sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Indiferente. cap 19


Tinha como oferecer um sorriso mais falso depois de vê-los se beijando? Não, não tinha.
Eu estou me sentindo sufocada, e incomodada com a sua presença nesta sala, e como se eu sofresse de claustrofobia, e a cada segundo que ele passa aqui dentro com ela, ao lado dela, acariciando a mão dela, era como se a sala se fechasse um pouco mais.

-Cris?

-O- Ola. Sorri como se saísse de um transe. Tudo bem Peter?

-Sim, e voçe?-deu a volta na maca esticando a mão para um cumprimento, e nada mais do que isso.

-Bem.-o cumprimentei normalmente.

-Como vai o seu marido?-olhou dentro dos meus olhos permanecendo serio.

-Ele vai muito bem, obrigada. Esteve doente a uma semana e meia atras, mas já esta ótimo. Obrigada por pergunta.-porra, ele esta com raiva com mim, certamente não acreditou no que eu disse quando me ligou, mas era a verdade, e eu não posso fazer nada se ele não confiou em mim.

-Que bom ele esta melhor!

-O que o Rafa teve?-a Pâmela me encarou. Rafa, e serio? Quanta intimidade.

-O meu marido estava com uma virose, mas já esta melhor.

-Tadinho, que bom que esta melhor.

-Vamos começar o exame?-mudei de assunto.

Peguei a sonda e comecei a fazer o exame, mostrei a eles cada membro aparente do bebe deles, que estavam visivelmente felizes, e emocionados por vê-lo pela primeira vez. Mas eu vi a verdadeira emoção nos olhos deles, quando eu coloquei o coração acelerado do pequeno bebe, para que eles ouvissem. Geralmente eu ficava muito feliz e emocionada com o casal,quando ouvia o coração do bebe pela primeira vez, e desta vez não foi diferente. Era um momento emocionante, único, e que superava ate a descoberta do sexo do bebe. Mas hoje eu estava diferente, não sei explicar ao certo, estava muito feliz por eles, mas não era uma felicidade tão completa.
Nestas horas eu sempre me lembrava de como eu não tinha tanta sorte na vida, e jamais iria conseguir ter o meu filho, o meu próprio bebe para amar, e cuidar com todo o carinho do mundo. So eu, e Deus sabemos como eu amo crianças, e como eu amo me dedicar a elas. Não e a toa que todo final de ano, eu faço doações de presentes para as crianças do orfanado onde a Caroline estava. Caroline. Lembrar dela me deixa ainda pior, já que nem ter a sua guarda eu consegui.

-Esta tudo bem Cris?-ouvi a sua voz me despertar novamente.

-Sim. Desculpa, eu sempre me emociono ao ouvir o coração de um bebe. Me desculpem.

-Voçe e o Rafael, não pretendem ter filhos?-ela me encarou.

-Um dia, quem sabe!-não quera tocar neste assunto. Bem, eu vou finalizar o exame.

-Não da para ver o sexo?-ele me questionou.

-Ate daria, mas durante todo este tempo, ele ficou envergonhado, estava de perninha fechada. Certamente ele puxou a mãe.-sorri, e me toquei do que tinha falado. Desculpa de novo.

-Imagina, voçe tem toda razão.-ela sorriu olhando para mim.


Voltei a minha atenção para a maquina de ultrassom, era a melhor coisa que eu fazia agora.
Ao terminarmos o exame, eu sai da sala avisando que estaria na minha sala,  que assim que ela estivesse recomposta, eles poderiam se encaminhar pra a la.. Levei comigo os dados do exame,os deixando a sós.
Entrei como um jato na minha sala, estava tensa, nunca tinha cometido tanta gafe em toda a minha vida, em um exame. Mas o que eu posso fazer se estou completamente nervosa? Me assustei ao ouvir batidas na porta, e mandei que entrasse.

-Amiga, me da uma opinião?

-Claro.-respirei fundo.

-O que houve?

-Nada.-tentei sorrir.

