quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Febre? cap 30


Parte Cris

A nossa viagem foi maravilhosa, aproveitamos muito do lugar, dos restaurantes, e do hotel, e claro.
Aproveitei também para conversar com ele sobre a Ariel, a menininha que conheci no orfanato, a que eu fiquei encantada, lembra? Então, ele permaneceu irredutível a primeira vista, mas depois ele concordou em pensar no caso. E só isso já foi o bastante para me deixar fantasiando varias coisas sobre te-la como minha menininha.

§

Tínhamos chegado em casa na noite anterior, eu tinha acabado de acordar, e estava olhando para as nossas malas ainda para serem desfeitas em um quanto qualquer do quarto. Olhando para elas agora, eu me lembro perfeitamente de o por que, não escolhi viajar no nosso aniversario de casamento.

-Bom dia meu amor!-me abraçou por trás beijando o meu ombro.

-Bom dia!

-Volta pra cama, volta!

-Não, olha o que me espera ali!-apontei para as malas.

-Depois eu te ajudo com elas! Volta para a cama!-insistiu.

-Voçe nunca ajuda Rafael!-sorri.

-Maldade com o seu marido!

-Maldade nada!-me levantei indo ate as malas. Rafa?

-Hum?

-Voçe já pensou sobre a Ariel?

-Quem?

-Ariel. Rafael, a menininha que conhecemos no orfanato no natal!

-Voçe realmente gostou dela?-me levantei indo novamente ate ele.

-Sim, eu adorei, ela e linda, um amor de criança.

-Voçe sabe que se quisermos ficar com ela, temos que fazer algumas mudanças no nosso perfil não e?

-Eu sei, mas por outro lado, pode sair mais depressa, pois o nosso cadastro já tem mais de 3 anos. Uma criança no perfil em que queríamos e mais complicado de encontrar, veja quantas vezes já nos decepcionamos?

-Voçe tem rasão quanto a isso!

-Então! Vamos tentar Rafa, por favor? Se não terei que fazer novos exames, para ver se consigo ao menos um ovulo para tentar uma barriga de aluguel...

-Não, isso não!-ele olhou nos meus olhos e sorriu.

-Por que?-o encarei.

-E muito desgaste emocional amor,  uma violação ao corpo...

-Mas...

-Mas nada! Tudo bem, podemos tentar adotar a Ariel!

-OBRIGADA!-o abracei nos fazendo cair na cama.

-Eu só te quero ver feliz!-beijou a minha testa.


No mesmo dia eu liguei para a doutora Sanches, e ela se prontificou a tomar a frente desta nova tentativa. Eu tinha fé que desta vez iria dar certo, e eu teria a minha filha.

§

-Bom dia amiga!-abri a porta sorridente.

-Nossa que felicidade! Bom dia! Viu passarinho verde logo de manha?

-Mais ou menos isso!

-Conta tudo!

-Lembra que te falei da Ariel, a menina do abrigo?

-Sim!-ela me olhou com os olhos brilhantes.

-O Rafael concordou em tentarmos adota-la!-sorri abertamente.

-Que bom amiga!-se levantou me abraçando. Se fosse por mim, voçe teria a adotado, sem nem mesmo saber da opinião dele!

-Mas ele e sera o Pai Liz, precisa concordar!

-Tudo bem, não vou discutir com voçe em relação a isso! Mas e ai, quando chegou de lua de mel?-soltou a sua cadeira se sentando.

-Boba!-me sentei. Chegamos no sábado!

-E nem me avisou né sua safada? Estava dando ainda não e?-sorrimos.

-Desculpa, mas e que eu passei o domingo ajeitando o quartinho de bebe que eu tenho la em casa, sabe para quando a assistente social ir la em casa,saber que temos estrutura!

-Com uma casa daquela, achar que vocês não tem meios para receber uma criança, só se for louco!

-Eu sei, mas e para já ter o cantinho certo da criança...

-Eu entendo!

-Então, eu estava ajeitando tirando as coisas de "bebe" tentando deixa-lo mais mocinha, só falta comprar a caminha, eu acho que vou hoje. Vai comigo?

-E claro!

