Ele ainda estava com o rosto virado, e a mão na lateral do mesmo. Eu estava com as minhas mãos na boca, eu mal podia acreditar que tinha acertado a face do homem que foi a pessoa em que eu mais acreditei, e confiei nos últimos anos, mas a contra partida, foi o que mais me enganou, e me manipulou. Confesso que mesmo com tudo isso, eu era um misto de de alegria, e angustia ao mesmo tempo.
Ele se virou calmamente ate que os nossos olhos se encontrasse, e eu me arrepiei da cabeça aos pés assim que o nosso contato visual foi completamente estabelecido. O idio, a raiva, e o rancor estavam estampado em sua face, e ali, eu tive realmente medo de que ele pudesse fazer algo contra mim.
-E ainda por sima, se acha no direito de me esbofetear?
-Eu não admito que ...
-NÃO ADMITE O QUE? VOCÊ NÃO MORAL NENHUMA PARA ADMITIR, OU NÃO, ALGUMA COISA CRYSTAL! Eu estou me mantendo o mais calmo possível, por que eu não quero cometer uma louca!
-Voçe não teria coragem!
-Não duvide de mim! Voçe e uma ingrata! Eu te dei tudo Crystal, te dei uma boa vida, te dei carinho, amor, compreensão, te dei a possibilidade de andar novamente, e como voçe me paga?
-Te paguei com oito anos da minha vida! Te paguei servindo de idiota para voçe, e te amando como uma trouxa enquanto voçe mentia para mim por todos estes anos! Te paguei sendo fiel a voçe ate po ultimo segundo, sendo que voçe me traia desde o inicio...
-EU NUNCA DORMI COM OUTRA MULHER!
-POIS EU PREFERIA QUE VOCÊ TIVESSE ME TRAÍDO COM OUTRA MULHER! Seria melhor do que esta traição moral, de confiança!
-Eu tenho nojo de voçe Crystal! Não quero mais te ver, eu quero que voçe saia imediatamente da minha casa, da minha vida!-a sua voz saiu arrastada, em um tom sombrio, mas eu respirei fundo, e não baixei a minha guarda.
-Voçe e o errado, e esta me expulsando da minha casa?
-MINHA, SÓ MINHA! E SIM, EU QUERO VOCÊ, E ESTA COISA QUE VOCÊ CHAMA DE FILHA LONGE DAQUI, E AGORA!
-Eu vou perder a guarda dela se nos divorciarmos...
-FODA-SE! LEMBRASSE DISSO ANTES DE ABRIR AS PERNAS PARA QUALQUER UMA SUA PIRANHA!
-Rafael, em nome de todos estes anos, por favor, não deixem tira-la de mim...
-Voçe ja não vai ter um?-segurou firme em meu braço olhando dentro dos meus olhos. Pra que mais um?-sorriu friamente.
-Por favor!
-Agora e por favor? Tarde demais! Voçe deveria ter pensado nesta possibilidade antes, antes de simplesmente me trair com outro homem, agora eu quero que voçe se foda!
-Rafael?
-SAI DA MINHA CASA, AGORA, VOCÊS DUAS! Aproveite a minha boa vontade, e pode levar as suas coisas, e as dela! Você não merece, mas e para te provar o quanto eu sou bom para voçe! Voçe vai chorar por mim, voçe vai chorar muito quando olhar para trás e ver que eu não estou mais aqui, que voçe não tem mais esta bela casa para morar, não tem mais o conforto, e a comodidade do lar que eu te dei, e quando voçe vai conseguir algo assim? -abriu os braços olhando ao redor. Nunca!
-Voçe acha que eu era feliz aqui com tudo isso? Voçe acha que isso tudo...- fiz o mesmo gesto que ele. Enche os meus olhos? Voçe esta muito enganado, e outra eu tenho dois braços, e duas pernas, posso muito bem conseguir me reerguer sozinha sem precisa de nada, e nem de ninguém!
-E o que vamos ver! Voçe nem saiu de casa e já esta me pedindo favores, quer que eu impeça de que eles tirem aquela criança nojenta, e enjoada de voçe, mas quer saber, eu quero e que voçe se dane! Eu vou sair, quando eu voltar, não quero nem o seu cheiro aqui!-disse com o olhar frio, e ate maligno dando as costa, e saindo do quarto.
