sábado, 25 de julho de 2015

A consulta. cap 10


Beijei o meu marido na porta da garagem de casa e logo em seguida ele entrou no seu luxuoso Bentley, e eu entrei no meu Malibu, bem mais simples, mas tão bonito quanto, aos meus olhos. Ao contrário dele, eu não gostava de ficar insinuando quanto eu tinha na minha conta bancária.

Ele pediu que eu tomasse cuidado, assim como todos os dias quando nos despedíamos na porta de casa. Ele, assim como eu, sentia receio do que poderia acontecer comigo no período que estivesse fora, e sempre exigia que eu lhe mandasse um e-mail pessoal, ou uma mensagem de texto, enfim, qualquer coisa assim que eu chegasse na clínica para ele saber que estava tudo bem. Ele é muito cuidadoso.

Enquanto me dirigia para a clínica eu pensava na minha mãe, no Stew e no Michael, que estavam morando no Texas agora. Depois que sai de Hoboken com o Rafa, após o nosso casamento, eles não passaram mais de seis meses por lá. E eu não os culpo.



- Alô! - atendi a ligação no viva voz.



- Filha, bom dia meu amor.



- Papai, estava lembrando agora mesmo de vocês. Como estão a mamãe, o senhor, e o Michael?



-Estamos bem meu amor. Estávamos querendo que você, e o seu marido viessem passar o 04 de Julho conosco, o quê acha?



- Eu adoraria. Vou ver com o Rafa se não tem problema para ele.



- Tudo bem meu amor. Sua mãe está te mandando um beijo.



- Manda outro, diga a ela que eu a amo.



- Ela disse que te ama, meu amor.



- Eu te amo filha. - ouvi a sua voz um pouco mais longe, mas mesmo assim não deixei de sorrir.



- O Michael está na escola, certo?



- Está sim!



- Mande beijos para ele também. Preciso ir papai, vou estacionar na clínica.



- Mando sim meu anjo. Bom trabalho minha filha.



- Obrigada papai!



Após estacionar o carro, peguei as minhas bolsa e saí o mais rápido possível do carro. Depois do que aconteceu a anos atrás, eu criei alguns traumas, como não ficar no carro depois de estacionar por mais de 30 segundos, não falar ou sorrir para estranhos, e o mais importante, não confiar em um sorriso bonito.

Entrei na clínica, cumprimentando as moças na recepção, autorizando a entrada da primeira paciente em quinze minutos e segui direto para o meu consultório.



- Bom dia! - parou na minha porta assim que entrei na sala.



- Liz! Bom dia, entra!



- Não vou ficar muito tempo, tenho uma paciente em dez minutos.



- Eu em quinze. Tenho alguns prontuários para olhar, e acho que uma das minhas pacientas dará a luz está semana ainda.



- Parto normal?



- Sim. Estou quase me acostumando a ver uma melancia sair de onde cabe no máximo um limão. - sorrimos. - Como vai a Alícia?



- Esta ótima, a deixei na creche antes de vir.



- Sua filha é um encanto.



- Fala a verdade, você quer usá-la como cobaia! - sorrimos.



- Tive o meu irmãozinho para isso, mas confesso que e sempre bem-vindo.



- Que pena do Michael!



- Não fala assim, eu cuidei muito bem dele.



- Se você cuidou tão bem dele, como cuida da minha filha quando está com ela, realmente, você cuidou muito bem dele.



- Obrigada. - a olhei com carinho - Estou ansiosa demais com a resposta da conselheira.



- Você sera contemplada amiga.



- Tomara. Eu seria abençoada no caso. - sorri olhando o prontuário da próxima paciente.



- Onde vai passar o feriado?



- O papai me chamou, mas não sei se o Rafa vai querer ir, acho que ele tem um paciente para o dia 03 e provavelmente estará muito cansado para dirigir até o Texas.



- E por que não vai sozinha?



- Não seria a mesma coisa.



- Eu acho que você vive muito a merce dele. - a encarei. Já tínhamos falado sobre isso. - Não esta mais aqui quem falou. - elevou os braços em rendição.



- Eu sou a esposa dele e o meu dever estar onde ele esteja. E ele é muito ciumento.



- Você tem pensamentos muito ultrapassados, mas te respeito. E está de ciúmes é sempre perigoso!



- Obrigada. - me levantei colocando a minha bolsa pessoal em um dos armários do consultório. - Eu sei o quê é perigoso, mas eu não acho nada fora do normal. Ele tem tanto medo, quanto eu.



- Eu sei.



- Bom, e você, onde vai passar o feriado?



- Vamos passar em casa mesmo com a minha sogra. Nem te contei a novidade.



- Pois conte. - sorri me sentando.



- Vamos ao show do seu amigo no dia 02 em Boston.



- Ele não é mais o meu amigo. Fomos amigos um dia, mas hoje ele nem deve saber que existo.



- Por que você não vai vê-lo? Sei lá, talvez ele ainda se lembre de você!



- Não. Se o Peter se lembrasse de mim, eu saberia, acredite. -sorri.



- Por que você o chama de Peter?



- Este é o nome dele.



- Eu sei, mas todos o conhecem como Bruno.



- Mas eu o conheço como Peter.



- Você nunca pensou nele novamente? - merda, ela pegou no meu ponto fraco.



- É claro que sim, seria ótimo vê-lo novamente. Mas eu não acho que seria o ideal, não sei como está a vida dele agora, não sei nada sobre ele, só sei sobre o Bruno.



- É a mesma coisa, ele está namorado com uma mulher até então desconhecida. - a encarei. - Li em uma revista de fofoca está semana.



- E como você sabe se a mulher é desconhecida? Ele pode estar solteiro ou até se tornou gay! - nos encaramos e sorrimos- Gay não, eu duvido muito, na realidade, eu sei que não. - sorri ao me lembrar de uma determinada tarde há dez anos atrás.



- Meu Deus, de acordo com este sorriso, você já experimentou. - este era um segredo que só a minha mãe e o meu diário sabia.



- Não. Está louca, eramos apenas amigos e nada mais, nunca aconteceu nada. - disse apressadamente.



- Okey, eu vou fingir que acredito, mas o seu nervosismo entrega tudo.



- Liz, não começa com esta de tentar me decifrar, você é pediatra e não cartomante. - sorrimos, o telefone da minha mesa tocou.



- Doutora García. - eu usava o sobrenome do meu marido.



- Pois não!



- Desculpa interromper doutora Garcia, é a Sam, por acaso a doutora Motta está com a senhora?



-Sim, está me atrapalhando aqui. - sorri.



- É que o primeiro paciente dela já está pronto para se atendido.



- Vou expulsá-la da minha sala, obrigada Sam. - desligo. - Vai, já tem paciente a sua espera. - a encarei.



-Você fugiu de mim agora, mas não fugirá da próxima!



- Larga do meu anjo da guarda mulher! - sorrimos enquanto ela saia.



Falar sobre o Peter era muito complicado para mim, afinal, ele nunca saiu do meu coração, querendo ou não, eu tenho um pedacinho especial para ele no meu peito, eternamente. Eu segui a vida, sei que ele seguiu, mas tem coisas que o coração faz questão de não esquecer e ele foi uma delas que permanece aqui, bem guardadas.

Coloquei a mão no peito, onde eu ainda carregava todos os dias copiosamente, a corrente com o cristal azul que eu ganhei dele no dia do meu aniversário de 16 anos. Eu já tinha perdido esta corrente, já tinha mandado limpar, concertar, e quase surtei quando uma destas vezes o atendente da loja disse que ela tinha sumido enquanto estava concertando o fecho. Eu quase o esganei, mas por fim, ele a achou no final da gaveta. Eu tinha um ciúme mortal dela e até o meu marido já tinha notado isso. E ele sabia que eu tinha ganhado do Peter, ele só não sabia quem era ao certo o tal Peter.

Por falar no meu marido, me lembrei de que ainda não tinha lhe mandado mensagem alguma, ele já deveria estar preocupado, por isso decidi por um e-mail, já que o computador já estava ligado.



De: Crystal García
Data: 30 de junho de 2014 08:31
Para: Rafael García
Assunto: Desculpa

Me perdoa amor, eu cheguei há quase quinze minutos, mas acabei recebendo a visita matinal da Liz, e sabe como ela é. Eu cheguei bem, e espero que tenha chegado bem também.

Beijo, até mais tarde, eu te amo.


Amorosamente, Senhora García.



Enviei a mensagem, e antes de fazer qualquer coisa o telefone da minha mesa tocou e quando o atendi, fiquei sabendo que a minha primeira paciente já tinha chego. Liberei a sua entrada e através do seu nome já abri o seu prontuario.

Pelo canto do olho vi um alerta de mensagem e sabia que era dele, abri imediatamente.



De: Rafael García
Data: 30 de junho de 2014 08:32
Para: Crystal García
Assunto: Tudo bem.

Sei exatamente como e a senhora Lisandra Motta quando começa a falar parece um trem desgovernado. Não é implicância.

Fico satisfeito em saber que chegou bem meu amor. O meu trajeto também foi tranquilo. Nos falamos mais tarde.

Te amo demais minha vida.

Amorosamente, seu Senhor García.



Depois do almoço maravilhoso que tive com a Liz, era mais ou menos três da tarde quando estávamos voltando para o consultório.

