Terminei o trajeto com mais de três horas de viagem, e respirei fundo quando cheguei em frente a casa da minha mãe, faltando vinte minutos para uma da tarde. Desci do carro retirando a minha filha em seguida do banco de trás, que dividia espaço com a cadeirinha, e algumas da nossas coisas, assim como o banco da frente estava abarrotado de coisas, parecia uma retirante a procura de abrigo. Mas no final das contas, era quase isso mesmo! Sinceramente o meu carro estava parecendo um albergue.
Caminhei pelo gramado ate a porta da frente, onde constatei que provavelmente não teria ninguém em casa, toquei a campainha, e para a minha surpresa o Michael atendeu.
-Irmanzinha?
-Oi Michael, tudo bem?-o abracei.
-Sim, mas não precisa de tanta demonstração de carinho Crystal!-reclamou sorrindo.
-Que horror garoto, deixa de ser intragável, eu já troquei as suas fraldas sabia?
-Não me lembre desta parte constrangedora da minha vida!-sorrimos!
-Seu palhaço!
-Ari, minha sobrinha linda, tudo bem?-se abraçaram.
-Bem tio!
-Cade todo mundo?
-Não conhece a mamãe?-entramos em casa. Quando ela ficou sabendo que seria avo novamente, queria sair de casa como uma louca para comprar algo para o bebe, mas o papai a convenceu de deixar para ir hoje! Já devem estar chegando, ela vai ficar nas nuvens, iriamos pra la agora depois do almoço! Só de saber que não precisarei sair de casa já me deixa aliviado!
-Anti social!-sorri.
-Sou mesmo! Enfim, parabéns pelo bebe Cris, estou gostando desta ideia de ser tio!
-Obrigado meu irmão.
-Ah, vou la em sima pegar o seu presente Ari, nem deu para ir no seu aniversario, a LOUCA da sua mãe marcou a festa em dia de semana sabe!-implicou!
-Ela não e louca!
-Isso filha, defende a mamãe!
-Já vi tudo!-sorriu subindo as escadas
-Mas que surpresa maravilhosa e esta?-ouvi a voz da minha mãe entrando na sala.
-VOVÓ!-Ariel gritou correndo ao seu encontro.
-Amor da vovó, que saudades!-sorri ao vê-las juntas enquanto caminhava ate o papai.
-To com ciumes deste abraço!-ele resmungou!
-Saudades também Vovô!-ela se jogou para os seus braços.
-Já vi que perdi o posto de menininha da casa!
-Jamais meu amor!-minha mãe me abraçou, e eu senti os meus olhos marejarem, era tão bom contar com o abraço, e o carinho da minha mãe.
-Mas terá que aprender a dividi-lo!-papai beijou a minha testa. Esta faltando alguém, cade o seu marido?
-Aqui Ariel, espero que goste!- o Michael chamou a sua atenção antes mesmo que eu falasse algo.
-Oba!-papai a colocou no chão que foi correndo ao seu encontro.
-Estou tão feliz minha filha, isso e um milagre, quem diria que voçe estaria gravida?-minha mãe sorria acariciando o meu rosto, e em seguida a minha barriga inexistente.
-Não é nenhum milagre mamãe! E respondendo a sua pergunta papai, eu não faço ideia de onde ele esteja, e nem quero saber, não estamos mais juntos!
-Como assim, vocês se separaram? Voçe engravida dele, e ele se separa de voçe?-meu pai me encara.
-Não e bem assim papai!
-Então nos explique filha, eu estou perdida!
-Eu estou gravida, mas o meu bebe não e do Rafael!
-Voçe traiu o seu marido Crystal?-papai me repreendeu, e eu baixei a cabeça.
-Sim!
-Isso não tem cabimento, onde já se viu isso! Eu tenho certeza que nos te ensinamos a ser uma adultera, e obviamente, voçe não viu isso dentro de casa!-ele se alterou um pouco.
-Ele estava te traindo filha?
-Mesmo se tivesse Laura, ela não deveria...
-Eu não o amo mais pai!
-Pedia a separação, mas não precisava trair...
-Eu poderia perder a guarda da Ari, e ainda posso se ele quiser!-ele se sentou.
-De quem e este bebe?-respirei fundo, me sentando ao seu lado.
