Acordei na manha seguinte com o corpo dolorido, dor de cabeça, e o pior, sentindo o meu estomago embrulhar. Deve ter sido o excesso de doces que comi na festa, alem do maldito bolo na geladeira.
Me levantei morta de preguiça, e voçe deve se perguntar "por que fazer festa em plena quinta feira!" E a resposta e simples, eu realmente queria fazer a festa no dia do seu aniversario.
Fui para o banheiro, tomei um banho, fiz as minhas necessidades, e na hora de escovar os dentes, senti um enjoo mortal tomar conta de mim, e la se foram os restos mortais do bolo da noite anterior. Nunca mais como bolo de festa! Mentira.
-Mas que merda e esta, por que eu estou passando tanto mal assim?-apoiei as mãos na pia.
Coloquei a mão na testa, e constatei que estava gelada, estava suando frio, odeio ficar passando mal, e ainda mais quando não sei o que tenho.
Coloquei o roupão, e fui chamar a Ariel para tomar banho, e se arrumar para a aula, e enquanto ela se vestia, eu fui fazer o mesmo, e em quarenta minutos estávamos saindo de casa.
Recebi uma mensagem do Rafael, dizendo que estaria de volta no final da tarde de hoje, e sinceramente, queria mais e que ele ficasse por mais alguns dias em New Jersey.
Deixei a Ariel na escola, e segui para a clinica, no caminho eu parei em um semáforo em frente a uma cafeteria, e por uns segundos inventei de abrir abri o vidro da porta do motorista, já que estava com o ar desligado, mas logo me arrependi, pois o cheiro de cafe fresco invadiu o meu carro me deixando extramente enjoada, me fazendo fecha-lo as pressas. Definitivamente eu estava começando a ficar preocupada, afinal esta ficando cada vez mais fortes e constantes estes enjoos, eu precisava ir ao medico, e ridículo uma medica não cuidar da própria saúde.
Cheguei a clinica, a porta da minha sala estava aberta, e assim que entrei dei de cara com a minha digníssima amiga. Me contem uma novidade!
-Bom diaaaa!-sorriu toda empolgada.
-Quanta animação!-disse com um bolo na garganta ainda pelo cafe se algumas quadras atras.
-Quanto desânimo, o que esta acontecendo hem?-pareceu preocupada.
-Nada demais, só acordei me sentindo estranha, acho que foi o excesso de doces de ontem!
-Tem certeza de que e apenas isso?
-Eu não sei!-me sentei. Estou cansada, com dores pelo corpo, principalmente nas costas, enjoada, ânsia de vomito de cinco, em cinco minutos, os meus seios estão um pouco doloridos... Enfim.
-Voçe sabe quais sintomas são estes não e?-me encarou com um sorriso estampado na face.
-Em uma mulher "normal" sim. Gravidez! Mas em mim, que sou estéril, eu não faço a menor ideia!
-Mas e se voçe...
-Impossível Liz!- a cortei antes que falasse. Bem que eu queria, voçe melhor do que ninguém sabe como seria maravilhoso, uma dadiva, mas eu não posso! Não posso!-afirmei sentindo os meus olhos marejarem.
-Mas e se...
-Por favor, não vamos falar de gestação, por favor minha amiga, voçe sabe como isso me dói!
-Sim, me desculpa! Vamos trocar de assunto, eu vim ate aqui para voçe cuidar de uma das minhas pacientes.
-Menstruação precoce novamente?
-Não, me desculpe, mas é gestação precoce!-
-Tudo bem! Que idade?
-12.
-12?
-Vitima de estrupo!
-Ma segundo as leis americana, ela pode tirar o bebe fruto de estupro! Não que eu seja a favor do aborto, longe de mim! Mas ela e uma criança!
-Eu sei, mas ela não quer! Disse que não foi esta a educação que a mãe dela deu a ela, e que ela sente que se fizesse isso, estaria matando alguém, pior, estaria matando um pedaço de si mesma.