A minha próxima paciente era as três e meia, olhei no relógio e faltava apenas quinze minutos para a consulta. Entrei no meu consultório e resolvi ligara para o conselho tutelar para confirmar o dia da última visita da concelheira. Isso não era um procedimento de praxe, geralmente os conselheiros apareciam de surpresa na casa, mas como tanto eu, como o meu marido trabalhávamos muito, acabávamos sendo avisados dos dias de visita. Mas eu tinha a noção de que quando eu recebesse a guarda provisoria de um bebe, eu teria que ficar ao menos uma parte do meu dia em casa. E eu queria que isso estivesse mais próximo do que eu queria imaginar.
Depois que eu fui visitá-la na semana em que ela chegou no orfanato, e soubemos que ela seria uma forte candidata para ser a nossa filha, eu fiquei simplesmente apaixonada por aquele bebezinho lindo, ela era tão perfeita parecia um anjinho.
Confesso que quando a vi pela primeira vez eu chorei, foi uma pena não poder pegá-la no colo, tive que me contentar em vê-la somente no colo da concelheira. Segundo eles não poderíamos tocar na criança, era uma forma de proteção, tanto para elas, como para nós, pois, se caso não recebêssemos a guarda por algum motivo, não ficaríamos tão arrasados pelo fato ter obtido contato com o "menor". E ainda mais por que tinha um casal na nossa frente.


- Diga, Sam.- atendi a ligação da recepção assim que finalizei a minha com o conselheiro tutelar.



- A sua próxima paciente, a Pâmela Muniz, já esta na recepção.



- Pode mandá-la entrar.



- Sim, senhora.



Dei uma olhada por alto na mesa, deixando tudo a mão, abri o arquivo feito na recepção sobre a paciente no computador onde seria fixado o seu prontuário e logo em seguida ouvi batidas na porta.



- Pode entrar. - sorri ao ver uma moça ainda mais sorridente do que eu adentrando a sala.



- Boa tarde doutora. - me levantei recebendo o seu cumprimento em um esticar de mão.



- Boa tarde Pâmela, tudo bem?



- Sim, e senhora?



- Ótima. Melhor ainda em saber que fui escolhida para acompanhar a sua gestação.



- A senhora foi muito bem recomendada, acredite. - sorriu amigavelmente.



- É ótimo saber disso. Já sabe de quanto tempo de gestação está?



- Ainda não, só tenho o resultado positivo. - ela vasculha em sua bolsa atrás de algo. - Aqui está, eu fiz o exame de sangue. - me entregou um oficio.



- Muito bem, sem problemas, faremos os nossos próprios exames em breve.



- Claro, desculpa.



- Não, imagina, não se desculpe, vamos ver. - abri o oficio em minhas mãos. - Bem Pâmela, aqui está marcando que o seu volume de HCG esta entre 10.000 a 100.000, e isso equivale a quase 3 meses de gestação ou mais, saberemos corretamente em breve com a ultrassonografia. Parabéns!



- Obrigada! - sorriu abertamente.


-Demorou um pouco para o primeiro pre-nata, porque?


-Eu estava em duvidas, na realidade não queria acreditar, então acabei meio que escondendo.


-Compreendo!-na realidade eu não compreendia, mas enfim. A encarei enquanto anotava o teor do exame em seu prontuario, não consegui deixar de notar que ela estava um pouco tensa.



- Algum problema? Duvidas?



- Não, - sorriu. - É que o meu noivo ficou de vir, mas até agora ele ainda não chegou.



- Tudo bem, se caso ele aparecer a Sam vai pedir que ele entre, fica tranquila.



- Obrigada!



- É realmente muito bom ter o pai do bebê na consulta, é estimulante, e faz muito bem tanto a mãe, como ao bebê.



- Ele é muito ocupado. É músico!



- Compreendo. Bem, podemos começar a fazer os primeiros exames presenciais?



- Claro.



- Se troque colocando aquele belíssimo roupão cedido pela clinica e deite naquela maca, por favor.-sorrimos.



Enquanto examinava a sua quase inexistente barriga e fazia as minhas anotações, eu tirava algumas de suas dúvidas sobre a gestação.

Eu sempre procurei ser o mais atenciosa possível com as minhas pacientes, deixá-las o mais confortável e tranquila possível, e eu sabia melhor do que ninguém, como atenção e respeito era essencial.

Ao final da consulta, com todas as anotações feitas, as medidas da sua barriga, pressão e glicose anotadas, eu finalizei a consulta.



- Na próxima consulta, que será daqui a um mês, faremos a primeira ultrassom, tudo bem?



- Tudo. - notei que ela parecia estar decepcionada.



- Olha Pâmela. - estiquei a minha mão e ela segurou. - Fica tranquila, na próxima consulta ele vem, eu sei que isso é tão importante para ele, quanto para você. Não é sempre que o tempo está ao nosso favor, talvez tenha acontecido algo. - disse e o seu celular tocou.



- É ele. - sorriu. A senhora se incomodaria se eu atendesse?



- É claro que não, fique a vontade. - soltei a sua mão e ela atendeu.



- Onde você está? - baixei o meu olhar, pegando a minha caneta, anotando os medicamento e vitaminas que ela iria começar a usar.



Retirei a minha atenção da sua conversa, não sou fofoqueira e não estava nem um pouco a fim de ouvir DR de terceiros.

Após a sua conversa no telefone, eu lhe entreguei a sua receita com os medicamentos que ela precisaria começar a tomar, ela se despediu, mas não sem antes perguntar da sua próxima consulta, e eu lhe disse que ela receberia uma ligação da clínica, no dia anterior a sua próxima visita. Nos despedimos amigavelmente ela foi embora em seguida, e eu me preparei para receber a próxima paciente, era a última antes que eu voltasse para a paz, e aconchego do meu lar.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Novas vidas, antigas lembranças... cap 09



[Anos depois...]



Parte Peter


Haviam se passado quase onze anos desde que eu sai do Hawaii. Desde que eu deixei o meu lugar, a minha família, os meus amigos, enfim, as melhores pessoas que já convivi.

Eu sinto falta de lá, e muito, mas lá agora para mim é só para visitar, no máximo passar alguns dias.

Confesso que quando eu voltei pela primeira vez ao Hawaii, depois de ver toda a minha família eu queria muito ver a Cris. Eu sentia falta dela e quando eu fui embora eu pensei muito nela, em nós dois, ainda mais depois do que aconteceu entre nós dois naquela tarde. Foi tão bom, tão marcante que se eu fechar os olhos consigo sentir o seu cheiro, até o seu gosto, mas fiquei decepcionado quando soube que ela tinha ido embora com a família, já que segundo o meu pai, o senhor Stuwart tinha sido promovido.

Queria que ela visse onde cheguei, se bem que eu sei que independente de onde ela esteja morando, ela deve saber algo sobre mim, afinal, todos sabem.

Estou da metade para o final da minha segunda turnê mundial, ela vai acabar em breve no México e eu estou louco para voltar para casa de vez, a única coisa que eu quero agora é descansar.

Os últimos dez anos da minha vida foram tensos e intensos. Eu passei por muita coisa, fiz muita coisa boas, como ruins, mas eu lutei muito e trabalhei muito para chegar onde estou. Passei noites em claro escrevendo, compondo, tocando, enfim, foram dias de muito trabalho e muita luta.

As vezes eu me pegava pensando em casa diante das dificuldades, e não posso negar que a vontade de desistir de tudo e voltar para o Hawaii gritava, mas eu mandava ela calar a boca e continuava a correr atrás do meu sonho. Ele vinha em primeiro lugar.

Toquei em muito barzinho, levei muito não na cara e foram poucas as respostas positivas que foram aproveitadas da melhor forma possível. Decepções fazem parte da vida de um artista, mas você só deixa ela te domar se for muito fraco. E como eu não sou fraco, eu que passei por cima delas.

Depois de muita luta e batalha, eu consegui algumas colaborações e foi aí que eu vi a minha vida começar a mudar. Novas portas começaram a se abrir, novas oportunidades, os primeiros prêmios, as primeiras músicas nas paradas de sucesso e depois de muito correr atrás, enfim, eu cheguei. Ainda não e onde eu quero, afinal, eu sou perfeccionista, tanto na minha carreira, como na minha vida.

 Enfim, entre todas as mudanças que a minha vida teve, acho que ela esta tendo uma das maiores agora.


Há quatro anos atrás eu conheci a Pâmela, em um ensaio fotográfico para a GQ, ela não fotografou comigo, mas estava por lá para fazer um ensaio para uma revista afiliada e acabamos nos conhecendo, nos envolvemos e estamos juntos ate hoje.

Eu gosto muito dela, na realidade é um pouco mais do que gostar. Somos muito felizes, não vou falar que não brigamos, nós nos desentendemos as vezes, mas e coisa de casal. E claro, mesmo gostando muito dela, as vezes eu acabo dando uma olhada para a grama do vizinho, afinal a do lado, é sempre mais verde. Mas não é nada que chegue a abalar o nosso relacionamento.

Tanto não abala, que eu fiquei sabendo da feliz notícia de que eu serei pai em breve, ela esta grávida e eu não poderia estar mais feliz.

A minha carreira esta maravilhosa, a minha vida pessoal estava incrível e agora eu seria pai em alguns messes.



- Amor, você viu a minha pulseira de prata? - eu pergunto.



- Aquela que é de mulher? - sorriu.



- É aquela mesma que você não gosta!



- Não gosto por que você não me conta quem te deu.



- Já disse que ganhei da minha mãe.



- E eu já disse que é mentira, por que eu perguntei à ela a uns três anos atrás. - respiro fundo.



- Você o quê?



- Eu já tinha perguntado à ela. E eu sei que foi de uma mulher chamada Crystal.



- Pâmela, eu...



- Relaxa, não vou mais te pressionar em relação à esta pulseira. Ela esta na sua gaveta, estava jogada...



- Estava no criado mudo.



- Que seja meu bem.- fui até o closet.