Sentei na cama me sentindo completamente perdida confusa, e sem chão. Por um lado eu estava muito feliz, estava livre, mas por outro lado, eu corria o risco de perder a minha filha, e eu sabia que eu estava em suas mãos, sabia que ele poderia fazer o que quisesse comigo mais uma vez.
Ainda sentada na cama, eu olhei para o chão em meio as minhas lagrimas, e vi o resultado do meu exame de HCG, me abaixei pegando a folha, sentindo as lagrimas escorrerem pelo meu rosto, olhando para aquele papel eu sentia a felicidade nascendo dentro de mim, um alivio em saber que eu não era uma mulher seca, uma mulher que não seria capaz de ter os seus próprios filhos. Mas contra partida, tinha os meus exames de fertilidade sobre a cama, eles me diziam que apesar de eu não ser seca, eu era uma burra, uma estupida, por ter sido tão fraca e manipulável, ao ponto de não ter coragem de ter aberto os meus próprios exames.
-Como uma pessoa pode ser são burra? Como eu fui idiota!
Coloquei a mão sobre a minha barriga, e sorri involuntariamente, apesar de tudo, a melhor parte daquilo tudo estava bem, e protegida. Olhei ao redor, e constatei que precisava sair daqui o mais rápido possível, mas eu demoraria uma eternidade para arrumar tudo sozinha.
Peguei o celular sobre a cama, e decidi ligar para a minha amiga, eu precisava de uma ajuda, eu precisava dela!
-Liz?
-Oi amiga, e ai tudo bem? Como foi?-lembrar de como foi, era terrível, e eu senti a minha garganta se fechar imediatamente.
-Então...-minha voz saiu embargada, e eu não conseguis egurar o choro.
-Cris? O que aconteceu?-pareceu ficar extremamente preocupada.
-O Rafael...
-Não fala, eu estou indo ai imediatamente!-sem deixar tempo de resposta, ela simplesmente desligou o celular.
Fui ate o closet, e retirei algumas malas que eu usaria para colocar as minhas coisas, e aproveitei para pegar algumas malas dele. Por que sim, eu precisava de bagagem para levar as minhas coisas. Peguei uma das malas grandes e a arrastei ate o quarto da Ari, mas para a minha surpresa ele estava vazio.
-Ari? Amor? Filha?-senti um desespero me tomar por completo, quanto não a vi no quarto. Cade a minha filha? FILHA?-gritei na porta a plenos pulmões sentindo as lagrimas de desespero me tomarem por completo.
-Aqui.-ouvi a sua voz baixinha, através de uma fresta no closet.
-Ari, filha!-me aproximei rapidamente do closet. Minha vida, que susto, voçe me deu!-a abracei forte sentindo o seu cheirinho, e beijando a sua cabeça. Por que voçe estava aqui?
-Estava com medo!
-Medo de que meu amor?
-Dele!
-Esta tudo bem agora meu anjo, ele já foi, e nos também vamos?
-Vamos?
-Sim, não temos mais o que fazer aqui!
-Por que vocês estavam brigando de novo, o que eu fiz? Eu juro que não fiz nada...
-Voçe não fez nada meu amor, voçe só me trouxe alegrias, mais nada!
-Por que voçe esta chorando?-acariciou o meu rosto.
-Sabe quando voçe esta feliz, e triste ao mesmo tempo?
-Sim!
-Eu estou assim, exatamente assim!
-Não fica triste, eu estou aqui!-juntei as nossas testas, e senti as suas mãozinhas em meu rosto.
-Eu sei meu amor, e é isso que me da mais força ainda! Eu te amo muito minha filha!
-Eu também te amo muito! Mamãe!

Eu senti o meu coração bater mais forte, o meu ar quase faltou, o meu peito se encheu de alegria, parecia um sonho. Mamãe? Ela me chamou de mamãe, eu nunca tinha ouvido uma palavra mais bonita direcionada a minha, e o que eu senti no momento, não tinham palavras que as traduzissem, e mais uma vez ela me fez a mulher mais feliz do mundo, em um momento tão complicado para mim, ela era a minha força, o meu pilar.
