Sexta a noite quando voltei da casa da Liz, eu segui direto para o meu quarto, o Rafa ainda não tinha chego em casa, então eu decidi tomar um banho, e me trocar logo para espera-lo pra dormir.
Segui ate o closet, e escolhi um pijama confortável para dormir, quando fui guardar as minhas joias, sem querer esbarrei em uma das minhas caixas de recordações a deixando cair, espalhando tudo pelo chão. Porra. Me abaixei para recolher, e enquanto pegava os papeis me deparei com um pedaço de papel em especial, um bilhete que eu tinha guardado a quase onze anos. Coloquei as coisas na caixa,e segui para o quarto com o papel, e a caixa nas mãos, me sentando na cama.
"Minha pequena, me desculpa por ter ido e não ter te acordado, é que você estava tão linda adormecida, parecia uma visão de tão bela. Mas eu precisava ir, tinha que terminar de arrumar as minhas malas.
Eu sinto muito não termos descoberto o quando nos gostamos antes de ter que ir embora, mas eu prometo voltar assim que for possível.
Se caso você desejar, o meu voo saí às 14:10 horas, eu queria muito te ver antes de embarcar.
Obrigado por confiar em mim, por ter se entregado a mim em sua primeira vez e espero que ela seja tão inesquecível para você, como será para mim.
Até breve, minha doce Crystal."
As lembranças daquela tarde vieram a tona, cada beijo, caricia, toque tudo, absolutamente tudo, principalmente a saudade. Saudade daquela época, daquele dia, daquele Peter, do meu amigo, do meu primeiro amor, do primeiro homem que me fez sentir unica e especial. Arrisco dizer que foi uma das melhores vezes da minha vida, na realidade, acho que foi a unica vez em que fiz amor de verdade.
Sem que eu me desse conta, senti as lagrimas começarem a cair pelo meu rosto, pingando no papel amarelado, e castigado pelo tempo, assim como sinto que o meu coração esteja agora, completamente castigado pelo tempo, e por estas lembranças.
Mexendo em mais algumas coisas vi o resultado do exame em que dizia eu não poderia mais ser mãe, e aquilo definitivamente acabou comigo, ainda mais depois do dia de hoje.
-O que foi meu amor?-me assustei ao ver o Rafa adentrar ao quarto.
-Nada meu amor. -dobrei o papel, e guardei com as outras coisas.
-Por que esta chorando?
-Estou vendo algumas lembranças. Coisas do Brasil, do Hawaii, mas as de Hoboken acabam comigo.
-Sinto tanto por isso meu amor.-ele me abraçou.
-Fiz uma ultrassom hoje, e ver o bebe em formação, o coraçãozinho batendo acelerado, me dói tanto. Ao mesmo tempo que me sinto bem, sinto uma dor horrível.
-Queria tanto poupar a sua dor.
-Me desculpa por ficar assim, mas e que eu queria tanto sentir como e carregar um filho, como e sentir ele se mexer, crescer, ama-lo desde a sua concepção.-não consegui segurar as lagrimas.
-Eu também queria meu amor.
Ele me abraçou forte me passando segurança, e conforto. Eu amo o meu marido, mas eu queria tanto um abraço do meu amigo agora.
§
Hoje e domingo, decidimos vir ao club de golfe no qual o Rafael gosta de frequentar, eu também gosto de vir, ainda mais quando a Liz, o Matt, e claro a Alicia podem vir conosco. A Alicia e uma menininha cativante de 4 anos, esperta, brincalhona, e esta sempre sorrindo. E o melhor de tudo, e super agarrada comigo, afinal, eu a vi na barriga, e fui uma das primeiras a pega-la no colo.
-Tia, eu quero tomar sorvete.
-Também quero.-sorri.Vou levar a Alicia para tomar sorvete.-anunciei a todos na mesa logo apos o almoço.
-E so chamar o garçom amor.-Rafa colocou a sua mão sobre a minha.
