que eu sinto. Se ele não foi o pior, certamente esta na minha escala dos dez piores.
A Mariah bateu na minha porta eufórica, com um sorriso de orelha a orelha, e um brilho magnifico nos olhos, me relatando como foi maravilhosa, a sua noite com o Peter.
Não tinha sido a sua primeira vez, mas ela disse que foi maravilhoso, e melhor ate que a sua primeira vez.
Eu sorri, e fiquei muito feliz por ela, realmente eu fiquei feliz, ela estava feliz, e eu como uma boa amiga que sou, deveria ficar feliz por ela também. Não e?
Enfim, ela me contou com riquezas de detalhes, do inicio ao fim. Me contou como ele a beijou, a tocou, a amou, e eu senti o meu estomago embrulhar diversas vezes. Me senti horrível por estar assim.
Por este motivo, para não ser injusta comigo, e nem com a minha amizade com eles, decidi me afastar de vez dos dois, e restringir o nosso contato ao máximo, mantendo a nossa amizade, mesmo ela esfriando rigorosamente. Me sentirei melhor assim."

E eu fiz exatamente como escrevi no meu diário, me afastei o máximo que pude deles, e sempre que me chamavam para ficar com eles eu ia, mas ficava na minha, e quando perguntavam se eu estava bem, eu sempre estava ótima.
Estranhamente, senti que o Peter era o que estava aparentemente mais "incomodado" com o meu afastamento, e sempre que me via sozinha, me lançava um olhar, um sorriso, um aceno, algum gesto de proximidade. Gesto este que as vezes era retribuído, e as vezes não.

(...)

Três meses haviam se passado, e eles permaneciam muito bem brigada.
E eu? Bem, eu também estava ótima. Ao menos era o que parecia, era o que eu demonstrava.
Eu realmente procurei me fechar, e ficar mais maleável em relação a tudo. -Referente a eles-. Aceitar que eles se gostavam, que estavam felizes, e simplesmente ignorar o fato de estar a quase 4 meses morrendo de ciumes, de algo que nunca foi, e nunca sera meu.
Eles não sentiram nem um pouco o meu afastamento, afinal, eles nunca vieram falar comigo, ou perguntar o que estava acontecendo. Mas no fundo eu compreendo, eles estão juntos, e acabam se distraindo um com o outro, e só te uma pessoa na qual eu devo culpar. Eu. Afinal, eu deveria ter falado o que sentia, ninguém e adivinha para saber que a tola aqui estava sofrendo por gostar do namorado da melhor amiga. Muito menos ela.
Uma vez eu estava sozinha no patio da escola, estava lendo um dos livros da biblioteca, quando senti alguém sentar a minha frente. Elevei os olhos e senti cada parte do meu corpo paralisar. Era ele, e os seus olhos curiosos.

-Ola.-sorriu-

-Ola.-voltei o meu olhar para o livro a minha frente-

-Esta tudo bem?

-Sim!-passei a pagina que tinha terminado de ler-

-Voçe esta com raiva de mim?

-Não.

-Não?

-Não! Deveria?-o olhei-

-Acho que não.

-Então, não! Cade a Mariah?

-Não veio hoje, esta com cólicas!-sorriu de canto-

-Normal. Quando chegar em casa eu ligo para ela.-fechei o livro- Preciso ir, já esta na hora da minha próxima aula.-me levante-

-Claro.

-Ate Peter!

-Ate Cris!
Dei as costas para ele e comecei a seguir o meu caminho para o interior da escola. Mas não dei mais do que tres passos e o ouvi novamente.

-Cris!

-Sim.-o olhei-

Ele ficou de pé me encarando com o olhar vago, ele parecia procurar o que falar, mas pareceu simplesmente travar. Me perdi por um segundo em seus olhos, e me lembrei do garoto que conheci a quase três anos atras, o menino que me encarava com o olhar curioso, e testa franzida.
Ele relaxou os ombros, e ali eu só reafirmei que estava na frente do garoto que eu gostava, que ele era o Peter, o garoto no qual eu nutri tantos sentimentos bons por tanto tempo.
Ele não disse absolutamente, e apenas ficou me olhando, mais nada. Vendo que da sua boca não sairia uma virgula, dei as costas novamente, e o deixei parado olhando para o nada, enquanto eu seguia o meu rumo do mesmo jeito, ou ainda pior, o que me deixa mais uma vez, com a certeza de que a melhor coisa que eu fiz, foi me afastar deles. Assim, eu aparentemente sofro menos, mais eles se amam mais.
Sabe o que mais me deixa triste? É que de um jeito ou de outro, eu irei perder grandes amigos, principalmente a Mariah.
Eu a amo como a irmã que não tive, ela sempre esteve ao meu lado aqui, foi e sempre será minha melhor amiga, e quando ela precisar de mim, sim, eu estarei aqui para ajudá-la.