Os nossos olhos estavam fixos um no outro, ela me encarava como se esperasse uma reação minha, os seus olhinhos brilhavam intensamente, e eu pude sentir pela primeira vez o que e sentir um amor incondicional por uma pessoinha, por um pequeno ser, que e capaz de mudar a vida de uma pessoa.
-Eu te amo minha filha!-a abracei forte. Voçe e o amor da minha vida!
-Eu também mamãe!-segurei em suas mãos olhando em seus olhos.
-Olha meu amor, Eu estou muito feliz por que voçe esta me dando o melhor momento da minha vida, eu sonhei muito com este dia, sonhei em ouvir esta palavra a minha vida inteira, e voçe entrou na minha vida para me fazer feliz, só para isso!
-Eu estou muito feliz por que voçe e a minha mãe, e me escolheu para ser a sua filha.
-Voçe me escolheu, os seus olhos me escolheram, o seu sorriso disse que estava a minha espera, e eu agradeço a Deus todos os dias por ter ido naquele abrigo, pois la eu encontrei a minha luz, a minha rasão de viver!-nos abraçamos fortemente, e tendo ela em meus braços, eu sabia que tudo iria dar certo, a unica coisa que eu tinha medo, era que ele quisesse se vingar de mim, através dela, e se isso acontecesse eu certamente eu iria morrer. Nos precisaremos ir embora desta casa tudo bem?-ela me olhou parecendo confusa. Me desculpa, eu sei que te prometi viver aqui, te prometi que voçe seria feliz aqui, mas não podemos mais ficar aqui!
-Eu ainda vou ficar com voçe?
-Vai meu amor, e claro que vai!
-Então não tem importância onde ficaremos mamãe, o que importa e estar com voçe!- abracei forte mais uma vez.
Me levantei do chão, que era onde estávamos ate então, e eu a auxiliei a guardar todas as suas coisas dentro daquela mala grande, e em outras duas menores que estavam em seu closet, ela não tinha muitas coisas ainda, e por isso foi fácil, e rápido terminar as malas dela. Enquanto eu fazia isso, tentava imaginar para onde eu iria com a minha filha naquela hora, provavelmente teríamos que passar a noite em um hotel, eu não iria pegar a estrada a esta hora para Fresno, com uma criança pequena e com o emocional extremamente abalado. A unica coisa que eu sei e que eu precisava ir embora dali, e que eu era a mulher, e a mãe mais feliz deste mudo.
-Amiga!-ouvi a voz da Liz no andar de baixo, e eu sai do quarto da Ari.
-Liz, aqui em sima!-sai do quarto indo para o corredor
-O que aconteceu minha amiga?-me encarava enquanto subia as escadas.
-Eu contei a ele.
-E ai?
-Ele me expulsou de casa, e disse que eu era varias coisas. Me chamou de vadia para baixo.-disse mais baixo devido a minha filha estar por perto, enquanto íamos para o meu ex quarto.
-Mas que desgraçado!
-Liz, ele mentiu para mim todos estes anos!
-Como assim?
-Eu sou normal, apita a engravidar, eu não sou estéril!
-Oi?
-Ele é o estéril, é ele que não pode ter filhos, por isso eu não engravidava Liz!
-Filho da puta!-disse apos fechar a porta. Mas que desgraçado Cris!
-Eu nem sei explicar o que estou sentindo, e uma mistura de alegria, felicidade, de tristeza, raiva, eu só quero ir embora!
-A casa também e sua!
-Eu não posso ficar aqui, ele nos expulsou!
-Desgraçado...
- E outra, eu tenho medo dele retirar a Ariel de mim, e por isso que eu estou obedecendo também! Eu estou confusa, e atordoada!
-Voçe esta nervosa, e não pode ficar assim amiga, agora voçe esta gravida!
-Eu sei, e nossa isso tudo e tão surreal!
-Sabe o que tudo isso significa?
-O que?
-Voçe esta esperando um filho do Peter!
-Sim!
-Quando vai contar a ele?-sorriu abertamente!
-Não sei, a unica coisa que eu quero agora, e arrumar as minhas coisas, e ir embora daqui com a minha filha antes que ele volte! E ainda vou fazer uma reserva e um hotel qualquer...
-Esta doida? Voçe vai para a minha casa!
-Eu não posso aceitar...