Abri a minha gaveta e a primeira coisa que vi foi o seu brilho, ela era perfeita, de prata toda trabalhada. Ela era linda, mas o que era ainda mais lindo, era o que ela representava para mim.



"- Vou sentir a sua falta pequena.



- Também vou sentir a sua. Vou sentir muito, muito, muito, Peter. - beijou o meu rosto e os meus lábios quando a coloquei no chão novamente.



- Assim que der, nos veremos novamente, eu prometo.



- Toma, fica com isso. - retirou a sua pulseira preferida do pulso e colocou no meu. - Tenta não se esquecer de mim?





- Eu não vou Cris.





Nos beijamos novamente de forma intensa com sabor de despedida entre lágrimas. "



Terminei de colocar a pulseira e sorri, era uma linda lembrança que eu tinha dela, desde este dia nunca mais nos vimos novamente, não sei como ela esta, onde ela esta, com quem ela esta, se esta bem ou não, casada ou não, namorando ou não. Se seguiu em frente e teve uma vida linda como ela sonhava em ter, ou se a vida não foi tão generosa com ela. Creio eu e espero que esta parte não tenha acontecido. A Crystal não merece sofrer, de forma alguma.

Por muitas vezes me peguei lembrando dela, do seu sorriso, do seu abraço, da sua companhia, de como éramos amigos, enfim, de como nos amamos no nosso último dia juntos. Daria qualquer coisa para reviver aquela tarde.



- Você vai comigo na obstetra mais tarde? - ela parou na porta do closet.



- Preciso ir mesmo?



- Seria legal você acompanhar o crescimento do seu filho ou filha. É a minha primeira consulta.



-Ta bom, eu vou ver se consigo, estamos correndo um pouco com os últimos shows da turnê. Sabe que viajo em duas semanas para o México não é?



- Eu sei, e é justamente por isso que queria que você fosse.



- Vou tentar amor, eu juro! - me aproximei dela lhe dando um selinho - Vai ser que horas?



- Às três e meia da tarde!



- Tudo bem amor, se cuida. - lhe dei um selinho demorado - Preciso ir, ainda vou me encontrar com o Mark.



- Tudo bem, vai lá. Vou pedir para fazer um jantar especial para nós esta noite.



- Isso e ótimo amor, mas você sabe como esta corrido por lá. Talvez eu tenha que ir na consulta e voltar direto para o estúdio. -terminei de colocar o meu relógio e peguei a minha carteira. - Tchau garotão o papai te ama. - acariciei a sua barriga e ela sorriu.



- Te amo!



- Também. - lhe dei mais um selinho e saí de casa indo para o estúdio.



Estávamos finalizando uma música, uma colaboração com o meu amigo e produtor Mark Ronsosn, pretendíamos lançá-la antes do final do ano. Esta música foi uma das que mais deu trabalho, afinal ela foi feita um pouquinho em cada estado, as vezes era até em cada pais. Mas ela esta ficando muito boa e acho que no fim todos vão adorar.

Cheguei no estúdio e só estava Phil, o Mark, o Ari, e o Ryan, estavam todos em um papo animado, cheio de gargalhadas.



- Também quero rir, qual é a piada?



- Não é nada de mais, estamos ajudando o Ari a escolher o lugar da sua lua de mel. - Phil sorriu novamente.



- Boa coisa não é! - sorri. - O casamento não será só no ano que vem?



- Eles estão a fim de me perturbar Bruno e não entra na deles, por favor! - sorrimos.



- Você que não aguenta uma brincadeira, sempre fica irritado.-sorri ao me sentar.


- Bem, vamos parar de brincadeira, porque temos que trabalhar.



- Esta música tem que sair este ano ainda. - Mark sorriu se levantando.



- Ela vai, nem que seja dia 31 de Dezembro à meia noite e cinquenta e nove minutos! - sorrimos.



- E aí, como vai o herdeiro? - pegunta enquanto sentava-se ao seu lado, na ilha de edição.



- Bem. À Pam tem reclamado um pouco de náuseas e enjoos matinais, mas disse que na próxima consulta com a obstetra dela, ela pedirá um remédio mais forte.



- Esta animado?



- Sim. Quero muito ver a carinha do meu filho.



- Ou filha.



- Filho, não quero ter que matar um tão cedo. Na minha filha pau nenhum encosta.



- Mas você encosta na filha dos outros!



- Mas aí meu caro, não é minha culpa,  - rimos.



- Se o Bruno tiver uma menina ele vai colocar um cinto de castidade nela. - Ryan se pronunciou do canto da sala.



- Você pode ter certeza disso!



- Quando vai descobrir o sexo? - Ari me olhou curioso.



- Ainda não sei, hoje eu vou com ela na consulta, mas acho que ainda esta cedo.



- Ainda é muito novinho para saber, ela nem tem barriga! - Phil diz tomando um gole de seu inseparável copo de café. - Vocês são doentes.



Olhei mais uma vez para o Ryan no canto da sala tomando o seu açaí tranquilamente e sorri. Sempre que via ele tomando açaí, me lembrava dela, era engraçado, por que isso estava acontecendo com mais frequência ultimamente. Teve uma época que eu chegava a sonhar com ela, mas depois de um tempo, principalmente depois que conheci a Pâmela, deu uma pausa e eu quase não lembrava dela com tanta frequência, mas agora desde que soubemos da gestação, eu tenho pensado mais nela. O porque, eu não sei.

O dia passou tão rápido que quase não deu para sentir direito, quando percebi já era exatamente três da tarde e eu precisava ir na consulta com a Pam.

Me despedi dos caras e disse que tentaria voltar até as cinco, já que ainda tínhamos muitas coisas para fazer e como previ, hoje seria um dia em que passaríamos a madrugada enfiados no estúdio.

Entrei no carro, liguei o rádio em uma estação de músicas variadas e comecei a seguir o meu caminho tranquilamente até a clínica.



Parte Crystal



Exatamente oito anos haviam se passado desde que tudo aconteceu. Eu acabei de completar 27 anos, e sinceramente e estranhamente, eu só tenho a agradecer pela segunda chance que tive depois daquele sequestro, estupro e tentativa de assassinato.

Graças a ele eu sinto que renasci, eu fiquei mais focada, fiquei mais destemida e confiante. Eu corri atrás dos meus sonhos e das minhas realizações pessoais, incluindo o meu sonho de ser obstetriz. Me formei na área após seis anos de faculdade, especialização e residência, foram muitas noites sem dormir, mas eu segui firme no meu propósito, tendo sempre todo o apoio da minha família e claro, do meu maravilhoso marido.

Sim, eu me casei com o Rafael, ele é um marido maravilhoso, é carinhoso, compreensivo, companheiro, enfim, acho que nem todos os adjetivos são suficientes para descrevê-lo. Claro, que nós temos os nossos desentendimentos, nossos "arranca-rabos", mas nada que um dia, ou dois não resolva. Sim, tudo isso, geralmente não nós resolvemos no mesmo dia, mas até por falta de tempo dos dois, mas sabemos que estamos muito bem juntos. Ele e um homem maravilhoso, nos amamos e no fim ele é o meu herói, afinal de contas, depois de um ano cuidando de mim, eu consegui sair da careira de rodas, e hoje tenho a minha total mobilidade de volta.

Ele se estimulou com os meus estudos e fez mais uma faculdade com especialização, hoje tem o seu próprio consultório, mas agora, ele era cirurgião plástico. Conclusão, eu nunca ficarei velha. Ficarei plastificada.

Eu também consegui o meu próprio consultório em uma clínica respeitada em Los Angeles, para onde tivemos que nos mudar, já que era onde se concentrava a maioria dos pacientes em potencial - mais endinheirados - Rafael é bem ambicioso, e mesmo tendo muito e morando em uma casa confortável em uma das áreas mais nobres de Los Angeles, ele ainda quer mais, muito mais. Vai entender.

Eu divido o consultório em uma clínica maravilhosa com uma pediatra excelente, ela se chama Liz, Lisandra Motta, ela é uma bela argentina que veio fazer a sua especialização em Harvard e acabou se apaixonando pela América e ficando por aqui mesmo. Somos muito amiga e adoramos nos encontrar, as vezes na minha casa, outra na sua. Ela também tem 27 anos, é casada - amigada - com o Mathew Doney, um advogado muito renomado e bem sucedido. Conclusão, ela nem precisaria ser pediatra, mas é como ela diz e eu acredito: "Eu não trabalho, eu dou, e recebo amor"

Rafael, e eu, estamos casados a seis anos, e ate hoje não tivemos filhos, mas a culpa não e por falta de tempo, afinal ,temos uma vida sexual muito ativa, a culpa e pelo fato de eu ter permanecido estéril, este quadro não se reverteu, e eu permaneci sem a possibilidade, e o direito de gerar uma vida, e isso me deu mais garra e força de vontade para me empenhar em ser uma grande obstetriz, e ter a dadiva de ajudar a colocar grandes homens e mulheres no mundo.



- Amor, estou indo para a clínica. - ele saiu do closet com o seu terno italiano, completamente engravatado.



- Também já estou indo amor. Hoje tenho uma paciente nova, será a sua primeira consulta.



- Que bom meu anjo. Quando vamos novamente no orfanato?



- Acho que semana que vem. - peguei a minha bolsa terminando de olhar como os meus rebeldes cachos estavam esta manhã. E estavam incrivelmente comportados.



- Estou ansioso para saber o resultado do pedido de adoção.



- Eu também, você não sabe como. - descíamos as escadas da nossa confortável, grande e luxuosa casa quando sentimos um delicioso cheirinho de café.



- A assistente social vem amanha não e?



- Você me pegou agora amor, mas eu vou ligar confirmando e te aviso.



- Sem problemas. Bom dia, Ana!