(...)

Mais ou menos um mês depois, o que eu achei que estava maravilhoso, parece que não estava tão incrível assim.
A Mariah, bateu em minha porta em uma das noites, ela estava chorando, e com o semblante péssimo, eu perguntei o que tinha acontecido, e ela me puxou pela mão ate o meu quarto, onde ela me fez sentar.

-O que foi Mariah?- a encarei enquanto ela andava de um lado para o outro-

-O Peter. Cris, ele mentiu pra mim, ele me fez de idiota, e me magoou novamente.-ela disse enquanto chorava- Eu sou uma idiota, não deveria ter dado uma nova chance para ele, não deveria.-se sentou ao meu lado-

-O que ele fez?-coloquei o seu cabelo para o lado descobrindo o seu rosto-

-Me fez de idiota, idiota! Eu o odeio Cris, odeio com todas as minhas forças.

-O que aconteceu, me deixa te ajudar?

-Só me abrace amiga, mais nada, por favor.-a abracei forte,m e escutei o seu choro baixinho acariciando os seus cabelos- Homens não prestam!

-Eu nem sei o que dizer.

-Olha pra mim?-ela se afastou um pouco, e eu a encarei-

-Homens não prestam!-repetiu- Me promete que não vai deixar eles te manipularem, e nem te fazer de otária?

-Mariah...

-Promete?

-Não e assim tão fácil...

-E sim, voçe e inteligente, e mais inteligente do que eu, e saberá identificar quando estiver sendo enganada. Não deixe que isso aconteça. Por favor. Só me promete.

-Tudo bem!-voltei a abraça-la forte e fiquei com ela , ate que pegasse no sono em meu colo-


(...)

Alguns meses haviam se passado desde que a Mariah tinha batido na minha porta para chorar as "pitangas" com algo relacionado ao Peter, que ela não me falou, e eu não insisti em perguntar.
No final das contas, não queria deixar a minha amiga ainda mais triste, não era culpa dela eu ter gostado dele, e também não era culpa dela, eu ter sido uma medrosa, e não ter contado a eles, que eu gostava do Peter.
Os dias seguintes na escola foram estranhos. Tínhamos voltado a andar juntas, como antes, deles terem ficado juntos, e ela não olhava mais na cara do Peter, e por ela, eu me afastei um pouco mais dele, afinal, eu não sabia o que ele tinha feito a ela, e ele mais uma vez, não se manifestou em vir me procurar.

Passou o aniversario da Mariah, o aniversario do Peter, no qual mesmo tendo sido convidada, ela não foi. Já eu fui.

-Cris, que bom que voçe veio!-sorriu abertamente ao me ver-

-Claro que eu vim, achou que eu não viria?

-Achei!-ele me abraçou forte-

-Aqui esta, lhe trouxe uma lembrança. Espero que goste.

-E claro que vou gostar.-disse ainda abrindo a embalagem-

-Eu sabia que o seu tinha arranhado, então, passando em frente a Hungry ear, eu entrei e perguntei se tinha.

-Thriller?-sorriu ainda mais-

-Michael Jackson...

-E Michael Jackson!-sorrimos ao falarmos juntos-

-Obrigado Cris.-me abraçou novamente dando-me um beijo demorado no rosto-

-De nada. Mamãe mandou um feliz aniversario, e disse que amanha ela vem te dar um beijo, e lhe trazer o seu presente.

-Tia Laura e maravilhosa.

-Sim. Bem, eu vou dar um beijo na tia Berne, e já vou.

-Já vai, por que?-me olhou parecendo ter ficado desapontado-

-A Mariah esta la em casa, eu disse que não demoraria.