-Eu vou leva-la, quero caminhar um pouco.

-Vou com vocês. -Liz se levantou.
-Então vamos dar mais umas tacadas Rafa?-Matt se ajeitou para e levantar.
-Claro, estou ansioso para arrancar mais alguns dólares de voçe.
-Não vá deixar o meu marido pobre Rafael, ou eu vou de "mala e cuia" para a sua casa.-sorrimos.
-Não gosto desta de jogar apostando.
-Mas e ai que esta a graça meu amor.-me deu um beijo antes de seguirem para o campo.
-E ai, já ligou para ele?-perguntou enquanto íamos comprar o sorvete.
-Nossa mais direta que isso impossível não é?
-Voçe me conhece. Vai adianta o processo, ligou ou não?
-Não.
-Esta de brincadeira ne?-parou me encarando, mas eu continuei andando.
-Não e tão fácil assim.
-Por que, voçe ainda vai descobrir o numero de telefone dele?-me alcançou. O seu celular quebrou e voçe vai ter que usar o de outra pessoa? Ja sei, a manicure tirou um bife de suas unhas e voçe não consegue ligar? E fácil ate a minha filha sabe fazer ligações.-foi sarcástica.
-Não, não, e não! Quanto sarcasmo em um metro e sessenta de altura.
-Sessenta e um, não me diminua sua vaca.-sorrimos.
-Eu não estou com coragem.
-Eu vou dar com o sorvete na sua cabeça Crystal!
-Faz isso com a titia não mamãe.-A menina alisou o meu rosto, me beijando em seguida.
-Isso meu amor me defenda da sua mãe louca.-sorri com ela no colo.
-Ela esta merecendo filha, acredite.
-Eu só não sei o que falar.
-A verdade, pergunta se ele esta com raiva de voçe?
-Assim no seco?
-Espera ai, ou pegar uma água pra voçe.-sorri.
-Estou falando serio.
-Minha amiga para com isso, não seja tão indecisa, e medrosa por favor! Vai, liga pra ele.
-Agora?
-Não, semana que vem. Anda logo!
-O meu marido...
-Ele esta mais preocupado em arrancar alguns dólares do meu marido, do que se importando com um telefonema seu. Vai.
-Voçe tem razão.
-Eu sempre tenho!Vai ligando, que eu vou comprar o sorvete da Alicia.-a pegou do meu colo.
-Tudo bem.
Peguei o celular no bolso da minha calça, e enquanto olhava para ele, imaginava o que iria falar para o Peter.Sem me dar ao direito de pensar muito, para não correr o risco de desistir, fui no histórico de chamadas, e selecionei a sua ultima chamada para mim, respirei fundo, e selecionei a opção chamar.
A cada toque que o celular dava, e ele não atendia, eu sentia um frio intenso na barriga, um medo de fazer papel de idiota, e de ouvir a sua resposta mediante a minha pergunta. Tocou uma, duas, três, quatro, cinco. Tocou ate cair na caixa postal, não era para ser, ou ele esta ocupado, ou ele não quer me atender, e eu tenho quase certeza de que esta opção, e a mais exata.
-E ai?-perguntou se aproximando.
-Caiu na caixa postal.
-Tenta de novo.
-Ele não deve querer me atender.
-Liga de novo.
-Não Liz, ele deve estar furioso comigo.
-E voçe vai morrer com este "deve" na cabeça.
-Eu não vou mais ligar... -o meu celular começou a vibrar na minhas mãos.~
-E ele?-ela me encarou,e eu olhei no visor.
-Sim.
-Atende.
-Meu Deus, estou parecendo uma adolescente idiota!
-Ta bom, seja a adolescente idiota, mas atende logo isso, antes que eu atenda.-respirei fundo tentando controlar a minha insegurança, e elevei o celular ao meu ouvido.
-Alo.
Parte Bruno
Tínhamos chegado a Nova Iorque no sábado pela manha, acordamos ainda de madrugada para estarmos aqui antes da hora do almoço. Odeio acordar de madrugada.
