domingo, 6 de setembro de 2015

Sem coração... cap 25

 Passei pela recepção e perguntei a Sam, se a Liz estava na sala dela, e depois da sua resposta afirmativa segui direto para desabafar com a minha amiga. Não tinha se passado nem cinco minutos do nosso beijo, e eu já estava sentindo a minha consciência pesar. As vezes eu me odeio por isso!

-Ai Liz, eu sou a pior esposa do mundo!-já entrei na sala me lamentando, e sentindo as lagrimas escorrerem. Eu não valho nada, e definitivamente eu não mereço o marido que tenho.

-Crise existencial amiga?-a encarei e ela estava me olhando por sima do seu óculos de grau.

-Antes fosse. Eu não deveria ter ido neste almoço, mas não, eu tinha que ir, e sabe o que mais? A culpa e sua!

-Minha?

-Sim, voçe inventou que teria que sair com o Matt, sendo que eu sabia que era mentira.

-O que aconteceu?

-Nos beijamos, e...

-Espera ai.-ela retirou os óculos, se levantando e olhando pela janela. Merda, esqueci o meu guarda chuva.-lamentou. ?.

-Do que...

-Voçe beijou outra boca sem ser a do Rafael, definitivamente Los Angeles sairá do mapa em forma de  diluvio.-gargalhou.

-Isso não tem graça Liz!-exasperei a encarando seriamente.

-Desculpa amiga. E ai, ele ainda beija bem?

-Liz!

-Só perguntei, não precisa me deixar surda.-sorriu.

-Eu estou aqui me flagelando, e voçe brincando com uma situação seríssima?

-Relaxa Crystal, não exagera no drama, foi só um beijo!

-Não foi só um beijo, foram dois. Talvez três. Ai meu deus, eu sou horrível!-elevei as mãos no rosto.

-Três? Vou ligar para o Matt, e mandar ele providenciar um bote salva vidas por que o diluvio sera maior do que eu imaginei!

-Eu te odeio!

-Eu te amo amiga. Mas serio agora, relaxa, vocês só se beijaram... Só beijou né?

-SIM!

-Merda!- a encarei horrorizada. Okey, desculpa, me calei.

-Voçe já traiu o Matt?

-Em que restaurante vocês foram?

-Fomos no restaurante de um hotel mais ao... Ei, espera ai, não muda de assunto. Voçe já traiu o Matt?

-Estas coisas acontecem amiga, sabe quando a relação esta meio abalada, acabamos deslisando um pouco...

-Não, isso não acontece, quando a relação entra em conflito vocês se sentam, e tentam resolver a situação na conversa!

-Voçe ama um dialogo não é amiga? Mas sinto te informar, nem sempre resolve!

-E trair resolve?

-Pergunta a eles, geralmente eles traem primeiro!

-O Rafael nunca me traiu!-afirmei com convicção.

-Qual e o nome, e o preço do rastreador, quero um para colocar no Matt!

-Se chama confiança!

-O seu mal e confiar demais! Que isso não aconteça, mas pode ter uma hora que voçe pode se machucar feio por confiar demais.

-Voçe acha que ele...

-Não sei, e o foco não e ele, e sim, o beijo que voçe deu no Bruno. Me diz, voçe gostou?

-Ai Liz!-me sentei na cadeira a sua frente.

-Vou considerar isso como um sim!

Sim, e claro que eu gostei, eu adorei, eu amei, eu... Eu estou muito confusa, estou me sentindo imunda, e a pessoa mais feliz do mundo.
Eu senti o seu calor, o seu sabor, o seu toque, e sinceramente senti o meu corpo implorar por ele, implorar por mais dele, muito mais, e eu sinto que se isso acontecer novamente, eu não vou conseguir resistir.

§

Já em casa, confesso que foi complicado encarar o meu marido depois do que aconteceu, eu tentei me manter o mais normal possível, e tentar não deixar transparecer todo o conflito interno que eu estava passando. Eu sabia que estava errada, mas eu tinha adorado aquele erro, porem, infelizmente este delicioso erro não pode mais acontecer.
Eu soube que a sua afirmação que iria lutar por mim seria verdadeira, quando nos dois dias seguidos ao nosso almoço eu recebi um buque de flores, um em cada dia.
Mas a vez em que ele veio pessoalmente entrega-las, eu juro, tive que ter muita força de vontade, muito jogo de cintura para não ceder a tudo o que senti ao te-lo tão proximo novamente. Estava cada dia ficando mais difícil não sucumbir a ele, as suas investidas, ao seu carinho e atenção.

