Parte Bruno
-Transito infernal!
Bufei pela milésima vez batendo com a mão no volante. Eu estava muito irritado. Olhei a hora pela decima vez, era quase quatro da tarde e eu ainda estava longe da maldita clinica. E hoje que a Pâmela vai dar uma de "Hennibal" e vai comer o meu figado no jantar. E para completar, a porra do celular estava quase descarregando, e eu decidi usar o pouco de bateria que tinha para ligar pra ela.
-Amor?
-Onde voçe esta?
-No transito.
-Sei, transito,
-Eu juro amor. E outra a ligação vai cair, por que o meu celular descarregou...
-Voçe sempre esquecendo de colocar o telefone para carregar.
-Me desculpa ta bom?
-Tem um carregador no porta luvas, e só adaptar no acendedor do carro.
-Obrigado.-aproveitei que estava parado e o coloquei para carregar.
-Ta bom, so venha.-ela simplesmente desligou.
-Eu mereço mesmo.
Depois de mais uns dez minutos preso naquele engarrafamento, enfim, vi os primeiros sinais de que iria começar a andar, se bem que de uma forma, ou de outra, a Pam estaria cuspindo fogo, afinal, já são mais de quatro da tarde.
Estacionei em frente a clinica, sai, travei o carro e segui para a recepção, porem, antes mesmo de chegar no balcão, eu a vi saindo de um dos corredores da clinica. Olhei para ela que estava com uma cara de nenhum amigo, e respirei fundo.
-Desculpa amor...
-Esquece!
-Pâmela, eu não fiz por mal, na realidade a culpa nem e minha...
-Não precisa dar explicações Bruno!-passou por mim como se fosse um foguete, e eu simplesmente a segui.
-Eu peguei um transito enorme.-mesmo parecendo não prestar atenção em mim, eu continuei.-Sai do estúdio cedo, mas peguei um engarrafamento horrendo. Ta vendo?-apontei para frente quando mais uma vez paramos no transito. O que esta acontecendo com Los Angeles hoje?-disse exasperado. Não vai falar comigo?-encarei o seu perfil, e ela virou o rosto olhando pela janela- Mereço.-resmunguei-
O caminho ate em casa -quando conseguimos andar- foi. Mudo. Ela não disse nada, e eu muito menos. Já tinha me explicado o suficiente, e se ela quiser acreditar em mim, tudo bem, não quer. Foda-se.
Eu gosto muito da Pam, não e a toa que vamos ter um filho, mas tem horas que ela me irrita como agora. E se torna ainda pior quando ela da os seus ataques desnecessários de ciumes. Pelo amor de Deus, ninguém merece uma mulher ciumenta no pé, ainda mais quando se é uma pessoa publica.
Acredite, se estamos juntos depois de 4 anos, e por que realmente existe algo. Ou eu sou mais paciente do que eu imaginava.
Depois de quase meia hora em um trajeto de dez minutos, enfim tínhamos chegado em casa.
Ela saiu do carro apressadamente, batendo a porta com muita força, fazendo os vidros tremerem.
-Quebra!
-VAI A MERDA!
-São os hormônios Bruno, são os hormônios.- não pense em estrangula-la.-sorri com o meu pensamento idiota.
Entrei em casa, e já não se tinha mais vestígios dela pela sala, provavelmente tinha ido para o quarto. Deixe ela por la mesmo, e o melhor para a minha saúde mental no momento.
Fui ate o pequeno bar acomodado na sala de estar, e peguei uma dose de vodca com refrigerante de limão, e bastante gelo, estava precisando de algo. Ultimamente tenho me estressado demais, tanto em casa como no estúdio, afinal, a musica que Mark, e eu estamos produzindo, decidiu dar trabalho, logo na reta final.
-Alo.-atendi apos ouvir a vibração do celular na bancada.
-Maninho!
-E ai Eric, o que manda?