O sábado foi tranquilo, e a Pam cumpriu com a parte dela fazendo compras para o nosso bebe, e ficando bem longe do estúdio enquanto trabalhávamos. Tudo bem, eu assumo, eu só disse que ela poderia vir comigo, para que ela parasse de dar aquele ataque todo dentro do carro, por que na realidade, eu queria era que ela ficasse em casa, mas enfim, contanto que ela não resolva nos fazer nenhuma visitinha e acabar atrapalhando o nosso trabalho, tudo bem.
Hoje era domingo a tarde, passamos boa parte da madrugada de sábado no estúdio, saímos pela manha, e voltamos logo depois do almoço.
-Bruno ouve estes ajustes que andei fazendo, o que acha?-Mark me entrega os fones.
-Voçe e suas mudanças!-sorrimos. Eu coloquei o fone ouvindo a tal mudança. Ficou bom!-o encarei assim que terminei de ouvir. Mas ainda não e bom o suficiente!
-Bruno Mars e a sua eterna procura pela perfeição!-sorrimos.
-Bruno acho que o seu celular esta tocando.-Phil me avisou.
-Deve ser a Pam de novo.-respirei fundo. A mudança ficou muito boa Mark, eu só endireitaria nos agudos, e melhoraria o ritmo da introdução... Mas que merda.-o celular permanecia tocando. Eu vou desligar esta porra!
-Ela deve estar com algum problema.
-Duvido.-me levantei pegando o celular, e no mesmo momento ele parou de tocar. Não era a Pam. -sorri ao ver o seu nome na tela constatando uma chamada perdida.
-Quem te arrancou este sorriso então?-Phil me questiona enquanto sem nem mesmo esperar retorno a ligação.
-Cris.
-Alo.-sua voz aparentemente insegura ecoa do outro lado da linha.
-Alo.
-E... -sorri, ela estava evidentemente tensa. Eu, e... Tudo bem?
-Sim, e voçe?
-Bem.
-Tem certeza, parece estar tensa, aconteceu alguma coisa?-me preocupei.
-Não, esta tudo bem... Tudo bem. Ótimo!
-Só um minuto já venho.-disse ja saindo do estúdio.
-Tudo bem...
-Não era com voçe, é que estou no estúdio, e estávamos fazendo alguns ajustes em uma musica nova...
-Meu Deus, me perdoa, eu não queria te atrapalhar, eu posso falar com voçe em outro momento...
-Cris, relaxa.
-Não, e serio, eu posso falar em outro momento, o assunto nem e importante...
-Tudo o que voçe fala pra mim e importante pequena.-ela parou de falar,e apenas me ouviu. Agora me diz, a que devo a honra da sua ligação?
-Eu só queria saber se esta tudo bem.
-Esta, esta tudo ótimo, e com voçe?-sorriu. Tem certeza que é apenas isso?
-Bem, e que... Bom, eu queria saber... Hum... Queria saber se esta com raiva de mim. Pronto falei!-sorri mordendo o lábio inferior, sabia que a forma que eu a tinha tratado na ultima consulta da Pam iria surtir algum efeito.
-Eu assumo que fiquei com raiva na hora, mas eu não estou com raiva agora, nem que eu quisesse ficaria com raiva de voçe.
-Não?-disse mais baixo.
-Não! Mas não precisava mentir para mim.
-Mentir? Mentir em que? Voçe acha que eu menti sobre o meu marido estar doente, para não ir almoçar com voçe?
-Pode falar a verdade, não foi por isso?
-E claro que não Peter, eu juro pelo Michael?
-Michael Jackson, olha sinto te informar, mas ele já não esta mais entre nos!-sorrimos.
-Não, Michael o meu irmão mais novo.
-Voçe tem um irmão mais novo?-fiquei surpreso.
-Sim, ele tem dez anos.-a sua voz ficou tão amorosa ao falar sobre ele.