-Ah. Tudo bem.

-Ela esta bem!

-Que bom.

-Então, ate Peter, boa festa.

-Obrigado Cris.

Depois de falar com a tia Berne como havia dito a ele, eu fui embora, voltei para a minha casa, e fui ficar coma minha amiga. Assistimos filmes românticos, comemos pipoca, bebemos refrigerante, e tomamos sorvete ate não podermos mais.
Enfim, depois do ano novo, ela me deu a triste noticia que a família dela estaria se mudando definitivamente para NY, e mesmo estando muito triste em ter que me deixar, ela sabia que seria o melhor para ela.
Eu fiquei arrasada, claro, afinal eramos amigas a quase cinco anos, mas infelizmente eu não tinha absolutamente nada melhor para fazer do que chorar a sua partida, e desejar do fundo do meu coração que ela fosse muito feliz.

Os dias apos ela, e a sua família ir embora da Ilha, foram terríveis, afinal, mesmo com tudo o que aconteceu, ela ainda era a minha melhor amiga, e era somente ela, já que devido ao que aconteceu -que eu nem sei ao certo o que aconteceu entre eles- eu acabei me afastando consideravelmente do Peter, ainda falamos o máximo, "bom dia, boa tarde, e boa noite", mão não chegava proximo do que era antes.

(...)

Faltava exatamente um mês para o dia em que eu iria completar 17 anos. E este ano eu não estava tão animada assim como nos anos anteriores, já que eu não teria a Mariah comigo, pela primeira vez. E provavelmente nem o Peter, já que a nossa amizade estava visivelmente abalada devido aos acontecimentos do ultimo ano.
Eu estava sozinha em casa, depois que a minha mãe disse que iria ate o mercado, e o Stew, como sempre tinha ido para o trabalho.
Era sábado pela manha, e eu me sentia muito sozinha desde que a Mariah, foi embora da ilha com a família. O meu relacionamento com o Peter, não era mais o mesmo desde que ele, e a Mariah tinham ficado por um tempo, e eu realmente me senti mais excluída, não só pela relação deles, mas por acabar tendo que controlar o meu ciumes quando estávamos todos juntos.
O meu ultimo contato com ele, foi na virada de ano quando nos vimos na rua de relance, ele estava com os amigos de sempre, e eu estava com a Mariah, ele olhou para nos, e apenas acenou com uma das mãos, no qual eu retribui timidamente, e a Mariah virou a cara. Definitivamente estávamos extremamente longe de sermos o trio de amigos que ficávamos na varanda da minha casa conversando, enquanto o Peter tocava um pouco de violão, cantávamos, e jogávamos conversa fora. Na verdade, ele cantava, por que eu e ela, só Jesus na nossa causa.

Tinha terminado o meu banho, estava no closet colocando uma lingerie, quando ouvi a campainha tocar, me enrolei no roupão, e desci as escadas ainda passando um pouco de creme nos meus cachos.

-Ja vai.-disse quando terminei de descer as escadas- Peter?-abri um pouco a porta-


-Ola Cris!-sorriu ao me ver-

-Ola, tudo bem?-estranhei ao vê-lo na minha porta, nem me lembro da ultima vez em que ele veio ate aqui-

-Sim. Eu queria falar com voçe, tudo bem? Claro, se não se incomodar...

-Sem problemas.-senti o meu coração acelerar consideravelmente- Bem, eu estou sozinha em casa, a minha mãe foi no mercado...

-E rápido!-arqueou a sobrancelha- Juro, prometo não tomar mais do que cinco minutos do seu tempo.

-Tudo bem, entra. -lhe dei passagem para que entrasse. Era o Peter, no final das contas, ele ainda era o meu amigo- Me da só um minuto, eu vou me trocar. Voçe me pegou saindo do banho. -sorrimos-

-Sem problemas, vai em frente.

-Já volto!-disse já subindo as escadas-

Entrei no quarto indo direto para o closet a procura de algo para vestir.
Não nos falávamos tanto quanto antes, mas ainda eramos amigos, apesar dele já não frequentar mais  a minha casa como antes, e menos ainda quando ele e a Mariah pararam de ficar juntos, e eu não tinha a menor ideia do que ele queria aqui neste exato momento.

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