sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lembranças. cap 22

Voltei para onde estavam a Dona Laura, e o senhor Stew, eram as únicas pessoas que eu conhecia ali, e eram as que mais importavam para mim, alem da própria Cris e claro.
A festa estava muito bonita, e preciso admitir que estava agradável ate.
Estávamos ocupando uma das mesas, eu tenho quase certeza de que era a reservada para a família. Eu já disse que sou o querido da família?
O papo com o senhor Stew estava muito interessante, ele perguntou sobre o meu pai, sobre os meus tios, eu contei a ele algumas novidades sobre a família, já que tinha ido ate la pouco tempo atras devido a turnê.

-A vovó esta ótima como sempre.-afirmei bebendo do meu champanhe.

-Ela e uma mulher incrível!

-E sim. Onde eu posso ir ao toalete?

-Vai nos de sima, e só subir as escaras, e a quarta porta a direita se eu não me engano.

-Eu me acho.-sorrimos. Pedi licença ao sair da mesa.

Segui em meio a alguns convidados em direção as escadas, e subi as mesmas com certa pressa. O champanhe que estava sendo servido era o que eu mais gostava, e beber apenas uma taça estava fora de cogitação.
Já no corredor principal, eu abri a tal quarta porta a esquerda como ele me indicou, e era um quarto, parecia ser um de hospedes.

-Bela memoria senhor Stew.-sorri.

Fechei aporta e continuei a procurar pelo banheiro. Abri uma outra porta quase em frente, e dei de cara com uma sala de áudio e vídeo. Mereço. Parei no corredor e decidi escolher aleatoriamente, abri uma porta a minha direita, e enfim achei o banheiro. Fiz a minha necessidade, lavei as mãos, dei uma olhada no espelho, e não me surpreendi ao notar que permanecia lindo. Novidade.
Sai do banheiro, e ouvi uma das portas se abrindo, olhei para onde veio o barulho, e sorri ao vê-la saindo de um dos quartos. Já disse como ela ficou deliciosa naquele vestido?
Quando olhou em minha direção, parou de andar, e simplesmente ficou me olhando enquanto eu me aproximava dela. Ela parecia estar petrificada, eu quase conseguia sentir a sua tensão.

-O que voçe esta fazendo aqui em sima, a festa e la em baixo.-ela me encrava respirando fundo.

-E assim que voçe trata o seu amigo de anos,e  convidado da festa? Que coisa feia pequena.-sorri.

-Peter...

-Vem aqui.-segurei em seu pulso, abrindo uma das portas que pelo que me lembro, era de áudio e vídeo a puxando para dentro em seguida.

-Voçe esta louco?

-Não, só estou cansado de voçe ficar fugindo de mim!

-Já disse que não estou fugindo!

-Não e o que parece. Eu só quero saber como voçe esta, conversar a sós com voçe, e pedir demais? Voçe age como se eu fosse te arrancar um pedaço!

-Tudo bem, mas tem que ser aqui e agora?

-Voçe não me deu outra escolha. De?-ela sorriu.

-Tudo bem, voçe tem rasão, desculpa. Pode falar.

-Senti tanto a sua falta ao longo destes anos, voçe não tem noção...

-Não tenho certeza se a sua saudade foi maior do que a minha! Na realidade eu duvido disso.-ela me surpreendeu vindo ao meu encontro, e me abraçando forte, no qual eu retribui e claro.

-Fiquei tão feliz quando te vi novamente, quando vi que estava bem.-disse proximo ao seu ouvido, sentindo o delicioso cheiro dos seus cabelos.

-Eu também. E ainda mais sabendo que voçe sera pai em breve.-se afastou um pouco para me encarar. E claro, permanece lindo.

-Não tanto quanto voçe.-sorriu se afastando um pouco mais. Como esta a sua vida?

-Bem.-abriu os braços indicando o redor.

-Não pergunto por fora, pergunto por dentro.

-Estou bem também, sou feliz com o meu marido!

-Voçe o ama?-ela me olhou parecendo surpresa com a minha pergunta.

-Sim. Eu amo o meu marido.!

-E feliz de verdade com ele?

-Sou. E voçe?

-Não fui muito com a cara do seu marido, e ele não faz o meu tipo.-sorrimos.

-Perguntei sobre voçe a sua noiva, seu bobo.

-Bem.-respondi sem muita animação.

-Não senti firmeza.

-E não era para sentir mesmo.-assumi, e ela me olhou parecendo confusa. Eu pretendo estar com ela ate o nosso filho nascer, mas não acho que temos tanto futuro juntos. Parece que ainda não estou preparado para algo novo, estou um pouco preso no passado! E eu notei isso desde que te vi novamente.

-Peter.-a sua expressão mudou completamente.

-Eu tinha maravilhosas recordações nossas, sempre tive, era algo sem muita frequência, mas agora são como se elas voltassem a tona, como se tudo tivesse acontecido ontem, e eu ainda sentisse o cheiro da sua pele na minha,enquanto caminhava para casa naquela tarde em que te deixei dormindo depois de fazermos amor. Ainda sinto o sabor dos seus lábios, e sinceramente estou me segurando para não beija-la novamente, so para saber se ainda e o mesmo sabor.-dei alguns passos em sua direção, e ela parecia estar grudada no chão.

-Voçe, voçe...

-Voçe esta extremamente sexy, e gostosa pra caralho com este vestido!-a encarei de sima abaixo mordendo o lábio inferior. Assumo, eu seria um filho da puta muito do sortudo, se fosse eu o cara a retira-lo do seu corpo esta noite, mas infelizmente não serei. A não ser que voçe queira. Voçe quer?-olhei em seus olhos ,e ela parecia estar em panico. Voçe quer?-passei a minha mão em sua cintura mantendo os nossos corpos bem próximos, e ela manteve os seus olhos completamente assustados grudados nos meus. Saudades do seu cheiro.-beijei o seu pescoço apos sentir o seu perfume. Da sua pele.-deslisei a mão em seu pescoço segurando o seu rosto, e ela fechou os olhos, parecia querer tanto quanto eu. Estou louco para te beijar, mas não quero fazer isso se voçe não quiser. Me diz, voçe quer?-


-Eu...

-Me diga que sim!-ela puxou o ar como se fosse falar algo, porem antes mesmo dela falar qualquer coisa aporta se abriu, e fez com que ela abrisse os olhos apressadamente se desvencilhando de mim, eu olhei para trás, e sem duvidas aquela não era a minha cara mais bem humorada.

-Me desculpem, me perdoem, eu não tinha ideia.-a amiga dela que também e medica pareceu ficar completamente desconcertada.

-Esta tudo bem Liz, não estava acontecendo nada.-a olhei. Oque?

-Esta tudo bem.-sorri sem humor.

-E que o Rafa esta te procurando.

-Meu Deus, vamos.-ela olhou em meus olhos, e sorriu. Nos vemos la em baixo.-segurou no meu pulso deslizando ate a minha mão, na qual eu segurei a sua elevando-a ate os meus lábios a beijando, e deixando-a ir em seguida.

Ela ia deixar ser beijada, eu sei que sim. De alguma forma ela também pensa em mim, e ela não precisou dizer nada para que eu soubesse disso, apenas o fato dela deixar ser tocara, e acariciada já disse absolutamente tudo. Eu sei que ela disse que ama o marido, mas eu preciso te-la novamente, demore o tempo que for, o trabalho que for, qualquer obstaculo valera a pena se o premio for te-la novamente.
Sai do quarto, depois de ficar parado por alguns minutos recordando do seu perfume, e de como estive perto de beija-la.
Desci as escadas devagar, enquanto a procurava com os olhos, e quando a localizei, ela estava ao lado da amiga.

-Demorou.-Pam desavia a minha atenção para ela.

-Estava procurando o toalete. Por que, não pode mais?

-Eu vi ela descendo quase agora.

-A casa e dela Pam, ela anda por onde quiser...

-Por favor, só um minuto da atenção de todos.-ouvi uma voz masculina chamar a nossa atenção, e logo desviei o meu olhar em sua direção. Era o marido dela. Eu queria muito agradecer a presença de todos esta noite, de agradecer ao carinho de nossos amigos e parentes nesta noite muito especial para mim, e para a minha linda, e adorável esposa.


Todos o plaudiu, e mesmo sem muita vontade não fiquei de fora. Love Someone começou a tocar, a luz ambiente diminuiu, e em todas as paredes brancas do lugar começaram a ser projetadas fotos dos dois, em viagens, e em momentos íntimos com beijos, abraços, carinhos, olhares. Elas mostravam o amor entre eles, o respeito, e a sintonia entre o casal, isso nem eu poderia negar. As fotos ainda eram projetadas nas paredes quando ele voltou a falar.

-Por favor amor, venha ate aqui, por favor?-ele sorriu enquanto ela se aproxima dele. Eu sei que já te disse isso esta manha olhando em seus olhos, mas eu só queria reafirmar o meu amor por voçe, o quando voçe e a mulher mais linda que já conheci, a mais amorosa, carinhosa, a mais perfeita.-sorriu. Eu sei que voçe diz que a perfeição não existe, mas acredite, voçe e o exemplo mais perfeito dela. Quero poder passar a eternidade com voçe, poder acordar todos os dias ao seu lado, e saber que sou o homem mais sortudo deste mundo. Obrigado por me aturar por todos estes seis anos, e espero que possa me aturar por mais 60 no minimo. Para marcar a data de hoje, eu queria lhe presentear com uma aliança.-ele retirou a caixa do bolso colocando o anel em seu dedo, como estava distante, eu não consegui ver muito bom, e nem fiz questão de ver. Eu te amo.-terminou o seu discurso arrancando suspiros de algumas mulheres ao redor.


Todos que estavam sentados se levantaram para aplaudi-los, enquanto ele a tomou em seus braços a beijando apaixonadamente.
Peguei uma taça de champanhe de um dos garçons que estava passando, e a virei de uma vez. A Pam os olhava enquanto eles dançavam, eu decidi apenas ignora-los, e voltei para a mesa em que estava com a dona Laura.
No fundo eu estava feliz, não posso negar, afinal a alguns minutos atras estávamos juntos, e eu sabia que ela ainda sentia algo por mim, como eu ainda sinto por ela. Sim, eu sinto algo muito forte, e especial por ela, eu confirmei isso quando tinha os seus lábios próximos aos meus, a sua respiração rente a minha, e os seus braços em meu corpo.

§

O Jantar já tinha sido servido,  estávamos todos na mesma mesa, quase um em frente ao outro e uma conversa animada, e amistosa, relembrando algumas coisas do passado, a dona Laura as vezes a deixava sem fala quando mencionava algo sobre a nossa adolescência.

-As vezes a Cris sumia o dia inteiro, na realidade os três, pareciam irmão siameses as vezes, ela e a Mariah eram mais grudadas, mas o Peter também gostava muito de ficar com elas.

-É claro tia, alguém tinha que protege-las, e cabia a mim esta função.-sorrimos.

-Esta era a época em que voçe começou a namorar com a Mariah?-ela me encarou, e enfim mencionou algo sobre o assunto. Não me lembro bem.

-Acho que sim. Eu namorava com ela, mas era louco em outra garota.-sorri de canto a encarando, ela sabia que eu falava dela.

-Como sempre não e Peter?-o senhor Stew me encarou sorrindo.

-O Peter sempre foi muito popular na escola, o garoto mais desejado pelas meninas.-ela disse dando um gole em seu champanhe.