- Bom dia, senhores!



- Bom dia, Ana. - me sentei, colocando minha mala na cadeira ao lado.



Analena, é uma porto-riquenha, uma das moças que trabalhava conosco a um ano e meio mais ou menos, quando nos firmamos com os nossos consultórios e vimos que eu sozinha  não tinha mais como dar conta de uma casa tão grande como esta e ainda atender na clínica.

Rafael levantou a hipótese de que eu parasse de clinicar, já que ele sozinho conseguia manter muito bem à casa, mas ser obstetriz é o meu sonho e a primeira coisa que disse foi: não. Eu lutei muito para chegar até aqui, eu chorei muitas noites seguidas de dor durante a minha recuperação, eu batalhei, eu passei noites acordada estudando e não seria agora que eu iria deixar tudo isso para trás, para cuidar de casa.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Uma nova chance ... cap 08


Eu passei os últimos seis meses de minha vida fazendo fisioterapia para conseguir voltar a andar com as minhas próprias pernas. Ainda não voltei, mas sinto que a cada dia estou mais perto disso do que antes.

Além de frequentar o divã da senhora McLeane duas vezes por semana, ela estava tentando fazer com que eu superasse os traumas daquela fatídica noite. Eu confesso que estava melhor, por que no final das contas eu tentei não deixar que aquilo me abalasse demais, e não me tornasse em uma pessoa cheia de complexos e estas coisas. Porém, algumas sequelas ficaram é claro, eu sei que aos poucos eu vou superá-las. Preciso superá-las.

O meu pai achou que estavam demorando muito para conseguirem o resultado esperado com a fisioterapia, já que a minha lesão tinha sido "superficial", e eles garantiram que em breve eu voltaria a andar.

Eu resolvi não parar com a minha vida, e assim que recebi alta hospitalar depois de três semanas e fiquei mais quatro semanas de repouso - que fui obrigada a fazer pela minha mãe - eu decidi continuar a frequentar as aulas, sendo que eu sempre ia sozinha e a agora minha mãe estava me levando e me buscando na faculdade, afinal agora eu não tinha mais a mesma mobilidade de antes. Estava em uma cadeira de rodas. Mas graças a Deus eu tinha ótimos amigos na faculdade que me ajudavam a entrar e sair do carro, além de me ajudarem nas dependências da faculdade.

Por falar na minha mãe, logo ela teria que parar de me levar e me buscar na faculdade, afinal ela esta no oitavo mês de gestação, e logo o meu irmãozinho Michael, irá nascer e ela não poderá mais me levar todos os dias a aula, mas a Corine já tinha se prontificado a me buscar e me levar todos os dias se assim eu precisasse.

A minha mãe tinha levantado a possibilidade de nos mudarmos de Hoboken devido ao que tinha acontecido, mas eu achei desnecessário e sinceramente, acho que saindo daqui ou não, se tivesse de acontecer teria acontecido em qualquer outro lugar.

Eu aprendi com este acontecido que não podemos confiar em um sorriso bonito, não podemos confiar em um rostinho bonito, por que nem sempre ele e tão bonito por dentro, como e por fora.

Aprendi que sou mais forte do que eu achava que era, que eu posso encarar muita coisa de frente sob pressão, e mesmo assim me sair bem. Eu tenho o meu instinto de sobrevivência, que grita muito mais forte dentro de mim agora.

Bem, quando o telefone foi instalado lá em casa a minha mãe disse que iria contar a tia Berne o que tinha acontecido, eu disse que tudo bem, mas pedi que ela pedisse a ela que mantivesse sigilo, provavelmente ela não contaria nada, mas mesmo assim, eu não queria que esta história caísse nos ouvidos do Peter, não queria que ele acabasse se preocupando comigo de alguma forma, a única coisa que eu queria e que ele se concentrasse no seu sonho, era o melhor que ele poderia fazer agora.


Quando o Michael nasceu no início de abril de 2004, eu ainda estava na cadeira de rodas, infelizmente. Eu sentia a cada dia os meus músculos atrofiarem um pouco mais, mesmo com os exercícios contínuos e as idas ao fisioterapeuta. O meu pai estava ficando impaciente e  decidiu me levar em um outro fisioterapeuta para tomar conta de mim, ele queria muito me ver andando, afinal, daqui a quatro meses faria um ano que eu estava presa a esta cadeira. Eu mesmo inconformada, estava meio que aceitando a minha nova condição, aceitando que eu nunca mais iria voltar a andar.



- Eu não gosto quando você pensa assim filha. - ele estava colocando a minha cadeira de rodas ao lado da sua cadeira no consultório.



- O senhor acha mesmo que eu vou voltar a andar ?



- Eu tenho certeza e não quero que você pense assim novamente, esta me entendendo?



- Sim. Será que a mamãe esta bem com o Michael?



- Está sim, eu acabei de ligar para ela e esta tudo bem. Por que esta preocupada?



- Não sei. - sorri. - É estranho ver a mamãe cuidando dele. Não imaginei que ela teria mais um bebê.



- Queria ser filha única?



- Não é isso, sei lá, é o costume de ser filha única, mas no final das contas não mudou nada, me sinto como mãe dele também! -sorrimos.



- Permanecemos te amando! - me deu um beijo na testa.



- Crystal Fernandes?



- Eu.


Olhei para a voz que tinha entoado o meu nome e me deparei com um jovem rapaz, ele era moreno, parecia ser latino, ao menos não tinha cara de ser americano. Ele tinha um sorriso bonito e olhos penetrantes, mas eu aprendi a não confiar nestes sorrisos logo de cara.



- Posso? - ele apontou para a cadeira.



- Pode deixar, eu mesmo levo a minha filha. - papai se levantou rapidamente do banco empurrando a minha cadeira.



- Sim senhor. - ele sorriu olhando para o meu pai.



- É você quem vai cuidar da minha filha? - perguntou enquanto entrávamos no consultório.



- Sim senhor!



- Você não e muito novo?



- Sou, mas garanto ao senhor que sou muito responsável e assumi um compromisso com a sua filha. Já dei uma olhada no prontuário dela e com os novos métodos, sei que não demorarei muito para fazê-la andar novamente.



- O outro medico disse a mesma coisa.



- Mas eu me garanto senhor, tive um bom estudo e me empenhei muito, não que o outro medico não tenha feito o mesmo, mas eu vou dar tudo de mim para cuidar de sua filha.



- Pai, chega. - disse discretamente, o fazendo sorrir.



- Esta tudo bem Crystal, ele esta certo em retirar as suas dúvidas. A propósito, o meu nome e Rafael, Rafael Garcia.



- Não e americano?



- Não senhor, sou cubano, mas estou aqui a dois anos fazendo minha especialização, me formei bem cedo.



- Bem, o que importa é, quando podemos começar? - ele me olhou e sorriu.



- Agora mesmo, vamos começar hoje. Por favor.



Ele empurrou a minha cadeira até uma maca e se abaixou colocando uma de suas mãos por baixo dos meus joelhos e a outra em minhas costas, logo os meus braços envolveram o seu pescoço e ele me colocou sob a maca onde eu me deitei.

A consulta ocorreu tranquila, ele foi super atencioso, fez massagens e todos os exercícios para fortalecer os meus músculos novamente, ele fez exercícios que em quase seis meses de fisioterapia eu ainda não tinha feito. Eu não sei, mas senti que talvez com ele teríamos algum progresso.

Passei o meu aniversario de 18 na cadeira de rodas, mas finalmente com um motivo para comemorar, afinal o doutor Rafael, esta conseguindo maravilhosos progressos comigo, eu atá já consigo sentir o toque em minha pele e ele me disse que daí por diante e só melhoras.



[5 meses depois...]



Eu tinha consulta 3 veze por semana com o doutor Rafael, estávamos tendo muitos progressos e o melhor de tudo, tínhamos nos tornado grandes amigos.

Ele ficou muito surpreso quando descobriu que eu era Brasileira, pois disse que tinha alguns familiares por lá e que geralmente ia de duas a três vezes por ano até o Brasil fazer visitas.

Descobri que ele tinha 21 anos e em breve faria 22, teve a sorte de ser um dos melhores alunos da classe de fisioterapia, sendo um dos primeiros da classe.

Eu contei a ele um pouco sobre mim, incluindo o motivo de estar em uma cadeira de rodas hoje, ele ficou bastante transtornado de início, disse que isso era revoltante e que ninguém deveria passar isso, mas que enfim, era a vida e estávamos todos sujeitos a passar por algo um dia. Ele me felicitou por querer me tornar uma obstetriz, afinal era uma linda profissão ter que trazer pessoas a este mundo. Enfim, eu criei um elo muito próximo a ele e as vezes ficávamos conversando por um bom tempo após as consultas, até mesmo durante elas.

Hoje a fisioterapia seria na água, ele disse que era para fortalecer ainda mais a minha musculatura. O meu pai tinha me deixado no consultório sob os cuidados de uma enfermeira que me ajudou na troca de roupa e após isso ele me levou até a piscina aquecida da clínica.

Confesso que senti o meu rosto aquecer, quando ele retirou o roupão ficando apenas de bermuda aquática. Ele tinha um corpo lindo, bem atlético e perfeitamente moreno, seu corpo me fazia lembrar de outro corpo moreno, mas que infelizmente estava a quilômetros de distância de mim.

Estávamos na água, ele me segurava por baixo dos braços me fazendo boiar e sentir a água no meu corpo.


- Esta confortável assim?



- Muito, esta delicioso. - fechei os olhos sentindo a calmaria do local, afinal só tinha nós dois.



- Apenas sinta a água passar pelas suas pernas, consegue sentir?