-Só liguei para confirmar se vocês vão passar o feriado aqui em casa mesmo.
-Eu vou. Se a dona encrenca vai querer ir, eu já não sei.
-Dona encrenca?
-Ela esta demais cara, esta me estressando horrores.-olhei ao redor para ver se ela não estava por ali- Estou ficando doido. Hoje, só por que eu me atrasei para ir na consulta, ela quase me matou.
-Mas voçe não saiu a tempo?
-Sim, mas e o transito?
-Estava complicado mesmo. Conversa com ela cara!
-Eu vou, mas só quando ela não quiser o meu coração em uma bandeja de prata.-sorrimos.
-São os hormônios.
-E o que eu digo para mim mesmo.-respirei fundo.
Ao finalizar a minha ligação, eu decidi ir ate o quarto, precisava de um banho, e descanso. Pensei em voltar para o estúdio, mas hoje eu não estava mais com cabeça.
Parei na porta do quarto, quando vi que ela estava na frente do espelho apenas de calcinha acariciando a barriga na qual reparei que estava mais aparente. A Pâmela, e uma mulher linda, e eu sei que sera uma ótima mãe para o nosso bebe. Lembro de como me apaixonei por ela, de como nos tratamos bem, como ela cuida de mim, e me faz bem. Por isso eu associo esta mudança dela de humor, a gestação, e a unica explicação.
Ela me viu parado na porta a encarando, e me olhou fazendo os nossos olhos se encontrarem. Ela fechou os mesmos com força, colocou uma blusa comprida, e foi se deitar, sem falar absolutamente nada.
Depois do meu banho, eu me troquei, ficando mais a vontade, afinal não iria sair de casa. Me sentei na cama ao seu lado, e ela bufou alto, se virando para o outro lado.
-Voçe vai realmente ficar com raiva de mim, por causa de algo que nem foi culpa minha?
-Voçe deveria ter saído mais cedo da merda do estúdio.
-Eu sai meia hora antes caralho...
-Eu estou gravida porra. GRAVIDA. Preciso de voçe.
-Eu estou aqui cacete. O que voçe quer, que eu pare tudo por causa da sua gravidez?
-Não seria por causa da minha gravidez, e sim, por causa do NOSSO bebe.
-Voçe esta louca, eu estou no final de uma turnê!
-A claro, e depois da turnê, vem musica nova, ai vem a divulgação da musica nova, a gravação de clip...
-Espera. Esta insinuando que eu devo parar a minha vida, para ficar 24 horas por sia ao seu lado?
-Já disse que e pelo nosso bebe.
-Escuta aqui Pam, eu gosto muito de voçe, amo o nosso bebe, mas não vai ser ele que vai me fazer parar tudo.
-Voçe tem noção do que acabou de falar? O seu filho não tem nenhuma importância para voçe...
-Eu não disse isso. E que agora ele só precisa de voçe, eu não vou ajudar em nada.
-E claro que pode, me dando apoio.
-Eu... Não vai adiantar conversarmos, não vamos chegar a lugar a nenhum.-me levantei da cama.
-Reconheça que esta errado.
-EU NÃO ESTOU ERRADO CARALHO. A PORRA DA CULPA NÃO FOI MINHA, EU PEGUEI UMA MERDA DE UM TRANSITO INFERNAL, SÓ PARA ESTAR AO SEU LADO. MAS NÃO DEU PORRA, TENTA ME ENTENDER.
-NÃO GRITA COMIGO, EU NÃO SOU AS SUAS PIRANHAS!
-QUE PIRANHAS PÂMELA? DO QUE VOCÊ ESTA FALANDO?
-VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI?
-SABE DE QUE? O ASSUNTO ERA O NOSSO FILHO, E O FATO DE EU TER CHEGADO ATRASADO NA MALDITA CONSULTA.