-Por voçe também amor?-o seu marido a encarou. Isso esta começando a ficar interessante.

-Eu?-sorriu. O Peter era como um irmão para mim, e ele namorou a Mariah, não tenho nada a ver com esta historia.-que mentirosa.

-Eu sempre fui um ótimo irmão mais velho. A proposito, sendo como um ótimo irmão mais velho, também mereço dançar com a anfitriã, afinal quase todos já dançaram com ela, menos eu. Sera que eu posso?-olhei para ela, e em seguida para ele.

-Claro.-ele permitiu, mas não antes de me fuzilar com os olhos, sendo retribuído da mesma forma. Saquem as suas armas.

-Por favor. -estiquei a mão para ela que mesmo exitante, aceitou.

Beijei a sua mão, seguido do seu rosto, e seguimos de mãos dadas ate o centro do salão, enquanto tocava uma musica tranquila - bem chata na realidade-, mas ela pouco me importava no momento. O que realmente importava mesmo, era o fato dela não estar fugindo de mim.
Paramos no meio do salão e nos encaramos, ela estava visivelmente tensa, e apreensiva. Mas permanecia sendo de longe, a mulher mais linda daquela festa.
Segurei em suas mãos, as elevando ate o meu ombro, enquanto fiz questão que as minhas mãos deslisassem pelo seu tronco, e se alojaram em sua cintura.

-Não sei se já te disse isso hoje, mas voçe esta linda.-sorrimos.

-Acho que não, voçe disse que eu estava gostosa.-sorriu sem me encarar.

-Muito bem observado baby. Voçe esta lindamente gostosa esta noite.-disse mais proximo do seu ouvido.

-Seu bobo.-sorri quando senti uma de suas mãos em minha nuca fazendo um carinho gostoso. Senhor Peter.-sorri.

-Senhor?

-Quieto! Só eu falo agora.-se afastou um pouco para me olhar, tentando segurar o riso. Não adiantou muito.

-Sim senhora. Mas pode ser bem perto do meu ouvido, a sua voz fica mais sexy bem baixinha.-sorrimos.

-Não ma faça sorrir, vou ficar sem jeito, e serio. -sorri, e ela pigarreou. Que presente foi aquele?-me questionou um pouco mais seria.

-Pensei que tinha gostado dos passes VIP's?-sorri me fazendo de desentendido.

-Voçe sabe muito bem que não e disso que estou falando!

-Então seja mais explicita por favor!

-Daquele vestido.-disse mais baixo olhando ao redor como se alguém fosse ouvi-la.

-A fantasia de enfermeira?-propositalmente disse um pouco mais alto.

-Fala mais baixo! O que iriam pensar se soubessem que tenho uma fantasia erótica?

-Esposa puritana?

-Esposa respeitosa.-fiz uma careta mesmo ela não podendo ver no momento.

-Já vi que o sexo e água com açúcar.

-Peter?-me deu um tapinha no ombro e sorriu.

-Estou mentindo?

-A minha vida sexual e bem ativa.

-Imagino que sim. Papai e mamãe, e voçe por sima, no máximo... Na realidade, olhando bem para ele, acho que nem isso.-sorri olhando para o lado, e constatando que estávamos sendo observados por ele.

-Cala a boca Peter.-recebi mais um tapa, e sorrimos.

-Eu acho que a fantasia veio bem a calhar, pode ser bem explorada.

-Não, não sera. E eu vou devolve-la assim que possível.

-Serio? Tudo bem, eu vou deixa-la guardada para voçe usar para mim. Vou aproveitar para comprar outras...

Ela parou de dançar, e me encarou parecendo horrorizada, mas antes mesmo que ela falasse algo, fomos interrompidos quando do nada a musica que tocava parou, e assim como nos dois, todos pararam para olhar em direção ao DJ, e em seguida Emotions dos Bee Gees começou a tocar, e ao lado dele estava ninguém mais do que a dona Laura.


-Mamãe!-ela disse em voz baixa, e eu sorri. Obrigado dona Laura.

-Se lembra desta musica?-peguei novamente em sua mão a recolocando em meu ombro.

-Sim. E parece que não e só nos dois que lembramos.-sorrimos e ela acomodou o rosto no meu pescoço.

-Se eu fechar os olhos, me lembro ate do seu perfume naquela noite.-ela se afastou um pouco o rosto do meu pescoço.

-Peter eu...

-Já sei, vai me pedir pra parar....

-Não. Eu também me lembro do seu perfume.

Nos encaramos, ela sorriu mordendo o lábio inferior, e eu me controlei ao máximo para não beija-la ali mesmo. Ela acomodou novamente o rosto no meu ombro, e foi impossível não sorrir, a apertando um pouco mais contra o meu corpo, sentindo o seu delicioso cheiro.


-Na realidade, eu me lembro de muita coisa daquela noite.-completou.

-Eu sinto muito por varias coisas daquela noite.

-Coisas sem importância no momento.

-Mas que me deixaram mal por muito tempo, pelo simples fato de voçe ter se afastado de mim. Se eu pudesse voltar no tempo...

-Mas infelizmente não pode. Por isso, e melhor vivermos o hoje, e esquecer do passado.-a encarei ainda nos movimentando no ritmo da musica.

-Quando voçe diz esquecer o passado, esta se referindo a mim? A nos dois?

-Não!-moveu a cabeça em negação. Nem que eu queira posso esquecer de nos dois. Do nosso passado.

-Nosso? Gostei disso!-Fiz com que ela desse um giro, a fazendo sorrir quando voltou para os meus braços. O seu sorriso ainda e o mais lindo de todos!-afirmei olhando em seus olhos.

-O seu também!

A sua voz suave, e sexy rente ao meu ouvido me fez arrepiar, e aperta-la ainda mais contra os meus braços. Senti-la novamente tão perto, a sua pele macia, e cheirosa, a sua respiração rente a minha pele. Definitivamente, tudo isso e tão bom, que parece ser um sonho.

Parte Cris

A festa tinha sido linda, os últimos convidados deixavam a nossa casa, ficando apenas a Liz com o marido, e a Alicia que dormia em um dos quartos de hospedes, já que passava das 2 da manha no momento. Alem do Peter, e a noiva que conversavam animadamente com os meus pais.

-Mais uma rodada de champanhe para todos?-meu marido apareceu com uma garrafa nas mãos.

-Pra mim deu meu amigo, já esta bem tarde.- Matt se levantou.

-Também achoque esta tarde, e é melhor irmos meu amor.-Pâmela se pronunciou.

-Infelizmente voçe tem razão Pam.-ele concordou.

-Bem, já sabe onde moramos Peter, apareça quando quiser a Fresno. E leve esta bela jovem com voçe.

-Obrigada, a senhora e muito adorável.

-Voçe e um doce meu bem.-elas se abraçaram.

-Pode deixar, assim que conseguir um tempo livre, vou matar a saudade do seu tempero.-sorrimos, ate eu estava com saudades da comida da mamãe. Senhor Keanu, dona Laura...

-Só Laura meu filho, voçe sabe disso.- ele a abraçou, e ela retribuiu docemente.

-Muito obrigada pela noite, ela foi linda.-Pam abraçou o meu marido.

-Eu digo o mesmo.-ele me abraçou de surpresa. Ela só não foi mais linda do que voçe, e acho que esta me devendo um beijo.-sussurrou em meu ouvido me soltando em seguida sem deixar-me responder. Alem de me deixar pensando se o sabor dos seus lábios permaneciam o mesmo.

-Parabéns pelo aniversario de casamento Crystal, que vocês permaneçam casados por muitos, e muitos anos.

-Obrigada.-disse já cumprimentando a Pam.

-Antes de irmos embora, sera que eu poderia te pedir uma coisa, que eu queria a noite toda Bruno?

-Liz?-Matt a encarou.

-Qual e amor, não e todo dia que estamos frente a frente com o Bruno Mars!-sorrimos.

-Pode pedir Liz, fique a vontade.-ele sorriu.

-Sera que voçe poderia cantar pra gente?

-Na hora de ir embora Liz?-eu a encarei, mas na realidade eu queria ter lhe pedido isso a noite inteira também.

-Sim, qual e o problema? Pense no privilegio que e isso?-sorriu animadamente nos levando as gargalhadas.

-Sem problemas Liz, eu acho que posso cantar uma musica para vocês.

-OBA!
-Sera que tem um violão por ai? Geralmente não ando com o meu no carro.-sorriu.

-O Rafa tem um que nem usa, não e amor?- o encarei, e ele estava extremamente serio.

-É.-pareceu não ficar muito satisfeito. Vou pegar.-disse ja saindo da sala.
.
-Enquanto ele foi, voçe quer escolher a musica?-ele me encarou.

-Acho melhor não, quem sabe a Liz, ela conhece tudo sobre o "Bruno Mars".

-Conheço mesmo!-sorriu se gabando. Vamos ver. Eu gosto muito das suas musicas atuais, mas as antigas me deixam em estado de êxtase.-sorrimos. E tem uma em especial que eu simplesmente amo, que e Long Distance.

-Ela e realmente muito bonita, mas eu nem sei se ainda me lembro da letra.

-Podemos fazer um dueto.-ela se prontificou sorrindo.

-Seria uma boa ideia.

-Aqui esta.-Rafael apareceu com o violão.

Ele pegou o instrumento, e dedilhou algumas cordas tirando um som um pouco desafinado. Apos dar uma breve afinada, ele começou a tocar algumas notas, sentou no braço do sofá, e antes de começar a tocar de vez a musica, ele olhou discretamente para mim, e sorriu. A Liz acariciou a minha mão, a olhei, e ela piscou para mim, se aproximando.

-Escolhi esta por causa de voçe.-disse baixinho rente ao meu ouvido.

-Por mim?-antes que ela respondesse algo,ele começou a cantar, e eu logo descobri o por que ela pensou em mim.


Há apenas várias canções
Que eu posso cantar para passar o tempo
E eu estou deixando as coisas que faço
Para tirar você da minha mente
Ooohh, não

Fechei os olhos sentindo a sua voz ecoar em meus ouvidos, chegando ao meu coração de uma forma avassaladora. A sua voz permanecia linda, suave e simplesmente deliciosa de se ouvir. Ele ainda canta com a alma, com emoção.

Tudo o que eu tenho é esta foto em um quadro
Que eu mantenho perto para ver seu rosto todos os dias

Com você é onde eu prefiro estar
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe
Essa longa distância está me matando
Eu queria que você estivesse aqui comigo
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe
Essa longa distância está me matando

Os meus olhos estavam ardendo, e eu estava me segurando de todas as formas para não chorar, e deixar transparecer o quando aquela musica estava mexendo comigo, com os meus sentimentos, e ainda mais com as minhas lembranças. As nossas lembranças. Era como se ela tivesse sido escrita para mim,ela descrevia exatamente o que senti quando ele foi embora.

É tão difícil, tão difícil
Onde estamos, onde estamos
Você está tão longe, essa distância está me matando
É tão difícil, tão difícil
Onde estamos, onde estamos
Você está tão longe, essa distância está me matando

Agora os minutos parecem horas
E as horas parecem dias
Enquanto eu estou longe
Você sabe que agora eu não posso estar em casa
Mas eu estou voltando para casa em breve, voltar para casa mais cedo

Tudo o que eu tenho é esta foto em um quadro

Que eu mantenho perto para ver seu rosto novamente

Com você é onde eu prefiro estar
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe
Essa longa distância está me matando
Eu queria que você estivesse aqui comigo
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe

Segurei firme na mão da Liz, que ainda estava ao meu lado, e ela recostou a cabeça no meu ombro, acariciando o meu braço com a outra mão. Olhei para o lado e a mamãe, o encarava sorrindo, enquanto enxugava as lagrimas que escorriam dos seus olhos sem nenhuma cerimonia. Ele definitivamente estava nos emocionando muito

Você pode me ouvir chorando?
Você pode me ouvir chorando?
Você pode me ouvir chorando?

