Ela estava instável, mas ainda em estado grave quando lhe aplicamos 5 mg de adrenalina, assim que ela foi colocada no soro, e com a sua estabilização, eu já não a massageava mais, apenas a respiração mecânica permanecia. Enquanto eles pegavam o desfibrilador para se caso precisássemos dele em algum momento, eu assumi a respiração mecânica enquanto eles preparavam a superficial.
A Liz passou direto com o bebe pela sala o levando provavelmente para a UTI neo Natal, ao mesmo tempo que o resto da equipe entrava na sala em que estávamos.
Fizemos de tudo para estabiliza-la, o cardiologista a examinava mais detalhadamente, e eu tentava conter o seu sangramento com anticoagulante, se ela continuasse a perder tanto sangue poderia morrer a qualquer momento.
Depois de mais ou menos quinze minutos conseguimos estabiliza-la, mas mesmo estabilizada o seu caso era critico, ela tinha sangrado demais, estava fraca, inconsciente, e não sabíamos se ela iria ou não sair desta.
Ela estava na UTI, e eu estava ao seu lado, observando os últimos procedimentos feitos pelo doutor Jensem, e a equipe..
-Ela esta muito mal doutora García, acho melhor preparar a família, não acho que ela passe desta noite!
-Ela vai doutor, ela não pode morrer, acabou de dar a luz!
-Eu sinto muito doutora, mas ela já chegou aqui muito mal, e com a pressão muito elevada, ela tinha que ter feito uma cesárea, e não tido normal! A senhora foi muito imprudente!
-Eu? Eu disse a ela que dependendo do estado dela, iriamos fazer uma cesárea, o senhor viu, eu mandei preparar a sala, mas ela já chegou aqui com bebe coroando! Eu não estava com ela, não posso ser responsabilizada!
-Repito, e melhor preparar a família!-ele disse saindo em seguida ignorando os meus argumentos.
-Oi!
-Oi Liz! -espirei fundo.
-Como ela esta?
-Mal, o doutor Jensem disse que ela provavelmente não passe desta noite!
-Voçe fez o que podia! O que aconteceu ao certo para ela já chegar aqui dando a luz?
-A cunhada dela, a Tiara, disse que ela estava tendo contrações desde esta manha pelo que ela saiba, mas pode ter sido mais de 14 a 15 horas de trabalho de parto, e ela já chegou aqui sem liquido, e com o bebe coroando!
-Meu deus, ela se colocou nesta situação!
-Eu sei! Mas o doutor Jensem acha que a culpa foi minha!
-Ele esta gaga amiga, relaxa!
-Como o bebe esta?
-Agora ele esta melhor, acabei de estabiliza-lo esta no oxigênio, ele sofreu muito no parto tadinho, nasceu tão cansado!
-Eu não sei como falar com o Peter!
-Quer que eu fale?
-Não, eu só preciso saber como falar!-olhei para a Pam, que estava recebendo respiração artificial, recebendo transfusão de sangue, e ligada ao aparelho cardíaco.
-Foi uma noite tensa!
-E ela ainda não acabou!
Respirei fundo saindo da sala ao lado da Liz, ela foi para a UTI neo natal, e eu fui para a sala de espera, nada mais justo do que eu mesma falar o que estava acontecendo.
Antes mesmo de entrar na sala ouvi um burburinho, e tentei agir como uma medica "normal" dando a noticia para uma família, mas eu sabia que não era isso, eu sabia que iria sofrer tanto quanto eles, afinal, eu realmente sabia a verdade do seu estado de saúde.
-Olha ela ai!-Tiara anunciou assim que entrei.
-Como o meu bebe esta Cris? E menino ou menina, a Tiara não soube falar!-Peter veio ao meu encontro me abraçando forte, quando se aproximou o suficiente, ele parecia estar elétrico.
-Claro, eu estava em pânico!-ele me soltou.
-O seu bebe, e um lindo menino Peter!-sorri em um esticar de lábios.
-Menino?-sorriu abertamente recebendo o abraço de todos na sala, incluindo rostos que ainda não conhecia.
-Parabéns cara! -o Eric o abraçou.
-E a Pâmela?-perguntou ao ser solto por todos, e eu respirei fundo.
-Bem Peter, o caso dela e muito serio!-vi a preocupação brotar em seu rosto. Ela teve duas paradas respiratória, seguida de uma parada cardíaca possivelmente decorrente do esforço feito na hora do parto, e antes já que ela não estava aqui para receber atendimento especializado. Alem da hemorragia interna. Conseguimos estancar a hemorragia, mas ela segue entubada, e recebendo transfusão de sangue.
