Senti que iria desmaiar a qualquer momento, quando os seus olhos se fixaram diretamente nos meus.
Os seus olhos, aqueles olhos amendoados que eu jamais esqueci, os mesmos olhos que chamaram a minha atenção ainda no casamento da minha mãe, os olhos que se perderam nos meus quando estive em seus braços pela primeira vez.
Segurei firme no braço do meu marido, enquanto não conseguia retirar os olhos dele que caminhava em nossa direção, depois de pedir licença para algumas pessoas.
Pisquei por varias vezes freneticamente, sentindo um frio fora do comum na barriga, alem da vontade de chorar que me possuiu de forma, e avassaladora, que eu consegui contar momentaneamente.
Ele se aproximou da noiva, simplesmente parando em seguida, e pareceu que só ai que ele tinha me visto. Quando os seus olhos me encararam, eu vi nos seus um misto de surpresa, e espanto exatamente como eu, exatamente como eu estava ao vê-lo novamente.
-Amor, este e o doutor Rafael, e esta e a sua esposa, a doutora García.-
Ele não disse absolutamente nada, apenas continuava a me olhar, me deixando em estado de puro panico. Parecia que o mundo inteiro tinha parado, enquanto os nossos olhos se cruzavam. Era como se não houvesse musica, não houvessem pessoas ao redor, apenas eu, e ele. Apenas nos dois, em um mundo completamente paralelo.
Vários flashes da época em que nos conhecemos no Hawaii, passavam pela minha cabeça neste momento, me fazendo respirar de forma descompassada.
A primeira vez que nos olhamos, que nos falamos, nos abraçamos, nos beijamos, quando fizemos amor. Tudo isso passava em minha cabeça como um slide, uma lembrança maravilhosa de momentos incríveis que tivemos juntos.
-Bruno?-ela chamou a sua atenção.
-Oi!-disse sem olhar para ela com os seus olhos intensamente grudados nos meus, que sem palavras apenas o encarava também..
-Este e o doutor Rafael!-ela repetiu.
-Prazer.-desviou os seus olhos dos meus cumprimentando o meu marido. Ele parecia estar tão perdido em pensamentos quanto eu.
-O prazer e todo meu.-voltou a olhar para mim, que completamente sem jeito, o cumprimentei com o ultimo resquício voz que havia me restado.
-Oi!-ele mais uma vez fixou os meus olhos nos meus, e sorriu.
-Crystal?-respirou fundo, e sorriu ainda mais. Crystal?-coloquei uma de minhas mãos no peito, me sentindo completamente gelada. Não conseguia nem respirar direito, ainda mais responder algo a ele, estava completamente paralisada.
-Voçe a conhece amor?
Ele a ignorou completamente mais uma vez, dando um passo a frente, me puxando pela cintura para um abraço, que eu não consegui revidar, não consegui ter a minima reação possível naquele momento, eu estava gelada, e completamente paralisada.
O meu coração estava tão acelerado, parecia que ele iria sair pela minha boca a qualquer momento. Só eu sei como sonhei com este dia, com este momento, e agora ele esta aqui, esta me abraçando, e eu estou sentindo o seu delicioso perfume, era como se eu tivesse voltado no tempo.
Com muito custo me soltei do braço do meu marido, eu precisava aproveitar deste momento que tanto esperei, e enfim retribuir o seu abraço intenso, e quase esmagador. Senti os meus olhos arderem, e o abracei ainda mais forte, colocando o rosto na curva do seu pescoço, sentindo o seu cheiro. Que saudades eu senti dele.
Sinto saudades deste abraço, desde aquele maldito dia em que nos despedimos no Hawaii. O ultimo dia em que os nossos olhos se encontraram.
-Cris.-disse com a voz rouca, e eu o abracei mais forte inconscientemente, assim como ele havia me apertado a alguns segundos atras. Pequena, minha pequena!
-Peter. -respirei fundo, tentando não chorar.
A minha tentativa foi completamente por ralo abaixo quando me lembrei do nosso passado, da nossa juventude, de todas as coisas boas que ele me mostrou, me ensinou, que passamos juntos. Dos sorrisos, das lagrimas, dos passeios, de como eramos companheiros.
Abri os olhos momentaneamente, e vi o meu marido me olhar com uma cara de interrogação, na realidade era uma cara de quem não estava gostando nada, nada daquilo que estava vendo.
