segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Doente! cap 17


Parte Bruno 


Depois do aniversario da Pam, em que a comemoração foi para ela, mas o presente foi meu, definitivamente, eu não resisti, e tive que mandar um buque rosas para a Cris no dia seguinte. Rosas vermelhas, as mais bonitas que consegui escolher.
Na realidade eu queria levar pessoalmente, mas eu precisava viajar, iria embarcar para Nevada onde faria um show, e por isso mandei entregar.
Depois de passar algumas horas no jatinho a caminho do proximo show, assim que chegamos em terra firme, eu chequei o celular para ver se não tinha nenhuma chamada perdida. Tinha, da Pam, mas dela, nenhuma. Confesso que senti uma ponta de decepção, eu queria que ela tivesse ligado para agradecer pelas flores, ou somente para falar comigo, sei la, afinal eu tinha anotado o numero do meu celular no cartão, não custa nada. Custa?
As nossas coisas seguiram diretamente para o hotel em que ficaríamos, enquanto nós seguimos direto para o local do show, iriamos passar o som, e depois seguiríamos para o hotel, apenas descansar algumas poucas horas.
Durante o trajeto de alguns minutos, eu liguei para a clinica dizendo que era marido de uma de suas pacientes, e que desejaria muito conversar com ela, e não demorou muito para ela me atendesse.
Notei que ela pareceu ficar um pouco tensa, e ate surpresa ao ouvir a minha voz, e eu fechei os olhos para apreciar melhor o tom da sua voz. Só eu sei como senti falta desta mulher. Falta daquela menina, que se tornou mulher em meus braços. Da menina que me fazia sorrir somente com o seu sorriso. Daria qualquer coisa para te-la mais uma vez, nem que fosse somente mais uma vez.
Depois de ter conversado com ela, e ate pedido para sair para almoçar, ou jantar, ela inventou varias desculpas, e disse que não daria. Confesso que fiquei desapontado, mas enfim, ainda tinha quatro dias para ela pensar sobre este assunto. Alem disse ela disse que estava com algum problema, eu me ofereci para ajuda-la no que fosse preciso, mas ela me cortou dizendo que era algo pessoal, e eu me senti completamente excluído da vida dela.
Sabe quando você sente que alguém te tirou da vida dela, e que você já não faz tanta falta como antes? Pode ser exagero meu, mas eu me senti exatamente assim. Se bem que depois de tantos anos, talvez eu esteja sendo intrometido, mas uma vez amigos, sempre amigos, Não e? E é obvio, que se eu precisar de algo, em algum momento, para qualquer coisa, e a ela que eu vou recorrer agora.

§

Os shows em San Jose, Nevada, e em Greenwood Village, foram maravilhosos como sempre a plateia incrível, animada, e muito receptiva.
Em todos os dias eu liguei para a Pam, para saber como ela estava, e principalmente como estava o nosso bebe, e graças a Deus, estava tudo bem, alem dos enjoos, náuseas, e afins.
Pensei em ligar para a Cris novamente, mas preferi deixar como estava, não queria parecer que a estava pressionando. E eu já estava voltando para casa, e iria receber a sua resposta, que espero eu, que seja positiva.
Cheguei em casa no dia 18 pela manha, era mais ou menos uma cinco e meia, preferimos vir embora logo depois do ultimo show. A Pam ainda estava dormindo, por isso, eu apenas tomei um banho, me troquei, e deitei ao seu lado, devagar para não acorda-la.

-Amor.-disse sonolenta.

-Shiii.-beijei a sua testa.

-Voçe chegou, e esta bem!

-Cheguei sim, volte a dormir!-ela me abraçou, e logo voltou a dormir.

Não demorou muito para que eu também pegasse no sono, estava cansado da viagem, e dos shows, a unica coisa que eu queria no momento, era descansar.