-Meu deus!
-A minha irma vai ficar bem não e?-a mulher que eu não conhecia me encarou.
-Eu sinto muito, mas não sei informar ao certo! Não vou dizer que vai, sendo que eu não sei se e a verdade!
-Ela corre muito risco?-ele me encarou, e acredite doeu mais em ter que falar a verdade para ele.
-Infelizmente sim! Mas eu estou com ela, vou ficar ao lado dela durante toda a madrugada, para se algo acontecer, qualquer coisa, ela sera prontamente assistida!
-Obrigado, não deixe nada acontecer com ela Cris, por favor?-apenas estiquei os lábios sem vontade, e maneei com a cabeça saindo da sala em seguida.
A tensão ali dentro era palpável, mas infelizmente eu não tinha boas noticias.
Voltei para a UTI, e me sentei ao seu lado, observando o seu monitoramento assim como havia prometido a ele. Algum tempo depois a Liz me chamou na porta, dizendo que o Rafa tinha ligado para o celular dela, e que ela tinha falado com ele o que tinha acontecido, e que se precisasse era só chama-lo que ele viria para o hospital. Não sei o que ele, sendo cirurgião plastico, vai ajudar aqui.
§
Olhei no relógio e era duas da manha, quando o aparelho cardíaco começou a apitar intensamente indicando que ela estava tendo mais uma parada. Acionei o cardiologista, e comecei os procedimentos retirando o seu travesseiro, abaixando a sua maca ao máximo possível liberando as suas vias respiratórias. Assim que ele e mais dois enfermeiros entraram, já puxaram o desfibrilador para proximo, enquanto o aparelho carregava ele me pediu para lhe aplicar 5 mg de adrenalina, e assim eu fiz.
-Carregar. Afastar!
Ainda não era acostumada com o barulho do corpo parcialmente sem vida batendo na maca ao ser desfibrilado, era um barulho horrível barulho que remetia a morte, ainda mais quando ele vinha seguido do "bip" insistente constando que ela estava sem batimentos.
-Carregar em 240! Afastar!
-Voltou!-ele avisou, e eu respirei aliviada quando o bip deixou de ser continuo.
-Sinto muito Cris, mas ela não vai aguentar uma nova parada, já foram muitas esta noite, o seu coração já esta fraco, praticamente a estamos obrigando a sobreviver!
-Ela não vai ter mais nenhuma!
-A tomografia dela não foi nada animadora. Ainda tem alguns coágulos internos, mas ela esta muito fraca para pensarmos em fazer uma operação.
-Ela demorou muito para procurar atendimento medico!
-Ela foi negligente com ela, e com o filho!
-Eu sei!
-Eu acho melhor deixar o marido se despedir dela!-ele colocou a mão no meu ombro, e saiu em seguida.
Me sentei na cadeira onde estava anteriormente, peguei o seu prontuario e comecei a ler o relatório deles, que por sinal não era nada bom, infelizmente.
Uns dez minutos haviam se passado, quando a porta se abriu, eu olhei em direção a mesma e vi o Peter, que estava vestido quase como eu, de touca, mascara, protetor de sapatos, e uma roupa especial.
-Peter?!
-O cardiologista liberou a entrada dele!-uma enfermeira informou.
-Como ela esta?-ele perguntou sem tirar os olhos dela.
-Fraca! Vou deixa-los a sós!-me levantei.
-Obrigado!
-De nada! Vou ficar do outro lado do vidro caso precise de algo.-sai da UTI os deixando sozinhos.
Como disse fiquei do outro lado do vidro os observando. Ele se aproximou beijando a sua testa, segurando em sua mão em seguida.
Parte Peter
Depois de horas na sala de espera, já era madrugada quando a Cris apareceu, e de certa forma me senti um pouco mais aliviado em saber que ela estava ali, que ela não tinha ido embora depois de fazer o parto da Pam. Porem as notícias que ela deu sobre a Pâmela, não foram nada animadoras, e tanto a Pam, como o meu bebe -que agora eu sei que e menino- não estão tão bem como deveriam, ela esta pior do que ele. Mas o que me deixou mais tranquilo, foi quando ela disse que ficaria ao lado da Pam, a madrugada inteira, a monitorando pessoalmente.
Depois que ela se retirou a Tiara disse que era melhor irmos embora. Olhei ao redor e vi o meu irmão, o Phill, o Ryan, alem da Candice, a irma da Pâmela com o marido Jason. Eu disse que se eles quisessem ir por mim tudo bem, mas eu ficaria ali enquanto eu achasse necessário. Por fim ninguém foi embora.