-Cade as malas, vamos colocar tudo dentro logo! Ele tem cofre?-me ignorou completamente.
-Tem!
-Sabe a senha?
-Sei!
-Aproveita e pega algo de valor, sera necessário!
-Não, isso e roubar!
-Não! Isso e um pagamento, uma indenização, pelos malditos anos que ele te fez de idiota!
-Isso não e certo! E eu já estou levando todas as minhas joias, tenho as minhas reservas, já que eu quase não gasto o meu salario como obstetriz, eu consigo viver muito bem sem ele, ou sem nada dele.
-Voçe e realmente idiota!-sorrimos.
Quando tudo já estava arrumado, eu coloquei as malas no meu carro, ao menos a maioria -já que eu fiz questão de levar o máximo de coisas minhas possíveis-, e o restante no foi carro da Liz. Arrumei a minha menina na sua cadeirinha, e antes de entrar no veículo eu olhei para trás. Lembro do dia em que nos mudamas para esta casa, de como ele me pegou no colo para entrarmos pela primeira vez, mesmo não tendo mudado pra cá assim que casamos, ele fez questão de cumprir com a "tradição". Lembro de como fui enganadamente feliz nesta casa, das manhas que acordei ao eu lado, das noite que dormi em seu braços, a cada choro que eu derramei todas as vezes em que abria algum resultado de exame, que segundo ele, dizia que eu ainda estéril. -Como eu fui burra, e como ele foi inteligente!
-Acabou amiga, bola pra frente! Voçe precisa descansar, pensar em voçe, na sua filha, e no seu bebe!
-Sim!
-Mamãe, eu to com fome!
-Meu Deus, ela te chamou de mãe!-a Liz sorriu olhando para ela que estava dentro do carro, enquanto nos duas estavam na porta.
-Ela e minha mamãe!
-Sim meu amor! Me perdoa, eu esqueci de te dar lanche com tudo isso!
-Não tem importância, voçe vai jantar com a Alicia, o que acha?
-Oba!
Segui o seu carro pelas ruas de Los Angeles, ate a sua casa, trajeto este que não durava mais de quinze minutos, mas que me deu tempo o suficiente para conseguir me situar, e me decidir para onde eu devo ir com os meus filhos. Meus filhos. São as palavras mais bonitas deste mundo para mim, e sinceramente, nada mais neste momento me importa alem deles.
Ouvi o meu celular tocar na bolsa, e quando paramos no semáforo, eu abri a mesma para ver quem era, e o nome do Peter brilhava na tela incessantemente. Mesmo querendo muito falar com ele, falar para ele que eu estou gravida, e que o filho e dele, eu preferi não atender, na realidade, eu sinto que estou precisando de um tempo só pra mim, um tempo só para mim, e a minha filha.
Eu tinha acabado de me separar da pior forma possível, eu não tinha mais casa para ficar com a minha filha, enfim, a minha cabeça estava dando voltas, eu sei que ele poderia ser a minha saída, mas eu não quero sair da dependência de um, e cair na de outro. Longe de mim comparar o Peter o Rafael, alias, eles não tem nada no que serem comparados, mas e que eu realmente prefiro, e preciso de um tempo para respirar;
§
-Vou pedir para colocar as suas malas no quarto de hospedes...
-Não precisa Liz, eu decidi que amanha cedo eu vou para a casa dos meus pais.
-Poxa! Serio?
-Sim minha amiga, eu preciso de um tempo de absolutamente tudo, hoje e sexta feira, e eu quero me resolver ate segunda, e eu sei que a minha mãe vai me ajudar a desanuviar a minha mente. Não que voçe não vá...
-Eu entendo!
-Mãe, o seu celular de novo!-Ari me chamou da janela do carona, depois de se soltar da cadeirinha.
-Quero saber quando vou parar de me emocionar toda vez que ela me chamar de mãe!-disse baixinho para a Liz.
-Nunca!-sorrimos.
-Obrigada meu amor!-olhei na tela, e mais uma vez era o Peter. E o Peter.
-Não vai atende-lo?
-Não, ainda não!
-Quando vai contar?
-Não sei, preciso de um tempo para mim...
Expliquei para ela a decisão que tomei no carro, e ela concordou comigo, disse que realmente era melhor eu me estabilizar primeiro, ou ao menos colocar a cabeça no lugar. Não que ela fosse a favor-como sempre-, mas me compreendia.