- Sim, perfeitamente. Muito obrigada doutor, o senhor definitivamente devolveu as minhas esperanças.



- Imagina Cris, ela já estava ai, só faltava um empurrão para aflorar novamente a sua vontade de voltar a andar.



- Muito obrigada. - olhei para ele encontrando os seus olhos que estavam sobre mim.



- Só quero te ver bem e feliz.



Segurei em sua mão com as minhas duas e com a ajuda do meu tronco me virei para ele fazendo o possível para apoiar os pés no fundo da piscina, ele segurou as minhas duas mãos e sorriu olhando para mim, em sua frente.



- Eu consegui sentir os meus pés esta madrugada e estou conseguindo firmá-los no chão, finalmente. - senti os meus olhos arderem. - Finalmente, depois de mais de um ano, eu estou vendo progressos e isso é graças a você!



- Não, é graças a você e sua força de vontade.



- Ainda não consigo andar, obviamente...



- Mas a água esta te sustentando de pé. Consegue ficar sozinha?



- Acho que não.



- Tenta! - ele ameaçou soltar a minha mão, mas segurei firme.



- Não! - estava assustada.



- Tenta. - me incentivou.



Ele soltou calmamente a sua mão da minha e eu consegui firmar os meus pés no chão, mesmo sentindo os meus joelhos ainda muito fracos, quando menos esperei eles cederam me fazendo desequilibrar, porém, ele foi muito mais rápido e segurou firme bem próximo ao seu corpo impedindo que eu afundasse na piscina. Os nossos olhos se cruzaram e eu senti algo diferente em meu peito, na realidade eu já conhecia, afinal tinha sentido uma vez.

Respirei fundo, sentindo a sua proximidade, porém ele limpou a garganta abriu um sorriso.



- Esta tudo bem?



- Sim. esta sim, obrigada.



- De nada, estou aqui para isso. Quer continuar ou quer sair?



- Eu prefiro sair, estou com um pouco de frio. - menti, era melhor assim.



Já fazia alguns meses que a sua total atenção sobre mim, carinho, respeito e paciência estavam mexendo comigo de forma diferente e eu não queria me iludir, afinal, um médico jamais se envolveria com uma paciente.


Após a sessão de fisioterapia de hoje, que posso dizer que foi um tanto quanto interessante. O meu pai veio me buscar acompanhado da mamãe e Michael, eles disseram que iríamos fazer um passeio no centro de Hoboken.

Ele empurrava a minha cadeira enquanto dávamos um passeio no parque, até que decidimos parar um pouco. Eles estavam abraçados olhando ao redor, enquanto eu estava com o Michael no colo já com quase seis meses, que se mexia devagar em meu colo, me dando esperança e ainda mais força de vontade de seguir em frente e lutar pela minha completa melhora depois de um ano e meio após aquela.

"Eu ainda estava com o Michael no colo, porém não estava mais no mesmo parque, era como um jardim colorido, com muitas flores pelo lugar, ele trazia paz e sossego. Olhei para os meus braços e sorri ao ver que  Michael não era mais um bebê e sim um lindo garotinho de mais ou menos 5 anos de idade, ele corria na minha frente enquanto eu ainda o seguia com a cadeira. Porém, ela ficou emperrada em algo, eu não tinha mais como me locomover, olhei aflita para ele que sorria da forma mais carinhosa possível.


- Vem Cris, levanta!



- Eu não posso Michael, ainda estou presa nesta cadeira.



- Pode sim, você não precisa mais desta cadeira feia. - ele se aproximou e esticou a sua mãozinha para mim, a segurei. - Levanta!


 Eu sorri e coloquei os meus pés no chão e em seguida, colocando toda a minha força nos pés eu me levantei, ele mais uma vez sorriu para mim me puxando para que eu caminhasse com ele pelo lindo e florido parque. Olhei mais a diante e o meu sorriso que já era grande, ficou maior ainda quando vi a imagem do Peter caminhando em nossa direção, ele sorria da forma mais linda que eu poderia me lembrar e os seus olhos estavam colados nos meus.

Eu sorri sem saber muito bem como reagir, porém não precisei fazer nenhum movimento, pois o seu abraço foi a única coisa que consegui sentir em seguida."

Acordei respirando fundo e sentindo o meu coração acelerado, era mais ou menos três da manhã e eu estava no meu quarto. Já fazia muito tempo que não sonhava com ele, era uma linda e maravilhosa lembrança, sonhar que estava andando, que estava o abraçando, foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido naquela madrugada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pesadelo. cap 07

Ele mandou que eu seguisse em direção ao centro de Hoboken e depois pegasse a estrada que dava para fora das dependências da cidade, nos levando ate uma área mais afastada. Durante o trajeto eu tentava conversar com ele, lhe pedir calma, que se ele me soltasse, eu não iria denuncia-lo a polícia e nem deixaria que ninguém fizesse isso. Ele simplesmente olhou para mim e sorriu. Não era qualquer sorriso, aquele foi o sorriso mais assustador que eu já tinha visto na minha vida.

- Para onde estamos indo? - perguntei quando o vi remexendo em minha bolsa.

- Cala a sua boca e dirija. Você e muito gata sabia? - o olhei pelo canto dos olhos e ele me encarava. - Eu lhe fiz um elogio, sua mal educada. - apertou o cano da arma na minha cintura.

- Obrigada. - disse com a fala falha diante do meu medo.

- Melhor assim. Acho que vou me divertir um pouco com você antes de te mandar para uma viagem sem volta. - senti o meu coração apertar, quando ele direcionou a arma para entre as minhas coxas, algo me dizia que eu iria morrer.

- Por favor, não me mate. - senti as lágrimas começarem a escorrer pelo meu rosto. Faça o que quiser, mas não me mate, por favor...

- Cala a boca e não comece a chorar, odeio mulher chorona. Entre nesta rodovia.

Entrei na rodovia movimentada que dava para fora da cidade. Já estava escuro, estávamos rodando a mais ou menos umas duas horas desde que fui abordada na faculdade por ele, já estava próximo das oito da noite e eu sei que a minha mãe estaria muito preocupada comigo e sei que a esta hora ela já tinha me ligado enumeras vezes, porém, o celular sem dúvidas não deu nenhum alarde, já que eu o tinha deixado no silencioso devido as aulas.
Olhei para um dos lados e só tinha mato, olhei para o outro e também só tinha mato. Ele permanecia olhando para frente e parecia estar procurando por alguma coisa, ou algum lugar especifico e assim que me viu olhando para os lados, mandou que eu olhasse somente para frente, disse que se eu desviasse o olhar da estrada mais uma vez ele me daria um tiro.
Eu tentava me controlar de todos os jeitos, tanto a minha tensão, o meu medo, o horror que estava sentindo,mas era quase impossível. A única coisa que eu queria era ignorar a voz que dizia que eu iria morrer e dar a lugar a que dizia que eu iria voltar viva para casa.
Quando o relógio no painel do carro marcou nove horas da noite já esta vamos bem longe de Hoboken, ele mandou que eu parasse o carro em uma parte gramada no acostamento da estrada e que adentrasse um pouco mais no matagal e por fim, para desligar o carro. Mesmo morrendo de medo do que poderia vir a seguir, eu fiz o que ele havia mandado.

- Muito bem, agora podemos começar a nos divertir, Crystal.

- Como você sabe o meu nome?

- Olhei em sua carteira de motorista. Dezessete anos recém completados. É uma pena, tão novinha e já vai dar adeus a este mundo tão rápido.

- O que você quer?

- Cala a boca, vai para o banco de trás, agora.

- Eu...

- CALA A PORRA DA SUA BOCA!

Fiz o que ele havia mandado, me sentei no mesmo e ele me olhou de cima a baixo e simplesmente apontou a arma para mim, que imediatamente fechei os olhos, esperando pelo disparo.
Sabe quando dizem que a sua vida passa em seus olhos diante da morte? Eu vi, isso aconteceu comigo, eu vi toda a minha vida passar diante de mim, lembrei do meu pai, da minha mãe, do Stew, da Mariah, do meu futuro, ou futura irma que a mamãe espera, e por último, mas não menos importante, me lembrei do Peter, dos seus olhos, do seu sorriso, lembrei que eu queria muito poder revê-lo um dia, mas que infelizmente agora, só se fosse em outra vida.
Porém, para o meu alivio, ou maior desespero, o disparo não aconteceu. E no lugar dele veio um comentário que me fez gelar da cabeça aos pés.

- Tire a sua calça.
Ele ordenou, pensei em relutar, mas quando abri os olhos, dei de cara com o cano da arma entre os meus olhos, a minha única esperança de sair provavelmente viva dali, será obedecendo-o.
Retirei a minha calaça, e depois que ela estava no chão, senti a minha blusa de botão se abrir em apenas um puxão e os botões baterem no interior do carro.
Ele pulou para a parte de trás, abrindo o seu cinto, seguido do botão da calça, eu virei o rosto para o lado, eu não queria passar por aquilo, mas infelizmente eu não tinha outra opção no momento, ou era ceder a ele, e a sua arma, ou era ir para casa em um caixão.

Dor. Muita dor. Era a unica coisa que eu sentia no momento em que ele estava estava fazendo o que queria comigo.
Com uma arma apontada para as costelas durante todo o tempo, eu passei por longos minutos, que pareciam eternidades dentro daquele carro, sendo agredida sexualmente, fisicamente, e moralmente. Enquanto o meu rosto sangrava devido a um corte no supercílio após uma coronhada, eu pedia por clemência, a única coisa que eu queria era que ele acabasse logo com aquilo.
Depois de um tempo, de passar por momentos de pura dor e humilhação, ele mandou que eu saísse do carro, eu vestia apenas a minha blusa com os botões estourados, o meu sutiã, e mais nada.