-E do Peter!
-Peter?-minha mãe disse apressadamente com um sorriso do tamanho da sua face. Não acredito!
-Mas ele não sabe!
-Voçe traiu o Rafael com o Peter?
-Sim!
-Era esperado!-ele balançou a cabeça negativamente, mas estranhamente não ficou mais bravo.
-Menos mal, ainda bem na realidade!
-Laura!
-E a verdade! Eu gosto do Rafael, mas...
-Mas ele e um mentiroso, hipócrita, um infeliz!
-Do que...
-Ele nos expulsou de casa! Tanto a mim, como a Ariel, ontem no inicio da noite!
-Expulsou, pra onde voçe foi com a nossa neta?
-Fui para a casa da Liz, e hoje de manha eu vim pra cá!
-Bom, ele esta na rasão dele né? Mas como voçe sabe que o bebe e do Peter?
-Como eu sei papai? Simplesmente por que o estéril da relação era, e sempre foi o Rafael!
-O QUE?
-E isso mesmo, ele mentiu durante todo este tempo, ele mentiu para mim, mentiu para vocês, se passou de bom marido, mas no fundo, ele estava me usando para mascarar a sua canalhice, ao invés de simplesmente me falar que não poderia ter filhos!
-Como ele foi capaz disso?
-Mentindo mamãe, eu fazia exames todos os anos, e ele sempre abria, e mentia pra mim. Mas eu fui burra, fui uma idiota, eu deveria ter aberto os meus exames, e não deixar toda a minha vida nas mãos dele!
-Não fala assim filha!-minha mãe me abraçou.
-E sabe qual e o pior de tudo? Ele estava maltratando a Ari na minha frente, e claro, a nossas brigas triplicaram. Não dava mais!
-Maltratando a minha neta? Mas por que?
-Por que ele não gosta dela pai!
-Mas que vagabundo!
-Deixa pra la papai, acabou!
-Não, eu vou ligar pra ele, e ele vai ouvir pouca e boas!
-Não faça isso! Ele tem o poder de me fazer perder a Ari, e eu não quero isso, por isso aceitei sair de casa sem nada, ate o meu cartão ele já cancelou.
-Desculpa ter me alterado com voçe filha!
-Esta tudo bem papai!-me abraçou.
-O Peter deve estar muito feliz não e?
-Ainda não contei para ele mamãe, não faço ideia da sua reação!
-E por que não?
-Eu estou precisando de um tempinho, eu preciso organizar os meus pensamentos estou me sentindo meio perdida.
-Esta tudo bem meu amor, voçe esta em casa minha princesa!
-Obrigada papai.
-Mamãe, eu to com fome!-Ari entrou na sala, acompanhada do Michael.
-Vem com o vovó minha bonequinha!
-Não vai encher a menina de besteiras Stew! Eu já vou colocar o almoço.
-Pode deixar Laura!
-Eu estou muito feliz por tudo isso sabia?-me encarou sentando ao meu lado. E no final das contas o meu primeiro neto biológico, e do Peter!-sorriu abertamente.
-Estou apreensiva com a reação dele!
-Por que?
-Não sei, ele teve um bebe a pouco tempo, eu... Estou com medo dele achar que o bebe não e dele, por isso estou me preparando para encara-lo. Não atendi aos seus telefonemas, e desliguei o celular para nem mesmo ler as suas possíveis mensagens.
-Sabe qual e o seu problema minha filha? Voçe se esconde demais, foge demais das coisas, transforma algo que poderia ser simples, em algo quase impossível de se realizar, e as coisas não são assim, voçe não pode simplesmente cavar um buraco e se enfiar dentro dele, pois quando você sair de la, o problema ainda existira, e correra o risco de estar ainda pior.
-O que eu faço mamãe?
-Liga para ele, e conte a verdade.
-E se...
-Risca o "E se..." do seu vocabulário filha, pelo amor de Deus, aprenda a viver o agora!
-A Liz sempre fala isso!-sorri. Mas mesmo assim eu vou esperar, pelo menos o final de semana, ta bom assi?
-Acho justo!-sorriu me abraçando. Agora vamos para a cozinha me ajudar a colocar o almoço!
-Eu preciso pegar as minhas coisas no carro.
-O seu pai pega.