-Mande-a para mim. Esta menininha já ganhou todo o meu respeito!
Depois de ouvir aquela historia, eu morri de medo de acontecer qualquer coisa com a minha filha, eu morreria se ela fosse vitima de algo desta forma, assim com eu fui.
§
Estávamos na hora do almoço, eu tinha atendido duas pacientes, e dei graças a Deus por gravida evitar perfumes fortes, por que hoje, ate o cheiro do álcool em gel para esterilizar as mãos, estava me deixando extremamente enjoada.
Eu estava sentindo um baita dor de cabeça, e estava a ponto de tomar uma aspirina, mas estava com preguiça de pegar no fundo da minha bolsa, quando a Liz entrou na sala.
-Vamos almoçar?
-Não!-curta e grossa.
-O que esta acontecendo, não esta melhor?-sentou a minha frente.
-Não! Vou ter que comprar um álcool gel sem cheirinho!-lamentei.
-Mas voçe ama o de lavanda!
-Mas estou detestando o cheiro da lavanda hoje, e... Voçe passou perfume?-a encarei quando senti o cheiro forte embrulhar ainda mais o meu estomago.
-Eu abracei uma paciente, e acho que...
Nem esperei ela terminar de falar e sai correndo para o banheiro da minha sala, colocando o que eu não tinha colocado para o estomago, para fora. Ou seja nada, somente água.
Sabe quando voçe quer colocar ate os seus órgãos pra fora mas não sai mais nada? Eu estava exatamente assim neste momento. Sabe aquela de estar começando a ficar preocupada? Okay, eu estou ficando realmente com medo de ser algo serio com a minha saúde.
-Amiga me perdoe mas eu estou preocupada demais com voçe!
-Eu também estou preocupada comigo!-me sentei novamente.
-Voçe não tem ideia do que pode ser?
-Definitivamente não! Eu ate pensei que poderia ter sido o excesso de doces de ontem, mas eu já estou assim a alguns dias, mas intensificou de ontem para hoje!
-Me perdoe amiga, mas eu vou precisar fazer isso!-disse se levantando da cadeira.
-Fazer o que?
Ela nem se deu ao trabalho de responder a minha pergunta, e simplesmente saiu da sala batendo a porta na minha cara como resposta. Eu abaixei a cabeça sentindo a sala girar. Deus que me perdoe, mas eu espero não estar morrendo! O meu corpo esta dolorido como se eu tivesse levado uma surra.
Alguns minutos depois ela voltou com um copinho esterilizado, e uma tirinha de teste de gravidez que tínhamos na clinica para as pacientes da ginecologia. Ela esta louca, só pode!
-O que e isso?-peguntei quando ela colocou o material a minha frente.
-E exatamente o que parece ser. Um teste de gravidez!
-Voçe e louca, eu jamais vou fazer isso!
-Por que não?
-Para me frustrar?-senti os meus olhos arderem. Para me sentir ainda mais inútil do que eu me sinto quando der negativo?-senti as primeiras lagrimas rolar pelo meu rosto.
-Voçe nem sabe...
-Eu sei sim Liz! Eu sei qual sera a merda deste resultado! E eu não vou fazer!-sequei as lagrimas inutilmente.
-Ah, voçe vai, ou eu não me chamo Lisandra Motta!
-Já escolheu um novo nome?-sorri ironicamente mediante as minhas lagrimas.
-Não, por que voçe vai fazer!
-Liz...
-Cris me ouve!-segurou em minhas mãos olhando em meus olhos. O que voçe perde se fizer?
-A paz! Eu sei que vai dar negativo.
-So faça, eu juro que não te peço mais nada pelos próximos 2 meses!-sorriu. Eu tenho notado que voçe esta estranha a mais ou menos um mês, eu tenho as minhas desconfianças, mas agora eu preciso que voçe faça. Por mim, melhor pela Ari, já que se for outra coisa, voçe vai procurar um medico para saber do que se trata! A Ari precisa de voçe!
-Eu tenho certeza de que e outra coisa!
