quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Feriado em familia. cap 12

Parte Bruno

Era exatamente três da manha quando voltei para casa, estava precisando de um tempo sozinho, eu não queria, e nem poderia perder ainda mais a paciência coma Pam. Definitivamente, eu não queria que ela ficasse agitada por causa do nosso bebe.
Segui direto para o quarto, mas dei com cara na porta, literalmente. Ela tinha se trancado no nosso quarto, e me deixado do lado de fora. Filha da mãe.

-Só espero que ela não tenha feito nada idiota.

Decidi não bater na porta, imagino que esteja dormindo. Apenas dormindo. E eu não queria correr o risco de começar mais uma discussão sem sentindo, e sem necessidade.
Segui para o quarto de hospedes mesmo, tomei um banho, me deitando apenas de box, e como não era acostumado com a cama, demorei um pouco para conseguir arrumar uma posição para dormir, mas quando consegui, logo peguei no sono.

Acordei incomodado com a luz do tímido sol batendo no meu rosto, e me xinguei internamente por não ter fechado a porra da cortina antes de dormir. Me espreguicei, e ao me sentar levei um susto, ao dar de cara com ela sentada em uma poltrona de frente para cama.

-Bom dia.-sorriu?.

-Bom dia.-esfreguei os olhos, bocejando em seguida.

-Dormiu bem?-disse sorridente. Não vou cair nessa.

-Dormi, e voçe?-a encarei.

-Ótima, muito espaço.

-Que bom para voçe. Fico feliz em ver que esta inteira.-me sentei na beirada para me levantar.

-E por que não estaria. Pensou que eu seria capaz de fazer alguma loucura por sua causa?-apontou para mim. Jamais faria isso.

-E bom saber disso.-me levantei. Sera que agora eu posso entrar no meu quarto? Quero tomar um banho decente no meu banheiro, e me trocar.

-Não tinha banheiro decente onde quer que voçe tenha ido ontem a noite?

-Eu estava no estúdio Pam. Por favor, eu não quero discutir com voçe, não agora.-respirei fundo.

-Nem eu meu bem.-sai do quarto apos pegar as minhas roupas.

-Vamos passar o feriado na casa da minha irma.-me informou entrando no quarto atras de mim.

-Vamos para a casa do Eric.- a encarei. Já tínhamos falado sobre isso.

-Mas eu decidi esta noite, que vamos para a casa da minha irma. Voçe sabe que depois que os nossos pais morreram, só temos uma a outra.

-Eu sei disso, mas voçe não decide nada por mim.

-E nem voçe por mim.

-Quer saber? Vai, vai para a casa da sua irma, por que eu, vou para a casa do meu irmão.

-Por que voçe não pode fazer que eu quero?

-Já tínhamos combinado com ele Pâmela. Nos passamos o feriado do ano passado com a sua irma, cunhado, e sobrinhas, eu quero ficar aqui este ano.

-Sabe o que eu acho?

-O que?-cruzei os braços a encarando.

-Que voçe seria muito mais feliz se não tivesse comigo.

-La vem...

-E serio. Talvez voçe fosse muito mais feliz com a tal da Mariah. Não era esse o nome da sua namoradinha de adolescente?

-Não acredito nisso!-elevei as mãos ao rosto, já impaciente.

-Melhor. Com a Kym, que voçe estava antes de mim, ou a Julia, que encontramos naquela festa da gravadora ano passado, ou melhor ainda. A tal da Crystal, afinal guarda com tanto amor esta maldita pulseira que era dela, e parece amar mais um pedaço de metal do que a mim...

-CALA A BOCA PÂMELA. PORRA QUE INFERNO, QUE DIABOS VOCÊ TEM? HEM? ESTA ME INFERNIZANDO DESDE ONTEM PORRA.

-EU SÓ QUERO A MERDA DA SUA ATENÇÃO.

-QUE CARALHO, EU JÁ DISSE QUE ESTOU AQUI, E SÓ PARAR DE ME TRATAR MAL, DE FICAR JOGANDO A PORRA TODA NA MINHA CARA. DESCULPA, DESCULPA!-dei um passo em sua direção. E ISSO QUE VOCÊ QUER OUVIR? A CULPA FOI MINHA DE NÃO TER CHEGADO NAQUELA PORRA DAQUELA CONSULTA, MESMO NÃO SENDO CULPA, TUDO BEM? ESTA BEM ASSIM PRA VOCÊ?