- O quê você vai fazer mais, o quê você ainda quer de mim?

- Vou terminar o trabalho ou você acha mesmo que eu vou deixar você voltar para casa? - ele dizia friamente enquanto me puxava mato adentro no meio da escuridão total.

- Por favor, não me mate, eu te prometi e repito que não vou contra nada a ninguém.

- Você acha mesmo que eu vou confiar em você? É claro que não.

- Por favor, confie em mim. - ele me empurrou fazendo com que eu caísse no chão.

- Cala a sua boca. - ele parecia mais nervoso do que antes. Se ajoelha. SE AJOELHA SUA VADIA! - mesmo muito assustada, eu fiz o quê ele havia mandado. Vou ser bonzinho com você, permitirei faça a sua última prece. - sem olhar para ele, apenas juntei as mãos diante de do meu corpo e orei.

- Deus, perdoe este pobre coitado pelos seus pecados...

- Esta rezando por mim querida? Não precisa, eu vou te encontrar no inferno daqui a alguns anos.- ele engatilhou a arma, a encostando na minha nuca.
Eu fechei os olhos com muita força, e apenas esperei que desta vez ele atirasse, mas a única coisa que ouvi foi o "click" da arma falhando e ele xingando logo em seguida. Olhei para trás e o vi tentando destravar a arma, enquanto ele estava distraído, eu tive um momento de lucidez e loucura. Me virei o empurrando, fazendo com que ele caísse, me levantei e sai correndo sem rumo, o mais rápido que consegui, mas infelizmente não consegui ir muito longe já que eu estava descalça e o terreno onde estava não colaborava muito para a minha locomoção.
Para o meu desespero, eu ouvi um disparo e em seguida um choque de ar me empurrar para frente, me fazendo cair de cara no chão.
O meu ombro doía, e eu estava começando a sentir frio, era uma sensação horrível de sentir, tudo queimava, ardia, e formigava. Na minha cabeça só vinha a imagem da minha mãe desesperada a minha procura, enquanto sentia a minha pele em contato direto com a terra fria, úmida por baixo do meu corpo parcialmente despido.
Decidi fingir que tinha morrido, ou que estava desacordada, quando ouvi os seus passos apressados ao meu encontro. Controlei ao máximo a minha respiração, e apenas fiquei deitada, completamente imóvel.
Senti que ele parando próximo a mim, mas não tão perto, e por isso, abri milimetricamente os meus olhos, acho que pelo fato de estar muito escuro, e ele não me ver direito, acabou parando longe de mim.
Senti o meu corpo arder demais, era uma sensação horrível, indescritível, e ficou pior quando ouvi ele disparar mais três vezes contra mim e mesmo sentindo uma dor inigualável, eu permaneci muda, imóvel, mas desta vez a dor foi tanta, que eu simplesmente apaguei.
Acordei não sei quanto tempo depois, sentindo cada centímetro do meu corpo doer, olhei ao meu redor e estava completamente sozinha naquele escuro, sentindo muito frio e dor e para piorar, eu não estava conseguindo sentir as minhas pernas. Coloquei as mãos nas costas, senti uma dor alucinante somente naquele movimento e tateando melhor eu consegui sentir o buraco pequeno feito pela bala nas minhas costas. A unica coisa que consegui fazer foi chorar, eu tinha quase certeza de que tinha perdido os movimentos das minhas pernas.

Ironicamente, o que me aliviava naquele momento era saber que estava sozinha, sem ele por perto para atirar mais vezes contra mim.
Fiz um esforço enorme olhando para trás, e constatei que o carro não estava mais onde estava antes, e o fato de estar viva me dava esperança, e força para voltar para casa. Comecei a me arrastar pela grama e sem a ajuda das minhas pernas tudo estava se tornando ainda mais complicado para ser feito. Eu pedia baixinho a Deus forças para continuar e principalmente para sair viva dali, por que não tinha mas ele por perto, mas ainda tinha os perigos daquele local que eu não fazia ideia de onde era.
Depois de alguns minutos me arrastando entre a vegetação densa e escura, eu vi uma luz, parecia uma lanterna, na realidade, eram duas, tinham duas pessoas andando pelo mato, eu respirei fundo e fiquei quieta, não sabia se era ele que tinha voltado com alguém, para ver se realmente tinha me matado.

- Tem certeza de que foi por aqui que você ouviu os disparos filho? - ouvi uma voz grossa e sem duvidas não era dele.

-  Foi sim pai, eu vi da janela do meu quarto o rastro de luz seguido do disparo.

- Mas não tem nada, vamos embora! -eu estava aqui, eles não poderiam ir.

-Aqui! - eu reuni o resto de força que ainda tinha. - AQUI!

- Ouviu?

- AQUI! - senti as lágrimas escorrerem diante daquela esperança.

- MOÇA?

- AQUI, PELO AMOR DE DEUS.

- MOÇA? - ouvi os seus passos cada vez mais próximos e logo a luz da lanterna clarear o meu rosto.

- Deus! Chame os paramédicos Jaden!

- Eu vou chamar!

- Consegue se levantar moça?

- Não. Eu não sinto as minhas pernas, ele acertou nas minhas costas.- eu falava entre os meus soluços.

- Então fica quietinha, já já você será atendida, mas tenta não dormir tudo bem?

- Eu estou cansada e com frio.

- Eu vou te cobrir com o meu casaco. - ele retirou o seu agasalho e colocou sobre os meus ombros. Quem fez isso com você minha filha?

- Eu não sei, ele só pediu uma informação e me sequestrou.

- A emergência já esta vindo. Tinha uma ambulância aqui perto. - o filho dele se aproximou novamente.

- De onde você e mocinha?

- Sou de Hoboken.

- Esta bem longe de casa. Quantos anos? - ele segurou em minha mão como um ato de bondade.

- 17. Estou com muito sono.

- Por favor, não durma querida. Qual e o seu nome?

- Me chamo Crystal, Crystal Fernandes.

- Qual e o nome dos seus pais?

- Lorena, e o meu padrasto se chama Stwart. Esta doendo, e eu só quero dormir para passar logo.

- Mas eu preciso que fique acordada. - assim que ele terminou de falar, ouvimos a sirene de uma ambulância.

- Eles chegaram menina, eles chegaram!

- Muito obrigada.

- Você vai ficar bem!

- Obrigada senhor, que Deus lhe abençoe. - apertei a sua mão com força.

- Aqui, a moça esta aqui. - foi a última coisa que consegui ouvir antes de simplesmente apagar.
Acordei não sei quanto tempo depois em um quarto completamente branco, e cheia de aparelhos ligados ao meu corpo, eu respirava com dificuldade, mas sozinha, apenas com o auxilio da mascara de oxigênio. Olhei para os lados, e vi a minha mãe sentada em uma poltrona, adormecida ao lado do Stew que a acolhia em seus braços, e naquele momento, eu nunca me senti tão feliz em estar viva. Senti as lágrimas rolarem pela minha face ao relembrar por alto de tudo o que havia passado nas últimas horas, foi um pesadelo, queria acreditar que era simplesmente isso.
Ouvi os aparelhos apitarem com mais intensidade diante do meu choro, diante de tudo o que eu relembrava e foi o suficiente para despertar primeiramente o Stew, e logo em seguida a mamãe, que se levantou rapidamente vindo ate mim.

- Meu amor, minha filha. - ela segurou em minhas mãos e apoiou de leve a cabeça em meu peito, e eu não consegui conter a minha emoção de estar em casa, de estar com a minha família.

- Querida, ficamos tão desesperados. - Stew passou a mão em minha cabeça a beijando em seguida.

- Mãe, pai, me desculpem.-disse baixo e abafado pela mascara.

- Shiii, não fala nada meu amor, a culpa não foi sua. - minha mãe beijou a minha testa.

- Já encontraram o infeliz que fez isso com você meu amor! - olhei para o Stew que estava com os olhos cheios de lágrimas. Aquele maldito já está preso minha princesinha. - vi as primeiras lágrimas rolarem de seus olhos.

- Pai! - passei a mão em seus rosto. Ele tinha se tornado um pai para mim ao longo dos anos e o vendo agora, tão abaldado, sei que ele realmente se preocupa comigo como um pai.

-Você está em casa! - segurou em minha mão, a beijando, assim como a minha mãe.

- Recuperaram o carro?

- Sim meu amor, intacto.

- E o moço?

- Que moço?

- O moço que me ajudou!

- Ele veio aqui ontem, mas você ainda estava dormindo.

- Ontem? Eu estou aqui a quanto tempo?

- A três dias.

- Três?

- Olá, fiquei sabendo que a minha paciente acordou. - olhei para o lado e vi um medico alto, de cabelos bem branquinhos entrar na sala, nem reparei quando avisaram. Como esta Crystal? A propósito, vamos tirar isso aqui, você consegue respirar sem? - retirou a minha máscara de oxigênio.

- Bem, eu acho. - só ai eu notei, que ainda não sentia as minhas pernas. - Por que eu ainda não sinto as minhas pernas?

- Bem...

- Não!

- Não, é permanente, é só uma paralisia momentânea, foi uma lesão mínima e em breve você recuperara os seus movimentos. Agora você só precisa descansar. - ele anotava algumas coisas em meu prontuário.

- Em quanto tempo os meus movimentos voltarão?

- Não sei estipular com exatidão, mas com o auxílio de fisioterapias, ela vai voltar em breve.

- Fica calma meu amor. - mamãe olhou em meus olhos e sorriu.

- Você receberá em breve a visita da Doutora Kim...

- Olá.

- Olha ela ai! - ele sorriu.

- Não acredite em nada que ele fala sobre mim. - sorrimos. - Como está querida?