Com você é onde eu prefiro estar
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe
Essa longa distância está me matando
Eu queria que você estivesse aqui comigo
Mas nós estamos presos onde estamos
E é tão difícil, você está tão longe
Essa longa distância está me matando    

Ele me encarou enquanto cantava, e mesmo tentando, eu não consegui desviar dos seus olhos, era como se estivéssemos apenas nos dois naquela sala, e ele cantasse aquela música somente para mim, me decifrando, e deixando que eu nos encontrasse naquelas palavras, naquela melodia.

É tão difícil, tão difícil
Onde estamos, onde estamos
Você está tão longe, essa distância está me matando
É tão difícil, tão difícil
Onde estamos, onde estamos
Você está tão longe, essa distância está me matando

Há apenas várias canções
Que eu posso cantar para passar o tempo  


Ele terminou de cantar, e eu estava completamente rendida as lagrimas, não consegui segurar a onda de sentimentos e lembranças que explodiram em meu peito.
Ele foi aplaudido de pé, Mesmo nem todas as palmas endo tão verdadeiras. Eramos poucos, mas sem duvidas aquela música tocou cada um de nos, e certamente a mim em especial. E pelo brilho em seus olhos, e a paixão em sua voz, também tinha sido muito especial para ele.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Louco! Cap 21



Hoje era exatamente dia 05 de setembro Rafael, e eu estávamos comemorando 6 anos de casamento. Se eu estava feliz? Sem duvidas. Quando nos casamos eu achei que não duraríamos muito tempo, afinal, eu era uma mulher complexada, cheia de  traumas, e ele com a sua total paciência e amor, cuidou devotamente de mim, e foi super carinhoso comigo em todos os sentidos, principalmente nas minhas crises de panicos, e uma das piores foi na nossa primeira vez. Pensei que nunca mais iria conseguir ter relações sexuais com homem nenhum, mas ele com o seu jeito amoroso de me tratar, foi tão carinhoso, e respeitoso comigo que aos poucos, e com uma boa dose de paciência, eu consegui me tornar dele.
Despertei calma, e preguiçosamente em minha confortável cama pela manha, me mexi com cuidado para não acorda-lo, mas me dei conta que estava sozinha, e isso era mais do que normal na data de hoje, afinal, todas manhas do nosso aniversario de casamento ele me acordar com cafe da manha na cama. Se bem que esta e a primeira vez que passamos o dia do nosso aniversario de casamento em casa, não sei como sera, mas de qualquer forma, eu vou permanecer aqui por um tempo.
Me virei permanecendo deitada, e não demorou muito para a porta se abrir, eu fechei os  olhos fingindo que estava dormindo quando senti o cheirinho de cafe invadir o ambiente, e logo o movimento em sima da cama.

-Acorda minha preguiçosa linda.-ele beijou o meu pescoço, e acariciou o meu rosto.

-Bom dia.-sorri me virando para ele.

-Bom dia amor da minha vida. -olhou dentro dos meus olhos. Obrigado por estar ao meu lado por todos estes anos, por ser a minha amiga, companheira, por ser a mulher que me atura todos os dias, na saúde e na doença.-sorriu contornando o meu rosto com o indicador, e eu senti as lagrimas dançarem em meus olhos. Por ser paciente, e aturar as minhas loucas crises de ciumes, mas a culpa não e minha afinal, eu tenho a mulher mais linda, e especial do mundo. Obrigado por me fazer o homem mais feliz do universo!-sorri em meio as lagrimas que já escorriam. Que o nosso casamento permaneça feliz, e duradouro, que possamos ser felizes em todos os dias de nossas vidas. Eu te amo muito.

-Eu também te amo!-disse quase sem voz mediante as minhas lagrimas. Eu que agradeço por tudo meu amor, pela paciência no inicio do nosso relacionamento, por ser tão justo, e honesto comigo...

-Não agradeça meu amor, esta e a minha obrigação! Vamos tomar o nosso cafe? Hoje e o seu dia.

-O nosso dia.

-Não, só seu!-me deu um beijo intenso.

Tomamos o nosso cafe da manha em meio a muita brincadeira, e sorrisos. Era nestas horas que eu via como eu tenho sorte em ter o Rafa como marido, e eu me certifico de que eu não posso ser injusta com ele, não trai-lo, e jamais ceder a nenhuma investida vinda do Peter, ele era o meu amigo de adolescência, e isso que ele tem que permanecer.Para sempre.
Depois do cafe, tomamos banho juntos, e aproveitamos para começar o dia muito bem, sabe como e, nada melhor do que fazer amor com quem se ama.
Depois de trocados descemos as escadas e a primeira coisa que eu vi foram flores, muitas flores espalhadas pela minha sala, e algumas já acompanhadas de presentes. Era sempre assim, quando voltávamos de viagem todas as vezes tinham muitas flores e presentes nos esperando.

-Já estou quase me acostumando a ter a minha casa parecida com uma floricultura na comemoração do nosso casamento.

-Pensei que já tinha se acostumado.-sorriu me abraçando por trás. Mas voçe sabe que as flores mais bonitas sempre são as minhas, não e?-sorriu ao pegar um enorme buque de rosas vermelhas. Exagerado.


-Obrigada meu amor.

Vimos a Ana passar pela gente indo para a porta de entrada, e em seguida a abrindo, sorri quando ela recebeu mais um buque de flores sortidas, e uma caixa de presente na cor preta e um lindo laço vermelho. Ela agradeceu ao pegar o pacote, e entrou em seguida.

-Mais flores.-sorri. Flores são lindas, mas daqui a pouco a casa vai parecer que esta sendo arrumada para um velório.-Rafael me encarou.

-TPM?

-Desculpa.-sorri. Não, esta tudo bem.-peguei as flores das mãos da Ana.

-Vai abrir os pacotes agora?

-Mais tarde.

-Então vamos resolver as ultimas coisas para a festa de hoje a noite?

-Vamos. Ana, voçe poderia pedir alguém para colocar todos os pacotes, e as flores no quarto de hospedes?

-Claro!

O dia estava delicioso, faríamos a festa em casa mesmo como havíamos programado, e com o dia lindo seria apenas algo a mais para a nossa noite ficar perfeita.
Logo apos resolvermos os últimos detalhes para mais tarde, ouvimos a campainha tocar, e a Ana seguiu para a sala de estar.

-Sera que e mais presentes?-encarei o meu marido que tomava o seu suco calmamente.

-Não me olhe assim, voçe quem quis ficar por aqui, agora não da mais tempo de cancelar.-sorriu.

-Não vou cancelar.

-Amor da mãe!

-Mamãe.-me levantei indo braça-la. Este e o melhor presente, ter vocês aqui!

-Não poderíamos deixar de vir, não e?

-Claro que não. Papai.-o abracei enquanto o Rafa abraçava a mamãe. E ai meu irmão querido, pensei que ia ficar em casa jogando game.

-Bem que eu queria, mas a minha mãe não deixou.

-Que horror garoto, eu pensei que voçe me amasse.-o abracei.

-Nem sempre!-sorrimos.

O dia foi incrível, quando o pessoal da decoração chegou todos nos saímos para almoçarmos fora, e eu aproveitei a presença da mamãe, fomos lindas e maravilhosas para um salão. E claro eu não poderia deixar de recrutar a minha melhor amiga.


-Liz sua perua.

-Pare de implicar com a minha bolsa.-sorrimos. Ela tinha uma bolsa Prada linda, com estampa de oncinha, que a deixava mega perua, e eu falava somente para implicar.

-Esta bolsa e de perua amiga, aceita que dói menos.-sorrimos.

-Cala a boca Cris! Tia Laura, que saudades.-se inclinou beijando a mamãe.

-Tudo bem minha pequena?

-Tudo ótimo.

-Cade a minha filha?-perguntei distraidamente.

-Esta com o pai biológico amor, deixa dele sentir o prazer da vida.-sorrimos.

Em meio a muita fofoca fizemos cabelo, unha, maquiagem, massagem, banho de sais, enfim, o dia foi bem "dondoca". Detesto isso, mas só participei pelo simples prazer de estar ao lado delas.
Estava, terminando de passar o difusor no meu cabelo quando senti o meu celular vibrar. Pequei o aparelho, e olhei na tela constatando que tinha uma mensagem, e adivinha de quem era? Ele mesmo.

"Mas que mania feia que voçe tem de receber presentes e não agradecer. Ai depois liga para perguntar se estou com raiva. Peter"

Foi impossível não sorrir com a sua mensagem.

"Me desculpa, eu nem sabia que voçe tinha me mandado presente. Estou na rua, e assim que chegar em casa o seu será primeiro que vou abrir. Pode ficar tranquilo, não vou mais te ligar para saber se esta ou não com raiva de mim. Cris"

Enviei a mensagem, e deixei o celular na minha perna, mas não demorou muito para que ele desse sinal de vida novamente.

"Me deixe adivinha. -sim, estou com o indicador na testa rs- esta no salão? Pode ligar, eu sei que voçe me ama. Peter"

-Mãe, de um sorriso?-pedi, ela me olhou sorrindo, e eu tirei uma foto dela.

"Olha, ele e vidente agora. Pai Peter?rs. Para de se achar desta forma, fica feio. Olha quem esta aqui comigo.  Cris"

Anexei a foto da minha mãe na mensagem, voltei a dar atenção a cabeleireira que terminava de arrumar o meu cabelo.

-Para quem voçe mandou a minha foto Cris, posso saber?-sorriu. Ou melhor com quem e esta troca de mensagens ai.-sorri.

-Mandei para o Peter mamãe.

-Sabia, estes estão um grude só tia.-pronto, Liz colocando lenha na fogueira.

-Mentira mãe, quase não nos falamos. E que ele vai ser pai, e eu cuido da gravidez da mulher dele.-fui interrompida pelo celular.

"Dona Laura! Diz a ela estou com saudades, e mais tarde eu pretendo beija-la demais, e ai do Senhor Keanu me impedir! Não estou me achando, eu sei que voçe e louca por mim! Peter"

-Ele disse que esta com saudades, e mais tarde vai te encher de beijos. -disse e reparei que elas estavam sorrindo de alguma coisa. Do que estão rindo hem?

-A tia Laura esta falando que tinha certeza que voçe iria casar com o Peter, e que vocês eram o casal mais lindo do mundo dançando Bee Gees no seu aniversario de 15 anos.

-Mamãe!

-Estou mentindo?

-Dona Laura, dona Laura, não me vá aprontar esta noite!.-sorrimos. e mais uma vez ele vibrou.

"Estou mentindo? Peter"

"Não vou te responder! Cris"

Tinha deixado a Liz em casa, e tínhamos seguido para a minha casa. Estava uma bagunça sem tamanho, mas enfim, era dia de festa.

§

Olhei no relógio do meu quarto, e ja era exatamente oito da noite, a festa já tinha começado, a casa estava bastante cheia, e eu estava me encarando no espelho com o meu vestido roxo de bojo preto, ele era bem, sexy para a ocasião, mas foi o meu marido que escolheu.