-CHEGA! Deu, acabou, não quero mais gritar, não quero mais discutir com voçe.

-Nem eu, eu odeio brigar com voçe. -diminuímos o tom. Principalmente agora, que esta com pedaço de mim dentro de voçe, não quero que fique agitada, mas voçe esta me deixando louco.

-Me desculpa, eu também estou me deixando louca. Eu não queria brigar, não queria gritar, e quando vi, já era tarde.

-Esta tudo bem.-respirei fundo tentando relaxar, brigar com ela não vai nos levar a nada.

Estiquei os braços para um abraço em forma de rendição, e ela veio imediatamente, mesmo eu ainda estando agitado, e louco para simplesmente dar as costas para ela e ir para qualquer lugar como fiz ontem a noite, eu precisava estar ao seu lado, ela não fez o nosso filho sozinha, e eu imagino que ela precise de mim ao seu lado.

-Me perdoa amor, me perdoa, eu não queria falar nada que disse ontem, e muito menos hoje, mas acabou saindo. Eu acordei decidida a pedir desculpas a voçe, e quando dei por mim, já estávamos gritando.-começou a chorar.

-Eu também estou um pouco arredio, preciso ter mais paciência.-beijei a sua testa. Não chora...

-Não durma mais fora, por favor.

-Eu não dormi fora, eu logo voltei para casa.-menti, não queria piorar ainda mais. Mas voçe estava com a porta trancada, e eu fui para o quarto de hospedes.

-Desculpa, estava com raiva.

-Tudo bem!-me afastei a olhando. Esta tudo bem. Eu vou tomar banho, e passar o dia com voçe, esta bom assim?

-Não precisa ficar se não quiser.

-Eu quero.

-Pode ir para o estúdio, eu marquei de sair com umas amigas, vamos ao shopping comprar algumas coisas para o bebe.-ela estava visivelmente chateada, porem, mais maleável.

-Ainda esta com raiva?

-Não, esta tudo bem.-limpou as lagrimas que ainda rolavam.

-Mesmo assim, eu vou trabalhar em casa hoje. Se precisar de mim, e só falar!

-Voçe quem sabe. Eu vou me arrumar.-senti um pouco de desde em seu tom de voz, mas preferi não falar nada.

Apos livres das roupas entrei no box para enfim tomar o meu banho.
Eu sentia que precisava ter muito jogo de cintura com a Pam, se não iriamos brigar ate o nascimento do nosso bebe. E definitivamente, não era isso que eu queria.

(...)

Hoje era 04 de julho, dia de ação de graças, e comemoração de independência dos Estados Unidos.
E... Estávamos indo para a casa do meu irmão. No final das contas ela fez a minha vontade.
Depois daquela noite -e manha- conturbados, ainda tivemos mais uma discussão, mas foi coisa boba, nada que não contornássemos.
Nos dias seguintes, programamos algumas coisas para o aniversario de 26 anos dela, que faríamos aqui em casa mesmo. Ela queria apenas um jantar para os familiares, e alguns amigos, nada de mais.
Eu fiz alguns shows, alguns Meet e Geet's, nada fora do normal. A turnê estava passando uma temporada nos Estados Unidos, e por isso eu tinha mais tempo para ficar em casa.
Chegamos na casa do Eric, e a maior parte da família já tinha chegado para almoçar. Na realidade só faltava a Jaime, o marido, e as crianças.

-O mais esperado da festa chegou!-sorri olhando todos sentados na sala vendo TV. Me olharam, e me ignoraram completamente voltando a conversar. Vão tomar no cu.-gargalhamos.

-Ainda bem que chegou, voçe vai para churrasqueira.-meu irmão me informou.

-Esta de sacanagem não é?

-Não!

-Cade a tradição de dia de ação de graças. Cade o peru, cade o macarrão com queijo, o bolo da bandeira americana?

-Teremos tudo isso cunhado.-Cindiah apareceu na sala. Mas também teremos churrasco que também faz parte da tradição.-disse enquanto abraçava a Pam.

-Vocês inventam, e sobra para mim né?