-Mamãe, sera que eu posso ficar um tempinho aqui com a Ari?
-E claro meu amor, nem precisava perguntar! O problema e o seu serviço não e?
-Fica tranquila, eu vou ligar para o meu chefe geral daqui a pouco, e vou pedir as minha ferias acumuladas.
-Tudo bem meu amor, e bom para voçe desanuviar a sua cabeça-beijou a minha testa.
Ela segurou a minha mão e seguimos para a cozinha, chegamos de fininho, e flagramos todo mundo tomando sorvete, e claro que a minha mãe rodou a baiana na cozinha com o papai, mas no final das contas ficou tudo bem, eu fui ajuda-la na cozinha, e o papai foi pegar as minhas coisas na mala so carro com o Michael, e a Ari.
Parte Peter
Já faziam alguns dias que eu nem via, e muito menos falava com a Cris. Na realidade a ultima vez foi no aniversario da Ari na quinta passada, hoje era segunda, e nem um sinal de vida eu tinha delas.
Decidi arrumar o Dy, cloca-lo no carro, e ir ate a clinica, eu estava cheio de saudade delas, e preciso admitir que estava louco para tudo isso se resolvesse logo, para que pudéssemos enfim, formarmos a nossa família, e parar com esta de ficar dias sem nos falarmos, ou nos vermos.
Cheguei na clinica exatamente nove e quarenta da manha, graças ao Dylan, a minha rotina era mais puxada, dormir tarde, acordar de madrugada, e acordar cedo. Bem cedo as vezes. Mas eu não poderia reclamar, eu amo muito o meu filho.
Perguntei pela Cris, mas fui informado de que ela estava de ferias, e fiquei ainda mais preocupado. Ferias? Como ela sai de ferias e não me avisa? Tem algo errado ai. Perguntei pela doutora Motta, e ela disse que a Liz estava com paciente, e que assim que ela ficasse livre, iria me avisar.
Fiquei com o Dylan no colo que perdeu o olhar na TV que estava ligada em um desenho qualquer ma ala pediátrica perto das salas de consultas da pediatria, me aproximei mais, e sorri ao ver o seu sorriso cheio de gengivas, e sem nenhuma compreensão para as cores na TV. O meu menino estão lindo, se desenvolvendo tão rápido, e me deixando mais feliz e orgulhoso a cada dia que passava. Fico feliz em estar conseguindo suprir as suas necessidades, confesso que não e nada fácil, e se não fosse a Rúbia, a Liz, a Cris, e as minhas irmas, eu estava perdido.
Depois de uns dez minutos ouvindo a risada irritante do Bob esponja-não se fazem mais desenhos como na minha época-, enfim a recepcionista me chamou, e disse que a Liz estava a minha espera.
-Bom dia!-sorri a abrir a porta.
-Bom dia Bruno, ola Dylan!-ela se aproximou passando a mão na cabecinha dele. Esta tudo bem?
-Com ele sim, a minha preocupação e outra.
-Qual?-me encarou como se não soubesse de nada.
-O que aconteceu com a Cris?
-Ah, voçe ainda não falou com ela?
-Não nos falamos desde o aniversario da Ari.
-Nossa!
-Eu ligo, mando mensagens, e nada! Acabei de ficar sabendo que ela entrou de ferias. Como assim ferias? Ela não me disse absolutamente nada. O que eta acontecendo?
-Olha, eu falei com ela esta manha, e ela esta bem!
-E comigo, por que ela não fala comigo?
-Não falei com ela pelo celular.-ela coçou a cabeça. Ela vai me matar, mas foda-se, sei que ela vai me agradecer em breve!-disse enquanto anotava algo em um pedaço de papel. Toma!
-O que e isso?
-E o numero de telefone de onde ela esta. A casa dos pais dela.
-Por que ela não me disse que iria pra la, por que ela simplesmente sumiu do mapa?
-Eu não vou mentir pra voçe, eu sei o motivo, mas eu acho que é ela que deve te contar.
-Tudo bem, eu vou ligar pra la!
-Liga sim!
-Muito obrigado Liz!
-Imagina! Beijo meu anjinho! Ele esta bem não e Bruno?
-Esta ótimo! Obrigado.