-Então faça!-colocou o pote em minhas mãos, e eu olhei para ele apreensiva, confesso que estava com medo. Tudo bem, mas pela minha filha!-ela sorriu, e eu peguei o pote com a certeza de que ela estava louca. Mas que fique claro uma coisa! Voçe esta completamente fora da casinha.-ela gargalhou, e eu me esquivei dela indo para o banheiro.
Eu me peguei olhando para o espelho a minha frente, com o potinho em minhas mãos. Seja o que Deus quiser. Fiz o xixi no copinho, voltei para o consultório, e o coloquei sobre a mesa em sima de um papel toalha, e ela prontamente colocou o bastão do teste dentro do potinho, eu revirei os olhos, e olhei para a janela, não queria ficar olhando para aquela palhaçada, eu sabia que não iria dar em nada.
Eu passei a minha vida fazendo exames, tratamentos mais específicos, e não deu certo, nunca deu positivo, eu estava estéril segundo os exames, eu não sou fértil, e por que agora, com um simples exame de urina, depois de vários exames de fertilidade, este vai dar positivo?
-Cris!-ouvi a sua voz contida mas com um tom de surpresa, e senti o meu coração acelerar. Duas linhas...
-Duas?-disse ainda sem olhar para ela, e senti as minhas pernas tremerem.
-Sim, duas, e bem fortes!-senti a sua voz embargar, isso não e possível.
-Isso não e possível!-repeti os meus pensamentos.
-Sim, amiga, voçe vai ser...
-Não, isso não e possível!-as lagrimas escorriam dos meus olhos novamente. Não, voçe esta errada!-me virei olhando diretamente para o pote, e vi as duas linhas bem fortes, e elas diziam que eu estava gravida, "gravidíssima", mais do que gravida. Isso esta errado, eu sou estéril!
-Você não quer se seja verdade?
-E claro que eu quero!-sequei as lagrimas mais uma vez em vão. Mas eu... Não pode ser, isso esta errado!
-Vamos fazer o HCG já que voçe não esta acreditando!-segurou em meu pulso.
-Agora?
-E logico!
Ela me arrastou porta a fora, e seguimos para o laboratório da clinica, onde eu solicitei um exame HCG, a Tracy que era do laboratório, e sabia que eu não poderia ter filhos. Ela me olhou intrigada, mas logo mandou que eu me sentasse para retirar o sangue, e assim eu fiz. O meu coração estava acelerado, as minhas mãos tremulas, eu estava suada, eu era a tensão, e o desespero em pessoa.
Depois do sangue retirado, a Tracy disse que ficaria pronto em no maxim uma hora. Voltamos para a minha sala, eu me sentei na minha cadeira, ou melhor me joguei, eu não conseguia acreditar nesta possibilidade, eu passei anos tentando, passei anos fazendo exames, fiz tratamento logo no inicio, e nada tinha dado certo, por que agora? Por que só agora?
Eu aumentei o ar condicionado, a Liz me deu um copo com água depois de notar a minha tensão, pediu para que eu me acalmasse pois eu estava começando a ficar pálida.
-Como eu vou ficar calma Liz? Eu posso estar gravida, sendo que eu sou estéril!
-Milagre amiga, e a unica explicação!-me abraçou. So fica calma, respira, voçe não pode ficar assim tão tensa!
-E se eu estiver gravida mesmo?
-O que e que tem isso? Não e o que voçe tanto queria?
-Sim, e o meu sonho, e tudo o que eu mais sonhei!
-Então voçe sera a mãe mais feliz deste mundo!
Ela ficou comigo no meu consultório tentando me acalmar, e conversando comigo, enquanto procurávamos respostas inimagináveis para aquele teste ter dado positivo.
§
Uma hora depois do exame ter sido feito, eu pedi que ela o buscasse, pois eu não tinha condições de me levantar daquela cadeira no momento já que as minhas pernas estavam como gelatina, e assim ela fez indo buscar o resultado para mim. Ela voltou dois minutos depois com um envelope branco com o logo da clinica nas mãos, devidamente lacrado, e carimbado pelo laboratório. Ela me encarou com o envelope nas mãos, e me entregou em seguida.