Flashback on

-Pois não Sam!-atendi ao telefone da minha mesa.

-O senhor Mars esta aqui para falar com a senhora!-disse parecendo estar firme e profissional, mas a conheço bem para saber que por dentro ela estava se derretendo toda.

-Serio?-olhei no relógio, e tinha acabado de marcar quatro da tarde, e eu não estava preparada para vê-lo novamente, não tinha se passado nem uma semana do nosso beijo no carro, beijo este que me roubou uma noite inteira de sono.

-Doutora?

-Pode manda-lo entrar Sam!

-Sim senhora!

-Quanto tempo eu tenho ate a próxima consulta?-queria ter um álibi para ficar o menor tempo possível sozinha com ele.

-Então, eu ia exatamente ligar para a senhora dizendo que a ultima paciente desmarcou!-legal.

-Okey, obrigada Sam!

Respirei fundo,  tentando me preparar psicologicamente para vê-lo, sinceramente eu não queria precisar vê-lo ainda, eu não me sentia preparada. Passei esta semana sendo alguém que não era na frente do meu marido, só por que eu não tive coragem de falar para ele o que aconteceu, ate por que eu sei que seria uma conversa difícil de se ter com ele, e que depois dela, sem duvidas eu seria uma mulher solteira. E eu não sei se ainda estou preparada para isso.
Ouvi batidas na porta e em seguida disse que estava aberta. A primeira coisa que vi, foi mais um buque de rosas vermelhas e brancas dentro do meu consultório, que iria fazer companhia aos de flores do campo, e rosas amarelas e vermelhas que ele tinha me mandado alguns dias antes, afinal nem em sonho eu poderia leva-las para casa.

-Ola!-sorriu abertamente fechando a porta atras de si.

-Ola Peter, a que devo a sua visita, aconteceu algo com a ...

-Não, ela esta ótima, melhor do quer nós dois juntos! Eu vim ate aqui por voçe, para te ver. Alias, são suas.-me entregou as flores.

-Obrigada, vou providenciar mais um vaso!-sorri.

-Estou vendo que as manteve aqui!

-Sim, posso ficar olhando para elas. -mentira.

-Sei, tenho certeza que não e por isso, mas deixa pra la. Nem pessoalmente voçe vai me agradecer decentemente pelas flores?

-Eu agradeci!-sorri me levantando para cumprimenta-lo "decentemente". Voçe quer um abraço?

-Sim!-sorriu de canto. Mas talvez algo mais.

-O que?

-Vamos ver!-retirou as flores das minhas mãos colocando sobre a mesa. Talvez um beijo!-passou a mão em minha cintura.

-Peter...

-Shiii Eu já sei o que voçe vai dizer, e sinceramente, estou pouco me fodendo para ele!


Os seus olhos se conectaram aos meus, e como uma  kryptonita, eu me vi completamente sem forças para reagir, ou resistir a qualquer investida da sua parte. Ele acariciou o meu rosto devagar, fazendo o contorno da minha face, e dos meus lábios com o polegar, me fazendo fechar os olhos e simplesmente apreciar o seu toque. Respirei fundo quando senti a sua respiração rente a minha minha, e em seguida o calor dos seus lábios nos meus em um selinho demorado, que logo evoluiu para um beijo de língua quando a mesma solicitou passagem em minha boca.
Beija-lo era como ser transportada para o passado, um passado lindo que eu tive ao seu lado a anos atras, um passado que eu daria de tudo para ter a possibilidade de voltar no tempo e tentar fazer tudo de novo, mas desta vez, como ele mesmo disse, não demoraria muito tempo para expressar o que eu sentia. Ou sera que sinto por ele.
Esta aproximação com o Peter esta acabando comigo, ao mesmo tempo que eu quero, e preciso estar ao seu lado sentindo o seu toque como agora, eu sinto que eu preciso estar o mais longe possível dele em respeito ao meu marido. A infidelidade sempre foi uma coisa que eu não suportei, mas agora estou eu aqui, pagando literalmente com a língua por isso.
Voltei a si deixando os meus pensamentos de lado, quando senti uma de suas mãos descer pelo meu quadril  suspendendo um pouco o meu vestido, e acariciando a minha coxa.

-Peter...

