-Mãeeeeeee-disse entre lagrimas assim que ela atendeu, na realidade eu não tinha parado de chorar ainda.
-Filha, o que aconteceu?-ela pareceu ficar nervosa. Fala menina!-sorri.
-Esta preparada?
-Pra que garota? Voçe vai me fazer ter um infarto, ai sim, eu vou estar preparada para o meu enterro!
-Que horror mãe, vira esta boca pra la!
-Então fala logo antes que eu saia daqui, e vá ate a sua casa te fazer falar no tapa!-sorri.
-Eu quero que voçe venha na minha casa sim, mas não para me fazer falar no tapa, e sim para babar muito em sua primeira neta!-ela ficou muda. Mãe?
-Neta?
-Sim mamãe, a guarda provisora da Ariel saiu mãe. Eu sou mãe!
-STEW MEU DEUS!
-O que houve Laura?
-TEMOS UMA NETA, UMA NETA, MEU DEUS, A NOSSA FILHA SERA MÃE! OBRIGADA SENHOR!-ouvi a minha mãe chorar como um bebe do outro lado da linha, nos duas chorávamos copiosamente.
Meu pai pegou o telefone depois de segundo ele, dar água com açúcar para a minha mãe. Ele me deu os parabéns, e disse que estariam vindo na manha seguinte, já que seria sexta feira, eles queriam muito conhecer a neta.
depois de finalizar a ligação, ainda a caminho do orfanato, eu me lembrei que o meu carro não tinha a cadeirinha apropriada para ela, e resolvi parra em uma loja de acessórios automotivos, e comprar uma para colocar no carro. Como eu não tinha a menor ideia do que fazer com aquilo, o funcionário da loja, com a maior paciência do mundo a colocou para mim, e me ensinou basicamente como acomodar a minha filha ali.
Parei em frente ao orfanato, e a primeira pessoa que eu vi foi a doutora Sanches. Sai do carro, e segui em sua direção, que sorriu abertamente para mim, enquanto eu secava as lagrimas ainda restantes em meus olhos.
-Eu já entreguei a nossa parte da papelada para a diretora do orfanato, e eles já estão preparando ela!
-Eu nem sei o que dizer, estou tão feliz que as palavras estão entalando em minha garganta. Só Deus sabe da minha luta, dos meus sonhos, só ele.
-Eu sei que sim doutora! A diretora do orfanato, me entregou o relatório da psicologa, e o histórico da Ariel, voçe sabe que ele só vem agora não e?
-Sim, e para adotarmos as crianças com o coração, e não pelo passado delas.
-Exatamente. E voçe sabe que só fica com ele se quiser, não e?
-Sim! Eu quero, obrigada!-peguei a pasta de suas mãos.
-Eu vou esperar aqui ate ela ser liberada.
-Obrigada!
-Cade o seu marido?
-Ele não pode vir. Teve um compromisso de ultima hora. Isso implica em algo?
-Não, claro que não!
-Se implicar eu vou ate la, e o trago pelos cabelos!-gargalhamos.
-Esta tudo bem, não se preocupe.
Enquanto esperava a Ariel sair do orfanato, eu dei uma olhada nos papeis a minha frente, somente por alto. Na realidade eu estava tão ansiosa, que nada prenderia a minha atenção agora, a unica coisa que eu queria era olhar para os olhos da minha filha, eu queria abraça-la, beija-la, dar-lhe carinho, atenção, e tentar ser a melhor mãe possível para ela.
.
-Olha ela ali!-ouvi a doutora Sanches me avisando.
Elevei o olhar, e vi ela saindo pelo portão de mãos dadas com uma conselheira tutelar. A primeira coisa que vi foi o seu lindo e brilhante sorriso, sorriso mais lindo mundo, olhos mais lindos do mundo. A criança mais linda deste mundo, a minha filha!