-Eu não vou conseguir!-olhei para ela.
-Abre logo antes que eu enfarte na sua frente mulher! Eu não almocei, estou azul royal de fome, mas não passa nem um copo de água pela minha garganta de tanta ansiedade.
-Liz, eu vou chorar!
-Amiga, ou voçe vai chorar de tristeza, ou de alegria, só tem estas duas saídas!
Peguei o envelope de suas mãos, as minhas estavam tremulas, eu nunca me senti tão nervosa em abrir um envelope em toda a minha vida. Rasguei o papel na parte de sima, e peguei a folha que estava no envelope a minha frente, era uma folha simples sem detalhes, então o resultado estava logo de cara.
A palavra POSITIVO, foi a primeira, e unica coisa que eu consegui ler antes de cair ao prantos largando o papel na mesa. Eu estava gravida, estava esperando um bebe, enfim, eu tinha sido abençoada, eu iria ter o meu próprio bebe. Enfim, o maior sonho da minha vida estava se concretizando, a unica coisa que eu mais sonhei, que eu mais queria em toda a minha vida estava acontecendo, eu seria mãe, mãe pela segunda vez. Mas agora eu seria mãe por completo.
Senti os braços da Liz ao meu redor, e ela chorava baixinho junto comigo, sinceramente eu não poderia pedir uma amiga melhor do que ela.
-Parabéns minha amiga!
-Eu quero a minha mãe!-sorrimos em meio as nossas lagrimas. Eu preciso dela!
-Eu vou ligar para ela!-se soltou de mim, mas eu segurei em sua mão.
-Muito obrigada Liz, voçe e a melhor amiga que um ser humano pode pedir a Deus, pode querer, voçe é mais do que isso para mim, voçe e minha irmã, o meu porto seguro, muito obrigada!
-Não me faça chorar ainda mais mulher!-voltou a me abraçar.
-Se não fosse por voçe, eu não teria feito o exame, eu não estaria chorando de tanta emoção como estou agora!
-Voçe merece minha amiga, desde que te conheci na faculdade que ouço voçe dizendo que o seu sonho era ser mãe, e eu estou muito feliz por você estar realizando este sonho pela segunda vez! Eu quero ser a madrinha!
-E claro que sim!
Repousei as minhas mãos em minha barriga rindo sozinha em meio as minhas lagrimas, enquanto acariciava o meu ventre que agora guardava a melhor parte de mim.
Ela ligou para a minha mãe deixando a ligação no viva voz, ela apenas gritava no telefone como uma louca dizendo que iria ter um treco de tanta alegria. O meu pai não creditou, ele parecia incrédulo, mas eu sei que estava muito feliz. Finalizei a ligação com a minha mãe falando que no dia seguinte ela estaria em minha casa antes do almoço. Era capaz dela madrugar na minha casa.
-E agora, o que voçe vai fazer? Vai contar para o pai do bebe?
-Quando ele chegar de New Jesey eu conto para ele, espero que ele fique feliz, afinal agora teremos um bebe como ele sempre quis, e melhor ainda, nosso!
-Mas... E se o bebe não for dele?-a encarei incrédula.
-E claro que e do Rafael, Liz! de quem mais seria?
-Do Peter?
-O Peter e eu só transamos duas vezes!
-Usou camisinha?
-Pra que se eu sou este... Meu Deus!-a encarei.
-Pois é! E agora?
-E agora que eu não sei!-elevei as mãos na cabeça, apoiando os cotovelos na mesa.
-Bem, existe exame de DNA para isso!-sorri, ela tinha a resposta para tudo.
-O Rafael vai surtar se souber que eu precisarei fazer um exame de DNA!
-E quem disse que ele precisa saber?
