O meu sangue gelou dentro das minhas veias, eu senti um no na garganta, e a minha espinha dar um solavanco, e logo em seguida sem conseguir mais me segurar, eu acabei emitindo um grito estridente e desesperado.
-SAIIIIIIIIII!-o meu choro se intensificou, eu estava em panico.
-Moça, esta tudo bem?
-NÃO, SAI, SAI, SAI DAQUI!-coloquei as mãos nos ouvidos na intensão de me isolar de tudo ao meu redor.
Eu me encolhi ao máximo que eu consegui, praticamente enterrei o rosto entre as minhas pernas, e neste momento, nem mesmo a minha barriga de quase seis meses me impediu de me encolher completamente. Ele continuava a bater no vidro de trás, e eu forçava ainda mais as minhas mãos contra os meus ouvidos, para impedir que eu ouvisse as batidas, e menos ainda a sua voz.
-Meu deus, meu pai, não me deixe passar por tudo aquilo novamente, eu não posso, eu não vou resistir desta vez, eu não terei forças para lutar, eu sei que não! Me proteja, proteja o meu filho, o Peter... Peter!-ao me lembrar de que ele inda estava do lado de fora, o meu desespero aumentou ainda mais. Não deixe este homem fazer nada com o Peter!
Elevei os olhos, e ele ainda batia no vidro, e tentava olhar para dentro do carro, provavelmente querendo chamar a minha atenção. Fechei os olhos mais uma vez com toda a força. tapei os ouvidos, e me lembrei do que a psicologa me disse a anos atras quando passou por todo aquele trauma. Ela me disse para que todas as vezes que eu ficasse com muito medo, respirasse fundo, e tentasse me desligar, me desligar de tudo, e de todos, criar um especie de casulo, e me esconder dentro dele. E foi exatamente isso que eu decidi fazer, me esconder em algum lugar dentro de mim, e simplesmente me desconectar de tudo, e todos.
Parte Peter
Andei o mais rápido que pude ate o posto, e comprei um galão pequeno, era o suficiente para chegar ate aquele mesmo posto, e encher o tanque. Depois de pagar o galão, comecei a voltar para o carro, eu estava preocupado com a Cris no carro sozinha, ela me pareceu tão preocupada quando sai de la, as vezes eu acho que ela e um pouco exagerada nestas coisas de segurança e tal, mas deve ser coisa de mãe.
Estava a uns cinquenta metros do carro, quando vi que tinha um cara ao lado do meu carro, e ele estava olhando para dentro do mesmo, achei estranho, e para piorar, eu não vi nenhum sinal da Cris dentro do veiculo. Senti o meu sangue gelar em minhas veias, e imediatamente acelerei o passo indo de encontro ao carro.
-Hey, o que voçe quer ai?-perguntei ao cara que me olhou surpreso.
-Tem uma moça aqui dentro, ela esta toda encolhida no vão do banco de trás, e quando eu bati no vidro para saber se ela precisava de ajuda com o carro, ela começou a gritar.
-Cris! CRYSTAL, AMOR, ABRE O CARRO!-bati no capô do carro. Ela e minha mulher!-olhei para o lado de dentro, e ela estava realmente toda encolhida no vão do banco de trás, e o do carona, ela parecia não me ouvir. CRYSTAL! -bati seguidas vezes no vidro, e na porta de trás.
-Cade a chave do carro?-o homem ao me lado questionou-me.
-Esta com ela!
-O que ela tem?-me encarou assustado, assim como eu.
-Eu não faço a menor ideia!-o encarei com uma das mãos na cabeça. Como eu vou abrir este carro?-voltei a bater no vidro. Porra, e agora?-perguntei para mim mesmo.
-Olha, eu acho que posso te ajudar!-o encarei. Eu sou mecânico, e eu acho que consigo abrir a porta do carro!
-Por favor moço, ela esta gravida, e eu estou preocupado com ela!
-Só um minuto!-ele se afastou indo ate o seu carro.
Eu olhei para o lado de dentro, e ela permanecia com as mãos no ouvido, e a cabeça baixa entre os joelhos, definitivamente, eu estava ficando apavorado, ela estava em uma posição que poderia estar machucando o nosso bebe.
O moço voltou depois de mais ou menos um minuto com uma mala nas mãos, e em seguida retirando algumas ferramentas, ele começou a mexer na porta do motorista. Eu me desliguei completamente do que o cara estava fazendo, a unica coisa que eu queria, era saber o que estava acontecendo com a minha mulher.
-O senhor e o Bruno Mars, não e?