- Viva. - disse sentindo os meus olhos arderem novamente

- Isso é bom.

- Quantos tiros eu levei?

- Quatro no total, três certeiros e um de raspão.

- Um no ombro esquerdo, um próximo ao quadril que atingiu uma das vértebras que a deixou paralisada, e um na parte superior da coxa direita. E o último de raspão pela lateral esquerda da cabeça. Todos pelas costas.

- Covarde. - ouvi o Stew falar entredentes.

- Calma meu amor, ele já esta preso. - mamãe o abraçou.

- A minha vontade era de arrebentar a cara daquele maldito.

- Calma papai, ele era digno de pena. - ele me olhou com os olhos mais amorosos do mundo.

- Minha menina, minha filha, você não sabe como nos preocupamos com você. - recebi um maravilhoso abraço confortável deles.

- Bem, deixe me apresentar melhor. Sou a Doutora Kimberly e sou ginecologista.

- Ginecologista?

- Sim. Bem Cris, estou aqui por que primeiramente, você foi violentada. Fizemos alguns exames e já te medicamos com o coquetel anti HIV, isso reduz em 92% das chances de você contrair o vírus caso ele seja portador da doença. E também por que infelizmente quando ele te acertou próximo ao quadril, além de acertar uma de suas vértebras, a bala se estilhaçou e acertou o seu útero, e bem, de acordo com os exames que fizemos até então, você não poderá mais engravidar.

- Eu fiquei estéril?

- Sim, infelizmente. Mas são apenas os primeiros resultados.

- Não, isso não é possível...

- Calma meu amor, e só momentaneamente, ainda vão ter mais testes, e exames, tratamentos.

- Realizaremos mais alguns exames mais pra frente, e o seu quadro pode se reverter Crystal. Este diagnostico e momentâneo.

-Momentâneo? Momentâneo? Eu estou momentaneamente paralisada da cintura para baixo e momentaneamente sem poder ter filhos. - fechei os olhos com pesar sentindo as lágrimas rolarem deixando a minha dor mais do que aparente. - O meu sonho era ser mãe.-olhei para a medica.

- Você será. Se não for natural, têm tantas outras formas...

- Não!

- Você esta viva meu amor. É o que importa.

Olhei para minha mãe e ela me encarava com os olhos mais amorosos do mundo e mesmo privada de tantas coisas a partir de agora, eu vi que para eles só o fato de estar aqui, já era uma vitória, e eu decidi encarrar esta segunda chance exatamente assim. Uma vitória!

Ola meus amores, sei que provavelmente a historia citada acima pareça ser surreal, e que nunca jamais ira acontecer com  ninguém, mas acreditem acontece, e infelizmente aconteceu. Esta parte do cap e baseado em fatos reais, e eu me inspirei na historia de uma professora texana, de nome Bridget kelly. Como eu disse, foi baseado e a historia não e a mesma tem o meu toque pessoal, mas eu disponibilizei o vídeo para não acharem uma louca que inventa um monte de coisas sem sentido. kkkkkkk 
Espero que tenham gostado cap,e ate breve...


terça-feira, 14 de julho de 2015

Adeus Peter... cap 06



Acordei não sei quanto tempo depois, estava completamente despida, com uma colcha sobre o meu corpo e completamente sozinha, infelizmente. Só não achei que tudo aquilo tinha sido um sonho, por que o seu cheiro estava sobre os lençóis, e principalmente, sob o meu corpo, além da a ardência que sentia entre as minhas pernas, não me restavam dúvidas.
Me descobri rapidamente a procura da mancha de sangue,  não queria correr o risco da mamãe ver. Porém, mesmo me sentindo dolorida, não havia absolutamente nada, mas eu sei que isso e relativo de cada corpo, de cada organismo, e depende muito de como foi o ato sexual, se foi conturbado, tenso, tranquilo, ou prazeroso. E bom, sem dúvidas ente nos dois foi muito prazeroso.
Era quase impossível de acreditar, que sim, eu fui dele.
Mas logo uma dor, e uma tristeza chata tomou o meu peito, quando eu constatei que ele iria embora hoje. Olhei a hora e já passava de uma da tarde, ele disse que iria no inicio desta tarde, mas eu não sabia a hora ao certo, provavelmente ele já deveria estar embarcando neste momento. Senti uma agonia chata, e antes mesmo de fazer qualquer coisa, ouvi batidas na porta, e a única coisa que consegui fazer antes que a minha mãe entrasse no quarto, foi me cobrir.

- Filha, desculpa a demora meu anjo. - ela fechou a porta ao entrar no quarto.

- Mãe! - puxei a colcha cobrindo ainda mais o meu corpo.

- Eu acabei me distraindo conversando com a Bernadette. Você sabia que o Peter vai para Los Angeles hoje?

- Sim.

- Por que esta dormindo ainda? E sem roupas?

- Mãe, eu...

- O que aconteceu aqui para as suas roupas estarem jogadas assim? - olhou ao redor.

- Mamãe, não aconteceu, nada.

-Você vai mentir pra sua mãe agora?

- Não, eu só...

- Então fale a verdade! - ela sentou na cama ficando a minha frente.

- E uma coisa difícil de se falar mãe, eu não quero mentir para a senhora, mas ao mesmo tempo eu não quero contar. - a olhei nos olhos, e ela arqueou a sobrancelha.

-Você não confia mais na sua mãe? - eu poderia ver a decepção em seus olhos neste momento.

- É claro que confio mãe.

- Então me fale, porque você esta com esta cara de quem estava dormindo e completamente sem roupas Crystal.

- Eu não sei como te falar isso.

- Apenas fale!

- Não e tão simples!

- É claro que é, é só falar.

Olhei em seus olhos, e apesar de parecer estar irritada, eu sabia que ela estava pronta para me ouvir, agora se ela iria compreender, era outra história. Sempre confiei na minha mãe, ela sempre foi a minha melhor amiga, mas não sei se ela será tão minha amiga ao saber que acabei de perder a minha virgindade.

- Estou esperando Cris.

- Eu acabei de perder a minha virgindade.

Fechei os olhos e me preparei para ouvir, ou até mesmo para receber o primeiro tapa. Porém, ela não disse nada, eu abri os olhos imaginando que ela estaria desmaiada, mas para a minha surpresa, ela estava parada, simplesmente parada me olhando. Não sei definir a sua expressão, mas ela não parecia estar tão furiosa, quanto eu imaginei.

- Mamãe, a senhora me ouviu? - me arrisquei a perguntar.

- Sim, perfeitamente. Com quem? Quem você colocou dentro da nossa casa?

- O Peter. - disse sem exitar e ela soltou um suspiro, que me pareceu ser de alívio.

- Menos mal.

- Menos mal?

- Claro, ao menos eu o conheço, conheço a família dele e sei que é um bom rapaz!

- Mãe, a senhora está bem? - a encarei enquanto ela dobrava as minhas roupas.

- Sim. - me olhou e sorriu. Sério, ela sorriu? - Um dia isso teria que acontecer, uma hora ou outra, você iria perder a sua virgindade. Foi cedo, admito, extremamente cedo, mas já aconteceu.- ela sentou ao meu lado - E até nisso, você me deu orgulho, pois foi com um rapaz que conhecemos e confiamos, não com um garoto qualquer. E o melhor, dentro de casa e não em uma esquina qualquer.

- Ah mamãe, você e a melhor mãe do mundo. Eu pensei que iria me bater e me expulsar de casa. - sorrimos.

- É claro que não meu amor, eu fico muito feliz por confiar em mim e saber que posso confiar em você. Vocês usaram camisinha não é? - me encarou franzindo o cenho.

- Sim mãe. - sorri.

- Que bom! - me abraçou ainda mais - Foi bom?

- Mamãe? - a olhei incrédula.

-O que foi, só estou curiosa, quero saber.-sorriu-

- Foi incrível, pena que ele vai embora.

- Eu sei, sinto muito por isso.

- E eu nem me despedi dele. Eu acabei dormindo.

- Que feio filha, isso é o papel deles. - sorrimos.

- Ainda estou aprendendo dona Laura.

- Tudo bem. - ela se levantou - O que é isso? - se abaixou pegando um pedaço de papel.

- O quê?

- Parece um bilhete. "Minha pequena..." Acho que é para você. - sorriu me entregando.

"Minha pequena, me desculpa por ter ido e não ter te acordado, é que você estava tão linda adormecida, parecia uma visão de tão bela. Mas eu precisava ir, tinha que terminar de arrumar as minhas malas.
Eu sinto muito não termos descoberto o quando nos gostamos antes de ter que ir embora, mas eu prometo voltar assim que for possível.
Se caso você desejar, o meu voo saí às 14:10 horas, eu queria muito te ver antes de embarcar.
Obrigado por confiar em mim, por ter se entregado a mim em sua primeira vez e espero que ela seja tão inesquecível para você, como será para mim.
Até breve, minha doce Crystal."

Minha mãe disse que ainda dava tempo de ir até o aeroporto, e que ela me levaria de carro sem problema nenhum. Já disse que tenho a melhor mãe do mundo?
Estávamos saindo de casa quando olhei no relógio e faltava apenas vinte e cinco minutos, ainda bem que o percurso ate o aeroporto não era tão longo e em cinco minutos mais ou menos já deveríamos estar chegando. Porém o que nos pegou de surpresa foi um trânsito chato que estava completamente parado.

- Que estranho, não deveria estar tão engarrafado assim.

- Não acredito, olha o tamanho disso, não vamos conseguir chegar a tempo.

- Calma filha, vamos sim.

- Eu vou andando até lá!

- Se você for andando, aí mesmo que não chegará a tempo.