Respirei fundo fechando os olhos mais uma vez, e deslizei as mãos pelos seus braços no sentido de suas mãos, ele me soltou segurando nos meus pulsos, e olhando nos meus olhos.
-Que saudades!-seus olhos levemente avermelhados, sem duvidas mais contidos do que os meus banhados pelas lagrimas, estavam intensamente grudados nos meus, parecia avaliar cada reação do meu rosto-
-Eu também.-respirei fundo limpando as lagrimas que já ardiam em meus olhos antes de responder. Como voçe esta?-ele segurou as minhas mãos.
-Estou bem. E acredite, estou muito feliz em ver que voçe também esta bem. E esta ainda mais linda.-percorreu o meu corpo com os olhos, me fazendo sorri envergonhada.
-Também estou muito feliz em saber que voçe esta bem. No caso, ver.
-Eu não estou entendendo. - a Pâmela nos encarou.
-Meu Deus, não acredito. Crystal?-olhei para o lado dando de cara com o Eric.
-Eric, quanto tempo.-ele esticou os braços para um abraço, no qual aceitei, ainda sentindo a mão do Peter no meio das minhas costas, como se me protegesse-Como esta?
-Estou ótimo, bem que eu te achei familiar quando entrou. Como voçe esta?
-Estou ótima.-sorri. Este e o meu marido, doutor Rafael García!-tentei coloca-lo na conversa, não queria que ele formasse uma ma conclusão da situação.
-Prazer!
-Muito prazer.-eles se cumprimentaram.
-Ainda não acredito que e voçe mesma. Depois de quase anos. Onze anos. Eu pensei que não a veria nunca mais.
-Eu também!
-Alguém pode me explicar o que esta acontecendo aqui?-ela sorriu abraçando o Peter.
-Simples Pam, fomos amigos de infância. Corrigindo. Somos amigos de infância!-sorriu- Conheci a Cris quando ela tinha... Não fala, eu vou me lembrar.-sorriu colocando o dedo na testa assim como ele fez na primeira vez que nos vimos na escola. 12?
-Sim. 12 anos!-senti o braço do Rafa se envolver na minha cintura.
-Voçe esta ainda mais linda!-sorriu. Desculpa, eu não consigo não falar isso! Estou feliz em te ver!
-Eu também estou!E acredite, voçe também esta muito mais bonito do que antes. Ainda mais com o cabelo cortado.-sorrimos.
-Deixa o meu cabelo.
-O Bruno deixou a moda Black de lado por um tempo.-Eric disse nos fazendo sorrir. Graças a Deus.-sorrimos ainda mais. Me deixe te apresentar Cris. Esta e a minha esposa Cindiah, meu filho mais velho Liam, e a minha princesinha esta dormindo.
-Ola, muito prazer.-sorri ao cumprimenta-la.
-O prazer, e todo meu.
-Ola Liam, e um prazer enorme te conhecer.
-Voçe conhece o meu pai?
-Sim, o seu pai e um amigo muito especial.-sorri. Assim como o seu tio.
-Voçe e muito bonita!
-Obrigada, voçe e muito lindo também. E é galanteador, como um legitimo Hernandez.-olhei para eles que sorriram.
-Presley, olha quem esta aqui.-desviei o olhar do pequeno Liam, e vi a sua irmã se aproximar- Cris.
-Crystal?-sorriu abertamente- Meu deus, como voçe mudou!
-Obrigada, voçe também. -ela me abraçou-
Enfim, depois daquele intenso abraço, eu cumprimentei a todos que eu me lembrava, e não lembrava mais, e em poucos minutos, eu já era parte da família. Novamente.
A todo momento, eu sentia os olhos do Peter sobre mim, como se cuidasse dos meus passos, ate mesmo quando estava com o meu marido, por varias vezes eu o vi me olhando, e quando os nossos olhos se cruzavam, ele sorria abertamente.
Apesar de saber que o meu marido não estava muito satisfeito com a atitude do Peter, eu sabia que ele não iria falar, ou fazer nada durante a festa. Rafael, jamais seria deselegante a este ponto.
Nos acomodamos em uma mesa, com mais algumas pessoas, que eram conhecidas do meu marido ate, e curtimos a festa que estava muito animada por sinal, era muito parecida com as festas dadas pelos Hernandez no Hawaii, na realidade, ainda era a mesma coisa.