-Oi?-não prestei atenção no que ele disse.
-Bruno Mars, não e voçe?
-Ah, sim, sou eu!
-A minha filha adora voçe, tem varias fotos suas pelo quarto.-apenas sorri com menos entusiasmo do que eu queria. Ela vai pirar quando souber que te encontrei na estrada.
-E que esta sendo muito gentil em me ajudar!
-Imagina! Olha, consegui!-respirei aliviado quando vi a porta se abrir.
-Cris, amor!-entrei no carro rapidamente segurando no seu braço. Amor, olha pra mim!-ela elevou o olhar, e parecia estar aérea, parecia que ela estava em outro lugar completamente diferente daqui. Cris, voçe esta bem?-ela não disse nada apenas olhava para o nada. Meu deus, o que aconteceu?-a puxei para o meu colo, e ela apenas envolveu os seus braços ao meu redor, e eu a apertei contra os meus.
-Medo!-foi a unica coisa que eu ouvi sair de forma tremula dos seus lábios.
-Medo de que meru amor?
-Medo, muito medo!-ela se agarrou ainda mais ao meu pescoço.
-Já passou meu amor, eu estou aqui com voçe, não vai acontecer nada, eu juro!-beijei a sua cabeça, e ela começou a chorar. Esta tudo bem, não precisa chorar!
-Desculpa, mas ela esta realmente bem?- o homem questionou-me.
-Eu acho que sim!-olhei para ela e acariciei o seu braço. Eu espero que sim!
-Moça, me desculpe se eu te assustei, eu só queria saber se estava tudo bem com o seu carro, e a senhora!
-Eu... Sou eu que te peço desculpas!-passou a mão no rosto. Eu só me assustei!
-Senta aqui meu amor, eu vou colocar o combustível que comprei no carro!
-Eu coloco para o senhor, fique com ela, ela esta bastante assustada!
-Obrigado, o senhor e um ótimo homem!
-Imagina!
-O que aconteceu?-a encarei enquanto ela sentava no banco do carona.
-Eu pensei que tinha me curado, já fazia alguns anos que eu não ficava assim tão apavorada!
-O que houve aqui?
-Trauma! Trauma daquela noite Peter, daquele maldito dia!-olhei para ela que estava de cabeça baixa, ainda chorando, e ai eu entendi o que ocorreu.
-Eu sinto muito, não deveria ter te deixado sozinha!
-Passou um filme na minha cabeça, eu senti tanto medo, e quando eu vi o homem do lado de fora, eu... Acho que entrei em choque!
-Meu amor!- a puxei para um abraço! Esta tudo bem agora, fica tranquila!
-Senhor Mars, eu já coloquei o combustível!-ele apareceu novamente na porta que permanecia aberta.
-Muito obrigado! Me desculpe, eu nem perguntei o seu nome!
-John. John Newman!
-Muito prazer John, e muito obrigado!-apertei a sua mão. Nem sei como te agradecer!-ameacei pegar a minha carteira, queria lhe ser grato, mas ele me interrompeu.
-Não precisa disso! Eu só queria que o senhor desse um autografo a minha filha, ela ficaria simplesmente radiante, e eu me sentiria completamente gratificado!
-Mas e claro!-bati nos bolsos, a procura de ao menos uma caneta.
-Toma, pode assinar no meu bloco de orçamento!-sorrimos.
-Eu acho que tenho algo melhor aqui!-sorri. Qual e o nome dela?
-Kimberly, mas todos a chamam de Kim!
Lembrei que tinha no porta luvas um UJ que estava rolando no estúdio, e resolvi dar para ela. Assinalei um autografo para a filha do bom homem no CD, e depois de mais uma vez pedir desculpas por ter assustado a Cris, e vice versa, nos despedimos sendo eternamente grato a ele por ter aberto o carro para mim. Enfim seguimos caminho ate o posto mais proximo, onde eu completei o tanque para não ter mais nenhum imprevisto durante a viagem.
A Cris ainda estava um pouco arredia, e eu fiz de tudo para distrai-la, eu fiquei muito assustado quando a vi daquela forma, definitivamente ela vai carregar este trauma para o resto da vida.
Era mais ou menos duas e meia da manha quando chegamos a Fresno, as luzes da casa da dona Laura estavam quase todas apagadas, menos a sala, e era possível ver a sua silhueta andando de um lado para o outro com o Dylan no colo. Ela deveria estar exausta.