-Entra!

-A festa já esta cheia mulher, não descer não e?-Liz entrou no quarto. Nossa que linda!

-Obrigada. Eu já vou descer.

-E hoje que o Rafael enfarta de ciumes.

-Foi ele que escolheu o vestido, não posso fazer nada.-sorrimos.

-Me diga uma coisa?

-Claro!

-E aquelas trocas de mensagens hem?-a olhei pelo reflexo do espelho e ela estava sorrindo.

-Voçe não presta!-sorrimos. Ele me mandou um presente, e perguntou se eu tinha gostado. E a proposito, eu nem vi o presente ainda.

-Vai vê-lo agora.-se levantou.

-Não!

-Agora sim, daqui a pouco ele chega, e vai te perguntar de novo!

-Tem certeza que o seu sobrenome não e Hernandez?

-Absoluta, por que?

-Voçe e chata como ele!

-Cala a boca, voçe me ama.-me segurou pela mão me puxando para fora do quarto.

-Ainda fala como ele.-sorrimos. Os presentes estão no quarto de hospedes.

Entramos no quarto que estava ainda mais cheio de coisas. Eu me perguntei quanto tempo iria demorar para achar o tal presente do Peter. Mas claro que com a ajuda implacável da Liz, não foi tão difícil quanto eu imaginei.

-Achei. Esta escrito Peter, e Pamela. Parece nome de dupla country.-sorrimos.

-Só voçe mesmo.

Reparei que era a mesma caixa preta de laço vermelho que eu vi chegar mais cedo. Abri a caixa e vi algo embrulhado em papel de ceda vermelho, e por sima estavam dois ingressos para o show dele em Vegas, com direito a uma noite na melhor suite do hotel Chelsea.

-A cara do Peter.-sorri lhe mostrando os convites.

-Deixa o Rafael em casa e me leva?-sorriu fazendo voz chorosa.

-Fechado. -sorri.

-O que e este ai embaixo?

- E o que vamos descobrir.

Desembrulhei o que estava envolto no papel de ceda, e eu senti o meu queixo ir no solo, e quase literalmente.


-O que e isso?-levantei a peça na frente do meu rosto.

-E exatamente o que parece ser.-sorriu. Uma fantasia erótica de enfermeira. Eu amei!

-Ele e louco? O que ele tem na cabeça?

-Ele deve estar querendo que voçe cuide dele amiga.

-Não, isso aqui foi uma piada. Ele não acreditou que o Rafa estava doente, e isso aqui só pode ser uma das gracinhas dele.

-Ele deve estar insinuando que da próxima vez voçe coloque isso para cuidado Rafa. Ou dele!-sorriu.

-Liz. -gargalhou alto, e eu sorri. Eu vou devolver isso, ele que mande a noiva dele usar com aquele barrigão de quase seis meses.

-Não se ofenda!

-Não tem nem como eu me ofender com ele amiga, o Peter e assim mesmo. Impulsivo.

-Voçe vai devolver?

-E claro que sim!

-Para de palhaçada Cris, e só uma fantasia de enfermeira.

-Erótica. -coloquei a peça na frente do meu corpo. Os meus peitos vão saltar daqui de dentro...

-Filha?

-Oi mãe.-escondi a fantasia rapidamente.

-O que e isso?

-Nada.-disse apressadamente.

-O Peter deu uma fantasia erótica de enfermeira para ela.-Liz linguaruda do cacete.

-Cade?

-Mãe!

-Me mostra logo.-ela praticamente pegou a peça da minha mão. Seus peitos cão pular aqui de dentro.-encarou a fantasia.

-Me devolve isso mãe, ele e muito abusado, e eu vou devolver.

-Ta, depois voçe decide o que vai fazer com esta fantasia, agora vamos descer quase todos os convidados já chegaram.

Saímos do quarto e seguimos pelo corredor em direção a festa. Estava tudo muito lindo, iluminado, e devidamente decorado. Ótimo trabalho da equipe.


Descemos as escadas e logo de cara eu vi o meu marido, ele esticou a mão, com um lindo sorriso, e eu segurei a mesma, sendo acolhida em seus braços em seguida. Me senti um pouco sem jeito pela quantidade de convidados presentes, mas como ele mesmo disse esta manha "Hoje e o meu dia!".
Vi a minha mãe passar por nos dois a segui com o olhar, e a vi de braços abertos indo em direção a alguém, e quando olhei bem, senti o meu corpo se arrepiar. Ele realmente veio.

Parte Peter

Depois de arrumados, seguimos para a festa de casamento da Crystal, com o Rafael. Sinceramente eu não estava com um pingo de vontade de ir ate mandar o presente de aniversario, sei que talvez despertasse a fúria do marido dela, ou ate a dela mesmo, mas que se dane, não estou nem ai pra isso. Na realidade, eu queria era vê-la naquela fantasia para mim.


Chegamos na casa, segundo o endereço que estava  no envelope, e a casa era enorme, estava muito bem decorada, com um ar sofisticado, e muito luxo. Devido a festa ser Black e tie -coisa que eu não curtia muito, afinal detesto gravata- tinham muitas pessoas bem arrumadas, mostrando como eram ricas de acordo com os carros que estavam parados na porta. Foda-se, eu também sou.
Entramos apos mostrarmos o convite, e o luxo se estendia pelo lado de dentro da casa. A Pam tinha me dito que ele gostava de mostrar o quanto tinha conseguido subir na vida, e agora olhando bem de perto, eu sei que isso aqui não e o ambiente da Cris, pelo o que eu conheço dela, ela não liga para tudo isso. Só se ela mudou, e mudou radicalmente.
Adentramos ao jardim, e logo a Pam encontrou algumas pessoas no qual ela conhecia, me apresentou a alguns médicos, e eu respondi educadamente por fora, mas por dentro estava pouco me fodendo para quele bando de soberbos de merda.


Sorri abertamente quando olhei para alto da escada, e a vi descendo os degraus, ao som de John Legend, ela estava simplesmente linda, com um sorriso estonteante nos lábios .O seu corpo perfeitamente moldado pelo seu vestido lindo e muito sexy. Como eu queria recebe-la no final daquela escada, mas o que me restava no momento era aplaudir o feliz casal assim como todos na festa quando ela terminou de descer as escadas sendo abraçado por ele.
Porem, o meu sorriso logo voltou ao meu rosto, quando ouvi o meu nome ser entoado por uma voz carinhosamente reconhecida, uma voz que eu amava tanto quanto a minha própria mãe.

-Peter.-Olhei para o lado e sorri.

-Dona Laura.

Nos abraçamos fortemente, e ela afagou os meus cabelos como fazia quando eu era mais novo, e eu sorri a abraçando ainda mais forte. Não falamos absolutamente nada, apenas nos abraçamos, nos afastamos milimetricamente, ela acariciou o meu rosto, e eu olhei em seus olhos, ela sorriu com os seus olhos um pouco úmidos e voltou a me abraçar, um abraço um pouco mais breve.

-Voçe continua lindo. Esta ainda mais lindo meu filho.

-Obrigado dona Laura, a senhora também esta linda, e o seu abraço continua o mesmo. Delicioso, e confortante.-sorri respirando fundo, confesso que vê-la depois de tantos anos mexeu comigo, senti nela uma presença materna muito grande.

-Obrigada meu filho, e que o meu carinho por voçe continua intacto. Acho que ele só aumentou a longo dos anos.

-Obrigado.-acariciei o seu rosto, e logo segurei em suas mãos. Como esta o senhor Keanu?

-Esta bem meu amor, ele esta por ai, me perdi dele quando fui la em sima chamar a Cris, que estava abrindo uns presentes.-ela sorriu, e eu temi que ela tivesse visto o meu, mas se ela não comentou nada, e por que não viu.

-Entendo, mulheres e presentes.-sorrimos.

-Adoramos, principalmente se for útil, e bem utilizado.-sorrimos. -Okey, agora eu tinha quase certeza que ela viu.

-Eu fiquei sabendo que a senhora teve mais um filho? -mudei de assunto antes que ela falasse abertamente, que viu a fantasia de enfermeira que eu tinha dado para a Cris.

-Sim, ele esta por ai também, e super grudado com o pai. E voçe, eu fiquei sabendo que sera papai em breve!

-Sim, claro so um minuto, vou apresenta-la. Pam?-chamei quando a encontrei conversando com uma moça. Pâmela?-ela me olhou e eu a chamei com as mãos.

-Oi amor.

 -Pâmela, esta e a dona Laura, a mãe da Cris. Dona Laura, esta  e a minha noiva Pâmela, e este e o nosso bebe, ainda não descobrimos o que sera. Esta com vergonha.-sorrimos.

-Não puxou ao pai certamente.-sorrimos novamente. Muito prazer querida, parabéns pelo bebe.

-Muito obrigada. Eu me consulto com a sua filha, ela e uma medica incrível.

-Obrigada.

-Peter.-ouvi uma voz grossa ao nosso lado, e logo me virei.

-Senhor Keanu!

-Como vai garoto?-apertou a minha mão me abraçando de lado.

-Muito bem, obrigado.

-Peter, este e o Michael, meu filho.-Dona Laura chamou a minha atenção.

-E ai cara?

-Nossa, e o Bruno Mars!-sorriu.

-Me conhece é?

-Impossível não te conhecer, sou o seu fã.

-Obrigado. Voçe também e bem famoso para mim, acredite.-sorri.

-Vamos cumprimentar o casal amor?

-Claro. Retornamos em breve dona Laura, quero matar a saudades da senhora.

-Volta mesmo.-sorrimos.

Eu olhei para eles e sinceramente, vê-lo com tantas mãos para sima dela me deixava muito incomodado, mas infelizmente eu não tinha outra opção, tinha que encarar o feliz casalzinho.
A medida que nos aproximávamos, eu via os seus olhos sem destino muito certo, ela parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali, menos ao lado daqueles homens engravatados, que provavelmente estavam falando sobre lipoaspiração e silicone.

-Boa noite, viemos cumprimentar o casal.-Pam sorri fazendo as honras, enquanto o meu olhar se perdeu nela, já que ela não me olhou.

-Obrigado Pâmela, Bruno.-ele nos agradeceu. Sejam muito bem vindos a minha casa.

-Obrigado Rafael.-o cumprimentei, enquanto a Pam abraçava a Cris.

-Parabéns Cris.- a  encarei franzindo o cenho.

-Obrigada Peter.-esticou a mão, e eu a cumprimentei com o aperto de mão, mas assim como tinha feito no aniversario da Pam, a puxei para um abraço.


-Espero que tenha gostado do meu presente.-disse baixo beijando proximo a sua orelha.

-Muito obrigada pelo presente, iremos usufruir com toda certeza.-sorriu, e agradeceu em um tom que todos a nossa volta pudessem ouvir. Merda talvez não tenha surtido o resultado que queria.

-O que o casal Hernandez nos presenteou amor?-e baby, o que eu presenteei a vocês? Pensei a encerando também.

-Eles nos presentearam com um maravilhoso show VIP, e uma noite na melhor suite so hotel Chelsea. Não e uma delicadeza meu amor?-quer dizer que ela estava mais soltinha esta noite? Vamos ver ate onde Cris.

-Muito obrigado.

-Imagina. Bem, vou voltar a falar com a dona Laura, que eu ouso dizer que e uma das mulheres mais belas da festa.