"Estava em uma praia linda, e eu tenho quase certeza de que era no Hawaii. Estava sentado em frente ao mar sentindo o vento bater no meu rosto, apreciando o lindo por do sol que se iniciava a minha frente. A minha vida estava ótima, era só sorrisos enquanto observava o meu filho brincando na areia da praia, fazendo um lindo castelo de areia, ele gargalhava lindamente quando ia ate a beira do mar pegar mais água para fazer o seu castelo, e ela molhava os seus pés pequenos o fazendo correr de volta para mim gargalhando de forma contagiante.

-Papai!-ouvi uma outra voz fina, e estridente logo atras de mim, e me virei a encarando.

-Minha princesa.-a abracei forte.

-Não esta na hora de entrarem, logo vai escurecer!-senti ela se sentar ao meu lado.

-Só mais um pouco mamãe!-meu menino a encarou.

-E, só mais um pouco.

Virei para ela que estava ao meu lado com o nosso pequeno em seus braços, e sorri acariciando o seu rosto, vendo os seus lindos cachos se movimentando de acordo com o vento, e os seus belos olhos me encarando de forma amorosa..."

Acordei não sei quanto tempo depois, na realidade acordei com este sonho estranho, no qual não me lembro completamente, só sei que nele, a mãe dos meus filhos, certamente não era a Pamela.
Olhei para o lado, e ela permanecia dormindo tranquilamente, peguei o celular, para ver a hora, e eram exatamente dez da manha. Me levantei com cuidado para não acorda-la, e a deixasse dormir um pouco mais. Fui ao banheiro, fiz a minha higiene matinal, peguei o meu celular e desci, não estava com vontade de permanecer no quarto, não queria voltar a dormir.
Peguei uma caneca de cafe fresco na cozinha gentilmente preparado pela Rúbia, a senhora que e responsável pelo andamento da casa, e fui para o jardim seguido pelo "Ge" que assim que me viu passar pela sala, veio ao meu encontro.
Me sentei proximo a piscina, colocando o celular ao lado, e o Ge logo se deitou apoiando a cabeça na minha coxa, acariciei a sua cabeça, e tomei um gole do meu cafe, olhando o jardim bem cuidado. Senti o meu celular vibrar, já que estava encostado na minha coxa, peguei o aparelho, e era uma ligação do Ryan, respirei fundo, e a atendi mesmo sem um pingo de vontade.

-Voçe me ama, não e possível!-disse parecendo serio, e prendendo o riso.

-Sim, eu te amo, mas amo ainda mais o salario que voçe me paga no final do mês meu querido!

-Interesseiro.-sorrimos. O que voçe quer? Estou de folga ate o dia 22 caso tenha esquecido?

-Caso tenha esquecido, voçe disse que iria assinar a renovação de contrato da empresa de iluminação, e isso seria hoje.

-Mas tem que sera as dez da manha?

-Não...

-Então não enche Ryan.

-Mas voçe assinar, eles precisam começar a trabalhar imediatamente!

-Por que não pede para o Brandon assinar?

-Por que voçe pediu para cuidar disso pessoalmente, esqueceu?

-Ta bom Ryan, eu me lembro. Bem que voçe poderia trazer aqui em casa já que voçe faz tanta questão que eu assine.

-Voçe e abusado sabia?

-Estou cansado.

-Tudo bem Bruno, eu passo ai mais tarde depois do almoço.

-Pronto, problema resolvido, agora ate mais tarde, volte a dormir princesa.-desliguei sem esperar a sua resposta.

Quando ele falou em almoço, eu me lembrei que a Cris estava me devendo uma resposta, sobre sair para almoçar comigo, e é claro que preciso cobrar.
Estou me sentindo tão mais feliz, mais ativo, eu não sei explicar, mas sei que estou assim desde que a vi novamente. E definitivamente, estava louco para vê-la mais uma vez, e de preferencia sozinho. Estaria mentindo se falasse que não a estou desejando neste exato momento, por que estou, eu sempre desejei te-la novamente em todos estes anos. Mas ela não precisa saber abertamente disso. Não ainda.
A Crystal sempre foi tímida, e a mais recatada garota que já conheci, nem na nossa primeira vez ela se soltou por completo. Estava relaxada, confiante, mas mesmo assim tímida, nada que atrapalhasse em algo, pelo contrario, foi incrível deixou tudo ainda mais especial, e eu acho que agora, estando casada, ela jamais trairia o marido dela, nem mesmo comigo. Se bem que, eu tenho o direito de tentar, não?

