sábado, 5 de setembro de 2015

Com um pé no inferno. cap 24

O lugar era lindo, um ambiente aconchegante, bem decorado, e aparente bem frequentado. As pessoas muito bem vestidas, tanto que ate me senti deslocada com a minha saia lápis preta, e a minha blusa de ceda vermelha. Já o Peter pareceu não se incomodar com o seu Jeans, e casaco.

-Senhor Mars, que prazer te-lo novamente em nosso restaurante.- um hostess veio nos receber.

-Obrigado, tudo bem James?

-Sim senhor. Madame.-me encarou.

-Ola, muito prazer.

-Seja muito bem vinda. O senhor vai querer a mesa de sempre?

-Sim, por favor.

-Por aqui.-gesticulou com a mão e logo estávamos segundo para a tal mesa. Fiquem a vontade, o Jonah como sempre ficara a sua disposição senhor, e assim que decidirem, e só o chamar.

-Obrigado James.

-Tenha um bom almoço senhor Mars.

-Nossa.-o encarei surpresa.

-Eu disse que era bem discreto meu bem.-sorriu.

Apos fazermos o nosso pedido, logo estávamos desfrutando de um almoço delicioso, escolhido por ele.
Eu estava muito tensa, estava com medo de alguém nos ver juntos, e acabarem pensando o que não era verdade. Não queria um clima estranho em casa, nem para mim., e muito menos para ele.


-Relaxa baby, não precisa ficar tensa.-colocou a sua mão sobre a minha. Eu só quero conversar! Ao menos e a ideia inicial, mas se caso mudar de ideia, podemos subir.-sorriu de canto.

-Para Peter.-não me provoque, por favor. Sorri bastante constrangida.

-Parei.-retirou a mão da minha.

-Me conta uma coisa?

-Claro, o que voçe quiser, afinal, e para saber mais um do outro que estamos aqui, não e?

-Sim. -sorri. Como foi a sua chegada em Los Angeles?-o seu sorriso desapareceu, e ele soltou o talher. Senti que a pergunta o incomodava. Se... Se não quiser responder, eu te...

-Tudo bem.-me calei. Foi triste, ao mesmo tempo que foi maravilhoso. Foi maravilhoso, por que eu estava aqui, estava em busca do meu sonho, do que eu sempre quis fazer. Mas foi triste por ter deixado a minha família, e pessoas que eu amava, e amo muito por la.-ele olhou em meus olhos e eu senti o meu corpo enrijecer. Eu pensei em voçe por vários dias, e varias noites seguidas. Pensei em como voçe foi mesquinha comigo. Conosco na realidade.

-Eu?

-Sim, voçe!-tomou um gole da sua bebida. Voçe não tem ideia de como poderíamos ter sido felizes juntos não e? Se voçe tivesse falado comigo antes, se voçe tivesse me dado uma brecha para conversarmos antes, eu não sairia de la sem voçe.-os meus olhos se arregalaram, ele não poderia estar falando a verdade.

-E claro que sairia.-disse coma voz baixa.

-E obvio que não! Pra mim, a nossa relação aos seus olhos, era apenas de amizade, e a ultima coisa que eu queria era estragar isso tentando algo a mais. Sei que este pensamento com condiz comigo, mas e que voçe sempre foi tão importante para mim, que eu jamais iria querer perder algo em relação a voçe. Eu fiquei muito mal quando voçe se afastou de mim...

-Não quero falar sobre isso, eu chorei dias a fio depois daquela noite.

-Eu sinto muito, foi para te proteger, eu era muito moleque. Mas acredite em mim, se fosse hoje, eu mandaria todos se foderem, e ficaria com voçe sem nenhum receio.-sorri, e ele acariciou a minha mão novamente com o polegar.

-Eu te compreendo, e te compreendi, não e a toa que...-me calei com um sorriso tímido, a timidez era mais forte do que eu.

-Que?-sorriu de canto.

-Voçe sabe.