-Cuidado com a minha sogra.-ele disse sorridente.

-Fica tranquilo, mesmo onze anos depois eu permaneço sendo o querido da família.-engole e cala a boca.

Notei que a Pam me olhou com uma cara não muito legal. Dane-se, não falei nenhuma mentira, falei? E claro que não.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A ligação. cap 20


Sexta a noite quando voltei da casa da Liz, eu segui direto para o meu quarto, o Rafa ainda não tinha chego em casa, então eu decidi tomar um banho, e me trocar logo para espera-lo pra dormir.
Segui ate o closet, e escolhi um pijama confortável para dormir, quando fui guardar as minhas joias, sem querer esbarrei em uma das minhas caixas de recordações a deixando cair, espalhando tudo pelo chão. Porra. Me abaixei para recolher, e enquanto pegava os papeis me deparei com um pedaço de papel em especial, um bilhete que eu tinha guardado a quase onze anos. Coloquei as coisas na caixa,e segui para o quarto com o papel, e a  caixa nas mãos, me sentando na cama.

"Minha pequena, me desculpa por ter ido e não ter te acordado, é que você estava tão linda adormecida, parecia uma visão de tão bela. Mas eu precisava ir, tinha que terminar de arrumar as minhas malas.

Eu sinto muito não termos descoberto o quando nos gostamos antes de ter que ir embora, mas eu prometo voltar assim que for possível.

Se caso você desejar, o meu voo saí às 14:10 horas, eu queria muito te ver antes de embarcar.

Obrigado por confiar em mim, por ter se entregado a mim em sua primeira vez e espero que ela seja tão inesquecível para você, como será para mim.

Até breve, minha doce Crystal."

As lembranças daquela tarde vieram a tona, cada beijo, caricia, toque tudo, absolutamente tudo, principalmente a saudade. Saudade daquela época, daquele dia, daquele Peter, do meu amigo, do meu primeiro amor, do primeiro homem que me fez sentir unica e especial. Arrisco dizer que foi uma das melhores vezes da minha vida, na realidade, acho que foi a unica vez em que fiz amor de verdade.
Sem que eu me desse conta, senti as lagrimas começarem a cair pelo meu rosto, pingando no papel amarelado, e castigado pelo tempo, assim como sinto que o meu coração esteja agora, completamente castigado pelo tempo, e por estas lembranças.
Mexendo em mais algumas coisas vi o resultado do exame em que dizia eu não poderia mais ser mãe, e aquilo definitivamente acabou comigo, ainda mais depois do dia de hoje.

-O que foi meu amor?-me assustei ao ver o Rafa adentrar ao quarto.

-Nada meu amor. -dobrei o papel, e guardei com as outras coisas.

-Por que esta chorando?

-Estou vendo algumas lembranças. Coisas do Brasil, do Hawaii, mas as de Hoboken acabam comigo.

-Sinto tanto por isso meu amor.-ele me abraçou.

-Fiz uma ultrassom hoje, e ver o bebe em formação, o coraçãozinho batendo acelerado, me dói tanto. Ao mesmo tempo que me sinto bem, sinto uma dor horrível.

-Queria tanto poupar a sua dor.

-Me desculpa por ficar assim, mas e que eu queria tanto sentir como e carregar um filho, como e sentir ele se mexer, crescer, ama-lo desde a sua concepção.-não consegui segurar as lagrimas.

-Eu também queria meu amor.

Ele me abraçou forte me passando segurança, e conforto. Eu amo o meu marido, mas eu queria tanto um abraço do meu amigo agora.

§

Hoje e domingo, decidimos vir ao club de golfe no qual o Rafael gosta de frequentar, eu também gosto de vir, ainda mais quando a Liz, o Matt, e claro a Alicia podem vir conosco. A Alicia e uma menininha cativante de 4 anos, esperta, brincalhona, e esta sempre sorrindo. E o melhor de tudo, e super agarrada comigo, afinal, eu a vi na barriga, e fui uma das primeiras a pega-la no colo.

-Tia, eu quero tomar sorvete.

-Também quero.-sorri.Vou levar a Alicia para tomar sorvete.-anunciei a todos na mesa logo apos o almoço.

-E so chamar o garçom amor.-Rafa colocou a sua mão sobre a minha.

-Eu vou leva-la, quero caminhar um pouco.


-Vou com vocês. -Liz se levantou.

-Então vamos dar mais umas tacadas Rafa?-Matt se ajeitou para e levantar.

-Claro, estou ansioso para arrancar mais alguns dólares de voçe.

-Não vá deixar o meu marido pobre Rafael, ou eu vou de "mala e cuia" para a sua casa.-sorrimos.

-Não gosto desta de jogar apostando.

-Mas e ai que esta a graça meu amor.-me deu um beijo antes de seguirem para o campo.

-E ai, já ligou para ele?-perguntou enquanto íamos comprar o sorvete.

-Nossa mais direta que isso impossível não é?

-Voçe me conhece. Vai adianta o processo, ligou ou não?

-Não.

-Esta de brincadeira ne?-parou me encarando, mas eu continuei andando.

-Não e tão fácil assim.

-Por que, voçe ainda vai descobrir o numero de telefone dele?-me alcançou. O seu celular quebrou e voçe vai ter que usar o de outra pessoa? Ja sei, a manicure tirou um bife de suas unhas e voçe não consegue ligar? E fácil ate a minha filha sabe fazer ligações.-foi sarcástica.

-Não, não, e não! Quanto sarcasmo em um metro e sessenta de altura.

-Sessenta e um, não me diminua sua vaca.-sorrimos.

-Eu não estou com coragem.

-Eu vou dar com o sorvete na sua cabeça Crystal!

-Faz isso com a titia não mamãe.-A menina alisou o meu rosto, me beijando em seguida.

-Isso meu amor me defenda da sua mãe louca.-sorri com ela no colo.

-Ela esta merecendo filha, acredite.

-Eu só não sei o que falar.

-A verdade, pergunta se ele esta com raiva de voçe?

-Assim no seco?

-Espera ai, ou pegar uma água pra voçe.-sorri.

-Estou falando serio.

-Minha amiga para com isso, não seja tão indecisa, e medrosa por favor! Vai, liga pra ele.

-Agora?

-Não, semana que vem. Anda logo!

-O meu marido...

-Ele esta mais preocupado em arrancar alguns dólares do meu marido, do que se importando com um telefonema seu. Vai.

-Voçe tem razão.

-Eu sempre tenho!Vai ligando, que eu vou comprar o sorvete da Alicia.-a pegou do meu colo.

-Tudo bem.

Peguei o celular no bolso da minha calça, e enquanto olhava para ele, imaginava o que iria falar para o Peter.Sem me dar ao direito de pensar muito, para não correr o risco de desistir, fui no histórico de chamadas, e selecionei a sua ultima chamada para mim, respirei fundo, e selecionei a opção chamar.
A cada toque que o celular dava, e ele não atendia, eu sentia um frio intenso na barriga, um medo de fazer papel de idiota, e de ouvir a sua resposta mediante a minha pergunta. Tocou uma, duas, três, quatro, cinco. Tocou ate cair na caixa postal, não era para ser, ou ele esta ocupado, ou ele não quer me atender, e eu tenho quase certeza de que esta opção, e a mais exata.

-E ai?-perguntou se aproximando.

-Caiu na caixa postal.

-Tenta de novo.

-Ele não deve querer me atender.

-Liga de novo.

-Não Liz, ele deve estar furioso comigo.

-E voçe vai morrer com este "deve" na cabeça.

-Eu não vou mais ligar... -o meu celular começou a vibrar na minhas mãos.~

-E ele?-ela me encarou,e eu olhei no visor.

-Sim.

-Atende.

-Meu Deus, estou parecendo uma adolescente idiota!

-Ta bom, seja a adolescente idiota, mas atende logo isso, antes que eu atenda.-respirei fundo tentando controlar a minha insegurança, e elevei o celular ao meu ouvido.

-Alo.


Parte Bruno


Tínhamos chegado a Nova Iorque no sábado pela manha, acordamos ainda de madrugada para estarmos aqui antes da hora do almoço. Odeio acordar de madrugada.
O sábado foi tranquilo, e a Pam cumpriu com a parte dela fazendo compras para o nosso bebe, e ficando bem longe do estúdio enquanto trabalhávamos. Tudo bem, eu assumo, eu só disse que ela poderia vir comigo, para que ela parasse de dar aquele ataque todo dentro do carro, por que na realidade, eu queria era que ela ficasse em casa, mas enfim, contanto que ela não resolva nos fazer nenhuma visitinha e acabar atrapalhando o nosso trabalho, tudo bem.
Hoje era domingo a tarde, passamos boa parte da madrugada de sábado no estúdio, saímos pela manha, e voltamos logo depois do almoço.

-Bruno ouve estes ajustes que andei fazendo, o que acha?-Mark me entrega os fones.

-Voçe e suas mudanças!-sorrimos. Eu coloquei o fone ouvindo a tal mudança. Ficou bom!-o encarei assim que terminei de ouvir. Mas ainda não e bom o suficiente!

-Bruno Mars e a sua eterna procura pela perfeição!-sorrimos.

-Bruno acho que o seu celular esta tocando.-Phil me avisou.

-Deve ser a Pam de novo.-respirei fundo. A mudança ficou muito boa Mark, eu só endireitaria nos agudos, e melhoraria o ritmo da introdução... Mas que merda.-o celular permanecia tocando. Eu vou desligar esta porra!

-Ela deve estar com algum problema.

-Duvido.-me levantei pegando o celular, e no mesmo momento ele parou de tocar. Não era a Pam. -sorri ao ver o seu nome na tela constatando uma chamada perdida.


-Quem te arrancou este sorriso então?-Phil me questiona enquanto sem nem mesmo esperar retorno a ligação.

-Cris.

-Alo.-sua voz aparentemente insegura ecoa do outro lado da linha.

-Alo.

-E... -sorri, ela estava evidentemente tensa. Eu, e... Tudo bem?

-Sim, e voçe?

-Bem.

-Tem certeza, parece estar tensa, aconteceu alguma coisa?-me preocupei.

-Não, esta tudo bem... Tudo bem. Ótimo!

-Só um minuto já venho.-disse ja saindo do estúdio.

-Tudo bem...

-Não era com voçe, é que estou no estúdio, e estávamos fazendo alguns ajustes em uma  musica nova...

-Meu Deus, me perdoa, eu não queria te atrapalhar, eu posso falar com voçe em outro momento...

-Cris, relaxa.

-Não, e serio, eu posso falar em outro momento, o assunto nem e importante...

-Tudo o que voçe fala pra mim e importante pequena.-ela parou de falar,e apenas me ouviu. Agora me diz, a que devo a honra da sua ligação?

-Eu só queria saber se esta tudo bem.

-Esta, esta tudo ótimo, e com voçe?-sorriu. Tem certeza que é apenas isso?

-Bem, e que... Bom, eu queria saber... Hum... Queria saber se esta com raiva de mim. Pronto falei!-sorri mordendo o lábio inferior, sabia que a forma que eu a tinha tratado na ultima consulta da Pam iria surtir algum efeito.

-Eu assumo que fiquei com raiva na hora, mas eu não estou com raiva agora, nem que eu quisesse ficaria com raiva de voçe.

-Não?-disse mais baixo.

-Não! Mas não precisava mentir para mim.

-Mentir? Mentir em que? Voçe acha que eu menti sobre o meu marido estar doente, para não ir almoçar com voçe?