Eu estava tão eufórica, que nem reparei em quão rápido o dia passou na clinica. No final da tarde nos duas seguimos para o shopping, e fomos direto para uma das diversas lojas infantis para comprar algumas coias. E alem da cama, comprei algumas roupas e vestidinhos. Eu sei, posso estar sendo apressada, mas e que ser mãe esta no meu DNA, e só de pensar na Ariel, eu já fico emocionada.
Paramos em uma lanchonete para comer um "podrão" qualquer, e enquanto conversávamos sobre a vida, começou a tocar a nova musica do Peter, a que é em parceria com o DJ e produtor Mark Ronson. Sorri involuntariamente, ao me lembrar dele, sentia tanto a sua falta, as vezes a minha vontade era de simplesmente pegar o carro e ir vê-lo, e claro, ver como esta o Dylan também.

-Esta musica me da uma vontade louca de me levantar e sair dançando.-Liz sorriu me encarando. Não da?

-Sim, ela e  muito boa!

-E maravilhosa! Quem canta também!-a encarei.

-Voçe acha? Eu não!-me fiz de desentendida.

-Mentirosa!-me tacou um guardanapo e sorrimos.

-Saudades do Dylan!

-Só dele?

-Do pai do Dylan também!-assumi.

-Vai vê-los?

-Acho melhor não, ele não me procurou novamente, deve estar achando confortável este espaço entre nós dois!

-Ou sem tempo ate para respirar não e Crystal?

-Duvido, ele pode contratar um batalhão de babás para cuidar do Dylan!

-Pois acredite, na revisão ele levou o "Dy" -como ele chama o filho-, sozinho!

-Sozinho?- a encarei incrédula.

-Sozinho! Ele esta se saindo muito bem como pai, e aposto que e super coruja, tem que ver o cuidado com que ele o pega no colo, o amor que olha nos olhos dele, foi lindo de se ver amiga!

-Por que voçe não me disse que ele tinha ido na clinica com o Dylan?

-Ele foi na sexta, depois que voçe foi embora, e eu tinha esquecido completamente. Desculpa!-fez cara de culpa.

-Esta tudo bem! Como o Dylan esta?

-Lindo, esta ótimo amiga!

-Ele vai fazer um mês amanha!

-Sim! Como passa rápido, amanha já e 13 de janeiro!

-Verdade! Vou comprar um presente para ele!

-Voçe vai entregar?

-Vou mandar pelo correio!

-Palhaçada!-resmungou, mas eu nem lhe dei atenção.

Decidi por comprar um kit completo de berço para o Dylan, Afinal qualquer coisa relacionada a bebes nunca e demais. Eu agradeci a minha amiga pela companhia, e voltei para casa, deixei para enviar o presente no dia seguinte, ou então decidir se eu mesma não levaria pessoalmente.

§

-Vamos logo amor, assim nos atrasaremos!-ele me grita do pé da escada.

-Já estou indo! Estou bem?-o questionei assim que desci.

-Esta linda! O que e isso?

-Ah, e um ursinho, queria levar para a Ariel!

-Voçe sabe que não podemos levar presentes para ela, a conselheira foi bem clara!

-Eu sei!

-Mas parece que esqueceu né? Deixa isso ai, se não nos atrasaremos ainda mais!

-Tudo bem! Onde vamos leva-la?

-Mesmo com a supervisão da conselheira tutelar, não podemos ir muito longe com ela, então acho que na Starbucks, o que acha? Talvez um passeio em algum lugar.

-Já sera ótimo!.


Eu estava em uma pilha de nervos, iriamos ver, e passar duas horas com a Ariel, como candidatos a seus pais.
Estava ansiosa, e mais do que feliz, mesmo tendo a conselheira no nosso encalço, afinal ela tinha que supervisionar o nosso comportamento com ela, e o dela com conosco.
Seguimos direto para o local programado onde a psicologa estaria com ela a nossa espera, mas parece que chegamos cedo demais, e tivemos que ficar alguns minutos a sua espera, minutos estes que pareciam horas, mas quando eu menos esperei, um enorme sorriso brotou em, meu rosto quando a vi saindo do carro com a ajuda da conselheira com o seu vestidinho azul claro, um casaco branco, meia calça também branca e um sapatinho bege de lacinho. Os seus cabelinhos negros e completamente enrolados, era inutilmente contidos por uma tiara de lacinho, definitivamente ela era a menina mais linda deste mundo.
Ela se aproximou de mãos dadas com a conselheira, aparentemente tímida, e meio que se escondendo atras dela, mas quando a mulher se curvou a mostrando que eramos nos quem a esperava, eu senti os meus olhos arderem, e logo fui as lagrimas ao ver o seu lindo, e brilhante sorriso nos encarando.