-Esta vendo, estamos realmente precisando conversar. E isso e mais um motivo para voçe aceitar sair comigo para almoçar.
-Peter, eu...
-Esta vendo, la vem voçe com mais desculpas.
-Não são desculpas, eu fico com receio de nos vermos juntos, e acharem besteira.
-Já disse que não me importo com isso.
-Mas eu sim.
-Eu acho que voçe esta com medo do que pode sentir ao estar comigo, isso sim.-ela ficou completamente muda. Cris?
-Eu não estou com medo com voçe!
-Isso é bom, e eu não vejo motivos para isso, afinal,eu não mordo. A não ser que voçe queira e claro, ai, eu posso morder, e fazer varias outras coisas.-sorri de canto, e mais uma vez ela ficou muda, eu só sabia que ela ainda estava na linha por causa da sua respiração que ficou evidentemente mais pesada. Não fica com vergonha.
-Eu estou sem ar, assumo.-ouvi o seu sorriso,sabia que ela estava sem jeito.
-Lembranças?
-Sim.-assumiu quase sem voz.
-Sei como e, elas são minha companheira constante, ainda mais depois que te vi novamente.-ela pigarreou.
-Bem Peter, eu já descobri o que estava me incomodando, e eu não quero mais te atrapalhar. Eu preciso ir.-Nervosa?
-Quero ver ate quando voçe vai fugir de mim.-sorriu.
-Quem sabe um dia? Beijo Peter.
-Beijo pequena.
Ela desligou o celular, e me deixou um sorriso idiota estampado na cara, ela ainda me fazia sentir como um bobo as vezes, e a cada vez que falava, ou olhava em seus olhos, eu via um Peter diferente, o Peter de anos atras, e eu acho que ela ainda guarda em algum lugar do seu coração um espaço em especial para este cara de anos atras.
Voltei para dentro do estúdio com o mesmo sorriso no rosto, era impossível falar com ela, ouvir a sua voz, e não ficar sem sorrir, foram muitos anos pensando nela, em como ela estava para chegar agora e agir como se nada tivesse acontecendo. Foram muitas noites pensando nela, e me lembrando do seu sorriso, do seu rosto, e sentindo a sua falta em vários sentidos.
-Esta grudado?-Phil me questionou assim que entrei.
-O que?
-O sorriso idiota na cara.-sorrimos.
-Imbecil!
-E serio cara, eu acho que nunca te vi com um sorriso assim.-Mark me encarou.
-Eu sou amigo a mais tempo, e afirmo que também não!
-Me deixem, só estou feliz em ter reencontrado uma amiga!
-Uma amiga que te faz sorrir assim? Sei, e mais que uma amiga isso sim.
-Não e Phil, ela acabou de recusar sair para almoçar comigo. De novo!
-E aquela amiga do aniversario da sua noiva?
-Pior que sim Mark!
-Ela e casada não e?
-Vai fazer seis anos de casada, eles ate nos convidou para a festa de casamento. Ele na realidade, porque eu acho que ela esta e fugindo de mim.
-Talvez por ela ser casada, e voçe ter uma noiva, ira ser pai em breve...
-Ela e a medica da Pam.
-E voçe esta tentando algo com ela?
-Não, só quero sair como amigo. Mas se rolar algo eu não vou ser hipócrita, iria adorar.
-Voçe adora uma encrenca, nunca vi. -sorrimos.
-Vamos deixar isso pra la, e vamos trabalhar.
-Sim, senhor apaixonadinho.
-Por voçe amor.-gargalhamos.
Apaixonado. Sera que um dia eu deixei de estar apaixonado por ela? Sabe, depois que ela voltou, eu sinto que tudo o que eu senti por ela a anos atras só estava dormindo. Sinto que aquele sentimento acordou com tudo, e esta gritando dentro de mim para sair, para largar tudo, e viver todo o tempo que perdi com ela no passado. E eu sinto que para fazer isso, eu só dependo dela.
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