-Não fala nada, só quero sentir a macies de sua pele. Sinto tanto a sua falta, sinto saudades de você como nunca senti de nenhuma outra mulher.

A sua outra mão segurou em alguns fios de cabelo em minha nuca deixando o nosso rosto ainda mais proximo um do outro. Ele puxou o meu cabelo para o lado, me obrigando a dar-lhe espaço em meu pescoço para ele, e logo em seguida a sua boca estava na região, deixando a minha pele arrepiada, e a minha calcinha devidamente úmida. Eu vou para o inferno quando morrer por causa disso, mas no momento, eu preciso admitir que se eu for, eu vou feliz.


A sua mão que estava em minha coxa laçou a minha cintura me suspendendo fazendo com que eu me sentasse a beirada da mesa, e logo ele se acomodou entre as minhas pernas devido a comodidade do vestido soltinho que estava vestindo. Quando coloquei de manha este maldito vestido, eu não tinha ideia de que ele poderia ser a minha perdição.
Uma de suas mãos apalpou a minha bunda me puxando para mais perto de si, me fazendo sentir a sua ereção, rente a minha coxa, bem proximo a minha virilha. Me senti a mulher mais suja do mundo quando a minha boca salivou, e a minha virilha praticamente implorou por mais contato, e um gemido se perdeu em nossas bocas. Senti que naquele momento eu estava completamente entregue a ele, e seria capaz de fazer o que ele quisesse.
A mão que estava em minha nuca, agora estava em minha cintura colando ainda mais os nossos corpos. Estávamos a ponto de nos fundirmos. Mas pensando por outro lado isso não seria nada mal. Ou nada bom.
O ar faltou em meus pulmões, e me obriguei a separar os nossos lábios, mas os seus não se separou do meu corpo, já que a sua boca retornou para o meu pescoço, e logo encontrou o caminho para o meu decote.
Uma de suas mãos acariciava a minha coxa por baixo do vestido, me causando calafrios, devido ao prazer que estava sentindo no momento. Me crucifiquem, me julguem, mas eu estava adorando, mesmo sendo completamente errado.

-Esta toda arrepiada, aposto que esta toda molhada, não esta?-questionou-me com a voz rouca e sexy rente ao meu ouvido. Caralho, que covardia.
.
-Peter... -eu já estava tão incoerente com as minhas palavras, que preferi me calar, e não correr o risco de falar merda.

-Fala pequena, pode falar por que esta sua voz baixa, e sexy me deixa ainda mais excitado. Como eu esperei para te ter novamente!-as suas mãos apressadas começavam a desatar os botões de minha blusa, deixando o meu sutiã preto de renda a mostra. Como e deliciosa. Caralho!

Um beijo mais bruto, e delicioso foi depositado em meus lábios, com direito a uma deliciosa, e dolorida mordida em meu lábio inferior no final do mesmo. Caralho como ele permanecia gostoso pra cacete!
A saudade começou a bater ainda mais forte, e a unica coisa que eu queria no momento era mais dele, muito mais. Eu estava completamente fora de mim, estava em suas mãos, totalmente entregue aos seus desejos e vontades.
Porem, tinha alguém mais atento, que fez o favor de me fazer acordar, e impedir de fazer a loucura que estava prestes a acontecer. O meu celular começou a tocar, ele estava no alcance de minhas mãos, mas quando a estiquei para pegar, ele segurou em meu pulso me impedindo.

-Deixe tocar!-disse rente ao meu ouvido, me fazendo fechar os olhos e apreciar o delicioso som de sua voz. Por favor, deixe tocar!-mordiscou a minha orelha, e diante deste apelo, obviamente eu deixei o aparelho de lado, e logo ele parou de tocar.

Ele puxou as minhas pernas as fazendo envolver a sua cintura, e fez com que eu me deitasse por sima de alguns papeis e objetos em minha mesa, terminando de desabotoar a minha blusa beijando a minha pele exposta. O meu corpo já se contorcia sob a mesa, enquanto sentia o seu pau roçar em minha virilha completamente duro, perfeitamente delicioso, e instigante.
Mais uma vez o maldito celular começou a tocar, e desta vez contrariando a sua vontade eu estiquei mais uma vez a mão para atender.

-Não, não, não não, deixa tocar meu anjo!-ele beijava o meu queixo e pescoço.

-Esta insistindo muito, eu preciso atender, e se for alguma paciente?

-Não faz isso comigo!

-Só olhar quem e!-sorri, e me inclinei para beijar os seus lábios.