Conversei com todas as irmas do Peter, e procurei não parar para "conversar" com ele novamente. Ainda não, eu precisava me recuperar daquele encontro ainda, e eu não queria provocar ainda mais desconforto ao Rafa..
Parte Peter
Parecia um sonho. Um louco, e maravilhosos sonho.
Ela estava aqui, na minha casa, na minha frente depois de tantos anos. Eu não consegui raciocinar absolutamente nada quando vi os seus olhos novamente, senti uma onda de adrenalina tomar o meu corpo de uma forma intensa. A unica coisa que eu queria era abraça-la, e beija-la, mais nada.
E eu a abracei. A abracei forte sentindo o seu calor, o seu perfume, o seu toque, que mesmo retraído, e muito tímido de inicio, me fez arrepiar quando a senti inalar o meu perfume, assim como eu tinha feito com o dela.
Por um minuto senti como se fossemos apenas nos dois, apenas nos dois, o nosso abraço, e a nossa infinita saudade.
A soltei de muito contra gosto, mas ela deu a iniciativa para se separar, e mesmo não gostando da ideia, eu a atendi.
Enquanto ela falava com outras pessoas da minha família, eu a olhava sem conseguir acreditar muito bem no que estava acontecendo, era como se fosse uma produto da minha imaginação. Eu queria muito sentar com ela, conversar, saber como tinha sido estes anos da vida dela, como ela chegou ao ponto de estar casada. Enfim, eu queria conversar com a minha amiga, mas ela não desgrudava do marido, eu já estava a ponto de puxar uma cadeira, e me sentar ao lado deles, mas achei melhor não fazer isso, não saberia qual seria a sua reação, e eu não queria criar nenhum desconforto.
Sempre que eu a olhava, e quando via que eu a estava olhando, ela apenas sorria e logo virava o rosto. Ela não parecia ser a mesma menina que conheci a anos atras.
-Quer dizer que esta e a famosa Crystal?-Pam sentou a minha frente depois de um tempo.
-Sim.-a encarei.
-Ela e a minha obstetra. Mas eu não a convidei, mas não tinha ideia de que ela era casada com o meu cirurgião plastico.
-Serio?-a encarei surpreso.
-Sim, e ela que me atende, foi ela que voçe chamou de irresponsável. Ainda pensa o mesmo?-olhou no meu rosto procurando pelos meus olhos. Pensa? Parece que não né?
-Não e por que ela e a minha amiga, que e um poço de responsabilidade. Mas acho que ainda conheço a Cris, e sei que se ela não te atendeu, e por que ela realmente não poderia.
-Agora voçe defende?
-Meu Deus. Não estou defendendo ninguém.
-Não e o que parece. Peter. E assim que ela te chama não e?
-Pam, a festa esta tão linda, temos amigos maravilhosos presentes, não vamos estragar isso...
-Claro, a sua amiga maravilhosa também esta presente.
-Esta com ciumes da Cris?
-O nome dela e Crystal. Ou doutora García!
-Pois para mim, ela e Cris. Cris, pequena, baby.-ela me olhou indignada- Ela é, sempre foi, e sempre será a minha amiga Pam.
-Ela foi só a sua amiga mesmo Bruno? Só amiga?
-Bruno, vem aqui, por favor?-Jaime chamou a minha atenção.
-Depois conversamos.-me levantei indo ate a minha irma.
Sinceramente, fui salvo pelo "gongo". Definitivamente, eu fiquei sem ter o que falar. Alias, o que eu iria falar? "Não, nos beijamos, e eu fui o primeiro homem da vida dela!" Sinto que a festa não terminaria muito bem se eu falasse isso. A Pam, e maravilhosa, mas e ciumenta demais.
Resolvi o que a Jaime queria, que era somente em relação ao quarto onde as crianças iriam dormir.
Quando estava voltando para o jardim, vi a Cris entrando sozinha na sala, ela olhava ao redor, e parecia um pouco distraída, e até perdida.
Ela tinha mudado muito, e pelo que estou notando foi tanto fisicamente, como interiormente. Os seus olhos ainda são os mesmos de antes, o seu cabelo, o seu sorriso, o seu abraço, o jeito que ela me encartou, como ficou retraída e tímida ao me abraçar, tudo nela apesar de mudado, permaneceu lindo, Ate o seu sorriso intelectual, permanecia intacto.