-TIA!

-MEU AMOR-me abaixe para receber o seu abraço forte, e caloroso assim que ela veio correndo ao nosso encontro. Como esta linda minha princesa!-a abracei forte.


-Voçe também esta!

-Obrigada!-ainda baixada a sua frente acariciei o seu rosto, ela tinha os olhos mais lindos que já vi.


-Por que esta chorando tia?

-Por que estou feliz em te ver!

-Oi, tudo bem?-ele se abaixou ao nosso lado.

-Tudo!

-Eu também achei voçe muito linda!

-Obrigada tio!

-Bem, eu vou deixa-los a sós. Estarei observando.

-Obrigada!-estiquei a mão em um cumprimento.

-Vamos tomar um chocolate quente Ariel? Esta frio, e o tio esta louco por um chocolate.

-Oba, vamos sim!

-Hummm, chocolate quente e sempre uma boa saída!-sorri ao pegar em sua mãozinha.

Seguimos para a Starbucks ali perto, e depois do chocolate quente comprado resolvemos ficar no parquinho proximo para passarmos um tempinho juntos, e conhecermos melhor a nossa futura filha, aproveitar que não estava ventando, e o frio não estava de matar.
Ela era bem falante, nos contou varias coisas sobre os seus coleguinhas do orfanato, e de como se diverte com eles. Mas o que me deixou tocada, foi quando ela disse como foi tratada quando foi morar provisoriamente com uma família.

-A ultima mamãe que eu fui para a casa dela, brigava muito comigo, e ela gritava o dia inteiro!

-Nossa!

-Uma vez ela me deixou presa dentro do banheiro, um tempão.

-Por que?-ele a encarou.

-So por que eu liguei a TV de manha.-eu olhei horrorizada para o Rafael, e apenas respirei fundo.

-Quando voçe for la pra casa, eu prometo não gritar com voçe.

-Eu sei!-sorriu. Voçe deve ser muito boazinha!-estou apaixonada.

O tempo pareceu voar enquanto estávamos juntos, e a cada segundo que passou eu fiquei ainda mais apaixonada por ela, e eu a queria ainda mais como minha filha.
A hora de nos despedirmos foi horrível, choramos juntas por longos minutos, eu simplesmente queria leva-la para casa imediatamente, queria cuidar, e enche-la de amor, e carinho, mas ainda não era possível, eu dependia do relatório da psicologa, e a decisão do juiz.
Voltamos para casa com a certeza de que em breve traríamos a nossa filha para casa. Sim, ela já era a minha filha.

§

Alguns dias haviam se passado desde a nossa visita assistida a Ariel, e eu estava muito esperançosa de que ela possa ir para a nossa casa em breve. Por falar em ir para casa, amanha eu farei mais uma visita ao orfanato para ver como ela estava, eu já estou morrendo de saudades dela, definitivamente eu serei uma mãe muito coruja.
Tinha acabado de atender uma paciente, e estava arrumando a minha mesa quando o telefone tocou.

-Pois não Sam!

-A sua próxima paciente ligou ainda pouco desmarcando a consulta, vou tentar encaixa-la amanha! Só ficou a paciente de quatro horas!

-Tudo bem, mas se esqueça que amanha eu tenho que sair as quarto em ponto, preciso ir ao orfanato!

-Pode deixar doutora.- a porta se abriu e a Liz apenas colocou o rosto.

-Obrigada Sam!

-De nada!

-O que foi minha sombra?

-A e assim que voçe me trata, eu vou embora então!-ameaçou fechar a porta.

-Olha o drama!-sorrimos. O que houve?