-Pode falar a verdade, não foi por isso?

-E claro que não Peter, eu juro pelo Michael?

-Michael Jackson, olha sinto te informar, mas ele já não esta mais entre nos!-sorrimos.

-Não, Michael o meu irmão mais novo.

-Voçe tem um irmão mais novo?-fiquei surpreso.

-Sim, ele tem dez anos.-a sua voz ficou tão amorosa ao falar sobre ele.

-Esta vendo, estamos realmente precisando conversar. E isso e mais um motivo para voçe aceitar sair comigo para almoçar.

-Peter, eu...

-Esta vendo, la vem voçe com mais desculpas.

-Não são desculpas, eu fico com receio de nos vermos juntos, e acharem besteira.

-Já disse que não me importo com isso.

-Mas eu sim.

-Eu acho que voçe esta com medo do que pode sentir ao estar comigo, isso sim.-ela ficou completamente muda. Cris?

-Eu não estou com medo com voçe!

-Isso é bom, e eu não vejo motivos para isso, afinal,eu não mordo. A não ser que voçe queira e claro, ai, eu posso morder, e fazer varias outras coisas.-sorri de canto, e mais uma vez ela ficou muda, eu só sabia que ela ainda estava na linha por causa da sua respiração que ficou evidentemente mais pesada. Não fica com vergonha.

-Eu estou sem ar, assumo.-ouvi o seu sorriso,sabia que ela estava sem jeito.

-Lembranças?

-Sim.-assumiu quase sem voz.

-Sei como e, elas são minha companheira constante, ainda mais depois que te vi novamente.-ela pigarreou.

-Bem Peter, eu já descobri o que estava me incomodando, e eu não quero mais te atrapalhar. Eu preciso ir.-Nervosa?

-Quero ver ate quando voçe vai fugir de mim.-sorriu.

-Quem sabe um dia? Beijo Peter.

-Beijo pequena.

Ela desligou o celular, e me deixou um sorriso idiota estampado na cara, ela ainda me fazia sentir como um bobo as vezes, e a cada vez que falava, ou olhava em seus olhos, eu via um Peter diferente, o Peter de anos atras, e eu acho que ela ainda guarda em algum lugar do seu coração um espaço em especial para este cara de anos atras.
Voltei para dentro do estúdio com o mesmo sorriso no rosto, era impossível falar com ela, ouvir a sua voz, e não ficar sem sorrir, foram muitos anos pensando nela, em como ela estava para chegar agora e agir como se nada tivesse acontecendo. Foram muitas noites pensando nela, e me lembrando do seu sorriso, do seu rosto, e sentindo a sua falta em vários sentidos.

-Esta grudado?-Phil me questionou assim que entrei.

-O que?

-O sorriso idiota na cara.-sorrimos.

-Imbecil!

-E serio cara, eu acho que nunca te vi com um sorriso assim.-Mark me encarou.

-Eu sou amigo a mais tempo, e afirmo que também não!

-Me deixem, só estou feliz em ter reencontrado uma amiga!

-Uma amiga que te faz sorrir assim? Sei, e mais que uma amiga isso sim.

-Não e Phil, ela acabou de recusar sair para almoçar comigo. De novo!

-E aquela amiga do aniversario da sua noiva?

-Pior que sim Mark!

-Ela e casada não e?

-Vai fazer seis anos de casada, eles ate nos convidou para a festa de casamento. Ele na realidade, porque eu acho que ela esta e fugindo de mim.

-Talvez por ela ser casada, e voçe ter uma noiva, ira ser pai em breve...

-Ela e a medica da Pam.

-E voçe esta tentando algo com ela?

-Não, só quero sair como amigo. Mas se rolar algo eu não vou ser hipócrita, iria adorar.

-Voçe adora uma encrenca, nunca vi. -sorrimos.

-Vamos deixar isso pra la, e vamos trabalhar.

-Sim, senhor apaixonadinho.

-Por voçe amor.-gargalhamos.

Apaixonado. Sera que um dia eu deixei de estar apaixonado por ela? Sabe, depois que ela voltou, eu sinto que tudo o que eu senti por ela a anos atras só estava dormindo. Sinto que aquele sentimento acordou com tudo, e esta gritando dentro de mim para sair, para largar tudo, e viver todo o tempo que perdi com ela no passado. E eu sinto que para fazer isso, eu só dependo dela.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Indiferente. cap 19


Tinha como oferecer um sorriso mais falso depois de vê-los se beijando? Não, não tinha.
Eu estou me sentindo sufocada, e incomodada com a sua presença nesta sala, e como se eu sofresse de claustrofobia, e a cada segundo que ele passa aqui dentro com ela, ao lado dela, acariciando a mão dela, era como se a sala se fechasse um pouco mais.

-Cris?

-O- Ola. Sorri como se saísse de um transe. Tudo bem Peter?

-Sim, e voçe?-deu a volta na maca esticando a mão para um cumprimento, e nada mais do que isso.

-Bem.-o cumprimentei normalmente.

-Como vai o seu marido?-olhou dentro dos meus olhos permanecendo serio.

-Ele vai muito bem, obrigada. Esteve doente a uma semana e meia atras, mas já esta ótimo. Obrigada por pergunta.-porra, ele esta com raiva com mim, certamente não acreditou no que eu disse quando me ligou, mas era a verdade, e eu não posso fazer nada se ele não confiou em mim.

-Que bom ele esta melhor!

-O que o Rafa teve?-a Pâmela me encarou. Rafa, e serio? Quanta intimidade.

-O meu marido estava com uma virose, mas já esta melhor.

-Tadinho, que bom que esta melhor.

-Vamos começar o exame?-mudei de assunto.

Peguei a sonda e comecei a fazer o exame, mostrei a eles cada membro aparente do bebe deles, que estavam visivelmente felizes, e emocionados por vê-lo pela primeira vez. Mas eu vi a verdadeira emoção nos olhos deles, quando eu coloquei o coração acelerado do pequeno bebe, para que eles ouvissem. Geralmente eu ficava muito feliz e emocionada com o casal,quando ouvia o coração do bebe pela primeira vez, e desta vez não foi diferente. Era um momento emocionante, único, e que superava ate a descoberta do sexo do bebe. Mas hoje eu estava diferente, não sei explicar ao certo, estava muito feliz por eles, mas não era uma felicidade tão completa.
Nestas horas eu sempre me lembrava de como eu não tinha tanta sorte na vida, e jamais iria conseguir ter o meu filho, o meu próprio bebe para amar, e cuidar com todo o carinho do mundo. So eu, e Deus sabemos como eu amo crianças, e como eu amo me dedicar a elas. Não e a toa que todo final de ano, eu faço doações de presentes para as crianças do orfanado onde a Caroline estava. Caroline. Lembrar dela me deixa ainda pior, já que nem ter a sua guarda eu consegui.

-Esta tudo bem Cris?-ouvi a sua voz me despertar novamente.

-Sim. Desculpa, eu sempre me emociono ao ouvir o coração de um bebe. Me desculpem.

-Voçe e o Rafael, não pretendem ter filhos?-ela me encarou.

-Um dia, quem sabe!-não quera tocar neste assunto. Bem, eu vou finalizar o exame.

-Não da para ver o sexo?-ele me questionou.

-Ate daria, mas durante todo este tempo, ele ficou envergonhado, estava de perninha fechada. Certamente ele puxou a mãe.-sorri, e me toquei do que tinha falado. Desculpa de novo.

-Imagina, voçe tem toda razão.-ela sorriu olhando para mim.


Voltei a minha atenção para a maquina de ultrassom, era a melhor coisa que eu fazia agora.
Ao terminarmos o exame, eu sai da sala avisando que estaria na minha sala,  que assim que ela estivesse recomposta, eles poderiam se encaminhar pra a la.. Levei comigo os dados do exame,os deixando a sós.
Entrei como um jato na minha sala, estava tensa, nunca tinha cometido tanta gafe em toda a minha vida, em um exame. Mas o que eu posso fazer se estou completamente nervosa? Me assustei ao ouvir batidas na porta, e mandei que entrasse.

-Amiga, me da uma opinião?

-Claro.-respirei fundo.

-O que houve?

-Nada.-tentei sorrir.

-Eu te conheço.-cruzou os baços. O que houve?

-Dona Laura dois.-sorrimos. Eles estão ai.

-Quem?

-O Peter, e a noiva.

-O Bruno Mars?-me encarou incrédula.

-Quer um microfone meu bem, acho que a clinica inteira não ouviu.

-Quero.-sorrimos. Esta explicada esta cara de quem viu um fantasma, e ficou completamente apaixonada por ele.

-Cala a boca Liz. O que voçe quer, fala por que daqui a pouco eles vão entrar, e eu preciso finalizar a consulta.

-E sobre a minha paciente de 11 anos, ela já esta menstruando.

-Encaminha ela para mim, que eu cuido dela.

-Tudo bem.-ouvimos batidas na porta. E eles?-perguntou quase sem som.

-Não sei.-respondi no mesmo tom. ENTRA!-disse alto para que me ouvissem.

-Voltamos.-ela sorriu ao entrar seguida por ele. Boa tarde! -olhou para a Liz.

-Boa tarde!

-Ola, boa tarde!-ele sorriu olhando diretamente para a Liz.

-Ola!-sorriu abertamente, e ele franziu a testa a encarando.

-Acho que já te vi antes, mas posso estar enganado...

-Não esta, eu fui a vários M&G's. Liz... Lisandra. -se corrigiu apressadamente.

-Sabia, sou bom fisionomista.-a cumprimentou com um aperto de mão, e um beijo no rosto?

-Doutora Lisandra Motta, excelente pediatra.-sorri.

-Pediatra, já pode cuidar do nosso bebe!-ele disse sorrindo.

-Com todo prazer.,-sorriu abertamente. Preciso ir, estou com uma paciente para atender agora.-olhou no relógio. Parabéns pelo bebe. Ate doutora García.

-Ate doutora Motta!-sorri. Por favor sentem-se.

-E ai com quantos meses eu estou?

-De acordo com o seu exame, voçe esta com 16 semanas e 3 dias, daqui a 4 dias voçe completara 5 meses.O seu bebe tem exatamente 11,6 centímetros, por volta de 80 gramas -ela sorriu passando a mão na barriga, assim como ele a acariciando. Eu vou fazer uma breve conta para tentar estipular a provável data do nascimento do bebe. Lembra o dia da sua ultima menstruação?


-Foi no dia 09 de Março.

-E a data certa que ele vai nascer?-ele me questionou sem nem olhar para mim..

-E a provável data, já que ele pode nascer entre 37 e 42 semanas.-sorri normalmente ao responde-lo. Bem de acordo com os cálculos, ele pode nascer proximo ao dia 14 de dezembro, antes, ou depois.

-Ja passaremos o natal com o nosso bebe amor.-ela sorriu e eles se beijaram novamente. OKEY A CONSULTA ACABOU, PODEM IR EMBORA. pensei seriamente em gritar, mas não quero ser taxada de louca.

-No mais e isso. O seu bebe esta muito bem, e voçe vai continuar tomando a medicação que passei antes para o controle da azia, e se na próxima consulta voçe ainda estiver com a pressão elevada, começaremos com uma medicação, tudo bem?

-Sim, muito obrigada.-Ela se levantou seguida por ele. Ate mês que vem?

-Sim, mês que vem sera da mesma forma, a Sam vai te ligar para confirmar a consulta.

-Claro. Tenha um bom dia Doutora.