-Eu sei, mas quero ouvir de voçe.-respirei fundo, e fechei os olhos. Voçe o que?-segurou em minha mão.

-Que eu me entreguei para voçe.-ele fechou os olhos com um sorriso nos lábios, assim com eu.

-Foi a tarde mais perfeita que já tive. E que ainda penso muito em repetir.-me encarou.

-Peter, eu sou casada.

-Eu sei, e acredite, eu te respeito muito, porque se fosse outra, eu não iria respeitar tanto assim.

-Eu respeito muito o meu marido, ele foi muito importante para mim em uma parte difícil da minha vida, uma parte que eu pensei que não iria conseguir superar.

-Que parte? -eu não queria contar a ele ainda sobre o incidente que tinha sofrido.

-Não quero falar sobre isso agora, em outro momento, por favor.

-Tudo bem. Ma voçe esta me devendo falar sobre algo.

-Sobre o que?-tomei um gole do meu suco.

-Lembra de quando eu liguei te chamando para almoçar comigo pela primeira vez, e voçe disse que não estava muito bem?

-Lembro!

-Voçe disse que iria me falar o que era quando saíssemos para almoçar. E aqui estamos!

-Eu disse que iria pensar.

-Não me lembro disso.-sorriu.

-Eu estava triste por que eu... Bom, eu tinha recebido a informação de que não iria poder fazer a adoção de uma menininha linda. Estávamos a meses esperando pela resposta e quando ela veio, foi negativa. Eu estava simplesmente arrasada.

-Adotar? Mas por que não ter naturalmente, ele tem algum problema?

-Ele não, eu tenho. Sou estéril Peter.

-Estéril? Desde quando? Pelo que me lembre a sua saúde era ótima, sempre foi!

-Eu tive um acidente, mas definitivamente este não e o lugar, e nem a hora para comentar sobre isso. Mas este incidente, me deixou estéril quando eu tinha 17 anos.

-Minha pequena, sinto muito. Eu queria ter participado desta parte de sua vida!

-Eu também! Vamos mudar de assunto? Quero falar de coisas boas!

-Bom, já que estamos lembrando da nossa adolescência, eu fiquei muito decepcionado quando voltei ao Hawaii, acho que uns três ou quatro anos depois, procurei por voçe, mas a minha mãe disse que vocês tinham se mudado, não me lembro bem para onde...

-Fomos para Hoboken!

-Isso! O meu pai tinha dito o nome do lugar, mas acabei esquecendo.-sorriu tomando um gole do seu vinho. Ele disse que o seu pai foi a trabalho, e que assim que se estabilizassem, a tia Laura entraria em contato para deixar um numero de telefone, mas isso infelizmente nunca aconteceu. Por varias vezes eu liguei apenas para saber algo de você, mas nunca tinha noticias, a resposta da minha mãe era sempre a mesma. "Ainda nada filho!" e eu sempre terminava a ligação sem esperanças de saber novamente algo sobre voçe. Então, chegou um dia em que eu simplesmente desisti.

-Sinto muito, não foi culpa da minha mãe, ou da sua, a culpa foi minha.

-Por que sua?

-Eu que pedi para que ninguém te avisasse, mas era para que não te avisassem do ocorrido, e não que te deixassem sem nenhum contato nosso.

-Que ocorrido?

-O que eu não quero falar...

-Mas por que não? Eu pensei que ainda eramos amigos acima de tudo!

-Somos, nos somos! Mas este e um assunto muito delicado para ser falado aqui, e assim.-olhei ao redor.

-Podemos ir para outro lugar se voçe quiser, mas não me deixe na curiosidade, quero saber tudo sobre voçe!

-Hoje não Peter, eu sinto muito. -olhei no relógio. Eu preciso ir, tenho uma paciente em quinze minutos.

-Tudo bem, se e assim que voçe quer...-respirou fundo. Não quero te atrapalhar.