-Estou saindo, vou atender um paciente que esta com febre!

-Em domicilio?

-Não pedi para que o trouxesse para cá. Vou usar a sala de emergência, se for algo mais serio, peço transferência para o hospital.

-Tomara que não seja nada!

-Sim, acho que o Bruno surta se for algo serio!

-Bruno?

-Sim, o seu futuro enteado esta com febre, e ele esta vindo aqui com o papai dele!

-Para de falar bobeiras Liz! Como assim o Dylan esta com febre?

-Febre amiga, o corpo aquece, e pode ser sinal de uma infecção, ou apenas...

-Eu sei o que pode ser uma febre!

-Então relaxa mamãe emprestada!-sorriu.

-Voçe viu as condições que ele nasceu, ele pode ter adquirido...

-Ele não adquiriu nada Cris, eu cuido dele desde o seu primeiro minuto de vida, ele tem a saúde mais forte do que a de nos duas juntas!

-Ele e só um bebe.

-Eu sei.

-Doutora Motta!-ouvimos a voz da Ash.

-Sim!

-O paciente da emergência chegou!

-Obrigada! Vamos ver o seu futuro enteado?

-Para de falar asneiras!

-Não são asneiras, eu sinto que vocês ainda vão formar uma linda família!

-Cala a boca antes que eu enfie uma fita crepe na sua boca!

-Fita crepe, quero não!-sorriu olhando para os lados. Deixa que o meu marido coloca outra coisa bem melhor!

-Sua louca!-gargalhamos!

-Vai ou não?-perguntou já se afastando.

-Não sei!

-Crystal voçe pensa demais!-disse já quase no fim do corredor.

Fiquei por mais alguns segundos parada na minha porta decidindo se eu ia, ou não ate la ver o Dylan, e consecutivamente o pai dele. Eu estava com tanta saudades deles, e eu não posso negar isso, eu sentia realmente muita falta do Peter, em todos os sentidos, ate os que eu não posso sentir.
Olhei para o corredor no qual ela tinha seguido, entrei novamente peguei o meu celular o colocando no bolso do jaleco, e fiz o mesmo trajeto que ela. Seja o que Deus quiser.
Conforme eu me aproximava da sala, ouvia o seu chorinho alto e estridente ecoar pelo corredor, e senti o meu coração acelerar, logo em seguida a voz do Peter, pedindo que ela se acalmasse que o papai estava ali. Ele falava de forma tão branda, que era possível sentir o amor que ele nutria pelo filho no tom de sua voz.
Parei na porta olhando a cena, a Liz estava o examinando com o estetoscópio, enquanto ele acariciava o rostinho do Dylan beijando a sua testa. Sorri feito uma boba, e decidi participar deste momento tão lindo.

-Ela esta maltratando voçe meu amor?-abri a porta adentrando a sala.

-Olha quem veio te ver Dylan! A sua... Amiga!- a encarei sorrindo.


-Tudo bem meu lindo, que saudade!-me curvei beijando a sua mãozinha, e logo em seguida beijei a sua barriguinha descoberta, e ele mexeu as mãozinhas. Olhei para o Peter, que estava de pé me encarando, parecia confuso. Oi Peter, tudo bem?

-Pensei que não iria falar comigo!

-Eu ia, mas e que depois que se torna pai, ou mãe, se perde a prioridade!-sorri. Tudo bem?

-Digamos que sim!

-Hum, isso não foi muito animador!

-Ele me anima bastante.

-Eu sei que sim!-coloquei a mão em seu ombro, e ele olhou para a minha mão colocando a sua sobre a minha. Esta precisando conversar?

-Talvez!

-Se quiserem, eu fico aqui com ele enquanto vocês conversam, sera um prazer. -Sacana. Ele esta bem, e só a famosa virose!

-Por mim tudo bem!

-Então vamos ate a minha sala! Fica tranquilo meu amo, o papai já volta pra voçe, só cuidado com esta louca!

-Eu vou te dar uns tapa Crystal!-sorrimos.

O Peter abriu a porta para mim, e passei sobre o eu olhar curioso, e talvez intrigado. Na realidade ate eu estava um pouco confusa comigo mesma.

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