O meu peito disparou, era como se eu fosse ter um ataque cardíaco, tudo o que eu queria era abraça-la, sentir o seu carinho, leva-la para casa, e cuidar dela com todo o amor, e dedicação do mundo.
-TIA
-MEU AMOR.
Me curvei abrindo os braços ao vê-la correr em minha direção, ela se jogou em meus braços, e eu a abracei forte a suspendendo em meu colo, e foi impossível impedir que mais lagrimas fossem derramadas, eu estava abraçando a minha filha, a minha menina, a menininha que eu sonhei por anos ter em meus braços, era como sair da maternidade com o meu bebe no colo.
As suas mãozinhas em volta do meu pescoço, acariciavam os meus cabelos, enquanto o silencio entre nos duas expressava muito mais do que mil palavras, tudo o que estávamos sentindo naquele momento.
Ainda entre lagrimas, eu vi a conselheira se aproximar, ela disse que receberíamos a visita deles em alguns dias, para ficar a par da adaptação da Ariel. Eu concordei com tudo, mesmo não prestando atenção em quase nada.
Ela se despediu da minha filha com um carinho nos cabelos, e um beijo na bochecha, no qual ela retribuiu, mas sem soltar do meu pescoço.

-Definitivamente, ela encontrou a mãe dela. Eu nunca vi a Ariel ficar tão feliz em ir com uma família.-ela disse acariciando os seus cabelos.
-Eu a amo muito.-sorri em meio as minhas lagrimas.
-Vocês são mãe e filha!-apenas concordei com a cabeça. Sejam felizes.
-Obrigada.
-Cade o seu marido?-ela me encarou um pouco contrariada ao notar a sua ausência.
-Ele infelizmente não pode vir, lamentou muito, mas disse que voltaria o mais rápido possível para casa!-menti, eu não queria que nada pudesse atrapalhar a estadia da Ariel comigo.
-Ele e cirurgião plastico, estou certa?
-Sim senhora!
-Ele realmente deve ter a vida bastante atarefada não e?
-Sim, ele tem! Mas isso não vai nos privar de dar carinho, e amor, a Ariel!
-Eu sei que não! Bom, sejam felizes, nos vemos em breve!
-Mais uma vez, muito obrigada! Ate breve!-olhei para a doutora Sanches!
-De nada Doutora!
Me virei indo para o carro com a Ariel no colo, e a sua pequena bolsa -provavelmente com algumas roupas-, em minhas mãos. Abri o carro, a colocando na cadeirinha, coloquei a bolsa ao lado, e a arrumei no acessório a deixando presa, mas bem confortável. Entrei no carro, e antes de dar a partida olhei pelo retrovisor, ela estava me olhando e sorrindo com o seu ursinho nas mãos, o mesmo que eu tinha lhe dado no natal, o seu sorriso era o mais lindo que eu já tinha visto, o sorriso que iluminou a minha vida.
-Voçe nem entrou na minha vida direito, e já me faz a mulher mais feliz deste mundo!
-Então por que esta chorando tia?
-E de felicidade meu amor, voçe não sabe o quanto eu esperei por voçe!
-Eu também esperei muito por voçe!-sorriu novamente me fazendo chorar um pouco mais.
O trajeto ate a minha casa foi maravilhoso, ela falava sobre os amiguinhos do orfanato, mas falava de uma amiga em especial, a Laura, ela dizia que a Laura, era a sua melhor amiga, e que ela gostava muito dela, e era uma das únicas que brincava com la. Ela perguntou se eu tinha amigos, eu disse que sim, que eles eram muito especias para mim, e que em breve ela os conheceria.
Assim que chegamos em casa, eu entrei com o carro no jardim, parando na porta de casa, olhei para trás, e ela estava olhando pela janela, parecia estar impressionada.
-Estamos aonde?-ela me encarou com os olhinhos arregalados.
-Estamos na sua nova casa!
-Minha?- a sua expressão era ainda mais assustada.
-Sim!
-Eu vou morar aqui?-apontou para fora.
