Parte Cris
Mas no caminho, eu cruzei com o Ryan.
-Crystal?
-Ola Ryan, quanto tempo.
-Verdade. Quando o Eric me falou que voçe estava aqui, eu nem acreditei. Como voçe esta?-me abraçou-
-Bem, e voçe?
-Estou ótimo. O tem feito da vida?
-Eu me formei em medicina, sou obstetriz.
-Nossa que legal. A noiva do Bruno esta gravida. Sabia?
-Sim, ela e minha paciente.-sorri-
-Que coincidência.
-Verdade.
-Foi ótimo te rever.
-Obrigada, a voçe também.
-Sabe onde esta o Bruno?
-Ele esta la dentro, acabei de cruzar com ele.
-Obrigado. Mais uma vez, foi ótimo te ver.
-Digo o mesmo Ryan.
Nos cumprimentamos, e eu me afastei dele, agora sim, indo para onde estava o meu marido.
Quando me aproximei dele que elevou as mãos ao meu rosto assim que eu me curvei selando os nossos lábios com carinho.

Eu amava o meu marido, ele era o homem que eu pedi a Deus, e talvez ate mais. Mas não posso negar que este encontro com o Peter, faz com que cada parte do meu corpo reaja a cada vez que ele me olha.
Era exatamente onze da noite quando olhei para o meu marido que estava no seu... Perdi a conta no sexto drink. Definitivamente ele não iria voltar dirigindo hoje.
Tínhamos acabado de cantar parabéns para a Pâmela, e neste exato momento, o Peter estava ao microfone fazendo uma linda homenagem a sua noiva.
-"... E eu só tenho a agradecer, por que esta linda mulher vai me dar o maior, e o melhor presente que um homem pode ter. Um filho. Sei que somos jovens, mas o nosso bebe e o fruto do nosso amor, da nossa amizade, e compreensão. Queria agradecer a cada familiar presente, a cada amigo, amigo proximo, amigo distante, amiga que reencontrei nesta noite especial.-sorriu olhando ao redor, provavelmente a minha procura.Obrigado a todos, e a festa continua."
Todos o plaudiram de pé, e ele abracou beijando a Pâmela com carinho, arrancando sorrisos do rosto de todos, inclusive o meu. Estava feliz por ele, estava feliz por ele estar feliz, e seguindo maravilhosamente bem com a sua vida. E claro, o fato dele ter ganhado a benção de ter um lindo, filho, com a sua companheira.
Olhei para o Rafa, e ele já estava visivelmente alterado, e como já era quase meia noite, eu resolvi que a festa tinha dado para nos dois. E alem do mais, eu sei que esta festa ainda vai render muito esta noite. Só que la em casa.
-Vamos para casa amor?
-Vamos, estou cansado já!-disse se levantando apoiando-se na mesa.
-Voçe não vai dirigir assim, não e?
-E claro que vou.
-Amor, voçe esta muito alterado, pode ocasionar algum acidente...
-Que acidente o que Crystal, eu sei dirigir.-foi ríspido, e saiu andando na minha frente.
-Não vai se despedir dos donos da festa? Isso não e de bom tom.-ele parou, e me olhou sobre o ombro, fechou os olhos e bufou- Onde estão?
-Não sei.
-Ele não e o seu amigo? Procure-o.
-Por que voçe esta falando, e agindo assim comigo?
-Sabe que não gosto de espetáculos, em casa conversamos.
-Mais um drink doutor?
Pâmela, que bom te ver! Não obrigado, estávamos justamente a sua procura.
-Não me diga que já estão indo?
-Sim minha querida, o meu marido esta cansado, e amanha ainda temos que sair cedo.
-Temos?-me encarou.
-Amanha e dia de irmos ver a Caroline!
-Verdade.-sorriu abertamente. Realmente precisamos ir. Mande os meus cumprimentos ao seu noivo.
-Obrigada por terem vindo.
-Imagina.
-Não acredito que já vão.-de onde ele saiu, brotou da terra?