-Eu te conheço.-cruzou os baços. O que houve?

-Dona Laura dois.-sorrimos. Eles estão ai.

-Quem?

-O Peter, e a noiva.

-O Bruno Mars?-me encarou incrédula.

-Quer um microfone meu bem, acho que a clinica inteira não ouviu.

-Quero.-sorrimos. Esta explicada esta cara de quem viu um fantasma, e ficou completamente apaixonada por ele.

-Cala a boca Liz. O que voçe quer, fala por que daqui a pouco eles vão entrar, e eu preciso finalizar a consulta.

-E sobre a minha paciente de 11 anos, ela já esta menstruando.

-Encaminha ela para mim, que eu cuido dela.

-Tudo bem.-ouvimos batidas na porta. E eles?-perguntou quase sem som.

-Não sei.-respondi no mesmo tom. ENTRA!-disse alto para que me ouvissem.

-Voltamos.-ela sorriu ao entrar seguida por ele. Boa tarde! -olhou para a Liz.

-Boa tarde!

-Ola, boa tarde!-ele sorriu olhando diretamente para a Liz.

-Ola!-sorriu abertamente, e ele franziu a testa a encarando.

-Acho que já te vi antes, mas posso estar enganado...

-Não esta, eu fui a vários M&G's. Liz... Lisandra. -se corrigiu apressadamente.

-Sabia, sou bom fisionomista.-a cumprimentou com um aperto de mão, e um beijo no rosto?

-Doutora Lisandra Motta, excelente pediatra.-sorri.

-Pediatra, já pode cuidar do nosso bebe!-ele disse sorrindo.

-Com todo prazer.,-sorriu abertamente. Preciso ir, estou com uma paciente para atender agora.-olhou no relógio. Parabéns pelo bebe. Ate doutora García.

-Ate doutora Motta!-sorri. Por favor sentem-se.

-E ai com quantos meses eu estou?

-De acordo com o seu exame, voçe esta com 16 semanas e 3 dias, daqui a 4 dias voçe completara 5 meses.O seu bebe tem exatamente 11,6 centímetros, por volta de 80 gramas -ela sorriu passando a mão na barriga, assim como ele a acariciando. Eu vou fazer uma breve conta para tentar estipular a provável data do nascimento do bebe. Lembra o dia da sua ultima menstruação?


-Foi no dia 09 de Março.

-E a data certa que ele vai nascer?-ele me questionou sem nem olhar para mim..

-E a provável data, já que ele pode nascer entre 37 e 42 semanas.-sorri normalmente ao responde-lo. Bem de acordo com os cálculos, ele pode nascer proximo ao dia 14 de dezembro, antes, ou depois.

-Ja passaremos o natal com o nosso bebe amor.-ela sorriu e eles se beijaram novamente. OKEY A CONSULTA ACABOU, PODEM IR EMBORA. pensei seriamente em gritar, mas não quero ser taxada de louca.

-No mais e isso. O seu bebe esta muito bem, e voçe vai continuar tomando a medicação que passei antes para o controle da azia, e se na próxima consulta voçe ainda estiver com a pressão elevada, começaremos com uma medicação, tudo bem?

-Sim, muito obrigada.-Ela se levantou seguida por ele. Ate mês que vem?

-Sim, mês que vem sera da mesma forma, a Sam vai te ligar para confirmar a consulta.

-Claro. Tenha um bom dia Doutora.

-Igualmente Pâmela. -dei a volta para abrir a porta para eles. -Se cuida-disse e nos cumprimentamos com um beijo no rosto.

-Ate doutora.-ele me encarou antes de simplesmente sair, sendo ainda mais frio do que quando chegou no qual apertou a minha mão, e nem isso ele fez na partida.

-Ate Peter. -fechei a porta atras de mim assim que eles saíram.

Segui ate a minha mesa, e me sentei sem conseguir entender a reação, e atitude dele durante a consulta, ele chegou frio, e foi embora ainda mais frio comigo, e em nada lembrava o Pete de alguns dias atras. Realmente ele esta com raiva de mim, melhor, definitivamente, ele esta muito puto comigo.