-Igualmente Pâmela. -dei a volta para abrir a porta para eles. -Se cuida-disse e nos cumprimentamos com um beijo no rosto.

-Ate doutora.-ele me encarou antes de simplesmente sair, sendo ainda mais frio do que quando chegou no qual apertou a minha mão, e nem isso ele fez na partida.

-Ate Peter. -fechei a porta atras de mim assim que eles saíram.

Segui ate a minha mesa, e me sentei sem conseguir entender a reação, e atitude dele durante a consulta, ele chegou frio, e foi embora ainda mais frio comigo, e em nada lembrava o Pete de alguns dias atras. Realmente ele esta com raiva de mim, melhor, definitivamente, ele esta muito puto comigo.

Parte Bruno

Depois de passar mais ou menos meia hora, com a Pam na consulta, e me segurando muito para não fazer besteira, e acabar passando do limite que eu mesmo estipulei quando estivesse com a Cris a partir de agora, enfim, estávamos indo embora para casa.
Abri a porta do carro para a Pam, a ajudando a entrar, fechando em seguida, dei a volta, e entrei no mesmo.

­-O que houve la dentro?-disse normalmente quando dei partida no carro.

-Nada.

-Isso mesmo, nada. Nem um abraço apertado, um beijo no pescoço, ou palavrinhas ao pé do ouvido da sua amiga.-disse ironicamente, e eu desisti de sair com o carro o desligando, e a encarei.

-Qual é, voçe brigou comigo por ter sido simpático com ela no seu aniversario. Dia em que eu a reencontrei depois de quase onze anos. E agora voçe esta reclamando por eu não ter falado com ela direito? O que voçe tem?

-Não estou reclamando, só achei estranho. Imaginei que voçe iria ser muito mais simpático com ela.

-Quer que eu volte la, e a encha de beijos?-não e ma ideia. Eu volto!

-Voçe não e louco, seu palhaço!-me deu um tapa no braço me fazendo sorrir.

-Eu te adoro, tudo bem?-ela sorriu.

-Eu também.-lhe dei um selinho demorado, e o meu celular começou a tocar.

-É o Phil.-disse ao conferir a chamada. Fala meu irmão.

-E ai meu irmão, tudo bem?

-Sim, o que voçe manda?

-Bruno, o Mark acabou de me ligar, disse que não conseguiu falar com voçe mais cedo.

-Eu tinha esquecido o celular no silencioso.

-Proeza.

-Vai a merda.-sorrimos.

-Então, ele disse que não vai poder vir para Los Angeles este final de semana, e nos pediu para irmos ate Nova Iorque.

-Hummm...

-Eu disse que por mim tudo bem, afinal ele já nos seguiu por tantos lugares, nada mais justo.

-Verdade.

-Ele esta atarefado, não conseguiu vir.

-Sem problemas. Quantos dias? Sabe que temos que viajar em cinco dias.

-Eu sei, vamos amanha de manha, e voltamos em dois dias.

-Ta, sem problemas. Nos falamos mais tarde então.

-Ta certo.-desliguei colocando o celular no painel do carro.

-O que houve?

-Vou viajar para Nova Iorque amanha...

-O que? Não acredito.

-No que? Eu também preciso trabalhar, e o Mark não conseguiu vir ate Los Angeles.

-Voçe esta brincando comigo. Vai ficar quantos dias?

-Vou amanha de manha, e volto em dois dias Pâmela, e rápido.

-Rápido? Voçe fica fora por dias fazendo show atras de show, mal volta pra casa, e quando volta mal fica. Daqui a pouco voçe só vai saber o sexo do nosso bebe quando ele estiver casando...

-Não seja exagerada...

-Não estou sendo exagerada meu bem, e sim realista. Bruno eu preciso de voçe ao meu lado poxa.

-Sabe qual e o seu problema?-ela me encarou. Voçe não me deixa falar. Eu iria te chamar para ir comigo, e enquanto eu estivesse no estúdio, voçe poderia ir comprando as coisas para o nosso bebe.-ela me encarou.

-Serio amor?-ela sorriu com a feição mais suave. Eu pensei que voçe iria me deixar mais uma vez em casa.

-E claro que não.- a puxei para um abraço. Mas se lembre, eu vou trabalhar, e não passear.

-Eu sei, mas só de estar proximo de  voçe, já e ótimo. A doutora disse que eu não posso me aborrecer por causa da minha pressão.

-Voçe não vai se aborrecer, eu prometo.-beijei de leve os seus lábios. Dei a partida e seguimos para casa.


Parte Cris

Sabe quando voçe sente um peso saindo das costas quando passa por um momento de tensão?

 Então, foi exatamente assim que me senti quando eles foram embora.

Mas por outro lado, eu senti que ele estava tão distante de mim, e isso me incomodou demais, não deveria, mas incomodou. Ele me tratou de forma tão diferente na festa, e hoje foi como se não me conhecesse.

-Entra.-ouvi batidas na porta.

-Ola, e ai como foi?-sorriu de forma sugestiva.

-Como foi oque dona Liz?

-Oras, o que!-sentou a minha frente. A consulta, estar na frente do bofe, ao lado da noiva dele. Por falar em bofe, nossa como ele consegue ficar mais bonito a cada dia?

-Acredite ele melhorou muito mesmo. -sorrimos.

-Malvada.

-Nem sou, e que voçe não o conheceu com 13 anos de idade. Mas ele sempre foi a felicidade das meninas.-sorri ao me lembrar dele naquela época. Paquerador. Ele era muito paquerador.

-E foi isso que te conquistou nele?

-Não. O Peter era um amigo incrível, sei que ainda é. Ele sempre me ajudou em tudo, sempre foi gentil, educado, a minha mãe o adora, se souber que o vi, ela vai ficar super feliz. E o melhor de tudo, sempre me fez sorrir.-sorri sentindo os meus olhos arderem. E eu me apaixonei pelo jeito dele, pelo carinho que sempre me tratou, da forma que sempre me olhava, que cantava pra mim. Droga.-limpei a lagrima que caiu.

-Por que esta chorando?

-Sinto falta dele.-mordi o lábio inferior sentindo as lagrimas caírem.

-Ai amiga, não chora, por favor. Fala pra ele o que sente. Que sente  falta dele como amigo.

-Não posso.

-Por que?

-Agora esta com raiva de mim.-sorri sem vontade.

-Raiva? Mas por que?

-Ele me chamou para almoçar lembra?

-Sim. E voçe não foi por que o Rafael estava doente.

-Mas ele não acreditou em mim, e agora esta com raiva.-sorri limpando as lagrimas.

-Como voçe sabe que e por causa disso?

-Não sei, mas só pode ser.

-Perguntou?

-Não! Mas eu o conheço.

-As pessoas mudam, não tire conclusões precipitadas. Voçe precisa saber antes de julgar.

-Ai e que esta, como eu vou saber?

-Perguntando né meu amor. Liga pra ele e pergunta. Voçe e mais esperta do que isso!

-E claro que não,esta louca? Eu não teria coragem disso.

-Não sei por que. Ele não e seu amigo?

-Não e a mesma coisa de antes. Não me sinto no direito.

-Se voçe pensar assim, sabe o que vai acontecer?- a encarei. Vão se afastar ainda mais. E isso que voçe quer?

-Não.

-Foi o que imaginei. Olha, pensa bem no que voçe quer fazer, e depois decide. O Rafael vai cedo para casa hoje?

-Sexta feira? Duvido, hoje aquele consultório dele, e um inferno na terra-sorrimos. Todo mundo que fazer lifting, colocar botox, enfim! -sorrimos

-Ótimo, vem jantar comigo e Alicia esta noite. O Matt esta em Ohio, e só volta amanha.

-Ai Liz...

-Por favor Cris, voçe quase não sai de casa,e a Alicia esta com saudades.

-Que maldade colocar ela no meio da sua chantagem.

-Voçe me ama, admite.

-Voçe e chata, eu admito.-sorrimos.

As palavras da Liz ficaram na minha cabeça, a ideia de ligar para ele não era uma das piores, mas e a coragem? Esta sempre fora a minha maior inimiga, ela nunca gostou muito de mim, por isso sempre se manteve longe. Eu quero te-lo perto de mim, eu amo o Peter, e não sei identificar a intensidade deste amor, não sei se sinto que ainda tem algo inacabado entre nos, ou e apenas a falta do meu antigo amigo.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sera que ele vem? cap 18

Depois da ligação do Peter pela manha no dia em que o meu marido estava doente, -eu tenho certeza de que ele achou que eu estava mentindo em relação a isso-, ele não ligou mais nem para mim, e muito menos para a clinica. E depois de dez dias, sem noticias dele, era obvio que ele estava me evitando. E quer saber? Talvez seja melhor assim, eu estou precisando de calma, e este reencontro com o Peter me trouxe tudo, menos calma.
Falando no meu marido, ele estava com uma virose, não era nada de mais, mas sabe como e homem, qualquer coisa já esta morrendo.
Hoje era dia 25 de agosto exatamente um mês desde a primeira consulta da Pâmela comigo, e ontem recebi a confirmação da sua presença hoje no horário da tarde.
Cheguei na clinica no horário habitual, e segui direto para a minha sala, que como sempre, era o caminho preferido da minha melhor amiga.

-Cris, bom dia!

-Bom dia Liz.-sorrimos.

-E ai, quais são as novidades?

-Nenhuma.-desviei o meu olhar do seu, e comecei a mexer no prontuario da minha próxima paciente. A não ser...

-A não ser?-se sentou a minha frente rapidamente me fazendo sorrir.

-Hoje e a consulta da Pâmela.

-A noiva dele?

-Sim.-a encarei.

-Sera que ele vem?

-Duvido.

-Ele te ligou novamente desde aquele dia pela manhã?-alem de melhor amiga, ela era minha confidente, e eu contava cada detalhe da minha vida para ela.

-Não. Sem duvidas ficou com raiva de mim.

-Sera?

-Não sei. Não sei se ainda o conheço bem para afirmar alguma coisa.

-Se ele vier me chama!-sorrimos.

-Louca.

Parte Bruno

Desde a ultima vez que falei com a Cris pelo celular, ainda não tinha nem falado, e nem a visto novamente. Eu tenho quase certeza de que ela estava mentindo para mim em relação ao marido dela, e a realidade, e que ela não queria, e não quer mais ter nenhum tipo de contato comigo, e cabe a mim, respeita-la.
E também por que eu senti que estou indo rápido demais, em relação a nossa "amizade", anos se passaram desde a ultima vez que nos vimos no Hawaii, e ela esta visivelmente mudada, não só fisicamente, como certamente na personalidade. E definitivamente este foi um dos motivos de eu ter decidido respeita-la, se ela realmente quer se afastar de mim, eu me afastarei dela, vou esperar ate que ela venha me procurar. Só não garanto que esta espera seja da forma mais justa.
Fiz mais alguns shows pelos Estados Unidos, e no final deles, ganhei mais um intervalo de sete dias para ficar em casa curtindo o crescimento do meu filhote na barriga de sua mãe, e claro, descansar.
Por falar em descanso, eu só usufrui desta condição por apenas dois dias.

-Voçe vai comigo desta vez não e amor?-questionou-me na hora do almoço.

-Onde?-parei o garfo entre o prato, e a boca a encarando.

-Na consulta de pre natal.-sorriu. O que ela estava pretendendo. Aproveite para ver a sua "amiga".