-Precisamos ir, mas foi um prazer te conhecer.-o Rafa esticou a mão para ele.
-O prazer foi todo meu.-apertou a sua mão, e em seguida olhou para mim. Foi maravilhosos te rever minha amiga. Pena que não deu para conversarmos melhor, e muito menos matar a saudade. Mas espero fazer isso o mais rápido possível.-sorriu abertamente, passando a sua mão pela minha cintura me puxando para um novo abraço.
-Obrigada, em breve, quem sabe?-fechei os olhos ao sentir os seus lábios em meu pescoço desferindo um beijo.
-Eu sei!-afirmou ao me soltar.
-Ate a próxima consulta Pâmela. -disse um pouco sem jeito.
-Ate doutora.
-A proposito, reafirmo o convite para a nossa festa de comemoração do nosso sexto ano de casamento. Espero que possam comparecer, seria maravilhoso.
-E claro que iremo, sem duvidas.-olhei para o Peter que o encarava sorrindo de canto.
-Vamos amor. nos os cumprimentamos por alto, e seguimos para o portão.
Eu estava feliz, e muito triste pela noite estar terminando. Estava feliz por ter revisto o meu amigo, saber que ele esta bem, por saber que ele ainda se lembra de mim, e guarda o meu presente com carinho, assim como eu guardo o dele. E triste por também estar indo embora, sem falar direito com ele, mas o meu choque em reencontra-lo foi tanto, e eu fiquei meio que paralisada. E alem do mais não sei se o meu marido acharia certo, me ver conversando com ele a sós, e não em sua presença.
Enfim, a noite estava terminando sem incidentes. Por enquanto.
-Me deixe dirigir Rafael!-disse já parada na frente do carro.
-Voçe não encosta no meu bebe.
-Voçe prefere este carro do que a nossa vida?
-Esta maluca?
-E isso que vai acontecer se voçe o dirigir. Não esta em condições.
-Ate parece.
-Tudo bem, eu vou de táxi.-dei as costas e comecei a andar.
-VOLTA AQUI CRYSTAL!
-NÃO, ATE VOCÊ TIRAR ESTA IDEIA LOUCA DE QUERER NOS MATAR DA CABEÇA.
-Pare de gritar.-segurou em meu braço olhando em meus olhos.
-Voçe gritou primeiro!-grunhi o encarando.
-Tudo bem. Desculpa. Agora entra no carro.
-Eu vou dirigir?-sorriu irônico.
-Então eu não entro, tenho muito amor pela minha vida. Voçe esta embriagado!
-Quer saber.-se aproximou mais. Vai pedir carona ao seu amigo.
-Sabia. Voçe esta assim por causa do Peter?
-E não deveria? Aquilo não foi abraço de amigo,. nem na saída, e muito menos na chegada.
-Olha Rafael, primeiro ele é assim, gosta de ser amigo, e simpáticos com as pessoas que conhece. Segundo, estamos discutindo no meio da rua, e em frente a porta da casa dele, isso e deselegante. E em terceiro, se voçe não me der a chave deste carro agora, eu vou a pé para casa, ou entro novamente, mas não sera para pedir carona.- o encarei, e ele deu dois passos a frente.
-Se voçe fizer um arranhão no meu carro, voçe vai concertar.
-Eu dirijo bem melhor do que você!-peguei a chave da sua mão, e segui para o carro.
Me senti a "fodona". Sim, era a primeira vez que eu o enfrentava de verdade em 8 anos de relacionamento, ainda mais com o seu estado de embriagues alem do normal, ele poderia muito bem ter virado a mão na minha cara, quando falei que entraria novamente na casa do Peter, e não para pedir carona. Acho que ele me mataria. Mas obviamente, eu não faria isso, apenas ameacei.
Entrei no carro, e logo em seguida ele entrou também. Dei a partida, e senti a minha espinha se arrepiar, seria a primeira vez que iria dirigir este carro, e só o ronco do motor, já me intimidou. Mas e claro, que eu jamais, "nunca em terrar tupiniquins", que iria demonstrar a minha insegurança para ele.
