Olhei para os seus olhos que ainda me encaravam a espera de uma resposta, e pior, convincente. Respirei fundo, colocando a torta no forno, me sentando a bancada em seguida.
-Ele foi tão especial assim pra voçe?-parou a minha frente do outro lado do mármore, me encarando.
-Ele foi o primeiro homem da minha vida mamãe. Se ele foi especial? Sim, ele foi realmente muito especial para mim. Mas agora u sou casada, e o que me sobrou, foram apenas as lembranças.
-Se ele ainda é tão importante assim para voçe por que não o procura?
-Não!
-Como amigos Crystal, isso não tem nada a ver. O seu marido não vai surtar só por que voçe reencontrou um velho amigo...
-Não acho cabível...
-Para com isso! Voçe foi novamente no show dele?
-Não, claro que não mamãe.
-Não entendo por que relutar tanto em vê-lo. Vocês eram amigos acima de qualquer coisa.
-Eu sou uma mulher casada mamãe...
-E mulher casada não pode ter amigos?
-Não.
-Não?-franziu o cenho.
-Não, o homem que foi o amor da sua adolescência.
-As vezes eu acho que voçe e mais ultrapassada do que eu.-sorriu.
-Estou vendo que sim, senhora moderninha!-disse e ela sorriu.
-Voçe não quer e assumir que sente algo por ele ainda.-a encarei e sorri. Que mesmo depois de quase onze anos, voçe ainda lembra dele com um carinho maior que o normal para uma simples amiga.
-Vamos fazer logo este almoço.
-Viu, esta ate fugindo do assunto!
-Não viaja dina laura!-sorri.
Não posso negar que a vontade de vê-lo novamente não e presente em minha vida, eu queria muito, inclusive naquele maldito show. Mas eu fico com medo de vê-lo novamente, e tudo o que eu senti em apenas uma tarde com ele, seja capaz de acabar com o que eu demorei para construir em quase oito anos com o Rafael.
-Eu só comentei filha...
-Tudo bem mamãe, vamos mudar de assunto?
-Claro... Por falar em mudar de assunto, olhe o que eu fiz pra voçe.-deu as costas indo ate o forno, e pegando um tabuleiro.
-Biscoitos natalinos?
-Sim!-sorriu abertamente.
-Mamãe, e ação de graças, e não natal.
-Para de ser mal agradecida Crystal. Eu fiz por que eu sei que voçe gosta, e outra.-ela respirou fundo, dando um ar melancólico o tom de sua fala, posso afirmar ate que era emocionado. Esta e a receita que a minha amiga me deu antes de... Meu Deus, como sinto falta da Berne.-baixou o olhar, colocando a mão nos olhos começando a chorar.
-Eu sinto muito mamãe.-dei a volta no balcão a abraçando.
-Eu também.
-Não fica assim.-acariciei o seu rosto. Ela se foi, mas as suas lembranças, e ensinamentos ficaram.-beijei a cabeça da minha sentimental mãe que me abraçou fortemente.
O almoço de ação de graças foi maravilhosos, conversamos muito, sorrimos muitos, era sempre muito bom estar com a minha família. Ver como e essencial estarmos juntos de quem amamos tanto, mesmo que poucas vezes no ano.
Durante a tarde, o meu marido ligou para a mãe dele, que nos desejou um ótimo feriado, no qual foi retribuído, e claro.
Papai deu a ideia de sairmos durante a tarde para aproveitar de algumas comemorações que estava tendo pela cidade. Depois de arrumados, todos entramos no carro do papai, que era uma Ranger Rover -bem maior que o Bentley do Rafa-, e caberia todos nós com muito mais conforto, e comodidade.
Do banco de trás onde estavam eu, a mamãe, e o Michael, consegui observar toda a cidade perfeitamente decorada para o feriado, muitas bandeiras americanas penduradas nas portas, e fachadas demonstravam todo o patriotismo da cidade, alem das pessoas pelas quais passávamos nas ruas todas com algum adereço contendo a bandeira americana.
Sorri, pois isso de certa forma fazia sentir falta do Brasil. Sei que fiquei muito pouco tempo por la, mas eu gostava muito do pais, e lá deixei algumas amiguinhas de escola, e o principal, o papai.
Eu sentia falta de falar mais sobre ele, afinal desde que a mamãe se casou com o Stew, evitamos falar do papai. Ela sentia receio dele ficar contrariado, ou incomodado de alguma forma, mas pelo que conheço do meu segundo pai, ele jamais ficaria incomodado. Enfim, eu acho que queria visitar o seu tumulo novamente, dizer que ainda sinto a sua presença, e que nem mesmo o tempo fez com que eu o esquecesse, pois eu ainda o amo demais.