Parte Bruno

Depois de passar mais ou menos meia hora, com a Pam na consulta, e me segurando muito para não fazer besteira, e acabar passando do limite que eu mesmo estipulei quando estivesse com a Cris a partir de agora, enfim, estávamos indo embora para casa.
Abri a porta do carro para a Pam, a ajudando a entrar, fechando em seguida, dei a volta, e entrei no mesmo.

­-O que houve la dentro?-disse normalmente quando dei partida no carro.

-Nada.

-Isso mesmo, nada. Nem um abraço apertado, um beijo no pescoço, ou palavrinhas ao pé do ouvido da sua amiga.-disse ironicamente, e eu desisti de sair com o carro o desligando, e a encarei.

-Qual é, voçe brigou comigo por ter sido simpático com ela no seu aniversario. Dia em que eu a reencontrei depois de quase onze anos. E agora voçe esta reclamando por eu não ter falado com ela direito? O que voçe tem?

-Não estou reclamando, só achei estranho. Imaginei que voçe iria ser muito mais simpático com ela.

-Quer que eu volte la, e a encha de beijos?-não e ma ideia. Eu volto!

-Voçe não e louco, seu palhaço!-me deu um tapa no braço me fazendo sorrir.

-Eu te adoro, tudo bem?-ela sorriu.

-Eu também.-lhe dei um selinho demorado, e o meu celular começou a tocar.

-É o Phil.-disse ao conferir a chamada. Fala meu irmão.

-E ai meu irmão, tudo bem?

-Sim, o que voçe manda?

-Bruno, o Mark acabou de me ligar, disse que não conseguiu falar com voçe mais cedo.

-Eu tinha esquecido o celular no silencioso.

-Proeza.

-Vai a merda.-sorrimos.

-Então, ele disse que não vai poder vir para Los Angeles este final de semana, e nos pediu para irmos ate Nova Iorque.

-Hummm...

-Eu disse que por mim tudo bem, afinal ele já nos seguiu por tantos lugares, nada mais justo.

-Verdade.

-Ele esta atarefado, não conseguiu vir.

-Sem problemas. Quantos dias? Sabe que temos que viajar em cinco dias.

-Eu sei, vamos amanha de manha, e voltamos em dois dias.

-Ta, sem problemas. Nos falamos mais tarde então.

-Ta certo.-desliguei colocando o celular no painel do carro.

-O que houve?

-Vou viajar para Nova Iorque amanha...

-O que? Não acredito.

-No que? Eu também preciso trabalhar, e o Mark não conseguiu vir ate Los Angeles.

-Voçe esta brincando comigo. Vai ficar quantos dias?

-Vou amanha de manha, e volto em dois dias Pâmela, e rápido.

-Rápido? Voçe fica fora por dias fazendo show atras de show, mal volta pra casa, e quando volta mal fica. Daqui a pouco voçe só vai saber o sexo do nosso bebe quando ele estiver casando...

-Não seja exagerada...

-Não estou sendo exagerada meu bem, e sim realista. Bruno eu preciso de voçe ao meu lado poxa.

-Sabe qual e o seu problema?-ela me encarou. Voçe não me deixa falar. Eu iria te chamar para ir comigo, e enquanto eu estivesse no estúdio, voçe poderia ir comprando as coisas para o nosso bebe.-ela me encarou.

-Serio amor?-ela sorriu com a feição mais suave. Eu pensei que voçe iria me deixar mais uma vez em casa.

-E claro que não.- a puxei para um abraço. Mas se lembre, eu vou trabalhar, e não passear.

-Eu sei, mas só de estar proximo de  voçe, já e ótimo. A doutora disse que eu não posso me aborrecer por causa da minha pressão.

-Voçe não vai se aborrecer, eu prometo.-beijei de leve os seus lábios. Dei a partida e seguimos para casa.


