quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sera que ele vem? cap 18

Depois da ligação do Peter pela manha no dia em que o meu marido estava doente, -eu tenho certeza de que ele achou que eu estava mentindo em relação a isso-, ele não ligou mais nem para mim, e muito menos para a clinica. E depois de dez dias, sem noticias dele, era obvio que ele estava me evitando. E quer saber? Talvez seja melhor assim, eu estou precisando de calma, e este reencontro com o Peter me trouxe tudo, menos calma.
Falando no meu marido, ele estava com uma virose, não era nada de mais, mas sabe como e homem, qualquer coisa já esta morrendo.
Hoje era dia 25 de agosto exatamente um mês desde a primeira consulta da Pâmela comigo, e ontem recebi a confirmação da sua presença hoje no horário da tarde.
Cheguei na clinica no horário habitual, e segui direto para a minha sala, que como sempre, era o caminho preferido da minha melhor amiga.

-Cris, bom dia!

-Bom dia Liz.-sorrimos.

-E ai, quais são as novidades?

-Nenhuma.-desviei o meu olhar do seu, e comecei a mexer no prontuario da minha próxima paciente. A não ser...

-A não ser?-se sentou a minha frente rapidamente me fazendo sorrir.

-Hoje e a consulta da Pâmela.

-A noiva dele?

-Sim.-a encarei.

-Sera que ele vem?

-Duvido.

-Ele te ligou novamente desde aquele dia pela manhã?-alem de melhor amiga, ela era minha confidente, e eu contava cada detalhe da minha vida para ela.

-Não. Sem duvidas ficou com raiva de mim.

-Sera?

-Não sei. Não sei se ainda o conheço bem para afirmar alguma coisa.

-Se ele vier me chama!-sorrimos.

-Louca.

Parte Bruno

Desde a ultima vez que falei com a Cris pelo celular, ainda não tinha nem falado, e nem a visto novamente. Eu tenho quase certeza de que ela estava mentindo para mim em relação ao marido dela, e a realidade, e que ela não queria, e não quer mais ter nenhum tipo de contato comigo, e cabe a mim, respeita-la.
E também por que eu senti que estou indo rápido demais, em relação a nossa "amizade", anos se passaram desde a ultima vez que nos vimos no Hawaii, e ela esta visivelmente mudada, não só fisicamente, como certamente na personalidade. E definitivamente este foi um dos motivos de eu ter decidido respeita-la, se ela realmente quer se afastar de mim, eu me afastarei dela, vou esperar ate que ela venha me procurar. Só não garanto que esta espera seja da forma mais justa.
Fiz mais alguns shows pelos Estados Unidos, e no final deles, ganhei mais um intervalo de sete dias para ficar em casa curtindo o crescimento do meu filhote na barriga de sua mãe, e claro, descansar.
Por falar em descanso, eu só usufrui desta condição por apenas dois dias.

-Voçe vai comigo desta vez não e amor?-questionou-me na hora do almoço.

-Onde?-parei o garfo entre o prato, e a boca a encarando.

-Na consulta de pre natal.-sorriu. O que ela estava pretendendo. Aproveite para ver a sua "amiga".

A encarei por mais alguns segundos, mas sabe quando voçe esta olhando para uma pessoa, mas a sua mente estava em outro lugar? Eu fiquei exatamente assim, quando pensei na possibilidade de vê-la novamente. Estranho, mesmo dando espaço ao meu orgulho, e me privando de ter contato com ela, eu não consigo deixar de ficar ansioso com a ideia de vê-la, mesmo não sabendo qual sera a minha reação ao estar cara a cara com ela novamente, ou melhor ainda, a sua reação.

-Bruno? Estou falando com voçe.

-Desculpa.-coloquei o garfo no prato novamente ainda cheio.

-Voçe vai?

-Não sei, acho que não!

-Por que?-me encarou seriamente.

-Quero descansar, cheguei a dois dias de mais um monte de shows, e pedir demais?

-Eu vou fazer uma ultrassonografia, sera a primeira vez que vamos ouvir o coração do nosso filho, e voçe quer ficar em casa para que? Dormir?

-Talvez!

-Voçe e um egoísta.-se levantou jogando o guardanapo na mesa. Eu só te pedi para ir comigo, me acompanhar a um exame para vermos o nosso filho, e voçe simplesmente diz que não vai, por que quer dormir? Quer saber? Vai a merda Bruno.

Imediatamente eu perdi a fome. Coloquei a mão na cabeça apoiando os cotovelos na mesa, e respirei fundo. Por que mesmo eu não quero ir ver a primeira ultra do meu filho? Ah, claro, quero respeitar o espaço da Cris. Espaço este que ela mesmo estipulou entre nos dois, fazendo de tudo para ficar longe de mim. E já que ela que ficar longe de mim, eu vou ficar longe dela.