Olhei pela janela, constatando o quão engarrafado estava e a única coisa que eu desejei foi não ter dormido tanto ou no mínimo que ele tivesse me acordado antes de ir.
Por sorte, até que não demorou muito para o engarrafamento se dissipar e no final das contas, era somente um carro enguiçado no meio do caminho.


Olhei no relógio e eram exatamente 14:00 horas da tarde. Saí do carro sem nem mesmo esperar ela minha mãe e entrei no aeroporto, me informando onde estaria saindo o voo para Los Angeles, assim que me encontrei, segui direto para a área de embarque. Olhei ao meu redor, mas eu não vi nada, absolutamente, eu não poderia acreditar que ele já tinha ido, e isso seria muita falta de sorte.
Porém quando prestei bastante atenção para um dos cantos da área de embarque, vi a dona Bernadette acenando em direção a porta e corri em sua direção, onde eu o vi prestes a embarcar.

- PETER.

Ele parou, olhou para trás e sorriu abertamente ao me ver, imediatamente fui ao seu encontro o abraçando fortemente, sentindo o seu cheiro pela última vez.
Os seus braços se apertaram ao meu redor, como ele tinha feito a algumas horas atrás, e exatamente como a algumas horas atrás, eu me senti simplesmente ótima por estar em seus braços. Ele me suspendeu fazendo um enorme sorriso brotar em meus lábios, e eu sabia que ali, era onde eu me sentia mais segura.


- Eu pensei que você não viria.

- Eu quase não vim.

Olhei em seus olhos e ele me surpreendeu com um beijo. Seu beijo já tinha gosto de saudade, uma despedida chata que eu nunca pensei que iria doer tanto. Nos abraçamos novamente, quando desfizemos o beijo com selinhos, ele afagou os meus cabelos, fazendo com que eu enterrasse a cabeça no vão do seu pescoço.

- Vou sentir a sua falta pequena.

-Também vou sentir a sua. Vou sentir muito, muito, muito Peter. - beijei o seu rosto e os seus lábios quando ele me colocou no chão novamente.

- Assim que der, nos veremos novamente, eu prometo.

- Toma, fica com isso. - retirei a minha pulseira preferida do pulso e coloquei no seu. - Tenta não se esquecer de mim?


- Eu não vou Cris.


Nos beijamos novamente de forma intensa com sabor de despedida entre lagrimas. E a despedida ficou ainda mais intensa, quando fizeram a última chamada para o voo, Peter teve que ir definitivamente.

                             

Com um pouco de custo soltei a sua mão, estava muito triste em vê-lo ir embora. Mas ao mesmo tempo, estava feliz por ele, estava feliz por ele estar seguindo em busca do seu futuro, em busca do que ama e do que lhe completa.
Ele acenou para nos pela última vez antes de passar pela porta de embarque, jogou um beijo com as mãos e simplesmente sumiu apos retribuirmos seu gesto.


[6 meses depois...]

Já haviam se passado pouco mais de seis meses desde que o Peter, infelizmente foi embora da Ilha me deixando completamente arrasada por dias, e até agora só tínhamos nos falado apenas duas vezes pelo telefone. Segundo ele as ligações para o Hawaii ficavam muito caras para que ele ligasse todos meses. Era compreensível, só a saudade que não queria entender. Mas o pior não era isso, o pior era que a partir de agora, seria impossível nos falarmos novamente.
A três meses atrás, Stew ganhou uma promoção no trabalho e foi transferido para Hoboken, algo mais próximo a Nova Iorque, não mais do que meia hora de carro. E com isso acabamos nos afastando ainda mais da família Hernandez, fato este que me deixou muito triste, afinal, eu estava começando a ter um contato maior com a Pres, a irmã mais nova do Peter.
A única coisa que me consolava, era que a Mariah tinha se mudado para Nova Iorque, e teriam grandes chances de nos reencontrarmos.

A nossa vida tinha mudado ainda mais já que depois de tantos anos de casamento, a quase um ano atrás, a mamãe tinha decidido engravidar, e a dois meses ela descobriu que o tratamento hormonal que tinha feito havia dado certo, e ela estava grávida. Eu fiquei muito feliz por ela, de verdade, seria legal, depois de 17 anos ter uma irmã mais nova, ou um irmão.
A um mês atrás foi o meu aniversario, e eu fiquei muito feliz, já que comemoramos em um restaurante local, e na volta o Stew comprou um bolo muito bonito, decorado, em uma das confeitaria perto de casa, alguma coisa "Bakery", e quando chegamos em casa, além deles cantarem parabéns para mim, eu ganhei um maravilhoso presente de aniversario.

- Não abra os olhos mocinha.- mamãe havia coberto os meus olhos com as mãos enquanto o Stew me guiava pela casa.

- Que ansiedade, o quê vocês estão tramando, hein?

- Fica calma querida, você vai gostar!

- Que tortura. - sorri.

- Está pronta? - ele perguntou

- Sim, muito! - senti a mamãe retirar as mãos dos meus olhos.

- Pode abrir. - minha mãe ordenou.

- Meu Deus! Não acredito nisso! É para mim?

- Sim, gostou?

 -Se eu gostei? SE EU GOSTEI? EU AMEI! - os abracei primeiro, antes de abraçar o meu lindo, e vermelho carro novinho.

- É para você ir para a faculdade. Sabemos que ela próxima, mas de carro fica ainda mais acessível!

- Obrigada Stew, obrigada mamãe. Mas vocês não deveriam fazer isso, a mamãe esta gravida e vocês vão precisar...

- Fique tranquila, com a transferência, eu ganhei uma bela promoção e um ótimo aumento. E se já não tínhamos problemas financeiros, agora mesmo que não vamos ter!

- Muito obrigada! - os abracei novamente

Enfim, o meu dia só não foi melhor por que eu não tinha a presença dos meus melhores amigos e nem como me comunicar com eles de alguma forma, já que tínhamos perdido o contato, mas a minha mãe disse a Tia Bernie que assim que instalassem o telefone aqui em casa ela iria mandar o nosso número para que retomássemos o contato. Mas até lá, eu deixei vários beijos acumulados ao meu amigo, para quando ele ligasse pudesse ter certeza de que ele jamais será esquecido por mim.
Enfim, eu tinha entrado para a faculdade, tinha escolhido a faculdade de medicina, iria me especializar em ginecologia e obstetrícia, gosto de crianças, amo cuidar delas e o meu maior sonho é poder colocá-las no mundo. E ainda mais agora que em breve teríamos um bebê em casa. Sonho em um dia poder ter os meus.

Estava há quase três meses frequentando a faculdade - já que me matriculei na semana seguinte que nos mudamos, eu já havia conseguido a carta da faculdade ainda no Hawaii - e por sorte ela era próxima de casa e dava para ir para casa todos os dias, não tinha necessidade de usar o alojamento.
O trajeto era de mais ou menos quinze minutos de carro, meu carro diga-se de passagem. Eu estava muito feliz com o rumo que a minha vida estava tomando, eu estava sendo bastante elogiada pelos meus professores, devido as minhas últimas notas tanto as do último ano da escola, como as das minhas avaliações mensais. Um deles disse que se eu continuasse daquela forma, seria uma grande obstetriz.

Na saída da faculdade, me despedi da Corine, uma colega de turma que sentava ao meu lado em cinco das 8 aulas que tínhamos. Segui para o meu carro que estava no estacionamento da faculdade, o desarmei, e coloquei os meus livros no banco de trás, teria algumas pesquisas a serem feitas quando chegasse em casa.
Era uma sexta feira, mais ou menos cinco e meia da tarde, quando me sentei no banco do motorista, ajustei o retrovisor, que estava completamente fora de lugar, provavelmente um esbarrão tinha retirado ele do lugar. Coloquei a chave na ignição, e antes mesmo de fechar a janela, olhei mais uma vez no espelho lateral, e vi um rapaz de mais ou menos 1,70 de altura, pele branca, com cabelo liso em um tom mais claro, quase loiro, ele era lindo, realmente muito lindo. Ele estava com um casaco preto de capuz, e uma calça jeans. Ele olhava diretamente em meus olhos através do retrovisor, e do nada, me abriu um lindo e branco sorriso no qual mesmo estando "cabreira" eu retribui.

- Olá, tudo bem?

- Sim!

- Você poderia me dar uma informação? - sua voz grave e firme fez a minha espinha se arrepiar e algo dentro de mim gritou para que eu ligasse o carro e fosse embora dali o mais rápido possível.

- Desculpa, mas eu preciso ir. - virei a chave do carro, ligando o motor.

- Calma, para que tanta pressa? - ele retirou parcialmente uma das mão do bolso do casaco, revelando cabo de uma arma.

- Meu Deus...

- Passe para o banco do carona. - ordena ele.

- Você pode levar o carro, a minha bolsa, qualquer coisa...

- Eu pedi a porra do carro? A sua maldita bolsa? Qualquer outra merda?

- Não!

- Então faça o caralho que te mandei. Melhor, eu vou entrar no banco de trás e você vai simplesmente dirigir para onde eu mandar.- me encarou friamente. - Estamos entendidos? - balancei a cabeça freneticamente. - Então fala, porra! - a sua voz era baixa, porém firme e sombria.

- Sim, eu entendi.

Ele abriu a porta de trás, entrou, e logo em seguida pulou para o banco do carona. Ele mandou que eu colocasse o cinto e agisse da melhor forma possível e se caso eu chamasse a atenção de alguém, ele me mataria e mataria também quem eu alarmasse.
Senti o cano da arma encostar no meu quadril, olhei para o lado, mas com uma voz fria, e decidida, ele mandou que olhasse para frente e dirigisse, apenas dirigisse.