Peguei o celular e selecionei onde estava escrito "Clinica Pam", e liguei. A atendente me disse que ela não estava, que não tinha ido trabalhar, eu achei estranho, e ela me perguntou se eu tinha o celular dela, eu disse que não, e ela se propôs a me passar o seu numero pessoal. Me levantei rapidamente a procura de papel, e caneta, anotando o seu numero em seguida.
Com o papel em mão, sorri ao ter o seu telefone pessoal, imagino que ela não iria me passar este numero. Não por querer.

-Alo?-senti a interrogação em seu tom de voz assim que ela atendeu.

-Das duas uma, ou esta doente, ou realmente esta fugindo de mim!

-Peter?-disse quase cochichando.

-Cris!-respirou fundo.

-Como... Como conseguiu o meu numero pessoal?

-Liguei para a clinica, queria falar com voçe, e como não estava, a moça muito gentil me passou o seu numero.

-Não estou fugindo de voçe.-disse passivamente.

-Esta doente?

-Quase isso. O meu marido esta doente.

-E?

-E? E, que eu fiquei em casa para cuidar dele.

-Tadinho, precisa de remedinho na boquinha?

-Peter!

-Parei!-sorri, mas ela não. Desculpa.

-Voçe não muda!

-Eu disse!. Alias, quero a minha resposta.

-Resposta sobre o que?

-Não se faça de desentendida, voçe nunca foi boa nisso! Estou falando sobre o nosso almoço.

-Pensei que ela já estava inclusa quando disse que o meu marido estava doente, e eu tinha ficado para cuidar dele,

-Qual é. É serio isso Crystal?

-O que? Peter o meu marido esta doente, eu não posso sair de casa. Não posso deixa-lo passando mal para almoçar com outro homem!

-Por que voçe não fala logo, que não quer mais ter nenhum tipo e contato comigo, ao invés de ficar inventando um monte de desculpas?

-Não são desculpas Peter, me compreenda. Se a Pâmela estivesse doente, voçe a deixaria passando mal para sair com outra mulher?-respirei fundo, mesmo já sabendo a minha resposta.

-Sinceramente Crystal, se ela não tivesse gravida, e se fosse para sair com voçe, sem duvidas a minha resposta era sim!

Ficamos completamente mudos ao telefone, ela não esboçou nenhuma reação, e eu muito menos. Pode parecer mesquinho, e egoísta da minha parte, mas eu só falei a verdade, se fosse para sair com ela, eu deixaria sim a Pam em casa para sair com ela, mas obviamente, se não tivesse relacionado ao meu filho.

-Esta tudo bem Crystal, deixa pra la.-e claro que não estava, mas o que eu poderia fazer? Vou deixar voçe cuidar do seu... Marido.

-Peter.-fechei os olhos colocando a mão no rosto ao ouvi-la chamar o meu nome de forma passiva, e amorosa ate, e me contive para não falar nada. Me desculpa?-disse mais baixo. E impossível ficar com raiva dela.

-Esta tudo bem pequena, já disse.

-Como foi a viagem?

-Foi ótima, me sinto em casa quando estou no palco.

-Eu sei que sim, como já disse, já vi os sus olhos brilhando enquanto canta.

-Ainda me pergunto por que não foi me ver, não tentou me ver, falar comigo?

-Eu não saberia como reagir, e outra, estava com o meu marido.

-Ah, claro ele.

-Amor, bom dia!-a Pam, beijou o meu pescoço. Por que não me acordou?

-So um minuto. Querida estou no telefone, e outra, não queria te incomodar.

-Tudo bem, estou te esperando para o cafe.