-Eu não quero ficar pensando nisso agora, quer saber, que se dane amiga, eu vou ter o meu bebe independente de quem seja o pai, se for do Rafael, e se ele ficar mais passivo com a chegada do bebe, tudo bem, se não ficar, tudo bem também! E se for do Pete, e ele não quiser o bebe, afinal, ele acabou de ter um filho, tudo bem também, eu não ligo, eu tenho dois braços, duas pernas, e vou lutar para criar os meus filhos.
-Voçe tem a mim, e aos seus pais amiga!
-Obrigada! Liz, eu vou ser mãe! MÃE!-sorrimos.
Três horas da tarde demorou uma semana para chegar, tamanha era a minha felicidade, e ansiedade para pegar a minha filha na escola, e ir para casa.
Estava estacionando o carro já em casa quando senti o cheirinho de comida, e me lembrei que estava o dia inteiro sem comer, e que isso não era bom para o meu bebe. Só o meu pensamento já me deixou a ponto de chorar, mas eu apenas sorri como uma boba, como eu sonhei com este dia. Entrei e casa de mãos dadas com a minha filha, e ela subiu direto para o seu quarto, disse para ela tomar o seu banho, e se trocar pois em breve seria o lanche da tarde, e hoje eu tinha uma noticia muito boa para dar a ela, e claro como toda criança ela ficou super animada, e mega curiosa.
Chamei a Ana, e pedi para que ela me preparasse uma salada de frutas, eu precisava colocar alguma coisa n estomago, e eu acho que as frutas cairiam bem, ao menos eu acho que não iria enjoar com elas.
Tomei um banho, e quando sai do banheiro dei de cara com o Rafael, ele estava sentado na nossa cama com a minha salada em mãos, com cara de cansado.
-Que susto!-me aproximei dele para pegar a minha salada, ele me puxou para um selinho, e eu imediatamente enjoei com o eu perfume.
-Como foi de viagem?-me afastei me segurando para não vomitar, e conseguir comer a minha salada.
-Bem, estou exausto, e preciso de um banho.
-Vai tomar o seu banho, tenho algo para te contar!
-Conta agora, depois do meu banho eu pretendo comer algo, e descansar um pouco!-disse enquanto eu terminava de colocar o meu vestido.
-Eu prefiro esperar...
-E eu prefiro que voçe conte agora!-me encarou seriamente.
-Tudo bem!-fui ate a minha bolsa pegando o envelope com o resultado. Leia!-o entreguei.
-O que e isso!
-Leia por favor, já disse!-ainda me encarando, ele abriu o envelope.
Ele pegou a unica folha que continha la dentro, e a olhou detalhadamente enquanto a sua expressão ia mudando de cansado, para não sei dizer. Revoltado talvez?
-Positivo?-enfim me encarou. POSITIVO? VOCÊ ESTA GRAVIDA?-parecia que tinha sangue em seus olhos, eu não estava conseguindo entender o motivo da sua revolta.
-Sim, qual é o problema, voçe não queria um bebe?
-GRAVIDA?-ele gritava a plenos pulmões, ele estava simplesmente revoltado. EU NÃO ACREDITO QUE... Sua vadia, voçe me traiu! VOCÊ ME TRAIU?-ele levantou a mão para me bater, e eu me esquivei, mas o tapa não veio, eu fiquei extremamente assustada,
-DO QUE VOCÊ ESTA FALANDO RAFAEL?-eu deveria ter assumido, mas acho que seria pior.
-ESTOU FALANDO DESTA PORRA, DESTE CARALHO! -ele balançava a folha em suas mãos, na frente do meu rosto. VOCÊ E UMA VADIA! UMA VADIA DESGRAÇADA. Sabe qual e a minha vontade agora?-segurou em meus braços com força. Te jogar escada abaixo, e te de deixar estéril de verdade!-eu estava apavorada, e ele possesso.
-Do que voçe esta falando?
-A minha vontade e de te matar Crystal, eu estou com ódio de voçe...
-ME SOLTA RAFAEL, ESTA ME MACHUCANDO!