-Sim, eu voçe, e o meu marido.
-E enorme!-foi impossível não sorrir.
-Acho que voçe vai gostar!-sai do carro dando a volta, abrindo a porta de trás.
Ela era super independente, e quando eu me curvei para abrir o cinto de segurança, ele já estava aberto, e ela já estava descendo da cadeirinha. Sorri segurando a porta, vendo aquele cotoco de gente saindo do carro, parecendo uma mocinha dona de si. Peguei a sua bolsinha, fechei a porta, e notei que ela estava parada no mesmo lugar.
-Vamos?-olhei para ela que estendeu a mão para mim, na qual eu segurei com firmeza. Seja bem vinda ao seu novo lar meu amor, espero que voçe seja muito feliz ao meu lado, como eu já estou sendo ao seu.-ela apenas me encarou como se entendesse cada palavra que eu falava.
Entramos em casa, e ela deu uma breve travada quando entramos hall, e demos de cara com a sinuosa escada que nos levava ate o segundo andar. Olhei para ela e acenei com a cabeça positivamente, e só ai, ela deu mais alguns passos adentrando melhor a casa.
-Boa tarde Crystal!-Ana adentrou a sala.
-Boa tarde Ana. Esta e a Ariel.
-Ola Ariel, muito prazer!
-Oi!-sorriu meio que se escondendo em minhas pernas.
-Fica tranquila meu amor, tudo o que voçe quiser, pode pedir a mim, ou a Ana, tudo bem?-ela acenou com a cabeça.
-Por que não me avisou Cris, eu tinha arrumado o quarto dela!
-Fica tranquila, ainda e cedo, da tempo de voçe arrumar ate a hora de dormir.
-Eu vou fazer isso imediatamente.
-Obrigada Ana, enquanto isso, eu mostro a Ariel, a casa.
-Vou pedir para fazerem um lanche para vocês duas.
-Obrigada. Vamos no meu quarto, vou deixar as minhas coisas. -segurei em sua mão enquanto subíamos as escadas. Se caso voçe não se sentir segura para descer ou subir as escadas, e só chamar alguém ta bom? Acho que vou mandar colocar uma grade aqui para não acontecer nada...
Enquanto eu falava, ela soltou a minha mão, sorriu, e terminou de subir sozinha as escadas, e eu fiquei com cara de boba olhando para ela, na realidade eu estava e babando na minha filha.
-Esta tudo bem tia! No orfanato tem muitas escadas.
-Estou vendo que realmente esta tudo bem! -sorri subindo as escadas.
Seguimos para o meu quarto disse que ela ficasse a vontade, e a unica coisa que ela fez foi sentar na minha cama. Coloque a minha bolsa na poltrona, tirei o blazer que usava o colocando no closet, ficando apenas de saia, blusa, e o salto.
-Voçe e tão bonita!-sorri ao vê-la me olhar. Parece a Barbie da Julia, só que morena.-sorrimos
-Obrigada meu amor, voçe também e muito linda!-me abaixei na sua frente passando a mão em seus cabelos.
-Em que voçe trabalha?
-Eu ajudo os bebe a virem ao mundo.
-Trabalha com a cegonha?-me perguntou confusa, e eu apenas sorri.
-Sou a ajudante da cegonha.
-Uau!-me olhou admirada. Quando eu crescer também quero ser a ajudante da cegonha.
-Quando voçe crescer, poderá ser quem voçe quiser.
-Tudo que eu quiser?
-Tudo o que voçe quiser!
-Ate uma princesa?
-Voçe já e uma princesa meu amor!
-Não, eu não tenho um vestido bonito, e nem uma coroa.
-Isso são apenas acessórios, o que te torna uma princesa, e o seu coração meu anjo. Se o seu coração for cheio de amor, carinho, e gratidão, voçe já e uma princesa.
-Então voçe também é!-me abraçou forte.