Me levantei e fui para a sala, liguei a TV e fiquei assistindo um canal de esportes qualquer, estava deitado no sofá, não tem melhor lugar para descarregar a preguiça.
Mais ou menos uma hora depois eu vi a Pâmela descendo as escadas completamente arrumada, com uma bolsa a tiracolo. A segui com os olhos, e antes de abrir a porta ela parou, e se virou para onde eu estava.

-Eu vou com o Dre, não estou muito a fim de dirigir.

-Tudo bem.

-Voçe realmente não vai né?

-Pam...

-Tudo bem.-espalmou a mão na minha direção. Esquece.-deu as costas e saiu.Me joguei no sofá novamente, e coloquei as mãos no rosto.

-E pelo seu filho. E pelo seu filho.

Me levantei do sofá, e segui para o quarto, tomei um banho rápido, me troquei, e em pouco mais de quarenta minutos estava saindo de casa. Eu não poderia deixar de ouvir o coração do meu filho pela primeira vez, por causa de uma birra idiota que nem era minha, se ela não esta querendo olhar para mim, foda-se, e só não me olhar. Eu que não vou deixar de viver por causa dela. Esta mulher esta conseguindo me deixar mais louco do que eu já sou.
Peguei o meu carro e dirigi tranquilamente em direção a clinica, o transito estava bom, não estava totalmente livre, mas dava para se locomover melhor.
Liguei o radio em uma estação aleatória, e estava terminando de tocar Green Day, se eu não me engano era wake me up when september when, era uma bela musica, eu gosto deste estilo.Cantarolei o final da canção, ao mesmo tempo que dobrei a esquina me deparando com um belo engarrafamento.

-Mereço.-bati com a mão no volante.


Os primeiros acordes de Aerosmith - I Don't Wanna Miss a Thing começou a tocar no radio, e eu senti o meu corpo inteiro formigar. Era incrível como mesmo depois de tantos anos qualquer coisa que me lembrasse ela, praticamente me deixava paralisado.
Eu me lembro exatamente do dia em que eu cantei esta musica para ela, tínhamos acabado de fazer amor, e ela estava em meus braços completamente nua, com o seu delicioso cheiro de flores -o hidratante que ela mais gostava-, e ainda gosta, afinal senti o mesmo cheiro quando a abracei no aniversario da Pam. Definitivamente ela vai me deixar louco.

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, querida
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce que nunca tive
Eu estaria te perdendo, querido
E eu não quero perder nada

Steven Tyler declarava o seu medo de perder a sua garota, enquanto eu me deixava levar pelas maravilhosas recordações daquela tarde incrível que passamos juntos a anos atras. O seu beijo, o seu toque, o seu corpo, tudo me deixava com ainda mais vontade de te-la novamente, era algo tão intenso que a minha boca chegava a salivar, diante do meu ainda presente desejo por aquela mulher.

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, querida

-Cala a boca Steven!-desliguei o radio, e recostei a cabeça no encosto do banco. Por que eu ainda sinto tanta necessidade de ter esta mulher?

Despertei dos meus pensamentos com a buzina do carro de trás, e continuei o meu caminho, era a melhor coisa que eu poderia fazer agora.

Parte Cris

Tinha acabado de voltar do almoço, hoje sozinha já que levei mais tempo do que necessário na ultima consulta, a Liz acabou indo na frente para não se atrasar com os seus pacientes do horário da tarde. Odeio me alimentar as pressas, mas eu adoro dar a minha total atenção as minhas pacientes.
Era exatamente três e quinze da tarde quando entrei na minha sala, guardei a minha bolsa, liguei o meu computador, e acessei os dados da minha próxima paciente da tarde. Pâmela Muniz. Respirei fundo, e eu não sabia se queria que ela viesse sozinha, ou acompanhada. Porem antes que eu pensasse em mais qualquer coisa, o telefone da minha mesa começou a tocar.

-Ola Sam.

-Doutora García, a sua próxima paciente, a senhora Pâmela Muniz já chegou. Posso manda-la entrar?

-Pode. Obrigada Sam.

-De nada Doutora.

-A proposito Sam, peça para arrumarem a sala de ultrassom, por favor?

-Claro doutora.

-Obrigada.-desliguei. Bem, se ela veio sozinha, ou não, e a hora de descobrirmos.

Coloquei o meu celular no mudo, por que eu odeio ser interrompida durante uma consulta. Ajeitei o meu jaleco, e terminei de ajeitar todo o material que usaria durante a consulta. Ouvi batidas na porta e pedi que entrasse.

-Boa tarde doutora.-sorriu de canto ao me ver.

-Boa tarde Pâmela.

Me levantei dando a volta na mesa, esticando a mão para ela em forma de cumprimento. Ela olhou para a minha mão, e por um segundo imaginei que ela não iria retribuir o gesto. Não acredito que ela possa estar com raiva de mim por causa do noivo dela! Porem ela aceitou o meu cumprimento, e sorriu abertamente.

-Como vai este bebezão?-fechei a porta e segui para a minha cadeira.