-CARALHO!-me jogou sobre a cama, e começou a chorar.
-Eu pensei que voçe iria ficar feliz em saber que eu vou ter um filho!
-CLARO, VOCÊ! VOCÊ! VOCÊ, POR QUE EU NÃO!
-NÃO ESTOU TE ENTENDENDO!
-Eu vou te explicar!-ele estava suando em bicas enquanto passava as mãos no rosto, parecia inconsolável, e muito contrariado. Sabe por que eu me casei com voçe? Sabe porque eu achei que voçe seria a mulher ideal para mim?
-Por que voçe me amava?-ele sorriu de forma fria.
-É, também! Talvez naquela época, eu realmente te amasse! Ao menos eu sei que te amava muito mais, do que te amo neste momento! Mas o principal, era simplesmente pelo fato de voçe ser estéril!
-Eu não estou entendendo, voçe me apoiou para adotarmos um bebe. Me apoiou quando os meus resultados chegavam. Voçe me consolou em toda as vezes que eu chorava por saber que continuava estéril, definitivamente eu não estou te entendendo!-ele deu as costas, foi ao closet, e depois de ouvir barulhos de coisas caindo, ele voltou com vários envelopes nas mãos.
-Isso!-jogou-os em mim, eu peguei um deles, e vi qui era da clinica onde eu fazia os exames de fertilidade anualmente.
-O que e isso?
-Abra, afinal, eu nunca deixei voçe abrir não é?-desviou o olhar de mim. Eu sempre te manipulei para que eu os abrisse.-abri um deles, li o eu conteúdo do oficio ainda em lagrimas. Eu sempre recebi os seus exames, voçe sempre me deu esta possibilidade, e isso foi muito bom para que as coisas continuassem como eu queria, como eu precisava!-ele ia narrando o que me escondeu por todos estes anos. Voçe confiou em mim, e eu me aproveitei da sua confiança, para que voçe acreditasse em mim, somente em mim!
-Eu... Voçe... -eu estava sem palavras.
-Voçe e saudável, completamente saudável, fértil, e muito bem de saúde, pronta para ter os filhos que quiser!-aquilo bateu com uma bomba em minha cabeça. Eu sou o estéril, por isso escolhi voçe, eu tinha vergonha de dizer a uma mulher que eu não poderia dar-lhe filhos, mas quando voçe apareceu na minha vida, estava na cadeira de rodas, frágil, manipulável, e ainda por sima, era estéril, e eu vi ali a minha chance de ser feliz ao lado de alguém...
-Espera, me deixe entender toda esta merda!-eu tinha aberto todos os envelopes, e em todos eles diziam que eu era apta a gerar filhos. Voçe preferiu jogar a culpa da sua esterilidade para mim? Voçe deixou com que eu vivesse uma mentira, que eu me sentisse culpada todos os dia do nosso casamento por ser uma mulher seca, não poder te dar filhos, sendo que em todo este tempo, eu era fértil?-ele não me olhava. E isso? E ISSO RAFAEL?-ele apenas acenou que sim com a cabeça.
-Sim, e agora olha o que acontece, voçe esta gravida, gravida de outro!-me encarou com os olhos frios. E eu tenho certeza que e daquele seu amigo, sua desgraçada!
-Eu não vou aceitar que voçe me chame assim...
-E POR QUE NÃO? E EXATAMENTE ISSO QUE VOCÊ E, UMA DESGRAÇADA, UMA ADULTERA IMUNDA, UMA MULHER BAIXA, VOCÊ E PIOR DO QUE UMA PROSTITUTA!
Eu não aguentei aquela humilhação, e simplesmente o esbofeteei, acertei a sua face, sem nem pensar nas consequências, eu sei que estava errada, mas ele também estava, e eu não iria aceitar que ele me humilhasse daquela forma. As lagrimas escorriam pelo meu rosto, e o meu coração estava apertado de raiva, eu fui manipulada por oito anos, eu vivi oito anos em uma mentira, e eu não queria mais ser feita de otária.
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