A encarei por mais alguns segundos, mas sabe quando voçe esta olhando para uma pessoa, mas a sua mente estava em outro lugar? Eu fiquei exatamente assim, quando pensei na possibilidade de vê-la novamente. Estranho, mesmo dando espaço ao meu orgulho, e me privando de ter contato com ela, eu não consigo deixar de ficar ansioso com a ideia de vê-la, mesmo não sabendo qual sera a minha reação ao estar cara a cara com ela novamente, ou melhor ainda, a sua reação.

-Bruno? Estou falando com voçe.

-Desculpa.-coloquei o garfo no prato novamente ainda cheio.

-Voçe vai?

-Não sei, acho que não!

-Por que?-me encarou seriamente.

-Quero descansar, cheguei a dois dias de mais um monte de shows, e pedir demais?

-Eu vou fazer uma ultrassonografia, sera a primeira vez que vamos ouvir o coração do nosso filho, e voçe quer ficar em casa para que? Dormir?

-Talvez!

-Voçe e um egoísta.-se levantou jogando o guardanapo na mesa. Eu só te pedi para ir comigo, me acompanhar a um exame para vermos o nosso filho, e voçe simplesmente diz que não vai, por que quer dormir? Quer saber? Vai a merda Bruno.

Imediatamente eu perdi a fome. Coloquei a mão na cabeça apoiando os cotovelos na mesa, e respirei fundo. Por que mesmo eu não quero ir ver a primeira ultra do meu filho? Ah, claro, quero respeitar o espaço da Cris. Espaço este que ela mesmo estipulou entre nos dois, fazendo de tudo para ficar longe de mim. E já que ela que ficar longe de mim, eu vou ficar longe dela.


Me levantei e fui para a sala, liguei a TV e fiquei assistindo um canal de esportes qualquer, estava deitado no sofá, não tem melhor lugar para descarregar a preguiça.
Mais ou menos uma hora depois eu vi a Pâmela descendo as escadas completamente arrumada, com uma bolsa a tiracolo. A segui com os olhos, e antes de abrir a porta ela parou, e se virou para onde eu estava.

-Eu vou com o Dre, não estou muito a fim de dirigir.

-Tudo bem.

-Voçe realmente não vai né?

-Pam...

-Tudo bem.-espalmou a mão na minha direção. Esquece.-deu as costas e saiu.Me joguei no sofá novamente, e coloquei as mãos no rosto.

-E pelo seu filho. E pelo seu filho.

Me levantei do sofá, e segui para o quarto, tomei um banho rápido, me troquei, e em pouco mais de quarenta minutos estava saindo de casa. Eu não poderia deixar de ouvir o coração do meu filho pela primeira vez, por causa de uma birra idiota que nem era minha, se ela não esta querendo olhar para mim, foda-se, e só não me olhar. Eu que não vou deixar de viver por causa dela. Esta mulher esta conseguindo me deixar mais louco do que eu já sou.
Peguei o meu carro e dirigi tranquilamente em direção a clinica, o transito estava bom, não estava totalmente livre, mas dava para se locomover melhor.
Liguei o radio em uma estação aleatória, e estava terminando de tocar Green Day, se eu não me engano era wake me up when september when, era uma bela musica, eu gosto deste estilo.Cantarolei o final da canção, ao mesmo tempo que dobrei a esquina me deparando com um belo engarrafamento.

-Mereço.-bati com a mão no volante.


Os primeiros acordes de Aerosmith - I Don't Wanna Miss a Thing começou a tocar no radio, e eu senti o meu corpo inteiro formigar. Era incrível como mesmo depois de tantos anos qualquer coisa que me lembrasse ela, praticamente me deixava paralisado.
Eu me lembro exatamente do dia em que eu cantei esta musica para ela, tínhamos acabado de fazer amor, e ela estava em meus braços completamente nua, com o seu delicioso cheiro de flores -o hidratante que ela mais gostava-, e ainda gosta, afinal senti o mesmo cheiro quando a abracei no aniversario da Pam. Definitivamente ela vai me deixar louco.

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, querida
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce que nunca tive
Eu estaria te perdendo, querido
E eu não quero perder nada

Steven Tyler declarava o seu medo de perder a sua garota, enquanto eu me deixava levar pelas maravilhosas recordações daquela tarde incrível que passamos juntos a anos atras. O seu beijo, o seu toque, o seu corpo, tudo me deixava com ainda mais vontade de te-la novamente, era algo tão intenso que a minha boca chegava a salivar, diante do meu ainda presente desejo por aquela mulher.

Não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, querida

-Cala a boca Steven!-desliguei o radio, e recostei a cabeça no encosto do banco. Por que eu ainda sinto tanta necessidade de ter esta mulher?

Despertei dos meus pensamentos com a buzina do carro de trás, e continuei o meu caminho, era a melhor coisa que eu poderia fazer agora.

Parte Cris

Tinha acabado de voltar do almoço, hoje sozinha já que levei mais tempo do que necessário na ultima consulta, a Liz acabou indo na frente para não se atrasar com os seus pacientes do horário da tarde. Odeio me alimentar as pressas, mas eu adoro dar a minha total atenção as minhas pacientes.
Era exatamente três e quinze da tarde quando entrei na minha sala, guardei a minha bolsa, liguei o meu computador, e acessei os dados da minha próxima paciente da tarde. Pâmela Muniz. Respirei fundo, e eu não sabia se queria que ela viesse sozinha, ou acompanhada. Porem antes que eu pensasse em mais qualquer coisa, o telefone da minha mesa começou a tocar.

-Ola Sam.

-Doutora García, a sua próxima paciente, a senhora Pâmela Muniz já chegou. Posso manda-la entrar?

-Pode. Obrigada Sam.

-De nada Doutora.

-A proposito Sam, peça para arrumarem a sala de ultrassom, por favor?

-Claro doutora.

-Obrigada.-desliguei. Bem, se ela veio sozinha, ou não, e a hora de descobrirmos.

Coloquei o meu celular no mudo, por que eu odeio ser interrompida durante uma consulta. Ajeitei o meu jaleco, e terminei de ajeitar todo o material que usaria durante a consulta. Ouvi batidas na porta e pedi que entrasse.

-Boa tarde doutora.-sorriu de canto ao me ver.

-Boa tarde Pâmela.

Me levantei dando a volta na mesa, esticando a mão para ela em forma de cumprimento. Ela olhou para a minha mão, e por um segundo imaginei que ela não iria retribuir o gesto. Não acredito que ela possa estar com raiva de mim por causa do noivo dela! Porem ela aceitou o meu cumprimento, e sorriu abertamente.

-Como vai este bebezão?-fechei a porta e segui para a minha cadeira.

-Muito bem, obrigada!-sentou. So a azia que continua a mesma coisa, ou ate pior.

-E assim mesmo, pode continuar tomando o mesmo remédio que receitei na ultima consulta.

-Ele parece não fazer efeito nenhum, acho melhor trocar.-a encarei arqueando a sobrancelha, e impressão ou ela esta tentando ensinar o meu trabalho?

-Fica tranquila, os primeiros meses são bem complicados, portanto, esta tudo correndo muito bem, não se preocupe. Tem sentido alguma coisa alem do normal?

-Alem daquela alta de pressão, nada mais.

-Verdade, eu olhei aqui na sua ficha recém atualizada, e a sua pressão ainda esta alterada. Voçe tem se aborrecido?

-Por que voçe acha isso?-estava digitando a alteração em seu prontuario, e parei para encara-la. E serio isso?

-Devido a sua alta de pressão Pâmela, geralmente ela acontece depois da vigésima semana, e saberemos hoje ao certo com quantas semanas voçe esta, mas pelo tamanho da sua barriga, não deve chegar a tanto, pelas medias eu acho que voçe esta no quarto mês. E se for hipertensão, precisamos ficar ainda mais atentas. Isso não e bom para o seu bebe, e muito menos para voçe. O aconselhável e que voçe tenha uma gravidez tranquila, sem aborrecimentos, e estresse.


-Por que perigoso?

-Por que com a pressão desregulada, voçe corre um grande risco de ter complicações na hora do parto. Pode ocorrer uma pre-eclampsia, e não queremos isso.

-Não mesmo.

-Não fique preocupada, vamos cuidar muito bem de voçe, e do seu bebe. -o telefone da minha mesa tocou novamente. Pois não Sam?

-Doutora a sala de Ultrassonografia esta pronta.

-Tudo bem, só vou tirar as medidas da paciente, e já estamos indo.

-Sim senhora.-desliguei o telefone.

-Pâmela por favor deite na maca?

-Claro.

Depois de tirar todas as medidas do crescimento da barriga dela, e fazer mais algumas perguntas, e responder outras, seguimos para a outra sala.
Assim que entramos, eu pedi que ela se trocasse, tirasse as suas vestimentas, e colocasse o hobby esterilizado da clinica, para fazermos o exame, e apos isso, começaríamos o procedimento. Logo em seguida eu sai da sala, queria dar a minha paciente a privacidade necessária.
Depois de trocada, a enfermeira que a acompanhou me chamou do lado de fora, e eu entrei a encontrando já trocada, e com um lençol sob as suas pernas e quadris.

-Isso e um pouco gelado, pode criar um desconforto.-sentei a frente no aparelho de ultrassom.

-Tudo bem.-passei o gel, e peguei a sonda do aparelho de ultra-som, e antes mesmo que começasse o exame, o telefone da sala tocou. Só um minuto.-pedi já pegando o aparelho. Sam?

-Doutora, o noivo da paciente Pâmela Muniz, esta na recepção solicitando a entrada para o exame.-Ele veio, Merda, merda, merda. Respirei fundo, e tentei ficar o mais normal possível, mesmo o meu coração querendo sair pela boca.
-Pâmela, o seu noivo esta na recepção, posso autorizar a entrada dele?

-Bruno?-sorriu abertamente. Claro, claro que sim.

-Esta autorizado Sam.

-Tudo bem doutora.-desliguei.

-Ele já esta entrando.

-Ainda bem que ele conseguiu vir hoje.

-É. Vou esperar ele entrar para começar.

Virei para o aparelho, e comecei a mexer em algumas coisas do sistema, nada de mais, eu só queria desviar a minha atenção do que estava prestes a acontecer. Queria saber por que eu estou tão tensa, e nervosa, queria entender, o por que depois de tantos anos, este homem ainda consegue me deixar desestabilizada.

-Foco Cris, voçe e uma profissional.-respirei fundo falando baixinho somente para que eu mesma ouvisse.

-Falou alguma coisa?-ela me questionou.

-Eu?-sorri, Não, eu só...

Nem consegui terminar a minha frase, e fui interrompida pela maçaneta se abrindo, e o seu perfume invadindo a sala completamente. Senti um solavanco na coluna, e o meu corpo inteiro gelou, foi como se eu paralisasse completamente.
Sorria Cris, sorria e seja simpática, não tem motivos para tanto nervosismo. Tinha sim, ele estava lindo, cheiroso, e fez o meu corpo desejar cada centímetro do seu. Não. Não posso.

-Oi amor, ainda bem que voçe veio.-ela sorriu esticando a mão para ele.

-Desculpa, eu deveria ter vindo com voçe.

-Esta tudo bem, o importante e voçe estar aqui.-ele se curvou beijando os seus lábios, eu me senti constrangida em olhar, e me virei. Na realidade, acho que senti um desconforto.

-Doutora?-ouvi a sua voz rouca, e me virei para o casal com um sorriso no rosto.