Nem deu para apreciar muito o gostinho do trajeto ate em casa, afinal, e complicado dirigir quando se tem alguém o tempo inteiro fungando no seu cangote. Ele parecia estar possesso ao meu lado, e mesmo não tendo falado uma palavra ate em casa, eu conseguia sentir a sua irritação no ar.
Assim que estacionei o carro em frente a garagem, para guarda-lo, ele saiu do mesmo sem falar absolutamente nada. Fiquei parada observando os seus passos desconexos, e notei que ele entrou em casa. Respirei fundo, me preparando para a possível longa noite que teria.
O Rafa não era de demonstrar, mas era muito ciumento, e esta não seria a primeira vez, que provavelmente brigaríamos por causa de uma sena de ciumes.
Depois de guardar o carro, segui diretamente para o nosso quarto, e ele estava vazio, apenas com as suas roupas jogadas na cama, e o barulho do chuveiro no banheiro.
Retirei as minhas joias, as guardando no closet. Foi impossível não olhar para o colar e não sorrir ao me lembrar do Peter, ao me lembrar que esta noite eu o vi, que eu o abracei, e senti tudo exatamente como a anos atras, o calor no peito, a sensação de pernas bambas, a respiração acelerada. Não sabia que seria assim, não sabia como seria intenso vê-lo novamente.
Ao mesmo tempo que estava feliz, estava angustiada, eu não queria que tudo aquilo renascesse, eu não poderia deixar, sou casada, ele e noivo, vai ser pai, definitivamente, não podia deixar que aquela deliciosa sensação voltasse, isso seria um enorme erro. para nos dois.
Retirei o meu vestido ainda no closet, ficando apenas de calcinha, e voltei para o quarto, onde ele estava deitado apenas de toalha com as mãos na cabeça. Parecia sentir dor.
-Esta tudo bem?
-Estou!-respirou fundo.
-Vou tomar o meu banho.-ele apenas concordou com um movimento de cabeça.
Tomei o meu banho, apenas uma ducha bem quente, para me livrar de toda a tensão do final desta noite.
Enquanto passava a esponja ensaboada em meu corpo, me lembrava do toque de suas mãos em minha cintura, em meu braço, lembrava do seu perfume, e do beijo em meu rosto.
-Droga, agora voçe não vai mais sair da minha mente!
Terminei o banho, me sequei, e apenas envolvi a toalha no meu corpo. Voltei para o closet passando pelo quarto, peguei apenas uma blusa, e coloquei uma calcinha. Peguei o hidratante colocando um pouco nas mãos, o espalhando pelo corpo na frente do espelho do nosso quarto. Me assustei ao sentir a sua mão em minha cintura, e nos encaramos através do reflexo. Os seus olhos me fitavam intensamente, ele parecia querer desvendar algo dentro dos mesmos, e do jeito que ele era, e capaz de conseguir.
Fechei os olhos, respirei fundo, e ele beijou a minha face, fazendo com que eu abrisse novamente os olhos.
-Voçe é minha. Minha esposa, minha mulher, minha companheira. Voçe é a mulher que eu mais amo neste mundo, e eu não quero, e não posso te perder.-senti um nó se formar na minha garganta. Ele tinha me pego de surpresa.
-Eu estou aqui Rafael. Eu sou a sua mulher, por que esta falando isso?
-Não gostei Cris. Não goste de como ele te abraçou.
-Fomos melhores amigos, no passado...
-E parece que continuam, não e?
-Sim. Sinto muito, mas ele entrou primeiro na minha vida.-ele me soltou se afastando trincando o maxilar. Ele estava com raiva. Nos conhecemos quando eu tinha 12 anos, e ele tinha 13. Fomos amigos de escola, a mamãe o ama. Mas para ai.-preferi não revelar tudo, seria pior.
