Ele mandou que eu seguisse em direção ao centro de Hoboken e depois pegasse a estrada que dava para fora das dependências da cidade, nos levando ate uma área mais afastada. Durante o trajeto eu tentava conversar com ele, lhe pedir calma, que se ele me soltasse, eu não iria denuncia-lo a polícia e nem deixaria que ninguém fizesse isso. Ele simplesmente olhou para mim e sorriu. Não era qualquer sorriso, aquele foi o sorriso mais assustador que eu já tinha visto na minha vida.
- Para onde estamos indo? - perguntei quando o vi remexendo em minha bolsa.
- Cala a sua boca e dirija. Você e muito gata sabia? - o olhei pelo canto dos olhos e ele me encarava. - Eu lhe fiz um elogio, sua mal educada. - apertou o cano da arma na minha cintura.
- Obrigada. - disse com a fala falha diante do meu medo.
- Melhor assim. Acho que vou me divertir um pouco com você antes de te mandar para uma viagem sem volta. - senti o meu coração apertar, quando ele direcionou a arma para entre as minhas coxas, algo me dizia que eu iria morrer.
- Por favor, não me mate. - senti as lágrimas começarem a escorrer pelo meu rosto. Faça o que quiser, mas não me mate, por favor...
- Cala a boca e não comece a chorar, odeio mulher chorona. Entre nesta rodovia.
Entrei na rodovia movimentada que dava para fora da cidade. Já estava escuro, estávamos rodando a mais ou menos umas duas horas desde que fui abordada na faculdade por ele, já estava próximo das oito da noite e eu sei que a minha mãe estaria muito preocupada comigo e sei que a esta hora ela já tinha me ligado enumeras vezes, porém, o celular sem dúvidas não deu nenhum alarde, já que eu o tinha deixado no silencioso devido as aulas.
Olhei para um dos lados e só tinha mato, olhei para o outro e também só tinha mato. Ele permanecia olhando para frente e parecia estar procurando por alguma coisa, ou algum lugar especifico e assim que me viu olhando para os lados, mandou que eu olhasse somente para frente, disse que se eu desviasse o olhar da estrada mais uma vez ele me daria um tiro.
Eu tentava me controlar de todos os jeitos, tanto a minha tensão, o meu medo, o horror que estava sentindo,mas era quase impossível. A única coisa que eu queria era ignorar a voz que dizia que eu iria morrer e dar a lugar a que dizia que eu iria voltar viva para casa.
Quando o relógio no painel do carro marcou nove horas da noite já esta vamos bem longe de Hoboken, ele mandou que eu parasse o carro em uma parte gramada no acostamento da estrada e que adentrasse um pouco mais no matagal e por fim, para desligar o carro. Mesmo morrendo de medo do que poderia vir a seguir, eu fiz o que ele havia mandado.
- Muito bem, agora podemos começar a nos divertir, Crystal.
- Como você sabe o meu nome?
- Olhei em sua carteira de motorista. Dezessete anos recém completados. É uma pena, tão novinha e já vai dar adeus a este mundo tão rápido.
- O que você quer?
- Cala a boca, vai para o banco de trás, agora.
- Eu...
- CALA A PORRA DA SUA BOCA!
Fiz o que ele havia mandado, me sentei no mesmo e ele me olhou de cima a baixo e simplesmente apontou a arma para mim, que imediatamente fechei os olhos, esperando pelo disparo.
Sabe quando dizem que a sua vida passa em seus olhos diante da morte? Eu vi, isso aconteceu comigo, eu vi toda a minha vida passar diante de mim, lembrei do meu pai, da minha mãe, do Stew, da Mariah, do meu futuro, ou futura irma que a mamãe espera, e por último, mas não menos importante, me lembrei do Peter, dos seus olhos, do seu sorriso, lembrei que eu queria muito poder revê-lo um dia, mas que infelizmente agora, só se fosse em outra vida.
Porém, para o meu alivio, ou maior desespero, o disparo não aconteceu. E no lugar dele veio um comentário que me fez gelar da cabeça aos pés.
- Tire a sua calça.
Ele ordenou, pensei em relutar, mas quando abri os olhos, dei de cara com o cano da arma entre os meus olhos, a minha única esperança de sair provavelmente viva dali, será obedecendo-o.
Retirei a minha calaça, e depois que ela estava no chão, senti a minha blusa de botão se abrir em apenas um puxão e os botões baterem no interior do carro.
Ele pulou para a parte de trás, abrindo o seu cinto, seguido do botão da calça, eu virei o rosto para o lado, eu não queria passar por aquilo, mas infelizmente eu não tinha outra opção no momento, ou era ceder a ele, e a sua arma, ou era ir para casa em um caixão.