Olhei na tela do aparelho, e senti o meu sangue sair de minhas veias, era como se ele tivesse sido completamente drenado do meu corpo. A palavra "Amor" piscava na tela, me deixando em estado de panico. Me sentei na mesa o fazendo se levantar também já que estava debruçado em meu corpo. Espalmei a mão em sua frente, logo a levando para os meus lábios o pedindo silencio. Respirei fundo tentando me recompor, e atendi.


-Oi amor?-ele revirou os olhos e sentou na minha cadeira fazendo cara de impaciência enquanto se ajeitava.

-Oi vida, eu sai um pouco mais cedo da clinica e decidi te chamar para sair! Já falei com a Sam, e ela me disse que voçe esta sem paciente no momento, só esta recebendo o marido de uma delas para retirar algumas duvidas, correto?

-Sim, e o noivo, na realidade. -o encarei e ele arqueou a sobrancelha.

-Eu vou passar ai na clinica para te buscar.

-AQUI? -falei alto demais. Aqui Rafael? Mas eu to de carro!-me levantei da mesa, tentando me arrumar.

-Não tem importância, deixamos o seu carro no estacionamento, amanha eu te levo para a clinica pela manha.

-Não precisa disso, nos encontramos em casa...

-Por que, esta acontecendo algo que eu não possa saber, ou ver? -simmmm eu estou aos beijos com outro na minha sala.

-Não!-sua imunda. Esta tudo bem!

-Então eu passo ai em dez minutos. Beijos amor, te amo!

-Ta, tudo bem!

-Tudo bem?

-Sim!

-E o "Eu também te amo amor!" fica onde?

-Eu também te amo!-o olhei pelo canto do olho e ele estava movimentando a cabeça em negação. Ate daqui a pouco!- finalizei a ligação. Meus Deus, como eu sou imunda, uma mentirosa, adultera!-coloquei a mão na testa me lamentando.

-Ei, para com isso, não fala assim!-se levantou caminhando em minha direção.

-E como eu deveria falar? Hem?-o encarei. Olha o que eu estava a ponto de fazer! Isso não e certo!

-Foda-se, voçe me quer, e eu te quero Cris, não da para ficar fugindo disso!-parou em minha frente me encarando.

-Eu sou casada Peter, voçe e noivo, e sera pai em menos de três meses, para pra pensar...

-Voçe que não esta pensando! Não amamos mais os nossos companheiros, esta mais do que claro que nos desejamos, sentimos atração um pelo outro...

-Voçe disse tudo, atração. E eu digo mais, é saudade, é curiosidade, coisa que da e passa! Iriamos sentir prazer na hora Peter, mas depois que você fosse embora, eu iria cair aos prantos por ter traído o meu marido. Eu não posso mais, não quero mais, não podemos mais fazer isso!

-O que voçe quer dizer com isso?

-Que e melhor cada um seguir a sua vida como estava antes de nos encontrarmos, quando voçe amava a sua noiva, e eu amava o meu marido incondicionalmente.

-Não Crystal, não...

-Eu sinto muito, só eu sei o que estou sentindo, e como se eu revivesse aquele maldito dia no aeroporto, te deixando ir embora, e sofrendo com a sua partida, mas sera melhor assim, voçe terá um filho para criar, dar amor, formar uma família de verdade! Eu sinto muito.

-Voçe esta nervosa, não sabe o que esta falando!-deu dois passos em minha direção, mas eu desviei.

-Eu sei exatamente o que estou falando! E fazendo isso, eu não estou pensando somente na nossa relação com os nossos parceiros, mas sim com o seu filho!

-Ele não tem nada a ver!

-Tem sim, quando ele crescer mais, e ver que os seus pais não estão juntos, ele vai te cobrar no futuro!

-Para de inventar desculpas, e diz logo que não me quer!

-Não posso falar isso, por que seria mentira. Eu te quero, quero muito, mas não posso, não podemos!-segui para a porta, a abrindo em seguida. Vai, por favor Peter, vá!

-Voçe vai se arrepender de estar me mandando ir embora da sua vida.

-Eu já estou arrependida, mas eu preciso!-as lagrimas escorriam dos meus olhos como cachoeiras, sem fim .
Os nossos olhos se encontraram uma ultima vez antes dele sair porta afora, e eu a fechar escorando na mesma sentindo a dor de deixa-lo ir embora de minha vida mais uma vez.


Flashback off


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