A volta para a clinica foi tranquila, e um pouco mais falante, mesmo que o nosso ultimo assunto no restaurante tenha sido a minha esterilidade. A discrição do Peter em momentos necessários, e uma das coisas que ainda me cativam nele, ele sabe a hora de encerrar um assunto, mesmo que ele não fique satisfeito em não ter a ultima palavra. Ao menos sempre foi assim comigo.
Conversamos sobre a nossa vida profissional, e as dificuldades que enfrentamos para chegarmos ate onde estávamos no momento. Felizes profissionalmente com oque amamos fazer.


-Entregue.-sorriu ao parar no estacionamento da clinica.

-Obrigada.

-Viu, eu não mordi!

-Preciso admitir que o almoço foi mais tranquilo do que eu imaginei que seria.-sorri.

-Podemos repetir mais vezes?-respirei fundo.

-Podemos!-sorrimos. E claro que podemos. Peter eu...-soltei o cinto me virando para ele. Não acredito que vou falar isso.-sorri nervosa mordendo o lábio inferior.

-Fica a vontade, sabe que pode falar o que sentir vontade comigo.

-Voçe tinha razão!

-Em que?

-Quando dizia que eu fugia de voçe...

-Eu sabia disso!

-Eu fugia por que eu sentia medo de estar assim, tão perto, e ao mesmo tempo tão longe. E como estar cara a cara com o passado, e ser impedida de toca-lo por causa do presente. Eu morri, e morro de medo de sentir exatamente o que estou sentindo agora...

-E o que voçe esta sentindo agora?-ele também se virou ficando de frente para mim olhando no fundo dos meus olhos.

-Não, por favor, eu não quero, e não posso cometer esta loucura!-respirei fundo.

-O que voçe acha que e uma loucura, pode ser a coisa mais prazerosa que voçe possa fazer!-eu encarava os seus lábios, e a unica coisa que eu queria era beija-lo, beija-lo, e somente beija-lo. Mas eu não podia, eu sei que não posso. Meu amor, nem sempre podemos negar o que sentimos, por isso eu sempre te falo o que eu realmente sinto, e quero. Tudo o que te disse antes do nosso quase beijo na festa, as vezes que disse que voçe estava linda e gostosa pra caralho, era sempre a verdade, em nenhum momento eu menti para mim, ou principalmente para voçe...-confesso que já não estava mais prestando muita atenção no que ele dizia, e eu sentia que a cada segundo que passava, ficava ainda mais difícil estar perto dele, e me controlar ao mesmo tempo.

-Eu preciso ir!-disse apressadamente.

-Voçe esta ouvindo o que eu to falando?

-Não, eu não ouvi nenhuma palavra depois que voçe disse que não mentia para mim. Eu só estava prestando atenção na sua boca.-coloquei a mão cobre a minha boca. Meu Deus, eu...

-Pequena. Só eu sei como te quero, assumo, eu te desejo da mesma forma que te desejei naquela tarde, ou ate mais, todos os dias desde que nos reencontramos. Mas e como te disse, eu te respeito.