Dor. Muita dor. Era a unica coisa que eu sentia no momento em que ele estava estava fazendo o que queria comigo.
Com uma arma apontada para as costelas durante todo o tempo, eu passei por longos minutos, que pareciam eternidades dentro daquele carro, sendo agredida sexualmente, fisicamente, e moralmente. Enquanto o meu rosto sangrava devido a um corte no supercílio após uma coronhada, eu pedia por clemência, a única coisa que eu queria era que ele acabasse logo com aquilo.
Depois de um tempo, de passar por momentos de pura dor e humilhação, ele mandou que eu saísse do carro, eu vestia apenas a minha blusa com os botões estourados, o meu sutiã, e mais nada.
- O quê você vai fazer mais, o quê você ainda quer de mim?
- Vou terminar o trabalho ou você acha mesmo que eu vou deixar você voltar para casa? - ele dizia friamente enquanto me puxava mato adentro no meio da escuridão total.
- Por favor, não me mate, eu te prometi e repito que não vou contra nada a ninguém.
- Você acha mesmo que eu vou confiar em você? É claro que não.
- Por favor, confie em mim. - ele me empurrou fazendo com que eu caísse no chão.
- Cala a sua boca. - ele parecia mais nervoso do que antes. Se ajoelha. SE AJOELHA SUA VADIA! - mesmo muito assustada, eu fiz o quê ele havia mandado. Vou ser bonzinho com você, permitirei faça a sua última prece. - sem olhar para ele, apenas juntei as mãos diante de do meu corpo e orei.
- Deus, perdoe este pobre coitado pelos seus pecados...
- Esta rezando por mim querida? Não precisa, eu vou te encontrar no inferno daqui a alguns anos.- ele engatilhou a arma, a encostando na minha nuca.

Eu fechei os olhos com muita força, e apenas esperei que desta vez ele atirasse, mas a única coisa que ouvi foi o "click" da arma falhando e ele xingando logo em seguida. Olhei para trás e o vi tentando destravar a arma, enquanto ele estava distraído, eu tive um momento de lucidez e loucura. Me virei o empurrando, fazendo com que ele caísse, me levantei e sai correndo sem rumo, o mais rápido que consegui, mas infelizmente não consegui ir muito longe já que eu estava descalça e o terreno onde estava não colaborava muito para a minha locomoção.
Para o meu desespero, eu ouvi um disparo e em seguida um choque de ar me empurrar para frente, me fazendo cair de cara no chão.
O meu ombro doía, e eu estava começando a sentir frio, era uma sensação horrível de sentir, tudo queimava, ardia, e formigava. Na minha cabeça só vinha a imagem da minha mãe desesperada a minha procura, enquanto sentia a minha pele em contato direto com a terra fria, úmida por baixo do meu corpo parcialmente despido.
Decidi fingir que tinha morrido, ou que estava desacordada, quando ouvi os seus passos apressados ao meu encontro. Controlei ao máximo a minha respiração, e apenas fiquei deitada, completamente imóvel.
Senti que ele parando próximo a mim, mas não tão perto, e por isso, abri milimetricamente os meus olhos, acho que pelo fato de estar muito escuro, e ele não me ver direito, acabou parando longe de mim.
Senti o meu corpo arder demais, era uma sensação horrível, indescritível, e ficou pior quando ouvi ele disparar mais três vezes contra mim e mesmo sentindo uma dor inigualável, eu permaneci muda, imóvel, mas desta vez a dor foi tanta, que eu simplesmente apaguei.

Acordei não sei quanto tempo depois, sentindo cada centímetro do meu corpo doer, olhei ao meu redor e estava completamente sozinha naquele escuro, sentindo muito frio e dor e para piorar, eu não estava conseguindo sentir as minhas pernas. Coloquei as mãos nas costas, senti uma dor alucinante somente naquele movimento e tateando melhor eu consegui sentir o buraco pequeno feito pela bala nas minhas costas. A unica coisa que consegui fazer foi chorar, eu tinha quase certeza de que tinha perdido os movimentos das minhas pernas.
Ironicamente, o que me aliviava naquele momento era saber que estava sozinha, sem ele por perto para atirar mais vezes contra mim.
Fiz um esforço enorme olhando para trás, e constatei que o carro não estava mais onde estava antes, e o fato de estar viva me dava esperança, e força para voltar para casa. Comecei a me arrastar pela grama e sem a ajuda das minhas pernas tudo estava se tornando ainda mais complicado para ser feito. Eu pedia baixinho a Deus forças para continuar e principalmente para sair viva dali, por que não tinha mas ele por perto, mas ainda tinha os perigos daquele local que eu não fazia ideia de onde era.