-Amor?
-Oi!-olhei assustada para o meu marido parado na porta do carro.
-Chegamos.-sorriu esticando a mão para mim. Estava longe, o que foi?
-Lembrando do meu pai do Brasil.
-Entendo!-beijou o topo da minha cabeça laçando a minha cintura em seguida.
-Vem filha, quero te mostrar o melhor cachorro quente de Fresno.
-Já vou pai!-senti o meu marido acariciar as minhas costas.
Caminhamos pelas ruas de mãos dadas, vendo algumas pessoas conversando entre si, sorrindo, e cantando em um dos quiosques com musicas ao vivo. A cidade estava linda, e a animação era algo contagiante, ver a felicidade alheia sempre e muito bom, ainda mais a do meu pai ao encontrar a tal barraquinha de cachorro quente. A tal, que era a melhor de Fresno.
-Chega, to cheia.-sorri limpando a boca depois do terceiro cachorro quente. Não e que e muito bom mesmo papai!
-Eu disse.-papai sorriu em meio ao seu quinto lanche. Este come!
-Não vai comer mais amor?-encarei o Rafa que conversava algo com a minha mãe.
-Ainda estou um pouco cheio do almoço meu amor, um já e o suficiente.-dei de ombros, e bebi o meu refrigerante a base de cola. Isso vai te encher de celulite.
-Voçe vai se separar de mim por causa disso?-ele me olhou de sima abaixo, e sorriu mordendo os lábios. E obvio que não!
-Então não reclama. E outra, para que eu me casei com um cirurgião plastico?-sorrimos. Voçe terá a obrigação de me deixar linda para sempre!-sorrimos.
-Esta certíssima! E eu tenho certeza de que não terei trabalho nenhum para isso, afinal, voçe e perfeita.-me puxou selando os nossos lábios.
Decidimos passar a noite por aqui mesmo, ao contrario do que havíamos programado anteriormente, e por volta das onze da noite, já estávamos no quarto em que dormiríamos, afinal pelo fato de termos acordado muito cedo, estávamos muito cansados.
Tinha acabado de pegar no sono, estava bem quentinha e aconchegada ao meu marido, quando ouvi o meu celular tocar. Abri apenas um olho, e o observei pedindo a Deus, para que ele parasse de tocar. E, ele parou. Agradeci ao papai do céu, e voltei a fechar os olhos, mas parecia que o ser, do outro lado daquela maldita linha, estava muito a fim de me dar boa noite.
Abri os olhos de uma vez, com cuidado, me soltei dos braços quentinhos do meu marido, e peguei o celular. Não reconheci o bendito numero, e a vontade de desligar o aparelho gritou, porem, a minha ética medica, e a possibilidade de ser uma paciente em trabalho de parto falou mais alto. Sai do quarto, e atendi o aparelho.
-Alo.
-Doutora García?-uma voz feminina e um pouco esbaforida acoou do outro lado da linha.
-Sim, quem fala?
-Desculpa o horário, aqui e a cunhada da sua paciente, a Pâmela Muniz.
-Sei, continue aconteceu algo?
-Ela não esta se sentindo muito bem, teve um desmaio, e a estamos levando para a emergência da clinica, haveria a possibilidade da senhora nos atender?
-Meu Deus, infelizmente estou a horas de distancia.
-Merda.-ela exclamou com pesar.
-Faça o seguinte, leve-a para a maternidade Union, eu vou pedir para que um dos médicos amigo meu a atenda, ele e de muita confiança.
-Tudo bem. (Vai para a Union) -a ouvi falando com alguém.
-Procure o doutor Torres, eu vou ligar agora mesmo para ele imediatamente.
-Obrigada doutora, e me perdoe pela hora.
-Imagina, esta tudo bem. Ela v ai ficar bem.
-Obrigada!
Desliguei o celular, e na mesma hora liguei para doutor torres. Depois de tudo resolvido, enfim, consegui voltar para a cama, e para os braços quentinhos do meu amor.
Parte Bruno
O dia na casa do Eric foi ótimo. Comemos bastante, conversamos bastante, sorrimos bastante, nos divertimos demais.
Era mais ou menos umas dez e meia da noite quando voltamos para casa. A Pres, tinha me pedido para dormir aqui em casa, por que a casa do Eric estava cheia, e ela não queria ir para casa sozinha. Enfim, neste momento ela estava no banco de trás com a Pam, enquanto eu estava na frente com o Dre.
Não vou mentir, eu bebi um pouco -MUITO-alem da conta, e estou sentindo a cabeça um pouco pesada, então seria sem chance de voltar para casa dirigindo.