Ele cariciou o meu rosto, em um gesto de carinho, e eu fechei os olhos sentindo o calor da sua pele sobre a minha, e já pedindo perdão pelos meus próximos atos. Abri os olhos, constatando que ele ainda me encarava, e sem pensar duas vezes me inclinei para frente selando os nossos lábios em um selinho demorado, segurei em sua nuca quando senti as suas mãos passearem pelas minhas costas se fixando em minha cintura, e logo em seguida a sua língua em meus lábios pedindo permissão para explorar a minha boca. Permissão esta que eu cedi sem pensar duas vezes. Cedi a um beijo acelerado, e cheio de sentimentos. Eram tantos sentimentos e sensações guardadas por tantos anos, que definitivamente era impossível decifra-los. E neste momento, a ultima coisa que eu menos queria era perder tempo pensando em algo.
As suas mãos estavam em minha cintura me puxando ainda mais contra ele, que se não fosse o cambio do carro, provavelmente eu já estava em seu colo. As minhas mãos agarravam alguns fios de seus cabelos, e as minhas unhas arranhavam de leve a sua nuca, enquanto eu explorava a sua boca com pressa e saudade.
A sua boca. Ah, a sua boca permanecia deliciosa, o tabaco que sempre esteve presente desde a sua adolescência estava la, talvez um pouco mais presente com o tempo, mas era extremamente familiar. O seu toque, as suas mãos, o seu cheiro, a sua pele, tudo me incentivavam a acelerar ainda mais aquele beijo intenso, cheio de saudade, e desejo. Sim, eu o desejava naquele momento, na realidade, eu sinto que eu era capaz de fazer o que ele quisesse sem pensar por um segundo.
Nos separamos do beijo quando sentimos a escassez do ar dentro do carro, estávamos ofegantes, mas eu tenho certeza que a ultima coisa que importava no momento era a nossa falta de ar, já o nosso beijo, e a nossa entrega proibida, estes sim, eram bem mais importante.

-Eu não acredito que fiz isso!-estava com a testa no seu ombro, e uma de minhas mãos em seu peito.

-Não fala nada, só me beija de novo. Por favor!

-Peter...

-Shiiii. Voçe ainda fala demais, deixa que eu te beijo.-sorrimos.


A sua mão apressadamente encontrou a minha nuca, levantando o meu rosto, e o beijo começou completamente diferente do outro que era esbaforido, e saudoso, este era mais calmo, e saboroso. A sua língua explorava a minha boca devagar, sem pressa, apreciando, e saboreando os meus lábios, assim como as suas mãos deslizavam devagar pelo meu corpo, parando em uma de minhas coxas, que mesmo coberta pelo tecido da saia impedindo o nosso contato direto, eu senti a minha pele se arrepiar intensamente com o seu toque.
O meu coração estava acelerado, parecia que eu estava correndo uma maratona, maratona esta que eu não queria nem me aproximar da linha de chegada. Me culpem, me julguem, me chamem de vadia por estar traindo o meu marido, mas não me prive de me sentir assim, como uma jovem boba, e feliz.
Mais uma vez quebramos o beijo, e novamente senti a sua mão em meu rosto, e foi impossível não deixar que um sorriso bobo aparecesse em meus lábios.

-Eu queria este beijo, desde a primeira vez que te vi depois destes quase onze anos. Na realidade, eu o queria desdo o minuto em que entrei naquele avião quando fui embora do Hawaii.

-Beijo este que agora é proibido...

-Não tem nada de proibido, somos adultos.

-E compromissados.

-Nos gostamos. Eu não sei voçe, mas eu sinto que mais uma vez posso deixar tudo pra trás neste exato momento, se voçe apenas me pedir.

-Não posso, já disse.

-Voçe esta complicando tudo.

-Estamos, sabemos dos nossos compromissos Peter.

-Foda-se!

-Não e assim...

-Pode não ser pra voçe, mas depois de hoje Crystal, pode ter certeza, que eu vou lutar por voçe.

-Não faça isso!

-Eu vou!-ele me surpreendeu com mais um beijo calmo e intenso, e a unica coisa que eu queria era não sair dos seus braços, mas eu precisava, eu tinha que ir, este almoço já passou de todos os limites cabíveis.

-Eu preciso ir.-disse apos nos desvencilharmos com selinhos. Eu preciso ir.-abri a porta já saindo do carro.

-Cris?

-Sim.-disse apos fechar aporta, e ele abrir o vidro.

-Eu preciso de mais.

-Não me complique Peter, não me deixe mais bagunçada, por favor!-dei as costas sem nem mesmo esperar uma resposta.

Andei apressadamente ate a entrada da clinica, eu mal sentia o meu corpo parecia que eu estava completamente anestesiada, ou andando nas nuvens. Mas de uma coisa eu tenho certeza, definitivamente eu estava com um pé no inferno por ter traído o meu marido.

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