Saímos do carro, e enquanto eu pegava as nossas malas, ela seguiu na frente tocando a campainha, e mesmo de longe era possível ouvir o chorinho do nosso filho quando ela o pegou no colo. Porem quando me aproximei da porta, e ele me viu, o seu choro se tornou estridente, e logo ele esticou os braços em minha direção.
-Estava com saudades do pai amor?-me aproximei beijando o seu rosto, e ele agarrou o meu pescoço.
-Parece que sim! Pega ele amor!
-Me deixe somente colocar as malas do lado de dentro para entrarmos!-com um pouco de dificuldades eu consegui me soltar dele para colocar as malas do lado de dentro, e enfim fazer a sua felicidade o pegando no colo, que começou a se acalmar imediatamente.
Parte Cris
O Peter tinha acomodado as malas na sala, e estava sentado no sofá com o Dy, nos braços enquanto ele terminava de tomar a mamadeira que a minha mãe tinha feito, e ele não quis anteriormente.
-O que houve filha?-minha mãe parou ao meu lado afagando as minhas costas, eu olhei para ela, e apenas a abracei. O que foi meu amor, a sua cara não esta muito boa!
-Esta tudo bem! Como esta a minha filha?
-Dormindo, ela ficou muito bem! Como a minha neta e prestativa minha filha, que amor!
-Sim, ela e um encanto mamãe!-respondi ainda um pouco tristonha, não queria passar nada para a minha mãe, por isso logo abri um sorriso.
-Este seu falso sorriso não me engana Crystal, o que aconteceu?
-Foi apenas um susto mamãe!
-O que aconteceu?
-Eu descobri que ainda estou muito traumatizada com aquele episodio!
-Venha, vamos conversar na cozinha!
Contei a ela tudo o que aconteceu, e ao final do meu relato, estávamos abraçadas aos prantos, a minha mãe sentia a mesma angustia e medo do que eu, e ela me fez uma confidência, de que ainda sente muito medo por mim quando estou na rua sozinha, principalmente de carro. Definitivamente este foi, e sera um evento que jamais sera esquecido nem por mim, e muito menos pela minha familia, talvez apenas minimalizado com o tempo.
Quando voltamos para a sala, a minha mãe se despediu dizendo que já que tínhamos voltado, agora ela iria tentar dormir um pouco. Agradecemos a ela por ter cuidado do nosso bebe, e depois de dar um beijo em cada um, ela subiu para o seu quarto.
-Vamos subir também?-acariciei o rostinho do Dy que estava com a cabecinha no peito de seu pai, e elevou os olhinhos ate que nos encarássemos. Estava com muita saudades do meu amorzinho sabia?sorri beijando a sua testa, e ele passou o bracinho no meu pescoço vindo para o meu colo.
-Parece que ele também estava com saudades!
-Verdade!- o afaguei em meus braços.
-Vamos subir, e tentar dormir um pouco!-ele se levantou beijando a minha cabeça, pegando as malas em seguida.
Seguimos para o quarto em que ficaríamos, o Dy estava no mesmo quarto que a Ari estava dormindo, e o meu estava completamente desocupado ate então. Pedi para o Peter pegar uma troca de roupa do Dy no quarto da Ari para que eu o trocasse antes de dormir, ate pensei em lhe dar um banho, mas não achei apropriado fazer isso quase duas e meia da manha, por isso decidi apenas lhe trocar, e colocar algo um pouco mais fresco e confortável, pois mesmo com o tempo chuvoso do lado de fora, a casa estava bem quentinha.
Enquanto lhe trocava, o Peter foi tomar o seu banho, e quando terminei de troca-lo, fui ate o quarto da Ari, ver como ela estava. Entrei devagar com o Dy nos braços, e vi que ela dormia calma, e tranquila. Como eu senti falta dos meus amores, das vidinhas de mamãe. Me curvei beijando a sua cabeça, acariciando os seus cabelinhos, e ela apenas se mexeu um pouco, nada que indicasse que ela iria acordar.
Já de volta ao quarto, o Peter tinha terminado o seu banho, estava trocado, e deitado, acomodei o Dy ao seu lado, que já estava mais pra la do que pra cá, e fui tomar o meu banho. Procurei não demorar demais, e evitar ficar pensando no que tinha acontecido, eu precisava seguir em frente, precisava tentar deixar este passado, este fantasma para trás.
§
Voltamos para casa no dia seguinte depois do almoço, foi muito bom voltar no inicio da tarde, por que não tinha transito, e em poucos minutos estaríamos em casa. O restante do domingo foi tranquilo, pedimos o jantar em um restaurante italiano, pois desde a hora em que chegamos apenas tomamos um banho, e ficamos na sala vendo filmes, e matando as saudades dos nossos pequenos.