Sai do consultório, e ainda no estacionamento, depois de acomodar o Dylan na cadeirinha, eu liguei para a dona Laura.
-Alo!-ouvi uma voz masculina, não muito desenvolvida atendendo, provavelmente o irmão da Cris.
-Michael?
-Sim, quem fala?
-E o Bruno.
-Mars?-sorri.
-Sim amigão! Por acaso a sua mãe, ou a sua irmã estão por ai?
-Minha mãe esta com a Ari no jardim. E a Crystal saiu com o papai, serve a mamãe?
-Sim, perfeito!
-Só um minuto.-depois de alguns segundo a voz da dona Laura ecoou pelo celular.
-Meu filho!
-Tia Laura, tudo bem?
-Sim meu amor, e voçe, como esta?
-Estarei melhor, se a senhora me falar que a sua filha esta bem!
-Ela esta... Por que voçe não vem ate aqui? Claro, se voçe puder!
-Eu não quero criar nenhum mal estar com o marido dela.
-Fica tranquilo quanto a isso, não haverá nenhum mal estar, ate por que ele não esta aqui.
-Não?
-Não!-sorriu.
-Sera que eu devo?
-Deve! Estou te esperando aqui.
-Tudo bem, eu só vou em casa pegar algumas coisas para o Dylan, e vou.
-Pra voçe também, se não tiver nenhum compromisso, durma aqui esta noite, não e tão grande, mas acho que da para acomodar todo mundo.
-A senhora tem certeza...
-Vem logo menino, eu vou fazer o almoço, e estamos te esperando.
-Tudo bem.
-Beijos meu menino, ate mais.
-Dona Laura, eu não tenho o seu endereço ao certo.
-Claro, tem como voçe anotar?
-Sim!
Eu adorava o jeito que a dona Laura me tratava, era como se eu fosse um filho, e isso sempre me deixou muito confortável.
Assim como ela havia dito, eu passei em casa, peguei algumas coisa para mim, para o Dylan, e voltei para o carro deixando a Rúbia avisada, que passaríamos a noite fora. Ate Fresno o caminho era longo, sei que era mais de três hora de viagem, e eu espero que o Dylan, não se sinta incomodado com a longa distancia, mas eu iria ate la sim, eu estava preocupado, e precisava saber o que estava acontecendo.
Depois de um longo trajeto ate Fresno, que levou pouco mais de três horas e dez minutos, era pouco mais de uma e vinte da tarde, quando eu parei em frente ao jardim da casa em que tinha recebido o endereço, olhei através da janela do carona, e sorri abertamente ao ver a minha menininha brincando com algumas bonecas na varanda sobre a supervisão do senhor Stew. Estacionei o carro em frente a sua garagem, sai do mesmo, e logo me deparei com a minha princesinha correndo na minha direção.
-TIO!
-Meu amor!-me curvei a pegando no colo.
-Eu estava morrendo de saudades!-me abraçou forte.
-Eu também meu amor!-beijei o seu rosto. Como voçe esta?
-Bem! Cade o Dylan?
-Esta aqui no carro.-a coloquei no chão abrindo a porta de trás, pegando o Dylan.
-Peter!
-Ola senhor Stew!
-Como vai?
-Melhor agora em saber que a minha princesa esta bem, mas ficarei melhor ainda melhor quando ver a sua filha.
-Ela esta la dentro!
-E o senhor, como esta?
-Bem, muito feliz, e ansioso.-muito feliz?
-Que bom!
-E este rapazinho aqui?-mexeu na sua mãozinha, e ele sorriu abertamente tentando levar o dedo dele na boca. Não pode garotão, vem no colo do vovô meu menino.-Vovô? Ele o pegou, me deixando apenas com a bolsa dele, e a Ariel que não soltou a minha mão.
-Tio!
-Oi meu amor.- a encarei.
-Que bom que esta aqui.-sorriu, e eu a peguei no colo beijando o seu rosto novamente, e seguindo o senhor Stew.
-Crystal, voçe tem visita!
-Quem?-disse saindo da cozinha.
Quando ela entrou na sala, dando de cara comigo, ela ficou completamente paralisada, os seus olhos piscavam freneticamente, e ela parecia estar mais do que surpresa em me ver por ali, era como se ela tivesse diante de uma assombração. Sera que ela estava fugindo de mim?
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