Nem preciso dizer que a Ari estava radiante com a amiga, e que hoje a noite ela iria dorir no mesmo quarto que ela. Pareciam duas Alice no pais das maravilhas.
Depois do jantar, a Liz me disse que o Matt tinha ligado para ela dizendo que iria chegar mais tarde, por que o Rafael tinha ligado para ele durante a tarde, e eles iriam se encontrar. Fiquei apreensiva, afinal o Matt e amigo do Rafael, e se ele enchesse a cabeça do Matt, e ele já chegasse em casa expulsando tanto a mim, como a minha filha da sua casa? Ele estaria na sua razão, afinal, eu estou na sua casa. Tentei não expressar a minha preocupação, e me mantive da mesma forma diante do eu aviso.
Depois do jantar, trocamos as meninas e as colocamos para dormir, mas elas estavam tão agitadas por estarem juntas, que pareciam ter uma bateria eterna cada uma.
-Mamãe, não to com sono!
-Tudo...
-Ma precisa dormir meu amor, assim como a Alicia!
-Poxa!
-Vai descansar minha filha, amanha vamos para a casa da vovó!
-Vovó? Eu quero!
-Então precisa dormir!
-Eu durmo no carro!
-No carro, e agora também mocinhas, vamos, deitem, por que realmente já passou da hora.-a Liz as cobriu beijando a cabeça de cada uma, e eu fiz o mesmo.
Depois de alguns protestos, elas enfim foram dormir. Descemos, e a Liz pediu que eu contasse com detalhes como foi a reação dele quando eu contei a ele que estava gravida, e a cada palavra que eu falava, ela ficava ainda mais puta com o Rafael, tanto pelas coisas que ele falou para mim, como pelo fato dele ter nos expulsado, e tal. Enfim, ficamos um tempo conversando sobre a minha nova realidade.
Já passava da meia noite, quando o Matt chegou em casa, nos estávamos sentadas na sala, ele entrou com o paleto na mão, e a gravata frouxa, ele iria subir direto, mas viu que estávamos sentadas uma de frente para a outra na sala, e se aproximou. Eu não consegui decifrar a sua expressão, então preferi não tentar, so sei que ele estava bem serio. Ele beijou a esposa, e logo em seguida me cumprimentando com um beijo no rosto.
-Como foi o seu dia?-ela perguntou.
-Muito bom! Estava com o Rafael ate agora!
-Eu sei!-ela fez cara de desdem.
-A proposito Cris, meus parabéns pela gestação!
-Obrigada!
-Não quero me meter, mas eu disse para ele, e digo para voçe também. Os dois estão errados, então, preferi não tomar partido de ninguém!-entortou os lábios.
-Obrigada. Eu sei disso, sei que estou errada também, mas sinceramente, não me arrependo do meu erro!
-Afinal, ele te deu um filho que era tudo o que você mais queria, não e?
-Exatamente!-disse com convicção olhando em sua face.
-Só quero que voçe seja feliz!
-Obrigada Matt!-ele deu um sorriso, e deu as costas, porem me encarou novamente.
-A proposito, fique o tempo que precisar!
-Obrigada mais uma vez!
Liz olhou para o marido sorrindo orgulhosa, e agora eu entendia o quanto ela amava, e tinha orgulho do marido, mesmo sempre mantendo um pé atras. Ele era um homem justo, diferente da maioria dos advogados, e isso o tonava um cara completamente do bem.
Depois que o Matt subiu, dissidimos não ficar por mais muito tempo acordadas, eu estava cansada, com um pouco de dor de cabeça, preferi não tomar nada, apenas tomar um banho, e me deitar. Confesso que a minha noite não foi uma da melhores, mas eu fiz o possível para tentar descansar, porem eu vi boa parte da madrugada passando, infelizmente a minha cabeça não estava colaborando muito comigo.
§
Na manha seguinte, depois de fazer a minha higiene pessoal -com direito a colocar o pouco jantar que comi na noite anterior pra fora, devido ao enjoo-, tomar banho, e me arrumar, recolhi as coisa que tinha usado, as recolocando na mala, e logo em seguida fui ate o quarto da Alicia, e chamei a minha menina, queria ir para a casa da minha mãe o mais rápido possível, eu precisava muito dela.