§
Era mais ou menos três e meia quando um medico alto e de cabelos meio grisalhos pareceu.

-Familiares da paciente Pâmela Munis?
-Sim, somos nos, como ela esta?
-As noticias não são animadoras!
-Meu Deus!-senti a Tiara segurar em meu braço.
-Quais são doutor?-tentei me manter firme.
-Ela acabou de ter mais uma parada cardíaca devido a todo o esforço feito na hora do parto, e eu sinto que ela não infelizmente não resistirá a esta noite! Sinto muito mas eu preciso ser realista com a família!
-Não, minha irma não!-ouvi a Candice começar a chorar.
-Eu não posso vê-la?-o encarei.
-Eu também quero!-a sua irma se prontificou.
-Sinto muito, mas só posso deixar uma pessoa entrar, o restante terá que ser apenas uma a uma, e através do vidro.
-Tudo bem!
Senti os meus olhos arderem. A Pam poderia ser tudo, mas ela era a mãe do meu filho, e a mulher no qual eu convivi nos últimos 5 anos da minha vida.
Depois de trocado entrei na sala, e a depois de trocar algumas palavras, a Cris saiu nos deixando a sós. Peguei em sua mão apos beijar a sua testa, e olhei para o seu rosto já pálido, sentindo a primeira lagrima escorrer pelo meu rosto.
-Eu sinto muito por tudo, por não ter sido o melhor para voçe, por não ter me doado como deveria sendo o seu companheiro, e pai do nosso filho. Sinto que fui negligente com voçe, e te peço perdão por isso.-beijei a sua mão. Voçe estava certa, eu deveria estar ao seu lado, e não ter ido trabalhar em outra cidade, sinto muito por isso também. O medico disse que voçe esta muito mal, e que não sabe se voçe passara desta noite. Mas eu te peço para aguentar firme, para não me deixar sozinho com o nosso filho, eu vou cuidar dele, mas a sua presença e indispensável.-funguei passando a mão nos olhos. Por falar nele, ele e um menino, ainda não fui autorizado a vê-lo, mas espero que isso aconteça em breve!-olhei para o monitor quando ouvi uma alteração em seus batimentos, e quando desviei o meu olhar para ela, vi uma lagrima escorrer de seu olho. Minha querida, eu te amei tanto, e só queria ver voçe bem agora!-beijei a sua testa novamente, e o aparelho simplesmente disparou.
-Peter, eu preciso que saia!-a Cris entrou apressadamente na sala.
-Não deixe ela morrer por favor!-pedi entre lagrimas enquanto varias pessoas entravam na sala.
Voltei para a sala de espera onde estava os meus irmãos, e os outros, já que eu fui impedidos de ver qualquer movimentação la dentro.
Abracei fortemente a minha irma, sentindo um vazio chato no peito, eu sei que pedi o impossível para a Cris.
Parte Cris
-Não tem mais o que fazer, infelizmente!-o doutor Morgan -o outro cardiologista-, se afastou do corpo sem vida da Pâmela.
-Tem sim, tem que ter, ela não pode morrer!-me aproximei da maca pegando o desfibrilador de suas mãos. Carrega em 300.
-Tem certeza doutora?-um dos enfermeiros me questionou.
-CARREGA!-ele me olhou, e simplesmente fez o que eu pedi. AFASTAR!-a desfibrilei, e nada acontecia, nenhum sinal se quer. CARREGA NOVAMENTE! AFASTAR!.-eu sabia que ela estava morta, e que não tinha mais o que fazer, mas eu precisava tentar, eu prometi a ele. Acorda Pâmela, acorda. Carregar!-senti as lagrimas escorrerem pelos meus olhos.
-Doutora, eu sinto muito, mas ela se foi!
-Não foi, não foi! Carrega em 340 agora! Afastar!-nada, absolutamente nada aconteceu.
-Hora do óbito?-o doutor Morgan me perguntou!
-Não!
-Hora do óbito doutora García?-foi firme, e eu não tinha outra opção a não ser obedecer, ele era o cardiologista chefe.
-Hora da morte!-olhei no relógio. Quatro horas da manha, e dois minutos.
§
Estava sentada na cadeira vendo ela sendo preparada para ser levada ao necrotério do hospital, e tentando descobrir as melhores palavras para dar a noticia para os seus familiares. E principalmente para o Peter. Mas nestas horas não tem a melhor, ou a pior palavra, e tudo a mesmo coisa, e tudo uma péssima noticia.