-Para de reclamar, vamos te ajudar.-Phil disse se levantando. E beber muito.-disse um pouco mais baixo nos fazendo sorrimos-


Seguimos para o jardim, e enquanto eu acendia a churrasqueira, ele me serviu uma cerveja. Ficamos conversando, apenas jogando conversa fora, era bom estar com os meus amigos apenas pelo lazer, e o prazer de estarmos todos juntos.

-E ai meu irmão, como vão as coisas com a Pam, ela esta mais calma?

-Que nada, depois daquela briga ainda brigamos mais, porem, eu estou tentando ser o mais paciente possível.

-E assim mesmo cara. Quando a Urbana, ficou gravida era ate pior eu acho. Uma hora ela queria me matar, e no minuto seguinte queria transar. Vai entender.-sorrimos.

-Ela esta mais ou menos assim, tirando a parte do transar.

-Esta na seca?

-Não.-sorri. Só não e mais como antes.

-Varia de mulher pra mulher cara, daqui a pouco melhora.

-Tomara.

-Mudando de assunto. O que foi o jogo dos Lakers ontem?-Kam mudou de assunto, nos fazendo rir.

O dia de ação de graças estava sendo ótimo, somente amigos, e família, acho que sinceramente não poderia estar sendo melhor.
Na realidade, ate poderia, mas não tem como se ter tudo o que deseja. Eu queria estar com a mamãe aqui, mas infelizmente isso não pode ser possível, mas sei que ela esta feliz me olhando do céu.
Sinto saudades do pessoal do Hawaii, e não posso negar que depois que a Pam, tocou no nome da Crystal, eu senti ainda mais falta de estar com ela.
Lembro do ultimo dia de ação de graças em que passei no Hawaii, me lembro de ter ido na casa dela no final da tarde, e como era quase de costume, ficarmos a Mariah, eu, e ela, na varanda dos fundos conversando, e a Dona Laura nos chamou para o jantar, disse que como não estávamos para o almoço de ação de graças, ela faria um jantar de ação de graças especialmente para nos. A dona Laura era uma mulher incrível, muito compreensiva, um amor de pessoa. Também queria saber como ela esta.
Me peguei pensando no que a Pam falou, e sera mesmo que eu estaria mais feliz ao lado da Crystal, ao invés de estar com ela? Bem, esta era uma duvida, que nunca sera esclarecida.

Parte Cris


Pompeii-Bastille- tocava no radio do luxuoso Bentley do Rafa, enquanto íamos em direção a Fresno, para passarmos o dia de ação de graças com a  mamãe. Seriam mais ou menos 3 horas e vinte minutos de carro. Haja bunda.
Tínhamos saído por volta de cinco e cinquenta da manha de casa, queríamos chegar bem cedo a Fresno, afinal eu ainda iria ajudar a mamãe na cozinha.
Enquanto o Rafa dirigia, eu estava me concentrando em não seu lado para não deixa-lo sozinho enquanto dirigia. Mas estava difícil, já que o sono estava infinitamente mais forte.


-Pode dormir amor.-disse sem tirar os olhos da estrada acariciando a minha coxa.

-E claro que não, eu vou ficar com voçe ate o final.-insisti.

-Ainda temos muito chão ate Fresno.

-Eu sei, mas não quero te deixar sozinho enquanto dirige.

-Fica tranquila. Quando chegarmos eu te chamo.

-Não, vou ficar acordada! Vamos conversar!

-Sobre o que?

-Não sei, como esta no trabalho?

-Falar de trabalho amor? Não.-sorrimos.

-Ta bom, então vamos falar sobre a nossa festa de casamento.

-Eu acho que isso vai dar muito mais trabalho, do que se simplesmente viajássemos.

-Mas eu queria tanto ficar por aqui...

-Tudo bem, eu já entendi o seu lado, vamos ficar. O que voçe tem em mente?

-Talvez um jantar para os íntimos, alguns drinques, boa decoração. Não sei amor, algo interessante, simples, e diferente para nos dois.

-Tudo bem. Por falar em festa, eu recebi um convite por e-mail, de uma das minha paciente, e para irmos ao aniversario dela.

-E quando?

-Pouco menos de um mês.

-Tudo bem. Alguma sugestão de presente?