-Muito bem, obrigada!-sentou. So a azia que continua a mesma coisa, ou ate pior.

-E assim mesmo, pode continuar tomando o mesmo remédio que receitei na ultima consulta.

-Ele parece não fazer efeito nenhum, acho melhor trocar.-a encarei arqueando a sobrancelha, e impressão ou ela esta tentando ensinar o meu trabalho?

-Fica tranquila, os primeiros meses são bem complicados, portanto, esta tudo correndo muito bem, não se preocupe. Tem sentido alguma coisa alem do normal?

-Alem daquela alta de pressão, nada mais.

-Verdade, eu olhei aqui na sua ficha recém atualizada, e a sua pressão ainda esta alterada. Voçe tem se aborrecido?

-Por que voçe acha isso?-estava digitando a alteração em seu prontuario, e parei para encara-la. E serio isso?

-Devido a sua alta de pressão Pâmela, geralmente ela acontece depois da vigésima semana, e saberemos hoje ao certo com quantas semanas voçe esta, mas pelo tamanho da sua barriga, não deve chegar a tanto, pelas medias eu acho que voçe esta no quarto mês. E se for hipertensão, precisamos ficar ainda mais atentas. Isso não e bom para o seu bebe, e muito menos para voçe. O aconselhável e que voçe tenha uma gravidez tranquila, sem aborrecimentos, e estresse.


-Por que perigoso?

-Por que com a pressão desregulada, voçe corre um grande risco de ter complicações na hora do parto. Pode ocorrer uma pre-eclampsia, e não queremos isso.

-Não mesmo.

-Não fique preocupada, vamos cuidar muito bem de voçe, e do seu bebe. -o telefone da minha mesa tocou novamente. Pois não Sam?

-Doutora a sala de Ultrassonografia esta pronta.

-Tudo bem, só vou tirar as medidas da paciente, e já estamos indo.

-Sim senhora.-desliguei o telefone.

-Pâmela por favor deite na maca?

-Claro.

Depois de tirar todas as medidas do crescimento da barriga dela, e fazer mais algumas perguntas, e responder outras, seguimos para a outra sala.
Assim que entramos, eu pedi que ela se trocasse, tirasse as suas vestimentas, e colocasse o hobby esterilizado da clinica, para fazermos o exame, e apos isso, começaríamos o procedimento. Logo em seguida eu sai da sala, queria dar a minha paciente a privacidade necessária.
Depois de trocada, a enfermeira que a acompanhou me chamou do lado de fora, e eu entrei a encontrando já trocada, e com um lençol sob as suas pernas e quadris.

-Isso e um pouco gelado, pode criar um desconforto.-sentei a frente no aparelho de ultrassom.

-Tudo bem.-passei o gel, e peguei a sonda do aparelho de ultra-som, e antes mesmo que começasse o exame, o telefone da sala tocou. Só um minuto.-pedi já pegando o aparelho. Sam?

-Doutora, o noivo da paciente Pâmela Muniz, esta na recepção solicitando a entrada para o exame.-Ele veio, Merda, merda, merda. Respirei fundo, e tentei ficar o mais normal possível, mesmo o meu coração querendo sair pela boca.
-Pâmela, o seu noivo esta na recepção, posso autorizar a entrada dele?

-Bruno?-sorriu abertamente. Claro, claro que sim.

-Esta autorizado Sam.

-Tudo bem doutora.-desliguei.

-Ele já esta entrando.

-Ainda bem que ele conseguiu vir hoje.

-É. Vou esperar ele entrar para começar.

Virei para o aparelho, e comecei a mexer em algumas coisas do sistema, nada de mais, eu só queria desviar a minha atenção do que estava prestes a acontecer. Queria saber por que eu estou tão tensa, e nervosa, queria entender, o por que depois de tantos anos, este homem ainda consegue me deixar desestabilizada.

-Foco Cris, voçe e uma profissional.-respirei fundo falando baixinho somente para que eu mesma ouvisse.

-Falou alguma coisa?-ela me questionou.

-Eu?-sorri, Não, eu só...

Nem consegui terminar a minha frase, e fui interrompida pela maçaneta se abrindo, e o seu perfume invadindo a sala completamente. Senti um solavanco na coluna, e o meu corpo inteiro gelou, foi como se eu paralisasse completamente.
Sorria Cris, sorria e seja simpática, não tem motivos para tanto nervosismo. Tinha sim, ele estava lindo, cheiroso, e fez o meu corpo desejar cada centímetro do seu. Não. Não posso.

-Oi amor, ainda bem que voçe veio.-ela sorriu esticando a mão para ele.

-Desculpa, eu deveria ter vindo com voçe.

-Esta tudo bem, o importante e voçe estar aqui.-ele se curvou beijando os seus lábios, eu me senti constrangida em olhar, e me virei. Na realidade, acho que senti um desconforto.

-Doutora?-ouvi a sua voz rouca, e me virei para o casal com um sorriso no rosto.

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