Adentrei na sala de espera e todos se levantaram me encarando, era como se eu estivesse no automático, tudo em câmera lenta. A minha cabeça estava vaga, e eu estava mais do que dispersa, nunca tinha acontecido um óbito em meus cuidados.
O Peter veio ao meu encontro, e eu só me lembro de ter olhado para ele, balançado a cabeça negativamente, e em seguida todos começarem a chorar, uns mais desesperados, e outros mais contidos, mas ate eu estava chorando naquele momento.
-Eu não acredito! NÃO PODE SER CRYSTAL, VOCÊ ESTA MENTINDO!
-Eu sinto muito Peter!
-A culpa e sua!-ele passou as mãos pelos cabelos, me olhando seriamente. Voçe foi negligente, ela não poderia ter tido o bebe dentro do carro, onde já se viu! Porra Crystal, e agora?-ele me encarava, e eu não fazia o mesmo- Olha pra mim!
-Eu sinto muito pela sua perda Peter, mas eu não tive culpa...
-TEVE SIM, VOCÊ TEVE!
-BRUNO CALA A BOCA, VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTA FALANDO!-ouvi a voz da Tiara.
-Eu fiz o possível, o bebe estava coroando, não tinha como move-la!
-E por isso fez o parto no estacionamento, e a matou?
-Eu Não a matei! Já disse, a culpa não é minha se a sua mulher preferiu esperar por voçe, contrariando as leis da natureza, e as minhas recomendações!-o encarei seriamente, mesmo sentindo as lagrimas ainda escorrerem em meus olhos. Portanto, não venha colocar a culpa em mim, por que a minha parte, eu fiz!-sai da sala em seguida.
Parte Peter
Duas semanas haviam se passado desde a morte da Pam, eu fiquei completamente arrasado, queria culpar Deus e o mundo, mas depois de ter discutido com a Cris, eu percebi que o único culpado era eu, afinal eu não lhe dei a atenção que ela necessitava, e tudo isso só aconteceu por que ela queria chamar a minha atenção.
Só não passei dias isolado, por que o meu filho me ajudou a seguir em frente. Ele foi a minha força quando tudo doía, assim como a minha consciência, quando eu queria me afogar na culpa.
Me arrependo de ter culpado a Cris por contribuir com a morte dela, dizer que ela foi negligente em deixar o meu filho nascer em um carro no estacionamento, eu fui errado, e alguns dias depois pedi desculpas, ela disse que estava tudo bem, que eu só estava nervoso, mas ela não fala comigo desde então.
Depois do velório, e enterro da Pam, cinco dias depois de sua morte, eu voltei para o hospital, lugar este que eu saia no máximo por 3 a 5 horas por dia, desde que o nosso bebe nasceu. Eu praticamente morava la, so vinha em casa para dormir.
Ele ainda estava internado, estava tomando antibióticos, e sendo rigorosamente monitorado, já que nasceu em exposição a germes, bactérias, enfim, a doutora Liz achou por bem mante-lo na UTI. Eu o via todos os dias de pertinho, mas não podia pega-lo ainda, era tão ruim ver o meu filho e não poder nem pega-lo no colo.
No seu enterro, eu prometi a Pam, que colocaria o nome que ela tinha escolhido a algum tempo atras se caso fosse menino, e assim eu fiz. Meu filho se chamará Dylan Muniz Hernandez.
Flashback on
Me aproximei da incubadora, e ele se mexia bastante, parecia ser agitado. Ele não era pequenininho, e também não era tão grande, mas era lindo demais. Conforme o observava, ele começou a chorar, e a enfermeira abriu uma portinhola para que eu tocasse nele, e tentasse faze-lo se acalmar.
-Oi garotão!-passei a mão pela portinhola da incubadora, acariciando a sua pequena mãozinha, e ele apertou o meu dedo. Que forte em amigão!-sorri quando ele deu sinais de que pararia de chorar. Estou muito feliz por voçe estar aqui, triste pela sua mãe não estar, mas sei que ela esta nos olhando.-sorri sentindo os meus olhos arderem quando ele parou completamente de chorar. O papai te ama muito, e mesmo sem jeito, ou de forma atrapalhada, eu prometo cuidar muito bem de voçe, prometo tentar ser o melhor possível para voçe, te dar todo o carinho, amor, e apoio do mundo!-Dylan movimentava os olhinhos como se me procurasse. Te peço desculpas desde já por qualquer coisa errada que eu fizer, mas e bom que voçe já saiba que o papai não e perfeito, mas por voçe, eu tentarei ser. Te amo muito filho, e vamos encarar esta nova vida juntos!
Flashback off
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