Levei a minha Ari para tomar banho no quarto em que eu estava, só assim não teria risco de acordar a Alicia. Depois de arruma-la, e penteá-la, eu arrumei as suas coisas, no quarto da Alicia enquanto ela via TV deitadinha no quarto em que dormi, quando estava voltando, dei de cara com a Liz saindo do quarto, arrumada, e de banho tomado.
-Bom dia!-sorriu.
-Bom dia minha barrigudinha!-sorrimos.
-Em breve!-alisei a minha barriga inexistente.
-Não me diga que já vai?
-Vou!
-Eu disse para não me dizer!-me abraçou e sorrimos. Dormiu bem?
-Não muito, mas esta tudo bem!
-Pensei que iria almoçar conosco!
-Cafe eu posso tomar! Mas o almoço vou deixar para a próxima, eu realmente preciso da minha mãe!
-Tudo bem, eu entendo!
Descemos para o cafe já com as malas que retiramos do carro para passarmos a noite em mãos, na intensão de recoloca-las no carro. Tomamos cafe tranquilamente, na realidade eles, eu apenas comi uma fruta que estava na mesa, não queria comer demais, e correr o risco de enjoar durante a viagem, quando chegasse na casa dos meus pais eu almoçaria.
Me despedi da Liz, do Matt, e da minha filha emprestada, acomodando a Ari na cadeirinha em seguida, e depois de receber varias recomendações da Liz, como dirigir devagar, tomar cuidado com a estrada ate Fresno, e o principal, não mexer no celular enquanto dirigisse, enfim, eu entrei no carro. Por falar em celular, notei que ele estava super mudo, e por pura curiosidade, quando parei no semáforo, o peguei para ver o que tinha acontecido, e para a minha surpresa, ele estava deligado, ou pior ainda, com zero por cento de bateria. Que legal. Adaptei no carregador do carro, e decidi mante-lo desligado.
A Ari pediu para ver os desenhos que ela tinha me pedido para baixar no meu tablet, e eu deixei, afinal a viagem seria longa, e eu não queria que ela ficasse entediada.
Depois de percorrer mais de 130 quilômetros dos mais de 330 no total, eu decidi parar em um posto para completar o tanque, e aproveitar para tomar um ar, já que estava começando a ficar enjoada.
-Mamãe, eu to com fome!
-Já vamos parra um pouco meu amor, preciso abastecer, e aproveito para comprar algo para que coma.
Encontrei no posto de gasolina mais proximo, sai do carro retirando a Ariel da cadeirinha a levando comigo, obviamente. Entrei na loja de conveniência, e fui com ela escolher o que ela queria para comer, e para a minha não surpresa, ela escolheu um pacote de cookies, com um suco de caixinha, eu peguei apenas uma água para ver se amenizava os meus enjoos. Esperei a minha vez no caixa, já que tinha uma senhora na minha frente, e assim que ela passou, a moça me atendeu.
-Bom dia senhora!
-Bom dia!
-E apenas isso?
-Queria colocar 50 dólares de combustível também!
-Sim senhora. Qual seria a forma de pagamento?
-Cartão de debito!-a entreguei o cartão.
-Digite a sua senha por favor!-fiz o que ela me pediu, e apos esperar alguns segundos, ela disse que o meu carão não estava passando.
-Serio?
-Não senhora, quer que eu tento novamente?
-Sim, por favor!-digitei mais uma vez a senha, e me lembrei que este cartão era da conta do Rafael, e ele poderia muito bem ter bloqueado o cartão.
-Novamente não passou senhora! Tem outro?
-Tenho sim, mas eu vou pagar no dinheiro, quanto deu tudo?
-58 dólares e 95 senhora.
Paguei a moça que me deu o tiket para abastecer, e eu voltei para o carro com a minha filha. Filho da mãe, não perdeu tempo em começar a se vingar de mim, e começou logo pelo cartão, mas mal sabe ele que isso não vai me abalar, eu não preciso dele, tenho o meu sustento, e posso muito bem me virar sozinha.
Depois de abastecer o carro, prendi a Ari na cadeirinha, e voltei ao meu trajeto ate Fresno.
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