-ERA. VOCÊ DISSE CERTO, ERA. VOCÊ NÃO LIGA PARA O SEU FILHO, MUITO MENOS PARA MIM, ENTÃO FODA-SE.
-VOCÊ DEFINITIVAMENTE ESTA LOUCA.-sai do quarto indo para o closet-
-O QUE VOCÊ VAI FAZER?-ela se levantou vindo ao meu encontro.
-EU VOU PARA O ESTÚDIO!
-PARA O ESTÚDIO, OU COMER ALGUMA VADIA NA RUA?
-CALA A BOCA, VOCÊ ESTA FALANDO MUITA MERDA JÁ!-gritávamos um com o outro enquanto eu me trocava-
-Tem certeza de que e merda Bruno?
-Sim. Voçe tem alguma prova contra mim? Voçe me viu comendo alguma piranha? Não, e não. E sabe por que?-a encarei- Por que o babaca aqui, pela primeira vez, esta respeitando ao máximo uma mulher!-dei as costas saindo do quarto.
-Voçe e realmente um babaca Bruno. UM BABACA!
Enquanto ela gritava como louca, eu saia de casa, não iria suportar ficar com ela hoje, não agora. Eu sei que ela esta gravida, mas sinceramente, ela esta começando a surtar, e ela não vai me deixar surtado.
Entrei no meu carro, e segui para o estúdio, era melhor enfiar a cara no trabalho do que ficar aturando isso.
Parte Cris
-Boa noite Ana.
-Boa noite dona Cris.
-Meu marido já chegou?
-Ainda não. O jantar esta quase pronto.
-Tudo bem, eu vou tomar um banho, e espera-lo chegar.
-Sim senhora.
Subi as escadas, e entrei no meu quarto, deixando a bolsa na poltrona, e o casaco na cama. Movi o pescoço na tentativa de achar um alivio pela tensão do dia, mas notei que talvez só conseguiria isso com um banho, ou uma deliciosa massagem do meu lindo marido.
Sai do banho, hidratei a minha pele, e prendi os meus cachos em um "puf" alto, não queria embaraça-los. Me deitei na minha espaçosa cama, e liguei a TV a procura de algo para assistir. Acabei parando em uma maratona de CSI, era a minha serie favorita, depois de House, e claro. O Rafa não curte muito, mas eu adoro assistir em meu momento de lazer. Que convenhamos, era bem raro.
Durante um dos episódios, começou a tocar So Lonely do The Police, era uma das favorita do Peter, e imediatamente me lembrei de quando fomos a "Hungry ear" em Honolulu. Como sinto falta daquele chato, mas ele não deve nem se lembrar mais de mim, afinal, esta famoso, tem novos amigos, pessoas novas em sua vida, jamais ira se lembrar de mim.
Fico muito feliz por ele ter conseguido chegar onde chegou, ele ter alcançado o sucesso, e ser a grande estrela que e hoje. Acho que um dia, eu terei coragem de ir a um Meet & Greet dos seus shows, já que assistir eu já fui com a mala da Liz. Me lembro como se fosse hoje, foi na turnê do seu primeiro CD, e ainda não trabalhávamos juntas. Ele estava tão lindo, e eu fiquei babando como uma boba na plateia vendo o meu amigo, e amor de adolescente cantando, e encantando aquela multidão a sua frente enquanto cantava Our First Time.
Não posso negar que aquela musica me remeteu a um certo dia, a uma certa tarde, e sinceramente, a letra daquela musica, fez com que eu viajasse no tempo, e relembrasse com riqueza de detalhes daquela tarde maravilhosa, em que eu me entreguei a ele pela primeira vez. E isso me deixou visivelmente abalada.
Como depois de tanto tempo, alguém ainda consegue me causar tanto frisson? Acho que foi exatamente por isso que eu não o procurei, e nem pretendo procurar.
Coloquei a mão no pingente de cristal azul que ele me deu a quase onze anos atrás. Eu ainda conseguia sentir o calor das suas mãos ao coloca-lo no meu pescoço.