-Ta bom.
.
-E o Ryan? Bom dia índia mais linda do mundo.-sorriu falando proximo ao celular. Estou te esperando amor.-beijou o meu rosto, e saiu.

-Desculpa por isso.

-Esta tudo bem. Vai la tomar o seu cafe, que eu vou levar o remédio do Rafael.

-Tudo bem.

-Não esqueça de lembrar a Pam das vitaminas dela, e para o bem do filho de vocês.

-Pode deixar.-sorri. Beijo pequena.

-Beijo Peter.

Desliguei o celular, e segui para a sala de jantar tomar o cafe com a Pam, era o que restava, já que eu não iria almoçar, e muito menos janta com a Cris.

Parte Cris

O Rafa tinha acordado se sentindo mal nesta manha, e por isso eu acabei ficando para cuidar dele. Sabe como e homem, sente uma dor de cabeça e parece que o mundo está acabando. Mas no caso dele, pode ser algo mais, já que eu verifiquei a sua temperatura, e ele estava quase 39°c de febre. Lhe dei a medicação, e fiquei com ele no quarto ate que dormisse novamente, se caso não melhorasse, teria que chamar um dos nossos amigos para ver o que ele tinha.
Depois que ele dormiu, eu sai do quarto devagar, e desci as escadas para comer alguma coisa, já que ate agora só ele tinha comido, preferi cuidar primeiro dele, e depois de mim.
Depois de me alimentar, eu olhei a hora, e constatei que estava na hora de dar o remédio a ele novamente, repetir a dose do que tinha lhe dado de manha bem cedinho. Subi as escadas com a água na mão, e antes mesmo de acorda-lo, o meu celular -o escandaloso- deu sinal de vida, e eu corri para atende-lo antes que ele acordasse o Rafa.
Atendi a ligação, e ao constatar de quem se tratava, eu sai do quarto imediatamente, ele já não estava bem, se me pegasse falando com o Peter, alguns dias depois de tudo o que aconteceu, acho que ele piraria.
Ele estava me cobrando sobre a resposta que fiquei de lhe dar sobre o seu convite para almoço ou jantar, porem, não tinha como eu sair com ele e deixar o meu marido passando mal, e quando eu lhe disse isso, notei claramente que ele achou que era mentira minha sobre o meu marido estar adoentado. Porem quando lhe questionei sobre o assunto, senti algo novo, e estranho com a sua resposta, e admito, me deixou de veras balançada quando ouvi ele falar que deixaria a Pâmela em casa, se fosse para sair comigo, fez com que eu me sentisse uma idiota em ter negado sair com ele. Mas infelizmente eu realmente não poderia ir, eu sou uma mulher, e devo ao respeito, não só ao meu marido, mas ao meu casamento.
Sorri involuntariamente quando ele me chamou de pequena. Tantas coisas boas vieram na minha cabeça, lembranças incríveis do Hawaii, dos momentos maravilhosos que passamos juntos, e claro a primeira vez que me senti especial nos braços de alguém. Nos seus no caso.
Depois de perguntar-lhe sobre os shows, ouvi a voz da Pâmela falando com ele, e logo em seguida comigo. No caso, o Ryan, ela deve ter achado que era ele, e o Peter não a corrigiu.
Quando nos despedimos, ele me chamou mais uma vez de pequena, e isso me fez sorrir como uma idiota. Já disse que ele faz com que eu me sinta uma boba adolescente apaixonada? E eu não posso me sentir assim, não posso.

-Cris!-ouvi a voz do meu marido.

-Oi amor.-abri a porta encarando os seus olhos pequenos. Esta melhor?-coloquei a mão na sua testa.

-Vou ficar melhor se voçe deitar aqui comigo.-puxou a minha mão fazendo com que eu me deitasse sobre o seu peito.


-O seu remédio meu bem.

-Depois, agora eu quero ficar com voçe.-beijou os meus lábios, e eu o abracei.

Não posso estragar isso, não posso, são muitos anos de casamento para deixar ir ralo abaixo por causa de uma tarde de amor a quase onze anos atras.

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