-O que voçe quiser meu amor.-colocou a sua mão sobre a minha-

-Claro. Bem, nada mais justo do que retribuir a gentileza não e?

-Se voçe quiser, podemos chama-la para a nossa festa de casamento.

-Sim, seria ótimo!

O papo voltou a fluir, e conversamos sobre varias coisas pelo resto do caminho ate enfim, chegarmos na casa dos meus pais.
Enquanto nos aproximávamos, eu conseguia sentir a ansiedade tomar conta de mim. Eu sei que não tinha muito tempo desde a ultima vez que havíamos nos visto, afinal eu era a sua medica ginecologista, mas mesmo assim, parecia uma eternidade para mim.
Enquanto nos aproximávamos da casa, vimos eles se aproximando de carro na direção oposta, entrando na garagem da casa, e logo em seguida fizemos o mesmo caminho estacionando o carro atras do deles.

-Meu amor.

-Mamãe!-sai do carro apressadamente a abraçando muito forte.

-Que bom que chegaram, já estava preocupara.

-Por que mamãe? Estamos bem!

-A estrada. Sabe como sou!

-Sim, perfeitamente minha linda sogra.-disse a abraçando- Fica tranquila, correu tudo bem.

-Oi papai.- o abracei.

-Minha princesinha!

-Obrigada pelo linda meu filho. Mesmo assim, eu sou uma mãe traumatizada.

-Relaxa mamãe. -eu não estava a fim de ter que relembrar daquele infeliz episodio da minha vida. O que já esta pronto para o nosso almoço?-perguntei ainda abraçada ao papai.

-Bem, se o seu irmão apagou o forno na hora em que eu pedi, o peru já esta pronto, assim como o bolo da bandeira.

-Que e tradição!-papai ressaltou.

-Exatamente.-sorrimos. Vamos fazer o macarrão com queijo, e terminar o que esta faltando.

-Quero saber da sobremesa.-Rafa sorriu ajudando o papai a retirar as compras de dentro do carro.

-Então vamos cozinha!-sorri pegando uma das sacolas. Ou melhor, a senhora cozinhar, e eu olhar.

-Crystal Fernandes, voçe anda cozinhando não e?-para a minha mãe uma boa esposa, tinha que saber cozinhar. Não que eu não saiba, e que o tempo esta escasso, e quando chego em casa, já esta tudo pronto.

-Então mamãe...

-Meu Deus! Coitado do Rafael.-sorrimos.

Entramos direto pela porta dos fundos, e enquanto o Rafa foi retirar a nossa mala do carro, eu comecei a ajudar a mamãe na cozinha, tirando apenas os saltos, e colocando um avental de babado na cor rosa, que a mamãe me ofereceu.

-Mana.-sorri ao ver o Michael entrando na cozinha.

-Meu gato lindo, tudo bem?

-Sim, e voçe?-sorriu passando a mão no cabelo. Vaidoso.

-Estou ótima. Estava com saudades.

-Sumiu, esqueceu da família.

-Nem comece. Voçe também não vai me visitar.

-Dependo deles ainda né!

-Eu sei. Me de um beijo?-nos abraçamos, e eu beijei o seu rosto- Já esta quase da minha altura!

-E voçe que esqueceu de crescer!

-Abusado!-lhe dei um tapa no braço, e sorri.

-Agressão a menores.-sorriu enfiando o dedo na minha torta de mirtilo, e saindo correndo.

-Safado, eu te pego Michael!-sorri.

-Vocês se amam de verdade?.-mamãe sorriu falando do nada, e balançando a cabeça.

-E claro que sim mamãe, ele e o meu irmão.

-Eu não disse de voçe e o Michael.-ela parou o que fazia,  me encarou. Eu me referi a voçe e o Rafa.- a encarei. Por que ela esta perguntando isso agora?

-E claro que sim mamãe, eu amo muito o Rafael. Por que a pergunta agora depois de tantos anos?

-Se voçe o ama tanto c omo diz, por que voçe ainda usa no pescoço, um presente de outro?

Ela apontou para o meu colar, e eu respirei fundo sem saber muito bem o que falar. Era um presente, uma lembrança, recordação de alguém que era muito importante para mim. Ou sera que ainda e muito importante para mim?

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