Parte Cris

Sabe quando voçe sente um peso saindo das costas quando passa por um momento de tensão?

 Então, foi exatamente assim que me senti quando eles foram embora.

Mas por outro lado, eu senti que ele estava tão distante de mim, e isso me incomodou demais, não deveria, mas incomodou. Ele me tratou de forma tão diferente na festa, e hoje foi como se não me conhecesse.

-Entra.-ouvi batidas na porta.

-Ola, e ai como foi?-sorriu de forma sugestiva.

-Como foi oque dona Liz?

-Oras, o que!-sentou a minha frente. A consulta, estar na frente do bofe, ao lado da noiva dele. Por falar em bofe, nossa como ele consegue ficar mais bonito a cada dia?

-Acredite ele melhorou muito mesmo. -sorrimos.

-Malvada.

-Nem sou, e que voçe não o conheceu com 13 anos de idade. Mas ele sempre foi a felicidade das meninas.-sorri ao me lembrar dele naquela época. Paquerador. Ele era muito paquerador.

-E foi isso que te conquistou nele?

-Não. O Peter era um amigo incrível, sei que ainda é. Ele sempre me ajudou em tudo, sempre foi gentil, educado, a minha mãe o adora, se souber que o vi, ela vai ficar super feliz. E o melhor de tudo, sempre me fez sorrir.-sorri sentindo os meus olhos arderem. E eu me apaixonei pelo jeito dele, pelo carinho que sempre me tratou, da forma que sempre me olhava, que cantava pra mim. Droga.-limpei a lagrima que caiu.

-Por que esta chorando?

-Sinto falta dele.-mordi o lábio inferior sentindo as lagrimas caírem.

-Ai amiga, não chora, por favor. Fala pra ele o que sente. Que sente  falta dele como amigo.

-Não posso.

-Por que?

-Agora esta com raiva de mim.-sorri sem vontade.

-Raiva? Mas por que?

-Ele me chamou para almoçar lembra?

-Sim. E voçe não foi por que o Rafael estava doente.

-Mas ele não acreditou em mim, e agora esta com raiva.-sorri limpando as lagrimas.

-Como voçe sabe que e por causa disso?

-Não sei, mas só pode ser.

-Perguntou?

-Não! Mas eu o conheço.

-As pessoas mudam, não tire conclusões precipitadas. Voçe precisa saber antes de julgar.

-Ai e que esta, como eu vou saber?

-Perguntando né meu amor. Liga pra ele e pergunta. Voçe e mais esperta do que isso!

-E claro que não,esta louca? Eu não teria coragem disso.

-Não sei por que. Ele não e seu amigo?

-Não e a mesma coisa de antes. Não me sinto no direito.

-Se voçe pensar assim, sabe o que vai acontecer?- a encarei. Vão se afastar ainda mais. E isso que voçe quer?

-Não.

-Foi o que imaginei. Olha, pensa bem no que voçe quer fazer, e depois decide. O Rafael vai cedo para casa hoje?

-Sexta feira? Duvido, hoje aquele consultório dele, e um inferno na terra-sorrimos. Todo mundo que fazer lifting, colocar botox, enfim! -sorrimos

-Ótimo, vem jantar comigo e Alicia esta noite. O Matt esta em Ohio, e só volta amanha.

-Ai Liz...

-Por favor Cris, voçe quase não sai de casa,e a Alicia esta com saudades.

-Que maldade colocar ela no meio da sua chantagem.

-Voçe me ama, admite.

-Voçe e chata, eu admito.-sorrimos.

As palavras da Liz ficaram na minha cabeça, a ideia de ligar para ele não era uma das piores, mas e a coragem? Esta sempre fora a minha maior inimiga, ela nunca gostou muito de mim, por isso sempre se manteve longe. Eu quero te-lo perto de mim, eu amo o Peter, e não sei identificar a intensidade deste amor, não sei se sinto que ainda tem algo inacabado entre nos, ou e apenas a falta do meu antigo amigo.


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