§
Hoje era terça feira, o Peter não dormiu na minha casa esta noite, eu gostava de passar as noites com ele, era bom, confortante, e eu me sentia segura, mas acho que ainda não estava preparada para um, novo relacionamento, sabe algo como um casamento, os dois na mesma casa, rotina, enfim, e melhor esperar mais um pouco, talvez depois que o nosso bebe nascer.
Eu tinha deixado a Ari na escola, e estava no meu consultório me despedindo da minha segunda paciente do dia, quando eu recebi um telefonema, no meu celular. Olhei no visor, e não reconheci o nome.
-Alo!
-Bom dia doutora Crystal García?
-Por enquanto sim!-disse e a mulher esboçou um sorriso.
-A senhora gostaria de ser chamada de outra forma?
-Sim, por favor! Crystal Fernandes, de preferencia!
-Claro, como queira! Bom, aqui e a doutora Rochele McAdans, sou advogada, e conciliadora financeira, fui contratada pelo doutor Rafael García, para fazer a conciliação dos bens que estão no nome do casal durante o processo de divorcio!-Ai. Meu. Deus. O que ele quer?
-Desculpa, mas eu não estou entendendo.
-Bem, dona Crystal, para que o processo de divorcio siga sem nenhuma contratempo, e para que possa sair ainda mais rápido, precisamos de uma partilha mais exata dos bens, e para isso ele preferiu uma conciliação.
-Mas eu disse que eu não quero nada dele!
-Mas o meu cliente faz questão, ele não quer que voçe por acaso volte atras, e queira recorrer aos seus direitos!-fui obrigada a sorrir.
-Mas que idiota!-ela mais uma vez esboçou um sorriso. Eu não queria mais precisar olhar para a cara dele, mas como ainda dependo dele para uma pendencia, tudo bem, eu aceito ir.
-A pendencia na qual a senhora se refere, e a menor que esta sobre a guarda do casal?
-Sim! Não quero que ele a tire de mim!
-O meu cliente não fará isso, apesar de que, segundo ele, ele teria direito a isso, mas ele reconhece que errou, e não pretende fazer nada para retirar a menina da sua guarda!-oi? Ele esta bem? Confesso que só aquilo já me deu um motivo maior e melhor para sorrir, mesmo sendo uma atitude muito estranha vinda dele, diante de como a nossa separação tinha acontecido. Pois bem doutora Crystal, posso marcar para amanha a conciliação?
-Pode ser no inicio da tarde, por volta da uma hora?
-Pode sim! Sera na casa do meu cliente! A aguardaremos la senhora!
-Só mais uma coisa!
-Pois não!
-Preciso levar a minha advogada?
-Não, nos vamos apenas fazer a conciliação dos bens, eu sou apenas uma mediadora, e não a advogada dele! Não estarei nem do lado dele, e nem do seu lado. Serei justa!
-Tudo bem! Ate amanha então!
-Ate amanhã!
Nos despedimos, e eu finalizei a ligação. Eu mal poderia acreditar, ele realmente não iria fazer nada em relação a Ari? Se isso for realmente verdade, e maravilhoso. Posso falar com convicção que parte da minha preocupação esta completamente sanada. Agora o negocio é, como vai ser o nosso reencontro depois da nossa separação tão conturbada?
- Bom dia/tarde!
- Ola meus amores, me perdoem pelo tempo sem postar, mas e que a minha casa passou natal, e ano novo em reforma. Ainda esta, e por conta disso só hoje que eu consegui um tempo para parar, e ligar o computador.
- Apesar de parecer, eu não esqueci de vocês, eu jamais esqueceria de vocês, que são a minha segunda família. Me desculpem, ter sumido mais uma vez, e não ter vindo desejar boas festas!
- Espero que vocês tenham passado um natal maravilhoso, com muitos presentes! Que e a melhor parte, depois da comida e claro!
- Espero também que a passagem de ano tenha sido incrível, com muita saúde, amor, e felicidade para todas, que e o que eu desejo para cada uma de vcs neste ano que se inicia. Que Deus abençoe a família, e a casa de cada uma. Que coisas boas aconteçam na vida de vcs!
- Ainda não tem como voltar a escrever a fic, mas prometo que assim que possível, eu tentarei dar continuidade a esta historia, e poder dar um ponto final decente a ela!
- Obrigada a todas pela paciência, e pelo carinho comigo, e com a fic!
- FELIZ 2016 A TODAS! E que aquele baixinho insolente lance álbum este ano! kkkkkkk AMO VCS!
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