Quando chegamos seguimos direto para o nosso quarto, eu tomei um banho, e me troquei. Quando voltei para o quarto, a Pam estava sentada na cama, com a mão na cabeça.
-Esta tudo bem?
-Estou com dor de cabeça.
-Não tem um remédio para tomar?
-Tenho sim, já tomei, daqui a pouco passa.
-Tudo bem.-beijei a sua cabeça. Vou dormir, estou cansado. Qualquer coisa me chama.
-Ta bom.
Praticamente me joguei na cama, e nem vi ela sair do banho, pois logo peguei no sono.
Acordei não sei quanto tempo depois com alguém me chamando. Na realidade me chacoalhando.
Abri os olhos e dei de cara com a Pres, ela estava com uma cara simplesmente horrível.
-Voçe consegue ser ainda mais feia pela manha.
-Vai tomar no cu!
-Bom dia para voçe também.-me virei para o outro lado.
-PETER, ACORDA PORRA!
-O QUE FOI?-a encarei me virando novamente para ela.
-O QUE FOI? O QUE FOI?
-Voçe vai ficar repetindo o que eu falei, ou vai desembuchar logo?-nem bem acordei, e ja estava impaciente.
-Peter, que vontade de dar com este abajur na tua cabeça ate voçe acordar!
-Ah, Presley, vai perturbar outro!-me virei novamente para abraçar a Pam, mas ela não estava ali. Cade a Pam?
-E exatamente sobre isso que eu quero falar!-fechou os olhos e bufou
-O que e? Para de enrolar!
-Ela passou mal de madrugada...
-O QUE?
-Relaxa, ela esta bem, esta ate em casa...
-EM CASA? POR QUE, ONDE VOCÊ A LEVOU? -ela me olhou com cara de tédio.
-No hospital obviamente.-me levantei da cama colocando apenas uma camisa- Ela esta na sala agora.
Desci as escaras apressadamente, e respirei aliviado quando a encontrei sentada no sofá com os olhos fechados. Me sentei ao seu lado sem falar nada, e ela abriu um dos olhos para me olhar. Eu sorri, e ela apenas respirou fundo. Porra.
Mas para a minha surpresa, ela me abraçou, colocando o rosto na curva do meu pescoço, e eu acariciei os seus cabelos quando ela se aninhou em meus braços.
-Por que não me chamou querida?
-Eu tentei, mas voçe estava dormindo muito pesado.
-Me perdoa, estava muito cansado.
-E bêbado!-fechei os olhos. Ela estava certa.
-Me desculpa mais uma vez. Como voçe esta?
-Bem. Estava no Union.
-E a clinica? La não tem emergência?-me afastei um pouco para encara-la.
-Tem, mas a minha obstetra não estava la. Ela não pôde me atender, então outro medico me atendeu.
-Como não estava la? Por que não ligou para ela?
-Eu liguei.-Presley disse ao descer as escadas.
-E por que ela não atendeu a Pam?
-Por que ela estava a horas de Los Angeles Peter.
-Que irresponsabilidade e esta? Já não gostei desta medica.
-A para Peter, ontem foi feriado. E voçe acha que só por que eles são médicos, tem que ficar a disposição 24 horas por dia?
-TEM!
-Não grita amor.-resmungou colocando a mão na cabeça.
-Desculpa!-a beijei. Se tivesse acontecido algo com a Pam, eu a processaria...
-Esta tudo bem amor, eu estou bem. Só preciso de um banho, e dormir.
-Como esta o nosso bebe?
-Esta ótimo segundo o doutor Torres.
-Menos mal. Vem, eu te levo.
A peguei no colo, e subi com ela em meus braços para o nosso quarto, onde a deixei descansado um pouco, e desci novamente para pedir que fizessem algo para o cafe da manha. Afinal, eu ainda teria que me arrumar pois ainda hoje tínhamos que embarcar para a Inglaterra.
Parte Cris
Umas três semanas haviam se passado desde o feriado na casa da minha mãe.
Tínhamos voltado a nossa rotina normal, e eu ate tinha ligado para a minha paciente, a Pâmela. Eu queria muito saber como ela estava, e para a o meu alivio, ela esta bem, tinha sido apenas uma alta na pressão. Eu disse que iriamos acompanhar de perto esta alteração.

Por falar em pacientes, neste momento eu estava em casa me arrumando, justamente para ir com o meu marido na festa de aniversario da sua paciente.
Estava terminando de me arrumar, quando ele saiu do closet colocando a sua camisa azul clara. Estava realmente lindo, alias, o meu marido e lindo, definitivamente eu tive muita sorte em te-lo como companheiro.