Depois de alguns minutos me arrastando entre a vegetação densa e escura, eu vi uma luz, parecia uma lanterna, na realidade, eram duas, tinham duas pessoas andando pelo mato, eu respirei fundo e fiquei quieta, não sabia se era ele que tinha voltado com alguém, para ver se realmente tinha me matado.
- Tem certeza de que foi por aqui que você ouviu os disparos filho? - ouvi uma voz grossa e sem duvidas não era dele.
- Foi sim pai, eu vi da janela do meu quarto o rastro de luz seguido do disparo.
- Mas não tem nada, vamos embora! -eu estava aqui, eles não poderiam ir.
-Aqui! - eu reuni o resto de força que ainda tinha. - AQUI!
- Ouviu?
- AQUI! - senti as lágrimas escorrerem diante daquela esperança.
- MOÇA?
- AQUI, PELO AMOR DE DEUS.
- MOÇA? - ouvi os seus passos cada vez mais próximos e logo a luz da lanterna clarear o meu rosto.
- Deus! Chame os paramédicos Jaden!
- Eu vou chamar!
- Consegue se levantar moça?
- Não. Eu não sinto as minhas pernas, ele acertou nas minhas costas.- eu falava entre os meus soluços.
- Então fica quietinha, já já você será atendida, mas tenta não dormir tudo bem?
- Eu estou cansada e com frio.
- Eu vou te cobrir com o meu casaco. - ele retirou o seu agasalho e colocou sobre os meus ombros. Quem fez isso com você minha filha?
- Eu não sei, ele só pediu uma informação e me sequestrou.
- A emergência já esta vindo. Tinha uma ambulância aqui perto. - o filho dele se aproximou novamente.
- De onde você e mocinha?
- Sou de Hoboken.
- Esta bem longe de casa. Quantos anos? - ele segurou em minha mão como um ato de bondade.
- 17. Estou com muito sono.
- Por favor, não durma querida. Qual e o seu nome?
- Me chamo Crystal, Crystal Fernandes.
- Qual e o nome dos seus pais?
- Lorena, e o meu padrasto se chama Stwart. Esta doendo, e eu só quero dormir para passar logo.
- Mas eu preciso que fique acordada. - assim que ele terminou de falar, ouvimos a sirene de uma ambulância.
- Eles chegaram menina, eles chegaram!
- Muito obrigada.
- Você vai ficar bem!
- Obrigada senhor, que Deus lhe abençoe. - apertei a sua mão com força.
- Aqui, a moça esta aqui. - foi a última coisa que consegui ouvir antes de simplesmente apagar.
Acordei não sei quanto tempo depois em um quarto completamente branco, e cheia de aparelhos ligados ao meu corpo, eu respirava com dificuldade, mas sozinha, apenas com o auxilio da mascara de oxigênio. Olhei para os lados, e vi a minha mãe sentada em uma poltrona, adormecida ao lado do Stew que a acolhia em seus braços, e naquele momento, eu nunca me senti tão feliz em estar viva. Senti as lágrimas rolarem pela minha face ao relembrar por alto de tudo o que havia passado nas últimas horas, foi um pesadelo, queria acreditar que era simplesmente isso.
Ouvi os aparelhos apitarem com mais intensidade diante do meu choro, diante de tudo o que eu relembrava e foi o suficiente para despertar primeiramente o Stew, e logo em seguida a mamãe, que se levantou rapidamente vindo ate mim.
- Meu amor, minha filha. - ela segurou em minhas mãos e apoiou de leve a cabeça em meu peito, e eu não consegui conter a minha emoção de estar em casa, de estar com a minha família.
- Querida, ficamos tão desesperados. - Stew passou a mão em minha cabeça a beijando em seguida.
- Mãe, pai, me desculpem.-disse baixo e abafado pela mascara.
- Shiii, não fala nada meu amor, a culpa não foi sua. - minha mãe beijou a minha testa.
- Já encontraram o infeliz que fez isso com você meu amor! - olhei para o Stew que estava com os olhos cheios de lágrimas. Aquele maldito já está preso minha princesinha. - vi as primeiras lágrimas rolarem de seus olhos.
- Pai! - passei a mão em seus rosto. Ele tinha se tornado um pai para mim ao longo dos anos e o vendo agora, tão abaldado, sei que ele realmente se preocupa comigo como um pai.