A cada minuto ao lado da Ariel, era um aprendizado diferente, era uma lição diferente, eu não poderia estar mais feliz ao seu lado.
Depois de um tempo, a Ana apareceu na porta dizendo que o nosso lanche já estava pronto, e que já poderíamos descer. Ela segurou na minha mão, e seguimos para o andar de baixo para lancharmos. A mesa estava linda como em todas a vezes, mas ver o seu rostinho olhando cada coisa na mesa, sem saber o que comer, ou com o que começar, me fez lembrar de quando era criança, e a minha mãe preparava algo novo para uma das refeiçoes, e eu ficava olhando admirada para o alimento, mas logo em seguida simplesmente o atacava.
Apos o lanche, seguimos para a sala, e decidimos ver algum filme que estivesse passando na TV.
-O que voçe estaria fazendo agora, se estivesse la?
-Não sei, acho que dever de casa!
-Meu Deus, voçe fez com que eu me lembrasse da sua vaga no colégio da Alicia.
-Quem e Alicia?
-Sera a sua nova amiguinha, ela e filha da minha melhor amiga.
-Ela e legal?
-Muito, voçe vai gostar muito dela. -ela desviou a atenção para a TV, quando o clip novo do Peter começou a tocar.
-Bruno "Mas"-sorri.
-Voçe gosta dele?
-Muito, eu e mais um monte de coleguinha.-sorri ao ver os seus olho brilhando.
Ela se levantou, e começou a dançar e cantar no meio da sala. Eu nunca tinha visto a minha casa se alegrar desta forma apenas com a presença de uma pessoa.
A Ariel conseguia deixar tudo diferente ao seu redor, tudo mais alegre, mais feliz, ela definitivamente iria me dar mais um lindo, e perfeito motivo para sorrir.
Decidi filma-la enquanto dançava, e mandar para o Peter, eu estava tão feliz, e só queria dividir a minha felicidade cm alguém.
"Parece que voçe já roubou o coração da minha filha! Cris"
"Olha que coisa mais linda de mamãe! Cris"
Senti o celular vibrar, e logo o peguei vendo uma mensagem do Peter.
"Não acredito que já ganhei a minha pequena também! ... Agora estou ainda mais ansioso para conhece-la. Muito linda nossa menina. Peter"
"Ela e realmente linda Peter, voçe vai ficar apaixonado por ela! Cris"
-Cansou?
-Sim.-passou as mãos em seus volumosos cabelos, tentando doma-los. Voçe nem dançou comigo.-me encarou fazendo beicinho. Linda da mãe.
-Eu não sei dançar, na próxima vez voçe me ensina?
-SIMMM-sorriu com as mãos levantadas.
-Sabia que ele e meu amigo?
-Serio?-me encarou desconfiada.
-Sim! Quem sabe não te levo para conhece-lo qualquer dia.
-Ta bom.
Passamos o resto da tarde nos conhecendo melhor, ela me disse que não lembrava muito bem da avo dela, mas que não gostava dela, por que ela brigava , e gritava muito com ela. Segundo a conselheira, foi a avó quem a deixou no orfanato, a um ano e meio atras.
Depois de mais alguns minutos conversando, a Ana disse que o quarto dela já estava arrumado, e que as coisa dela que vieram do orfanato, já estavam arrumadas no seu closet. Subimos para o seu quarto, e eu admirei os seus olhinhos surpresos ao ver o seu quartinho em tons de verde claro, e lilas.
-Este quarto e meu?-perguntou baixinho, parecendo estar encantada.
-Sim, gostou?
-Eu amei! Muito obrigada Tia.
Ela correu para acama se deitando em seguida olhando ao redor, com um enorme sorriso no rosto, ela se ajoelhou na cama passando as mãozinhas nas paredes vendo as borboletas pitadas, sobre o fundo verde. Definitivamente, ela parecia ter gostando muito do seu novo quarto. Já eu? Bom, estava simplesmente babando em minha filha.