-Não me pareceu que tiveram apenas uma amizade.
-Para com isso amor, não se sinta ameaçado pela nossa amizade. Que na realidade, eu nem sei se ainda existe. Não temos mais a mesma intimidade de antes...
-Diga isso por voçe.
-Me diz uma coisa, por que voçe os convidou para o nosso aniversario de casamento, se a presença dele certamente vai incomoda-lo?
-Primeiro, eu já tinha mandado o convite impresso, e segundo.-ele sorriu irônico. Eu quero ver se ele realmente vai vir.
-E claro que ele vai vir Rafael. Ele estava pouco se lixando para a sua irritação, pelo fato dele estar proximo de mim.-sorri incrédula. Amor, se voçe for se incomodar com tudo o que Peter, a partir de agora fizer em relação a mim, voçe vai ficar louco. Fomos amigos de longa data, tivemos uma linda amizade, ficamos anos longe um do outro, e como dois irmãos se reencontrando.
-Para com isso. Eu te amo, somos casados, ele era só o meu amigo, e é isso que permanecera sendo. Amigo.-acariciei o seu rosto. Chega deste assunto, vamos dormir, precisamos sair amanha cedo.
Coloquei a minha blusa e me deitei virando o meu corpo de costas para ele, o senti se acomodar logo atras de mim envolvendo a minha cintura, colando os nossos corpos.
Parte Bruno
Fui para o closet, coloquei apenas uma camisa, uma cueca, e voltei para o quarto onde ela permanecia na mesma posição. Parei ao lado da cama, a encarando, e ela não moveu um músculo, muito menos para me olhar.
-Vai, pode falar. O que houve?
-Nada.-?.
-Nada?
-Nada!-me encarou seriamente, como se quisesse me matar apenas com o olhar.
-Vai querer que eu durma no quarto de hospedes?
-Não, pode deitar.
Olhei para a parte que ela mandou que eu me deitasse, e não tinha nem dez por cento da cama livre. Aquele espaço jamais iria dar para que eu me deitasse.
Arqueei a sobrancelha, e ela fez o mesmo.
-O que? Não da para voçe deitar? Desculpa, talvez seja melhor ir procurar abrigo na cama da sua amiga.-sorriu ironicamente.

-Ta explicado.-sentei na beira da cama, ao a minha bunda cabia nos dez por cento. De novo com isso?
-Por falar "nisso"-fez aspas com os dedos. Voçe esta me devendo uma resposta. Vocês eram somente amigos?
-Que diferença isso faz agora?
-Toda, ela esta cuidando da minha gravidez, quero saber a quem estou confiando a minha vida, e a vida do nosso filho.
-Pois eu confio 101% nela.
-Não foi isso que voçe disse quando eu passei mal naquele dia.
-Eu não sabia que era ela.
-Agora por que voçe a conhece pronto, já mudou, agora ela e uma santa? A melhor medica do mundo.
-Eu não disse isso porra. Quer saber, troca, troca de medico, afinal, só por que voçe descobriu que a sua medica, e minha amiga, ela não presta mais.
-Não, eu não vou trocar. Afinal, mantenha os seus amigos perto, e as suas inimigas mais perto ainda.-sorri incrédulo.
-Inimiga?
-Desde o momento que a mulher não e avó, mãe, ou irmã do seu homem, todas as outras são inimigas mortais!
Ela cedeu o meu devido espaço na cama, onde eu me deitei, me controlando para não rir de toda esta palhaçada, e esse assunto não rendesse ainda mais.
Se bem que la no fundo, eu não posso falar que ela esta totalmente errada. Acho que a Crystal, e uma das únicas mulheres que passou pela minha vida, que se falasse "Eu te quero, larga tudo, e fica comigo!" Eu largaria tudo, e ficaria. Aliás, acho que ela e a unica.
Me virei de costas para ela, e tentei me concentrar ao máximo no meu sono, e com o silencio que se instaurou entre nos dois, não foi impossível pegar logo no sono.
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