-Você está em casa! - segurou em minha mão, a beijando, assim como a minha mãe.
- Recuperaram o carro?
- Sim meu amor, intacto.
- E o moço?
- Que moço?
- O moço que me ajudou!
- Ele veio aqui ontem, mas você ainda estava dormindo.
- Ontem? Eu estou aqui a quanto tempo?
- A três dias.
- Três?
- Olá, fiquei sabendo que a minha paciente acordou. - olhei para o lado e vi um medico alto, de cabelos bem branquinhos entrar na sala, nem reparei quando avisaram. Como esta Crystal? A propósito, vamos tirar isso aqui, você consegue respirar sem? - retirou a minha máscara de oxigênio.
- Bem, eu acho. - só ai eu notei, que ainda não sentia as minhas pernas. - Por que eu ainda não sinto as minhas pernas?
- Bem...
- Não!
- Não, é permanente, é só uma paralisia momentânea, foi uma lesão mínima e em breve você recuperara os seus movimentos. Agora você só precisa descansar. - ele anotava algumas coisas em meu prontuário.
- Em quanto tempo os meus movimentos voltarão?
- Não sei estipular com exatidão, mas com o auxílio de fisioterapias, ela vai voltar em breve.
- Fica calma meu amor. - mamãe olhou em meus olhos e sorriu.
- Você receberá em breve a visita da Doutora Kim...
- Olá.
- Olha ela ai! - ele sorriu.
- Não acredite em nada que ele fala sobre mim. - sorrimos. - Como está querida?
- Viva. - disse sentindo os meus olhos arderem novamente
- Isso é bom.
- Quantos tiros eu levei?
- Quatro no total, três certeiros e um de raspão.
- Um no ombro esquerdo, um próximo ao quadril que atingiu uma das vértebras que a deixou paralisada, e um na parte superior da coxa direita. E o último de raspão pela lateral esquerda da cabeça. Todos pelas costas.
- Covarde. - ouvi o Stew falar entredentes.
- Calma meu amor, ele já esta preso. - mamãe o abraçou.
- A minha vontade era de arrebentar a cara daquele maldito.
- Calma papai, ele era digno de pena. - ele me olhou com os olhos mais amorosos do mundo.
- Minha menina, minha filha, você não sabe como nos preocupamos com você. - recebi um maravilhoso abraço confortável deles.
- Bem, deixe me apresentar melhor. Sou a Doutora Kimberly e sou ginecologista.
- Ginecologista?
- Sim. Bem Cris, estou aqui por que primeiramente, você foi violentada. Fizemos alguns exames e já te medicamos com o coquetel anti HIV, isso reduz em 92% das chances de você contrair o vírus caso ele seja portador da doença. E também por que infelizmente quando ele te acertou próximo ao quadril, além de acertar uma de suas vértebras, a bala se estilhaçou e acertou o seu útero, e bem, de acordo com os exames que fizemos até então, você não poderá mais engravidar.
- Eu fiquei estéril?
- Sim, infelizmente. Mas são apenas os primeiros resultados.
- Não, isso não é possível...
- Calma meu amor, e só momentaneamente, ainda vão ter mais testes, e exames, tratamentos.
- Realizaremos mais alguns exames mais pra frente, e o seu quadro pode se reverter Crystal. Este diagnostico e momentâneo.
-Momentâneo? Momentâneo? Eu estou momentaneamente paralisada da cintura para baixo e momentaneamente sem poder ter filhos. - fechei os olhos com pesar sentindo as lágrimas rolarem deixando a minha dor mais do que aparente. - O meu sonho era ser mãe.-olhei para a medica.
- Você será. Se não for natural, têm tantas outras formas...
- Não!
- Você esta viva meu amor. É o que importa.
Olhei para minha mãe e ela me encarava com os olhos mais amorosos do mundo e mesmo privada de tantas coisas a partir de agora, eu vi que para eles só o fato de estar aqui, já era uma vitória, e eu decidi encarrar esta segunda chance exatamente assim. Uma vitória!
Ola meus amores, sei que provavelmente a historia citada acima pareça ser surreal, e que nunca jamais ira acontecer com ninguém, mas acreditem acontece, e infelizmente aconteceu. Esta parte do cap e baseado em fatos reais, e eu me inspirei na historia de uma professora texana, de nome Bridget kelly. Como eu disse, foi baseado e a historia não e a mesma tem o meu toque pessoal, mas eu disponibilizei o vídeo para não acharem uma louca que inventa um monte de coisas sem sentido. kkkkkkk
Espero que tenham gostado cap,e ate breve...
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