-Perdida?-ela me olhou assustada.
-Que susto Peter.-colocou a mão no peito, e eu vi o colar que eu tinha lhe dado no seu aniversario de 15 anos.
-Voçe ainda usa?-ela baixou o olhar, e cobriu o pingente com a mão.
-Uso. Onde e o lavabo?
-Por aqui, eu te levo ate la.
-Não precisa, e so me mostrar...
-Esta com medo de mim?-ela estava arredia.
-Não, e que...
-Vamos, eu só vou te mostrar onde fica.
Estiquei o braço em direção a um dos corredores, ela olhou para mim, para fora, para o corredor, e por ultimo seguiu o caminho sugerido por mim.
Enquanto ela caminhava a minha frente, a observei da cabeça aos pés. Ela realmente estava maravilhosa, o tempo so tinha lhe feito bem, muito bem, na realidade.
Lhe mostrei a porta do lavabo, e ela entrou em seguida, permanecendo por alguns minutos la dentro. Apreciei a sua cara de surpresa ao me ver ainda parado na porta quando saiu, ela sorriu passando por mim, mas eu segurei em seu braço, e ela olhou para mim parecendo receosa.
Ainda segurando o seu braço, me aproximei dela, que arregalou os olhos me olhando completamente tensa.
Se eu falar que não queria agarra-la e beija-la neste momento só para saber se a sua boca permanece com o mesmo sabor, sem duvidas eu estaria mentindo. Mas eu não vou fazer isso.
-Voçe me abraçou, mas nem me deu um beijo.-disse a um palmo de distancia do seu corpo.
-Peter, por favor...

-Calma.-sorri. Só quero um beijo no rosto. -me aproximei, beijando a sua face. E quero conversar com voçe, matar a saudade.
-Saudade de que?
-De voçe. De conversar com voçe, quero saber como voçe esta, como os seus pais estão, como esta a sua vida.
-E uma historia tão longa!
-Tenho tempo.
Soltei o seu braços, e cruzei os meus. Os seus olhos seguiram para o meu pulso onde estava a pulseira que ela havia me dado, e assim como os seus, os meus seguiram o mesmo caminho. Sorri mordendo o lábio inferior, ao ver o seu lindo sorriso brotar em seus lábios. "Como senti a sua falta pequena" Como senti vontade de falar em voz alta, mas sei que não seria conveniente, talvez não ainda.
-Voçe ainda tem.-disse mais para ela mesma, do que para mim.
-Uso todos todos os dias. Eu prometi no dia em que fui embora do Hawaii, que não iria te esquecer, e eu cumpri. Me lembro de voçe todos os dias durante todos estes dez anos.
-Eu também pensei em voçe, não vou mentir, não vou nos enganar. Mas eu segui a minha vida, e mesmo estando tão perto de voçe por uma vez, eu preferi me manter distante.
-Tão perto?
-Eu já fui ao seu show, já chorei de emoção ao te ver tão feliz em sima do palco, eu já tive o prazer de ver os seus olhos brilhando ao fazer o que mais ama.
-E por que não falou comigo? Por que não me procurou?
-Por que... Eu... Eu preferi assim. E ainda acho melhor que seja assim.
-Cris... Eu não entendo!
-Me desculpa, mas eu preciso voltar para onde o meu marido esta.
Ela simplesmente deu as costas, e seguiu pelo corredor a fora.
A segui pelo correndo vendo ela desaparecer entre as pessoas, mas logo a avistei com o Ryan, ele estava a abraçando, e ela sorrindo abertamente para ele. Logo em seguida eles se despediram, e ela foi se sentar com o tal marido.
-Era a Crystal!
-É, eu sei Ryan.
-Como?
-Ironicamente, ela e obstetra da Pâmela.
-Nossa destino. Mas e ai, já falou com ela?
-Já é claro, estamos na mesma festa.
-Eu não digo conversar "oi tudo bem", eu digo conversar mais intimamente...
-Ryan! Ela não falou que e casada?
-Não.
-E só olhar para trás.
Eu mesmo olhei somente por alguns instantes, mas logo desviei o olhar. Senti um incomodo chato, ao vê-los se beijando, eu não gostava de sentir isso, sabia exatamente o que era, e também sabia que não poderia sentir isso por ela. Não mais.
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