-Peter.-murmurei baixinho-
-Amor!-Me sentei no susto, ao ouvir a voz do Rafael.
-Que susto.
-Desculpa, estava distraída?
-Um pouco.-se curvou me beijando-
-Com o que, posso saber o que esta tomando toda a atenção da minha mulher? -sentou ao meu lado me abraçando.
-Lembranças do Hawaii!
-Saudades de la?
-Um pouco!
-Podemos renovar os nossos votos de casamento em uma daquelas praias, o que acha?
-Renovar o votos?
-Sim, estava pensando nisso hoje. Em breve seremos uma família, e eu acho que seria ótimo para nos dois. Não gosta da ideia?
-Gosto. Adoro!-o abracei.
-Ótimo, vamos organizar isso em breve.
-Tudo bem.
-Vou tomar um banho para jantarmos.-me deu um selinho antes de ir para o banheiro enquanto retirava a sua roupa-
Renovar os nossos votos seria ótimo, uma maravilhosa confirmação do nosso amor.
As vezes me sentia tão suja, e injusta com o meu marido quando me lembro do Peter, e de como ele me faz falta. Mas infelizmente e assim que tem que ser, a vida tomou este rumo, e eu não posso ir contra ela, e acabar estragando o meu futuro.
Enquanto ele tomava o banho dele, eu me vestia um pouco melhor para descer apara o jantar.
Quando ele saiu do banheiro estava apenas de toalha, com o corpo levemente úmido. O meu marido e um belo exemplar de homem, ele malha, e cuida bem da sua forma física, se cuida esteticamente, é perfeitamente vaidoso, as vezes acho que é ate mais do que eu. É compreensível, já que a maioria dos seus pacientes são celebridades, e segundo ele mesmo diz "Preciso estar bem apresentável".
-Amor, estava pensando em uma coisa.-me sentei na beirada da cama, e o encarei através dos eu reflexo no espelho-
-Em que?
-Todos os anos comemoramos o nosso aniversario de casamento com uma viagem, certo?
-Sim. Me lembro da nossa viagem para as Ilhas Cayman, aquele sim, foi perfeito.-sorriu se virando para mim-
-Foi perfeito mesmo. Mas eu pensei em ficarmos por aqui este ano.
-Mas...
-Eu só queria ficar por aqui sabe, fazer uma coisa simples em casa mesmo, e convidar os nossos amigos, e parentes.
-Eu pensei em passarmos em Barbados este ano, ou nas Bahamas. Mas se voçe quer ficar por aqui.
-Sim, eu adoraria. Estamos em processo de adoção, e eu queria ficar por perto, na realidade eu queria ir ate o orfanato novamente.
-E claro meu amor, podemos fazer o que voçe achar melhor, sem problemas. No ano que vem já estaremos com a nossa filha, e poderemos viajar em família.-apenas sorri, e concordei afirmativamente.
-Por falar em família. O papai me ligou esta manha, e nos convidou para passar o feriado com eles. O que acha?
-E uma boa ideia, porem. Eu tenho uma mamoplastia para fazer um dia antes, e só vai dar para pegar a estrada durante a madrugada, ou na manha do feriado.-sorri-
-Esta tudo bem, o importante e ir.
-Estou com saudades do tempero brasileiro da minha sogra.-sorriu-
-E eu estou com saudades dela!
-A veremos em alguns dias. Vamos jantar, estou morrendo de fome.
-Vamos.
Ele esticou a mão para que eu me levantasse, me dando impulso fazendo com que eu envolvesse as minhas pernas em sua cintura. Sorri de forma divertida, e o beijei intensamente. Eu adorava quando ele fazia isso, e como se permanecesse a mesmo adolescente de 19 anos quando começamos a namorar, pois mesmo ainda estando na cadeira de rodas, ele me tratava exatamente assim, como uma mulher "normal".
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