-Nossa, voçe esta deslumbrante meu amor.-sorri terminando de clocar o brinco-
-Obrigada amor, voçe também esta!
-Serei o homem mais invejado da festa.
-E eu a mulher mais invejada.
-Te amo!-me deu um selinho.
-Eu também.
-O que comprou de presente para a aniversariante?
-Passei na Tiffany, e comprei um conjunto de colar e brincos, de ouro branco com brilhantes.
-Brilhantes? Boa escolha, apesar de não ser tão valioso.
-Eu não a conheço amor, e difícil para comprar presentes.
-Eu sei, esta tudo bem. Esta pronta?-dei mais uma olhada no espelho
-Estou.
-Por que não coloca uma outra joia?-olhou para o meu pescoço onde estava o tal colar.
-Eu gosto de usa-lo com esta pulseira, alem de combinar com estes brincos.
-Esta certo então. Vamos?
-Sim,-sorri pegando a minha bolsa de mão, e a sacola azul clara referente a loja.
Seguimos para a garagem, e especialmente hoje, não iriamos com o Bentley, e sim com a Ferrari Itália na cor branca que ele tinha o maior ciume. Sinceramente, este vicio do meu marido por tudo o que e de luxo, ainda vai acabar comigo.
O trajeto ate a casa foi tranquilo, conversamos normalmente sobre assuntos aleatórios. Mesmo estando incomodada por estar indo na festa de alguém no qual eu nem conheço direito, eu tentei relaxar, e tentar apenas curtir o ambiente.
Ao nos aproximarmos da casa, vi que estava tudo iluminado, e o som alto já dava o ar da graça ai da no meio da rua. Tentamos estacionar o mais proximo possível da casa, afinal eu não pretendia ficar muito tempo por aqui.
Nos aproximamos do portão apos o Rafa verificar umas mil vezes se o carro estava bem trancado, ele deu os nossos nomes, e um segurança alto, nos deu passagem ao interior do jardim da casa.
Estava tudo muito bem iluminado, decorado, e rodeado de gente, do lado de fora tinham varias pessoas, só no jardim, era por alto umas 100.
Seguimos para onde estavam as tais pessoas reunidas próximas a uma enorme piscina decorada com velas flutuantes, na intensão dele achar a tal aniversariante.
Dando uma olhada ao redor, e vendo bem o rosto de algumas pessoas, elas me pareceram ser familiar, eu não lembrava de onde, mas eu achava que já tinha visto aquelas pessoas em algum lugar. Sabe quando voçe olha para o rosto de alguém, sabe que não lhe e estranho, mas não lembra de onde conhece? Eu fiquei exatamente assim olhando para algumas pessoas.
-Eric, cade o Liam?-olhei para o lado, e vi uma mulher loira falando com um rapaz alto, e branco.
-Esta com o Bruno!
-Eric. Bruno.-disse baixinho olhando ao redor, já sentindo o meu peito bater acelerado.
Olhei para o tal Eric, e sim, ele não tinha mudado muito desde a adolescência -ao menos de rosto-, e eu já o tinha visto no show que fui. E de repente olhando melhor, eu consegui reconhecer a maioria dos rostos presentes, sendo os rapazes da banda que acompanhava o Peter. Peter. Meu Deus, ele esta aqui? Olhei ao meu redor, mas não vi ninguém que lembrava ele
-Olha ela aqui. Pâmela minha querida, felicidades.
-Doutor Rafael!-olhei para ela, e sim, era a minha paciente, a Pâmela.
-Me deixe apresenta-la.-disse apos se abraçarem. Esta e a minha esposa...
-Doutora García?
-Ola Pâmela, não sabia que era o seu aniversario, meus parabéns.-a abracei.
-E eu não sabia que voçe era casada com o doutor Rafael.
-Pois e. A seis anos.-sorrimos.
-Que maravilha, vocês são lindos juntos, formam um belíssimo casal!
-Obrigada!
-A gravidez esta te fazendo muito bem, esta linda!
-Obrigada doutor, o meu noivo que o diga!-sorrimos. A proposito, me deixem apresenta-los ao meu noivo.-olhou ao redor, e sorriu ao provavelmente encontra-lo. Bruno!
Ele se virou assim que a sua atenção foi solicitada. Noivo? Era ele, estava bastante diferente do rapaz de onze anos atras, mas sim, era ele, o Peter.
Sabe quando voçe quer sair correndo, se enfiar em algum lugar cavar um buraco e se enterrar, mas mal consegue respirar? Eu estava exatamente assim.
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